São 14:40 e um véu de sono parece querer cobrir-me, aqui, nesta pasmaceira onde trabalho, sub-subúrbio de Lisboa por intermédio do Cacém. Ao longe vejo o rio e o mar. Lisboa tão perto que apetece esticar o braço e agarrar a ponte. Ou então, fugir em direcção a Carcavelos, correr para a praia, atirar as coisas para a areia e mergulhar nas águas quase sempre mornas.
De um e do outro lado, chama-me qualquer coisa melhor do que a luta contra a vontade de me esticar e deixar o tempo passar...
A sesta não devia ser um luxo redescoberto por uns quaisquer americanos excêntricos, dispostos a pagar uma pequena fortuna pelo saudável prazer de descansar vinte minutos após o almoço. A sesta devia ser uma instituição, imposta pela lei e pelo hábito.
De que vale fazerem estudos demonstrando que a sesta não só é necessária ao corpo como também é um revigorante para a cabeça se, depois, as conclusões esbarram na habitual tacanhez dos espíritos? "Perder 20 minutos por dia a dormir? Só se compensarem esse tempo ao fim do dia..."
Argumenta-se com os tais estudos, com o enorme aumento da produtividade causado pelo refrescar do espírito, afinal, com o bem da empresa... É latim mal gasto...
A sesta é como a mulher do próximo: apetece mas é pecado.
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