Natal é quando um homem quiser

O Natal está aí. Na realidade, está ali, melhor, lá ao fundo, a um mês de distância. Já esteve ainda mais longe mas, já nessa altura, estava pertíssimo de nós. O milagre é conseguido pelos comerciantes, essa raça sempre pronta a dar cabo do sentido e dos valores de qualquer data em nome da sacrossanta Economia. É curioso este termo - Economia -, na realidade é uma contradição de si mesmo. Para a Economia o que é bom é que se gaste. Economia x Consumo? Não, Economia=Consumo.
Bom, voltando ao Natal: a um mês do dito já me sinto bombardeado com publicidade sorridente acerca da confortável alegria da quadra. As ruas enchem-se de decorações luminosas, as montras de enfeites, o Pai Natal fez uma chegada em grande no Algarve e trouxe consigo uma pista de gelo.


Uma grande parte do mundo cristão (o único que devia comemorar o Natal) encontra-se em zonas onde não há neve, onde o PN nunca poderia vestir-se com aquela roupa quente e onde a própria árvore de Natal assumiria uma forma completamente diferente. E qual é o problema? Sim, qual é o problema de o mundo inteiro se rever em estereótipos que nada têm a ver com a cultura de cada povo mas que são meros "enlatados" do consumismo ocidental? Nenhum, a julgar pela forma como todos aderem à coisa. É o caso da árvore de Natal: como seria se, em vez do pinheiro ou do abeto tivessemos a palmeira de Natal? Uma palmeira nunca poderia servir para comemorar o Natal. Já imaginaram o trabalho que seria colocar as decorações lá em cima, no único sítio que essas inúteis árvores têm com folhagem? Devaneios...


Quando eu era miúdo, ansiava pelo Natal. Um pedaço antes já só pensava nos brinquedos que iria receber e nas coisas que iria comer. É claro que havia sempre um "engraçado" que, em vez de um belo brinquedo me oferecia roupa ou ainda pior (naquela altura), um envelope com dinheiro mas mesmo que a coisa corresse mal, havia sempre as broas para adoçar a noite. Hoje em dia, o concentrado de Natal diluiu-se. Aquele curto período, agora transformado em mês e meio perdeu a graça. É difícil aguentar o "espírito" durante tanto tempo. Quando se chega ao que interessa mesmo já se está cansado e a querer que tudo aquilo passe depressa. É triste. É mesmo muito triste. Porque, num mundo cada vez mais bruto, o Natal ainda era aquela época com alguma doçura em que a família se juntava com gosto. Agora, cumpre-se uma data.
Natal é quando um homem quiser: aparentemente, muitos homens querem que o Natal comece no princípio de Novembro. Para vender, para ajudar à Economia. E isto não é esquisito? Por um lado as pessoas queixam-se da falta de dinheiro, os comerciantes queixam-se da falta de vendas e, por outro lado, aumenta-se o período de campanha intensiva de vendas... Já se sabia que o Natal vinha envolvido em toda aquela hipocrisia do amor e fraternidade quando se resumia a prendas e comida. Agora, a máscara começa a cair de forma definitiva. Um dia destes, o Natal há-de começar em Agosto, para aproveitar os turistas que cá estão. É pô-los a fazer as comprinhas de Natal à vinda da praia, ó gente!

1 comentário:

Assunção disse...

Já faltou mais... o ano passado assustei-me quando comecei a ver montras enfeitadas logo em Outubro!!! E se eu adoro o Natal!