Denúncia | Opinião | Sexo | Internet | Música O mundo nas minhas fotos: parte 1 | parte 2_

Somos um casal

Sexta-Feira à noite na Casa Conveniente, um "buraco" entalado entre bares de putas, em pleno Cais do Sodré. Falta um bocado para o espectáculo começar (e, no teatro, por força dos sagrados atrasos, isso quer dizer que falta "ainda" mais do que parece), e as pessoas levantam os bilhetes reservados. À minha frente, duas raparigas pagam os seus. A moça da "bilheteira" (ali não existe isso) pergunta-lhes se, para facilitar, lhes pode dar o troco em conjunto e, depois, elas que o dividam. Uma das raparigas diz que sim e a outra, arrapazada, avança logo com um quase ansioso "somos um casal".

Ah, pronto, se elas são um casal, então, está bem - já se vê -, faz todo o sentido dar-lhes o troco por inteiro! Aliás, muitas outras coisas fariam sentido como, por exemplo, andarem vestidas de igual, usarem camisolas com o rosto da sua cara-metade, beberem suminho pelo mesmo copo usando duas palhinhas ao por-do-sol enquanto corações vão subindo com o gás... sei lá, um ror de coisas que todos os casais fazem. Para além de receberem o troco em conjunto.

O que me lixa é que, da próxima vez que eu for ao café com algum rapaz, tenho de vincar bem que cada um paga a sua conta, só porque somos muito machos! E se o pacóvio do empregado, numa de se fazer engraçadinho, me perguntar se "é tudo junto", é mandar-lhe, logo um sonoro "nós não somos maricas, ó panasca!". Se fôssemos, fazia sentido partilhar a conta. Como não somos, não há cá coisas para ninguém...

... a menos que dê desconto. Se um casal tiver desconto, talvez me sujeite a fazer má figura por uns instantes. Como isto está, talvez seja uma hipótese a considerar num futuro próximo.

Mas, pronto... as raparigas devem estar a viver o despontar da sua paixão e acham importante comunicar ao mundo a sua união, ainda que a pretexto de um simples troco de 20 euros. Outras já se lhes adiantaram, aos beijos em plena Rua do Carmo ou no metro em hora de ponta. "Elas" são mais atrevidotas do que "Eles". É por isso que acabo por ter algum respeito pelas lésbicas. Preocupam-se menos com a palhaçada e mais com os actos. É assim que deve ser. Com ou sem troco em conjunto.

Era uma vez um homem...


Era uma vez um homem a quem perguntaram o que achava dos homossexuais.

A sua resposta foi:

- Eu quero é que eles vão levar no cu !!!

Vontade de chatear (8)

A mota na fotografia estava estacionada assim, num dia de semana, em plenas Avenidas Novas, em Lisboa.

Repare-se que não estava ali para uma curta paragem - o que, até isso, seria estúpido -, não, ela estava estacionada naquele local, propositadamente em cima da passadeira, ocupando o máximo de espaço e bem um metro dentro da estrada.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

O meu filho está preso - parte 3

Terceira e última parte da saga "O meu filho está preso".

O facto de uma das folhas ter sido arrancada da parede poderá impedir-nos o acesso a informações vitais para a compreensão da história. Que segredos seriam ali revelados? Quem seria comprometido? A "progenitora", o pai, o filho? A directora da Casa Pia? Nunca chegaremos a sabê-lo.

Mas o último episódio realça algumas das linhas de força do enredo. O "filho" tem computador e telemóvel. Também teve duas "negas" na escola. Se isso foi, ou não, consequência do estado do frigorífico, não se sabe. Apenas se pode especular. Apenas de pode imaginar o que se terá passado verdadeiramente naquela casa da Rua do Salitre...

Para quando o filme?

Michael "Eddie" Jackson



:)

O meu filho está preso - parte 2

A saga continua e a trama adensa-se.

A progenitora da "criança" que está presa (e que fala várias línguas e mexe em computadores) veio de Londres propositadamente para a tentar vender por €15.000 a estrangeiros.

Notam-se aqui aparentes incongruências no enredo mas deve ser a bem da emoção...

(carreguem na imagem para verem melhor)

Ronaldo pontapeia carro de fotógrafo em Lisboa

Não sou fan do Cristiano Ronaldo. Confesso que a sua arte das fintas me baralha a ponto de não perceber que raio é que ele anda a fazer na Selecção (eu e mais uns milhões, parece-me...), mas gosto dos pontapés do homem. Isso. Para mim, o Ronaldo só devia mexer-se para dar pontapés: livres, penaltis, remates de fora da área e... pontapés em carros de papparazzi.

No que respeita a esta última qualidade de alvos, acho que deviam ser todos postos em fila, assim numa espécie de festival, e o CR - 7 ou 9, isso não interessa -, ia percorrendo a longa bicha de inúteis e "pimba!" - olhó vidro -, "pimba!" - olhá porta. Depois de cada papparazzo ter apanhado um valente susto dentro da sua armadura, era retirado cá para fora e passávamos à segunda fase do evento: o pontapé no cu.

Mais uma vez, todos os papparazzi eram postos em fila, em posição de quatro ou, se o preferissem, com o rabinho levantado e a cabeça encostada ao chão e lá ia o CR7 (ou 9) distribuindo biqueiradas por toda aquela canalha.

Não sei se o CR gritou golo quando se atirou ao carro do papparazzo descrito na notícia do 24 Horas mas, se não o fez, isso foi uma falha. Igualmente desconheço se a Dona Gertrudes deu gritos de "ai meu filho que te desgraças" mas, se o fez, foi para bem do espectáculo.

Quanto ao fotógrafo e à sua amiga, devem estar a esfregar as mãos de contentes com a perspectiva de alguns milhares que vão encaixar à custa de andarem a foder o juizo aos outros e, por uma vez, o outro ficar fodido com isso.

Arquitectura no CCB

A não perder, a actual exposição no piso 2 do CCB - "Pancho Guedes - Vitruvius Mozambicanus" -, uma retrospectiva da carreira do arquitecto português, quase toda ela feita na África austral (Moçambique e África do Sul).

Mas a obra de Pancho Guedes (que, confesso a minha ignorância, era um perfeito desconhecido para mim) vai além dos traços no estivador e salta para a escultura e a pintura. A primeira, centrada à volta de algumas formas base e a segunda feita de cores alegres e traços kitsch, emanando uma alegria por vezes enganadora.

Conhecer a obra de Guedes é uma lufada de ar fresco para quem está farto do minimalismo e da datadura do ângulo recto. E é uma viagem a um passado ainda não muito distante onde todos acabamos por encontrar qualquer coisa de nostálgico.

Até 16 de Agosto, no CCB. Mexa-se!

Rita Mendes na Playboy PT

Aposto que já estavam a estranhar meia-dúzia de dias sem se falar da Playboy portuguesa...

Bom, já é público quem será a coelhinha do número 4: Rita Mendes. A apresentadora de programas de televisão de má qualidade (fel, fel...) deixou-se de tretas e posou para a revista preferida de muito bom rapaz.

Acho bem. São estas personagens que deviam ser as primeiras a darem um passo em frente e dizerem "presente". São estas pequenas, sempre com aquela pose atrevidota, o decote bem puxado (para baixo), a conversa marota, que têm de mostrar que, afinal, isto de posar nua não é nada do outro mundo e toda a gente fica contente. Pelo menos, eu fico...

O que eu já não acho bem é que numa revista onde a fotografia erótica é o prato principal, alguém aceite pousar e, no fim... não se desnude por completo! A isto chama-se fraude. Assim mesmo. Quem compra a Playboy espera ver mulheres nuas e não mulheres parcialmente despidas.

Querem ver? Carreguem aqui

O meu filho está preso - parte 1

Fica hoje, aqui, a primeira parte de um conjunto de folhas afixadas num prédio em ruínas, na Rua Rodrigues Sampaio (Lisboa, paralela à Av. da Liberdade, do lado esquerdo de quem desce).

Aparentemente, há um drama que envolve a prisão de um rapaz. O pai está desesperado e revoltado. O filho tem telemóvel, fala línguas e mexe em computadores.

Hollywood, onde estás tu?

(carreguem na imagem para verem melhor)

Questão de genealogia

A genealogia é importante, tão importante que um dos poucos programas que alguma vez comprei na vida foi, precisamente, um para tratar da minha árvore genealógica. Quando percebi que era fraquinho, pirateei outro melhor.

Bom, isto vem a propósito de um texto no PeopleWare onde se falava no país-irmão: o Brasil. Ora, isto está mal. Não só é uma imprecisão do ponto de vista genealógico como ainda coloca a rapaziada sul-americana num nível pouco recomendável se atendermos àquela parola mania de chamar "nossos irmãos" aos espanhóis.

Portanto, vamos lá por ordem na casa - ou antes -, na árvore: os brasileiros não são "irmãos", são "filhos". Passe-se à parte das óbvias piadas e reconheça-se que eles são nossos descendentes (por muitas misturas que a boa velha Europa lá tenha provocado), logo, são, no mínimo, filharada nossa.

"Irmãos" só temos uns, os galegos e mais nenhuns. Se do ponto de vista "genético" se pode argumentar, já em termos linguísticos, o parentesco é inegável.

Castelhanos e Catalães são primos. Os bascos nem sequer da família são.

Franceses e italianos são primos em segundo-grau, estão lá mais longe e os Romenos, esses, são aqueles parentes afastados que só cá vêm chatear de vez em quando.

Estamos esclarecidos?

Quando verter águas dá gosto

Uma das casas de banho dos Armazéns do Chiado tem uma bela vista porque a fileira de urinóis termina numa janela virada para o Castelo.

Para poder mictar e contemplar na perfeição a paisagem é preciso perder a vergonha. Isto porque os "autores" da casa-de-banho não puseram uma barreira após o último urinol, o que expõe quem ali esteja à curiosidade dos habitantes dos prédios fronteiros. Pode-se ficar no penúltimo urinol, claro, e dessa forma manter uma certa reserva da nossa privacidade. O problema é se está um tipo depois... No Chiado, isso é coisa que não convém fazer. Aliás, por vezes, parece-me que o melhor é mesmo entrar e sair olhando para o chão.

Bom, "coisas" à parte, a vista é bonita e, se se tiver mesmo aflito, então, é aproveitar. E não perder a pontaria, já agora...

Vontade de chatear (7)

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Um pequeno luxo

Um pequeno luxo é o que se pode chamar ao que aconteceu ontem no Instituto Franco-Português, em Lisboa. Alex Beaupain, um dos nomes grandes da actual música francesa, trouxe à sala do instituto o seu espectáculo "Tout Ira Bien", um conjunto de canções intercaladas com textos, na simplicidade musical de um piano, um violoncelo e uma leitora.

Para quem não dominasse a língua francesa, o espectáculo poder-se-ia tornar um pouco frustrante devido à ausência de tradução dos textos. Mesmo para quem tivesse (como eu) uma compreensão razoável do idioma, muitas partes terão ficado em branco. Mas, ali, o que era verdadeiramente importante eram as canções, várias delas fazendo parte da banda sonora de "Canções de amor", o interessantíssimo filme de Christophe Honoré que foi buscar justamente às canções de Beaupain toda a sua força.

Vestidas com uma roupagem mais simples, nem por isso canções como "Il faut se taire", "Les yeux au ciel", "Au parc" e "Si tard" perderam a sua beleza e foi, realmente, um luxo poder ouvi-las ao vivo, no contexto quase recatado de mais um evento gratuito promovido pelo IFP, esse local quase imutável onde em tempos eu estudei e do qual andei ausente durante largos anos, para vir a descobrir que, quase 15 anos depois, tudo continua na mesma: os espaços, a decoração, os cheiros...

Esteticamente, o IFP pode ser um sítio parado no tempo mas é, cada vez mais, para mim, uma referência de "pequenos" eventos francófonos (e não só!) que marcam uma diferença muito boa de seguir.

Morreu Michael Jackson

Morreu Michael Jackson, Michael Jackson morreu. O homem a quem o marketing continua a chamar "o rei da Pop" não resistiu a uma paragem cardíaca e deixou por, finalmente, fim à carreira e à vida.

Vi-o actuar, numa outra vida, sua e minha. O antigo estádio José Alvalade estava repleto de gente que aguardava ser enfeitiçada por um espectáculo que todos sabiam ser grande. E foi. Michael Jackson e os seus bailarinos encheram o enorme palco - próprio dos concertos de estádio -, com música, dança, alegria... Tamanho o esforço que após o espectáculo surgiu o boato de que, durante grande parte do evento, não era Mickael Jackson que estava em cima do palco mas sim um bailarino seu substituto. O bailarino existia, de facto, e era um verdadeiro sósia do cantor. Se o substituiu ou não, não sei. Mas, se o fez, fê-lo em grande estilo.

Jackson marcou a música norte-americana (i.e., estado-unidense) e, como consequência natural, marcou-nos a todos em doses diferentes. Soube inovar ou soube escutar quem o aconselhou a tal. Antes de Thriller e o seu "aterrorizador" vídeo, os telediscos eram incipientes. A partir daí, os orçamentos e o reconhecimento artístico dos vídeos musicais não pararam de aumentar.

Diz-se que o álbum onde canções como "Human Nature" ou "Beat it" se fazem notar continua a ser o mais vendido da história. Se calhar não em termos absolutos, se calhar apenas para um artista a solo, se calhar para um artista a solo americano, se calhar, se calhar... Se calhar, quando falássemos de Michael Jackson deveríamos fazer um esforço para esquecer tudo o que se diz dele, todas as histórias, todas as bizarrias, todas as taras, toda a publicidade... e focarmo-nos na única coisa que poderá sobreviver na memória da música: o talento de um grande artista que nos fez dançar, que nos divertiu, que nos preencheu tantas vezes o vazio do silêncio.

A vida de Mickael Jackson continuará a ser contada e servirá, concerteza, de tema a muitas obras. A sua personagem é fascinante pelo aspecto camaleónico, pelo trajecto decadente, pelas fobias...
O homem que não queria envelhecer e que, tal como Peter Pan, queria viver na Terra do Nunca e rodear-se de crianças; o homem que foi acusado de molestar sexualmente rapazinhos mas que proporcionava a tantos condições de vida com que nunca sonhariam; o benemérito; a criatura que vivia apavorada com os germes, com o toque dos outros, com o ar impuro; o endividado; o preto que queria ser, literalmente, branco... Jackson foi uma fonte de notícias, de histórias, de piadas, em proporção inversamente proporcional à do seu êxito. Conforme a sua estrela se foi apagando, avançaram as sombras.

Recentemente, em Londres, um sempre mais pálido Jackson, agora tornado numa horrenda caricatura andrógina, de aspecto quase alienígena, anunciou que iria retomar a estrada, lançar-se à reconquista das multidões. Foi aplaudido pelos seus indefectíveis, quantos deles sentindo-se - tal como o seu ídolo -, personagens deslocadas numa história que não é a sua. Havia de tudo no grupo dos que lhe batiam palmas mas havia, sobretudo, a aparência de uma festa que já acabou e à qual nos queremos, desesperadamente, agarrar. São os "regressos", dirão alguns. Servem para contentar muitos saudosistas e iniciar alguns recém-chegados. São também as dívidas a exigirem pagamento, na maior parte dos casos... No de Michael, era-o, certamente.

Com a desgraçada ironia que marca os grandes falhanços, uma semana antes de Jackson voltar aos palcos o seu coração foi abaixo. Afinal, não foi o nariz...