[ O riso é coisa de morcegos ]

Estou cansado. Dormi quase o que devia mas, mesmo assim, sinto-me moído. Deitei-me tarde porque estreava uma série de humor na SIC e, nas nossas TV's, estas coisas ficam para tarde, para muito tarde. Neste caso, para depois da meia-noite. É engraçado (mas não faz rir) que programas que apelam ao pensamento ou à gargalhada (sejamos optimistas) sejam atirados para altas horas. Porque, para mim, meia-noite ainda é tarde. Admito que não o seja para quem não faça nada no dia seguinte mas para quem tem de se levantar cedo, meia-noite é tarde! Imaginem uma e tal que foi quando me deitei... E assim, fica-se numa situação em que nos apetece rir mas não o fazemos ou não o devemos fazer a menos que queiramos acordar o resto do prédio. Sorri-se, portanto e, ocasionalmente, deixa-se escapar um risinho mais entusiasmado.

Para poder ver a dita série tive de levar com alguns longos minutos de telenovela o que me fez pensar que, antigamente (não, não, já depois do 25/04...), as telenovelas passavam à hora do jantar ou um pouco depois. Posteriormente veio um período em que passaram a ser ao almoço, durante a tarde e ao jantar. Agora, das duas uma, ou as donas de casa (que ainda são o grande público destas coisas!) não se despedem do marido no outro dia de manhã ou as TV's já só passam telenovelas. Devo ter-me distraído e não apanhei o momento em que a telenovela foi declarada oficialmente como a sopa que todos temos de comer. De qualquer modo, telenovela até à meia-noite é obra. O "coroné" e o jagunço mais a "minina" e o "negão": o raio que os parta! Para ver três palermas a tentarem dizer umas piadas tive de estar acordado até à uma e tal da manhã e tudo por causa das telenovelas?! Ora bolas! Vão si cátá!
Telefonaram-me agora por causa da recepção de um "press-release". Assim mesmo. Há uns anos dizia-se um "comunicado de imprensa".
E isto desenrola-me na cabeça uma pequena listagem. Confiram:









AntigamenteAgora
Comunicado de imprensaPress release
Salão de exposiçõesShow room
OrçamentoBudget
ItemItem (leia-se "áitame")
IDID (leia-se "aidí")
VerificaçãoCheck, checking, checkage (???)
Gestor de produtoProduct manager
RascunhoDraft
ImpressãoPrint



Em boa verdade, a lista é enorme mas não me apetece estar a pensar muito agora. Isto foi só em jeito de desabafo.

Só não substituem a palavra imbecil porque, em Inglês, se diz quase da mesma maneira...

Natal é quando um homem quiser

O Natal está aí. Na realidade, está ali, melhor, lá ao fundo, a um mês de distância. Já esteve ainda mais longe mas, já nessa altura, estava pertíssimo de nós. O milagre é conseguido pelos comerciantes, essa raça sempre pronta a dar cabo do sentido e dos valores de qualquer data em nome da sacrossanta Economia. É curioso este termo - Economia -, na realidade é uma contradição de si mesmo. Para a Economia o que é bom é que se gaste. Economia x Consumo? Não, Economia=Consumo.
Bom, voltando ao Natal: a um mês do dito já me sinto bombardeado com publicidade sorridente acerca da confortável alegria da quadra. As ruas enchem-se de decorações luminosas, as montras de enfeites, o Pai Natal fez uma chegada em grande no Algarve e trouxe consigo uma pista de gelo.


Uma grande parte do mundo cristão (o único que devia comemorar o Natal) encontra-se em zonas onde não há neve, onde o PN nunca poderia vestir-se com aquela roupa quente e onde a própria árvore de Natal assumiria uma forma completamente diferente. E qual é o problema? Sim, qual é o problema de o mundo inteiro se rever em estereótipos que nada têm a ver com a cultura de cada povo mas que são meros "enlatados" do consumismo ocidental? Nenhum, a julgar pela forma como todos aderem à coisa. É o caso da árvore de Natal: como seria se, em vez do pinheiro ou do abeto tivessemos a palmeira de Natal? Uma palmeira nunca poderia servir para comemorar o Natal. Já imaginaram o trabalho que seria colocar as decorações lá em cima, no único sítio que essas inúteis árvores têm com folhagem? Devaneios...


Quando eu era miúdo, ansiava pelo Natal. Um pedaço antes já só pensava nos brinquedos que iria receber e nas coisas que iria comer. É claro que havia sempre um "engraçado" que, em vez de um belo brinquedo me oferecia roupa ou ainda pior (naquela altura), um envelope com dinheiro mas mesmo que a coisa corresse mal, havia sempre as broas para adoçar a noite. Hoje em dia, o concentrado de Natal diluiu-se. Aquele curto período, agora transformado em mês e meio perdeu a graça. É difícil aguentar o "espírito" durante tanto tempo. Quando se chega ao que interessa mesmo já se está cansado e a querer que tudo aquilo passe depressa. É triste. É mesmo muito triste. Porque, num mundo cada vez mais bruto, o Natal ainda era aquela época com alguma doçura em que a família se juntava com gosto. Agora, cumpre-se uma data.
Natal é quando um homem quiser: aparentemente, muitos homens querem que o Natal comece no princípio de Novembro. Para vender, para ajudar à Economia. E isto não é esquisito? Por um lado as pessoas queixam-se da falta de dinheiro, os comerciantes queixam-se da falta de vendas e, por outro lado, aumenta-se o período de campanha intensiva de vendas... Já se sabia que o Natal vinha envolvido em toda aquela hipocrisia do amor e fraternidade quando se resumia a prendas e comida. Agora, a máscara começa a cair de forma definitiva. Um dia destes, o Natal há-de começar em Agosto, para aproveitar os turistas que cá estão. É pô-los a fazer as comprinhas de Natal à vinda da praia, ó gente!

Hoje, antes da hora de almoço, eu já tinha programado em: ASP, VBScript, JavaScript, ColdFusion, PHP, mySQL, MSSQL, HTML e Visual Basic. Até aqui, é o dia-a-dia. O que me faz notar isto é a ironia de, a certa altura, eu atender o telefone (sim, também faço de telefonista) e alguém me pedir para falar com o responsável do Departamento de Formação da empresa. Pus a chamada em espera e perguntei ao meu chefe se devia desatar a rir ou passar-lhe a chamada. Ele disse que eu podia rir. Resolvi não o fazer e disse ao indivíduo que estava do outro lado da linha para mandar um email para a empresa.
Já estou nesta empresa há mais de 5 anos e nunca tive qualquer tipo de formação profissional...
Percebem agora a piada?
Se me deixarem...

Estou a fazer uma alteração num site e preciso testar a dita

1) O meu PC começa a moer (como de costume)
2) O IE, atacado por um vírus que não se consegue remover, abre-me insistentemente janelas.
3) Dizem-me que não posso desinstalar o IE (?)
4) O IE deixa de funcionar.
5) Tento o Opera. Dá-me uma incompatibilidade
6) Mudo de PC. Este está a correr uma tarefa e o IE nem abre
7) Tento mais um PC. O site leva imenso tempo a abrir.
8) Finalmente, o site abre. Tento fazer login mas não consigo.
9) Após algum tempo, consigo entrar. O programa dá erro.
10) Sento-me à mesa para corrigir o problema. Pego na caneta para escrever e... a tinta acabou.
11) Procuro uma caneta. Não há.
12) O armário onde as canetas estão guardadas está fechado à chave.
13) Só o chefe tem a chave do armário das canetas. O chefe não está.
14) Pego num lápis. Está sem bico.
15) Procuro um afia-lápis: não encontro.
16) Vou buscar uma caneta de recurso que trago comigo. Está seca.
17) À beira de um ataque, lembro-me de processar alguém num milhão de dólares por danos causados aos meus nervos. Mas isso é na América...
Eu costumava trabalhar em Lisboa. Melhor, eu costumava trabalhar no centro de Lisboa. Eu sempre trabalhei no centro de Lisboa: na Baixa, na Av. da Liberdade, em Campolide, na Av. da República... De há quase dois anos a esta parte trabalho num subúrbio. Eu nunca precisei de sair de Lisboa para nada a não ser... mulheres. Por qualquer razão, essas, as que foram e as que podiam ter sido eram sempre de fora de Lisboa. Mas eu perdoava-lhes o defeito. Agora, a minha vida é feita do caminho entre uma casa quase à saída de Lisboa e um triste subúrbio onde trabalho num ainda mais triste apartamento de um tristíssimo recanto de uma zona dormitório. Não é mania mas a praceta onde fica o meu trabalho é o canto mais feio de toda esta zona. É preciso galo.
Antigamente, quando precisava de desanuviar, descia as escadas e ia até um café qualquer, que os havia aos pontapés por todo o lado. Podia dar-me ao luxo de escolher o local de acordo com o que me apetecia. Tempos houve em que, por baixo de mim, havia um super-mercado com um café onde quase tudo era mais barato e de qualidade aceitável. Tempos houve em que, ao almoço, podia dar uma volta pelas Amoreiras ou ir sentar-me à sombra das árvores do jardim.
Agora, quando quero ir comer qualquer coisa, mais pela necessidade de parar um pouco do que por fome, tenho de andar duzentos metros e atravessar vazios. Se estiver a chover, molho-me. Mas antes isso do que ir até à varanda porque esta fica no trabalho e há momentos em que só se está bem longe daí.
Oscilo entre dois cafés: um de que gosto e outro de que não. Ao primeiro vou porque sim, ao segundo vou porque o primeiro está fechado. No primeiro, um galão é servido amavelmente e custa 70 cêntimos, no segundo, o galão é servido com má cara e custa 1 euro. No primeiro descanso, no segundo quero por-me a andar de volta para o trabalho...
Se quiser almoçar por um preço mais ou menos modesto, tenho de andar quinhentos metros, a subir, até uma amostra de centro comercial. Antigamente, ao fim de 50 metros estava a comer uma bela sopa por menos de 1 euro. Agora, sopa, só se for num menu...
Quando trabalhava em Lisboa podia dar-me ao prazer de ir e vir do trabalho a pé. Ao fim do dia isso era especialmente agradável. Agora, tenho de ir a pé de casa até uma estação de combóio, apanhar o dito e, depois, andar cerca de 10 minutos, sempre a subir, até chegar à empresa.
A empresa mudou-se para aqui para poupar dinheiro. Isso deve ser importante para manter os postos de trabalho e os ordenados. É por isso que há dois anos que não sou aumentado.