Sou rico?

Estou contente. Voltei de férias e tenho uma carta na caixa do correio, enviada pelo Millennium, a convidar-me a gastar 2000 euros (exactamente, 400 contos) durante a actual época natalícia (que, como sabem, dura pelo menos dois meses) para ganhar um vale de 40 euros de um qualquer "Clube Wine & Gourmet". Mas, se o valor da prenda me parecer pouco, posso sempre gastar 5000 euros (mais de 1000 contos) para poder ter um absolutamente fantástico prémio de 100 euros (vinte continhos). Ora, sou eu que ainda estou afectado pelo jet lag ou há aqui qualquer coisa de profundamente estúpido?

1) Quem é que gasta 2000 ou 5000 euros em dois meses?
2) De quem gasta as quantias acima indicadas, quem é que o faz no Natal?
3) Quem consegue e quer gastar 5000 euros a crédito (bom cartão, hem?) tem algum interesse nuns míseros vales de 40 ou 100 euros?

5000 euros em dois meses?! Querem ver que já sou rico?

Haja pachorra!
nem todos podem ser astronautas

Segundo acaba de informar um jornalista desportivo da RTP, na transmissão do jogo Portugal-Cazaquistão, este acaba de chegar à meia-lua. O comentador acrescentou que já era um feito. Concordo: o Cazaquistão não é os EUA, o Cazaquistão é um país pobre, saído da desagregação da URSS e mesmo esta não tinha os meios (ou a vontade?) para se lançar à conquista do nosso satélite natural. Os bravos do Cazaquistão tiveram mais ambição do que os soviéticos e, provavelmente com o apoio de Alá, de peito aberto, lançaram-se à conquista da nossa meia-lua...

Da "nossa"?, mas, afinal... nós também fomos à Lua? Nada isso, nós vivemos lá...
o gato já cheira mal?

Ao terceiro episódio do "Diz que é uma espécie de magazine", o novo programa desses ícones do humor nacional que são os Gato Fedorento, parece confirmar-se o meu prgnóstico inicial: a coisa é fraca.

O primeiro episódio foi assim-assim, o segundo foi melhorzinho, o terceiro foi o pior.
Ou os rapazes mudam aquilo ou arriscam-se a ficar só com os "verdadeiros fans", aqueles que papam qualquer coisa...
a minha casa, não!

Recentemente, recebi uma carta do Millennium BCP publicitando um novo serviço, de seu nome "Crédito Mill Opções" (o "Mill" é mesmo assim, uma espécie de trocadilho com o nome do banco, engendrado pelos génios do marketing ao serviço do grupo BCP).
A lógica do serviço é muito simples: eu tenho uma casa e ela vale dinheiro, logo, o BCP empresta-me até 95% do valor da casa para que eu possa realizar os meus sonhos (o habitual apelo onírica...) que, como não podiam deixar de ser, para os publicitários se resumem a automóveis, férias em praias tropicais, jóias e televisões de plasma. Faltam as mulheres, mas como o BCP tem sido gerido por gente ligada à Opus Dei, suponho que semelhante assunção de pecado seja considerada inaceitável...
Ora, se esta pressão para a criação ou acumular de dívidas não tivesse já qualquer coisa de imoral, o caso torna-se ainda mais problemático quando se tem em conta que eu tenho um crédito à habitação cujo final ainda não se vê e, apesar disso, o BCP acha por bem enviar-me publicidade a um serviço onde é a minha casa, que eu ainda estou a "começar" a pagar, que vai servir de garantia!!!

Há coisas que nem ao Diabo lembram.
A menos que o Diabo seja da Opus Dei...
Fish não é fixe!

A Aula Magna, na Cidade Universitária, estava cheia. O público, composto em grande parte por trintões e quarentões (os jovens já nem reconhecem a banda Marillion), se partilhasse do meu estado de espírito, ansiava por um concerto com vinte anos de atraso. E não era qualquer concerto mas sim a exibição dessa obra maior dos anos 80 chamada "Misplaced Childhood". É certo que, desta vez, não eram os Marillion que tocavam mas era a voz do seu antigo cantor que iríamos ouvir e é sempre isso que constitui a parte mais reconhecível de uma banda. Fish iria cantar um dos discos que mais marcou a minha adolescência, disco do qual sei (ainda) a maior parte das letras, disco que reconheço em cada acorde. Ele que subisse ao palco, então.

O concerto começou antes da hora, como é "lei" hoje em dia. Uma banda de suporte, nacional, entra antes da hora e faz com que o concerto principal comece depois da hora. Que se lixem os horários.

O som estava altíssimo. A banda Forgotten Suns debitava uma espécie de rock sinfónico misturado com Heavy Metal e, se a música propriamente dita não era má, o cantor, esse, podia ficar calado. No fim do espectáculo, os meus ouvidos já estavam semi-entorpecidos. Meti o algodão...

Finalmente, Fish entra e, quando eu esperava começar a ouvir os primeiros acordes do álbum que me fazia estar ali, o escocês brinda-me com meio espectáculo de canções próprias, da sua carreira a solo que, como toda a gente sabe, só é apreciada pela família mais próxima do cantor. Consta que os seus amigos de pub também a elogiam mas cobram uma rodada geral pelo sacrifício.

Ao fim de um enormíssimo tempo (o sofrimento estica sempre o relógio), Fish lá se calou com as sensaborias e saiu de palco. Houve quem comentasse que iria pedir o dinheiro de volta. O sentimento é compreensível. "Ninguém" estava ali para ouvir "Fish" mas sim para escutar Marillion ainda que para isso tivesse de se abstrair da presença totalmente sem classe dos músicos que estavam em palco (seriam amigos de copos?). No entanto, há que admitir que os ditos estavam à altura da imagem decadente de Fish.

Ao fim de um curto intervalo, a banda reentra em palco e esfrego as mãos. Era agora!
Os primeiros acordes de "Pseudo Silk Kimono" devem ter arrepiado muita gente por ali. A mim, infelizmente, não o fizeram por ter imediatamente reparado que as dificuldades vocais de Fish iriam continuar. Com o continuar do espectáculo, não só o problema se manteve como houve problemas de som e até um corte total que motivou comentários pouco abonatórios por parte do cantor. Diga-se aliás que Fish não parece ser uma pessoa com o sentido da delicadeza atendendo às várias (e longas) piadas acerca da sonoridade da nossa língua (e nem entremos agora na questão do "vocês são um país tão pequeno, tão pequeno, tão pequeno...").

As coisas boas têm, muitas vezes, o defeito de serem breves e esse é o caso de "Misplaced Childhood". Mesmo com um espectáculo mau (provavelmente o pior concerto que já vi), Fish podia muito bem ter repetido a dose de Marillion que eu não me importaria. Eu até seria capaz de esquecer a forma desenxabida como Kayleigh foi tocado, os solos fora de tom e a sempre presente falta de capacidade vocal de Fish.

Após o prato principal, tivemos direito a algumas músicas "extras" (já se sabe que os encores são "obrigatórios") mas, primeiro, tivemos de aturar mais um enorme discurso, desta feita acompanhado com vinho.
O concerto acabou com músicas dos Marillion e o público deve ter saído contente. Era para ouvir Marillion que ali estavam. Mas eu lembrava-me constantemente de um concerto que vi no Pavilhão Carlos Lopes, já com Steve Hogarth ao microfone e como já então o achei superior a Fish (em expressividade e voz). Passaram muitos anos é certo e a idade mata muito do talento e das capacidades mas a minha vontade de ouvir um disco que tanto me dizia estava cá toda e Fish não esteve à altura das expectativas.

Um concerto para esquecer ou lembrar com um sorriso amarelo...
menos um...

Sadam Hussein foi condenado à morte. A meu ver, a decisão é justa e só peca por tardia. Em breve haverá menos um pulha no mundo. A diferença não será muita mas a grão e grão...
Anuncia-se que Sadam será enforcado (como forma de humilhação) e não fuzilado. Por mim, tudo bem. Felizmente não estamos na Idade Média. Nessa altura, o nosso querido Sadam seria enforcado, esquartejado e os seus restos espalhados pelos caminhos. Ora, isso teria graves consequências a nível ambiental, nomeadamente, na saúde dos corvos...
tiro no pé?

Acaba de estrear o novo programa dos Gato Fedorento. Aparentemente (e a análise a um primeiro programa é sempre arriscada), os rapazes deram um tiro no pé. O programa em formato de "directo" perde no distanciamento que (não) se cria com os sketches (aqui, relegados para um segundo nível) e com o pouco à vontade dos intervenientes no largar de piadas "de passagem". Esperemos que melhore... bastante
cidadania de supermercado

Há algum tempo atrás, a comunicação social, no desempenho de uma das suas várias funções (no caso a do sensacionalismo hipócrita) deu a conhecer o caso aparentemente chocante de uma mulher de origem indiana, a viver há muitos anos em Portugal, mãe de filhos, "empresária", que tinha visto negado o seu pedido de cidadania portuguesa. A senhora em questão tinha sido vítima do excesso de zelo de um juiz que tinha tido o desplante de querer que a pretendente a cidadã portuguesa conhecesse o hino nacional e igualmente fosse capaz de destacar figuras da sociedade e história nacionais. A pessoa em questão falhou e continuou a ser considerada cidadã indiana e não portuguesa.
Por mim, não só o juiz se portou bem como merecia um louvor por aplicar aquilo que é, afinal de contas, simples bom senso, coisa cada vez mais rara em quem imagina, faz e aplica a Lei.
Não me apetece estar aqui a divagar sobre o assunto até porque o mesmo serve apenas como uma espécie de introdução a outro caso que, no fundo, se insere numa espécie de conceito de cidadania de supermercado em que cada um se propõe ser reconhecido como cidadão de um determinado país não por ter uma relação filial com aquele mas porque, pura e simplesmente, lhe dá jeito.
E é o mote deste texto, uma senhora de "origem" portuguesa, que viveu durante anos no Congo (já nem sei qual, tais são as constantes mudanças de nome), que foi viver para o Líbano (atracção por terras exóticas, já se vê) e que constituiu vasta prole à qual faz questão de dar nacionalidade portuguesa. A senhora já só se exprime em Francês, as criancinhas, o mais que sabem de Portugal são os nomes das nossas estrelas futebolísticas mas, que raio!, são todos portugueses (ou querem sê-lo). Fazem-no pelo apelo do sangue? Não, fazem-no pelo simples interesse de ter um passaporte que lhes dá mais garantias do que um congolês ou libanês. Ser-se Português e, acima de tudo, ser-se cidadão da União Europeia é visto como uma espécie de salva-vidas: se alguma coisa correr mal... somos portugueses.
Da parte desta gente existe um instinto de "sobrevivência" que se sobrepõe a um princípio tão importante quanto o de pertença a uma nação, a um povo mas, da parte de um Estado, só pode existir o princípio da defesa da sua integridade e, no caso português, o Estado-Nação quase perfeito não pode compadecer-se com paraquedistas sob o risco de se perverter algo que devia ser nobre e não meramente um produto de consumo.

Lembro-me ainda do já distante caso de uma macaense residente em Hong-Kong, que nem uma palavra sabia de Português, que já mal mantinha relações com Macau e que, um dia, ao ser detida por tráfico de droga em Singapura, se lembrou de que tinha um passaporte português. Rapidamente a comunicação social montou uma campanha hipócrita para socorrer "a cidadã portuguesa" e o país, como bom cordeiro, se mobilizou em seu apoio. Não deu resultado: ainda bem.
o apelo ao fel

A ASSOFT (Associação Portuguesa de Software), iniciou recentemente uma campanha contra a pirataria informática.
Para a ASSOFT, bem como para outras entidades ligadas à questão dos direitos de autor, a cópia ilegal e consequente utilização de programas é um verdadeiro flagelo com o qual urge acabar. A ASSOFT faz o seu papel, a SPA também faz o seu noutras vertentes, o Estado pretende fazer, igualmente, o seu. Toda a gente faz o seu papel, mas muitas empresas, não. É a crua realidade que ainda vigora uma sensação de impunidade nos responsáveis das empresas que permitem (e incentivam) a utilização de software que não foi adquirido (e não é gratuito). Até aí, julgo que não se discute. O que já é bastante discutível é a forma como a ASSOFT está a proceder. Esta associação apela expressamente a que sejam feitas denúncias anónimas visando as empresas em falta. Para o efeito, até criou um site cujo URL é, nada mais, nada menos, www.denuncia.com.pt. Ou seja, a ASSOFT pede às pessoas que, no meio de tanta coisa de que se têm de lembrar, aproveitem para dar um saltinho à net (ou telefonem, ou mandem um fax) para denunciar alguém. Não é preciso ter muitos neurónios para perceber o apelo que semelhante procedimento representa ao lado mais vingativo de cada um de nós. "Foi despedido? Vingue-se do seu patrão e denuncie-o à ASSOFT", "O seu vizinho, o tal de quem você não gosta, tem uma empresa? De que está à espera? Chame a ASSOFT!".
Atendendo ao elevado nível de pirataria existente, há boas possibilidades do bufo ver cumprido o seu desejo e a vítima ter de largar do bolso uma boa quantia em multas.

Em qualquer sociedade existem muitos e graves problemas. Assim de repente, estou a lembrar-me de que seria interessante apelar ao "bufismo" no que diz respeito ao tráfico de droga, ao incumprimento fiscal, aos sinais exteriores de riqueza, etc. O próprio Estado poderia ser denunciado inúmeras vezes pelos cidadãos bufos. Mas não: de todas as problemáticas que poderiam ser alvo de bufismo, a pirataria informática, aquela actividade que TODA a gente pratica, foi a escolhida. A ASSOFT devia (e tem, concerteza) consciência de que ninguém se preocuparia em denunciar semelhante ilegalidade. As pessoas estão-se borrifando. A ASSOFT sabe, portanto, que a única razão que levará alguém a denunciar outrém será o mau-fígado. E, se do ponto de vista prático, isso poderá trazer alguns benefícios, não deixa de ser um aproveitamento sujo dos defeitos humanos.
a inteligência pesa?

Ao ver estas fotos de comentadores do Jornal de Negócios, estou inclinado a dizer que sim...



P.S.: ainda havia mais uma foto mas estragava o enquadramento :)
Já chegou! Já chegou! Quem?! O Pai Natal!
Vi hoje a primeira loja cheia de bonecada natalícia. Hoje é dia 20 de Outubro: faltam dois meses e cinco dias para o Natal...
no melhor pano cai a nódoa

Acabo de ver pela primeira vez um (quiçá longo demais para o espectador médio) programa sobre a Língua Portuguesa, em horário nobre, na RTP. Quase me comove ver, finalmente, as atenções da televisão pública viradas para uma das mais prementes necessidades da nossa sociedade e, igualmente, uma das mais óbvias aplicações do serviço público televisivo.
O programa está bem apresentado embora tenha algumas falhas como sejam a utilização de caixas vermelhas para assinalar quer as formas correctas, quer as formas incorrectas de escrever/dizer algo (um sistema verde/vermelho seria bem mais compreensível); ou algumas tentações de cair no eruditismo fútil (o que é que interessa ao cidadão médio saber o que são palavras "parónimas"?). Mas a nódoa surgiu quando a palavra "Francês" apareceu escrita com "ç"... Ah, pois! E o mais engraçado é que, mais à frente, semelhante situação foi apresentada como exemplo de mau-trato à língua... :)

À parte de algumas afinações necessárias, a iniciativa é excelente! Parabéns RTP!
[ ainda agora começou... ]

São 6:45 da manhã. Lá fora, um cão ladra furiosamente (como de costume). Acordo, levanto-me e resolvo aproveitar o tempo para tratar de algumas coisas na internet.

Vou ao site da seguradora Açoreana e tento entrar na minha área: dá erro de SQL. Após algumas tentativas, desisto.

Vou ao site do MillenniumBCP (nome estúpido o deste banco) e tento definir um valor para o pagamento da prestação do cartão de crédito: dá erro e uma mensagem do tipo "Tem de fazer um inquérito". Uau!
Insisto e, agora, tento mudar o limite da prestação mensal: dá erro e uma mensagem do tipo "Tem de fazer um inquérito". Uau! (pela segunda vez)
Deixando o cartão de crédito para trás, ataco desta feita o sector dos seguros: apesar de ter dois seguros no banco, diz-me que não tenho nenhum...

O dia começou há pouco, com um cão a ladrar, os computadores já estão a dar raia e... o cão continua a ladrar...
[ o transe de coelho ]

Eu gostava de ser como o Eduardo Prado Coelho. OK, piadas sobre o físico à parte, o homem é um intelectual, deve, concerteza, viver melhor do que eu e até já viveu durante anos na capital francesa. E mais! Foi pago (e bem) para viver em Paris enquanto que eu tive de pagar (e bem) para lá estar durantes uns poucos dias...

Saltando as invejas mesquinhas, o EPC deve ser um homem feliz (até parece que é professor universitário na área de letras - o que deve ser óptimo para as hormonas) e porque consegue ver mais do mundo do que o comum dos mortais, pelo menos, é a impressão com que fico após ter ido ver o filme "português" "Transe", da realizadora Maria Teresa Villaverde. Fi-lo a conselho indirecto do EPC, depois de ter lido um recorte do jornal Público, com uma crónica em tons superlativos acerca do dito filme. Nesse momento, as dúvidas que eu tinha fruto de muitos barretes que o cinema nacional já me enfiou, desvaneceram-se e passei a ter como objectivo primordial do dia seguinte (além de respirar), ver a nova película. E cumpri o objectivo...

Quatro euros depois, estava sentado num dos cinemas do Saldanha, a postos para ser esmagado pelas momumentais qualidades que EPC atribuía ao filme e a, de uma vez por todas, me deixar tentar pela ideia de que o cinema Português ("moderno") até podia ser interessante.

A história começa e imediatamente se instala algum desconforto: o som é um pouco baço e temos uma espécie de sequência de sonho com uma criancinha dizendo qualquer coisa em Russo (a língua do filme, já agora). Mmm... calma, pode não ser nada.
O tempo vai passando e o tom do filme não sai do desinteressante (para não dizer chato): as imagens são sem graça, a história é relativamente fluida mas sem criar ansiedade pela cena seguinte, a música é ausente. E este último pormenor até é importante porque EPC conseguiu ver (ouvir, i.e.) uma perturbadora música onde eu só ouvi silêncio. Deve ser a tal história do "som do silêncio"...

Sonia (sem acento porque a rapariga é russa) farta-se da miséria de Sãopetersburgo (ainda não cheguei a uma conclusão quanto à forma correcta de escrever o nome da cidade...) e muda-se de armas e bagagens (não que tenha qualquer das duas) para a Alemanha onde, para variar, trabalha como mulher da limpeza. Aí, ao fim de algum tempo é "raptada" (sem violência - que os mafiosos também podem ser bons rapazes) e posta ao cuidado de um mafioso iniciante que lhe dá a hipótese de se ir embora. Como a rapariga não aguenta o caminho a pé, ele retoma-a, dá-lhe banho e comida e até aproveita para lhe fazer companhia na cama, naquela que é, provavelmente, a mais serena cena de violação alguma vez vista.

Sonia é o primeiro trabalho do mafioso que, ou a entrega no destino, ou está feito, claro. E o destino é Itália, onde Sonia é colocada a trabalhar num bordel. Como primeiro trabalho, tem de satisfazer um preto - brasileiro? africano? (não se percebe bem) -, mas fica sem se conseguir mexer e nós ficamos também sem perceber o que lhe terá causado mais repúdio: a raça ou a situação. Sonia leva umas lambadas e, de cliente em cliente, lá vão tentando que a moça faça alguma coisa. Passado algum tempo, a nossa infeliz russa é levada para um palacete onde deverá servir de brinquedo a um jovem adulto demente que, após um fascínio inicial, fica bastante desiludido ao constatar que a "flor dela é murcha"... Este problema de origem botânica não demoveu, no entanto, o assistente pessoal do louco a mostrar-lhe como é que as coisas se fazem...
Sonia consegue fugir mas é apanhada daí a pouco, maltradada (mas não muito, aparentemente), colocada num contentor e despejada em Portugal, numa sala onde um homem tem com ela um diálogo absolutamente hilariante (no mau sentido). Aqui, podemos tirar quaisquer dúvidas quanto aos dons poliglotas de Sonia que já falava Russo, aprendeu Alemão, Italiano e, pasme-se!, se expressa em fluente Português de Lisboa nesta última parte do filme.

Teresa Villaverde podia ter-nos dado um filme-choque acerca do tráfico de mulheres, podia ter-nos dado um soco no estômago (ao EPC, deu - o que é difícil, convenhamos) mas não resistiu à tentação de intelectualizar o que podia ser uma boa história. Ou, se calhar, não sabe contar uma história de forma interessante para o espectador. A obsessão dos tiques de "autor", de remeter tudo para segundos sentidos, dos planos longos e fixos, da ausência de acompanhamento musical, tudo isso é-nos posto à frente pela enésima vez, como prova da imutabilidade dos nossos "autores".

O cinema português revela-se absolutamente incapaz de se "industrializar" e descolar da doença intelectualóide que nos impede de ter o prazer de ver bom cinema na nossa língua. Quando o tenta fazer, cria abortos como "O crime do Padre Amaro" mas, será de pensar se isso não será um mal menor.

Num momento em que a Palestina tem uma óptima fita a rodar em Lisboa, que a Espanha enche salas com Almodovar, que outras cinematografias não anglo-saxónicas nos brindam com bom cinema, Portugal mantém-se fiel à ideia de que é o último refúgio da inteligência aplicada ao cinema e persiste num caminho suicida que nos nega a todos um direito tão básico quanto o de termos um audiovisual próprio (ainda que não original)

Assim, não vamos lá...
[ Os pins e os funerais ]

Há quem diga que já não existem boas ideias mas, a verdade é que há sempre alguém que se presta a mostrar que ainda há muita coisa boa para ser inventada. A empresa americana PinMart, produtora de pins (aquelas alfinetes quase sempre ridículos que se põem nas lapelas ou nos bonés), lembrou-se de que mostrar apoio ao nosso clube, declarar as nossas preferências sexuais, incitar ao consumo de uma qualquer droga ou, simplesmente, fazer publicidade a um qualquer serviço (de forma gratuita) já não era suficiente. Os pins, na sua nobre função comunicativa tinham de ir mais além. E foi mesmo em questões do "além" que a PinMart se meteu. Os cérebros da empresa puseram no mundo um conjunto de pins alusivos a funerais e a falecimentos. Desta forma, quem quiser, já pode andar ostentando orgulhosamente um pin indicando que teve no funeral de A ou B. Imaginem uma coisa do tipo "Funeral do Ti Manel: eu estive lá!" ou ainda, "O meu melhor amigo morreu... e eu diverti-me imenso!", ou ainda, "Eu vi o caixão do Tozé. E tu?". Se o tom for de maior dor e religiosidade podemos sempre andar com um pin que nos lembre que é preciso orar pelas alminhas dos que partiram. Aqui, os criadores da PinMart podiam recorrer à tecnologia e fazer um pin que tivesse alarme. Assim, todos os dias, às 17h, o pin lembrava-nos de que era preciso dizer uma novena em prol do falecido. Isto sim, seria útil!
[ Tutti-Frutti ]

Portugal acaba de vencer o Azerbeijão por 3-0 num jogo sem graça mas que pôs termo a uma desgraçada série de cinco jogos sem vencer. E, como a Selecção ganhou, podemos dar-nos ao luxo de distrairmo-nos com coisas mundanas como, por exemplo, reparar que o Azerbeijão (antiga república soviética) tinha, na sua equipa nacional dois jogadores brasileiros (com a graça exótica de um deles ser preto). Se acrescentarmos o "nosso" Deco, chegamos a um total de três brasileiros num jogo onde nenhuma das equipas era a... brasileira.

Um dos repórteres de serviço deu-se ao trabalho de enumerar os jogadores oriundos da Terra de Vera Cruz que militam em selecções nacionais de outros países: são muitos.

Quando as equipas nacionais se tornam um vale-tudo onde o que interessa é arranjar qualquer peça que sirva à mecânica, então, é caso para dizer que isto está tudo uma grande salada de frutas!
[ Nem ao feriado descansam ]

Eu acho que deviam dar um prémio de produtividade aos ciganos romenos (formalmente, turistas) que pululam por Lisboa. Em pleno 5 de Outubro, no hipermercado Continente do Colombo, uma destas forasteiras andava importunando as pessoas, pedindo dinheiro para o champô do bebé. Ah pois! Julgavam que, desta vez, não havia bebé? Não senhor, eles também trabalham nos feriados...
Sintra decadente

Fui a Sintra. À partida, semelhante acontecimento não devia evocar mais do que a memória de uma agradável tarde a deambular pelas ruas desse (pequeno) oásis nacional. Mas, a verdade é que a imagem que Sintra deixa ao visitante mais atento está longe de corresponder à que nos é transmitida pelos panfletos turísticos. É certo que as belezas estão lá: o castelo continua a olhar-nos sobranceiramente, o palácio domina a Volta do Duche, o verde inunda-nos a vista e o tutti-fruti arquitectónico embala-nos em sonhos de pequenas salas onde se come biscoitos e se bebe um chá quente. Sintra está lá, como sempre esteve. O problema são os pedaços de Sintra que começam a deixar de estar lá ou a querer ir-se embora, abandonados pela incúria, ajudante involuntária da ganância e da especulação imobiliária. Passear por Sintra é, para quem respeita o património e o bom-gosto, de uma maneira geral, para quem tenha bom-senso, uma verdadeira tortura, tantos são os exemplos de abandono e decadência nos quais tropeçamos pelos principais caminhos da bonita vila. Alguns dos (belos) edifícios cuja decadência somos forçados a contemplar, ano após ano, começam a entrar num estado de ruína do qual será difícil sair. E a pergunta salta-nos à garganta: e ninguém faz nada?!
Mudou-se a gestão autárquica: de PS passou-se para PSD (que já vai no segundo mandato consecutivo) mas Sintra continua a não ver melhoras. Muito pelo contrário, alguns perfeitos atentados têm sido cometidos, como, por exemplo, a pavimentação da rua que leva ao Museu, com placas cinzentas e algum mármore escuro à mistura no que constitui um flagrante caso de arranjo pimbalhão do espaço público. Sintra é Património Mundial mas isso não impediu a Câmara Municipal de Sintra de fazer algo que, em Lisboa, talvez só se visse num bairro social. E já nem se fala dos contentores para o lixo, feitos em metal cinzento (e já enferrujados) ou do repuxo de água (em estilo urbano-industrial) deitados pelo chão (provavelmente por algum skater mais desajeitado.
Junto a esta calçada pimba, temos, pelo menos quatro vivendas/casas abandonadas, estando duas em estado de ruína/pré-ruína. Uma delas, há longos anos deixada à sua sorte, está a ser alvo de uma intervenção que já lhe acrescentou dois avançados (para garagens?) e encurtou uma janela (tudo se espera, portanto...) mas, as outras lá estão... Num dos casos, trata-se de uma vivenda com colunas, azulejos, maneirismos neo-manuelinos... enfim, aquela bric-a-brac que dá graça a tantas construções na área. Quem vale a este património?

Mas, o visitante, resolve continuar em direcção à Volta do Duche e, ao chegar ao miradouro, repara num busto ali colocado "homenageando" o general Firmino Miguel. E a palavra "homenageando" encontra-se entre aspas porque, das duas uma: ou o senhor tinha cara de palhaço ou o escultor é um perfeito amador que devia reduzir as suas intervenções a bonecos feitos em pasta de papel... E, depois, o tamanho despropositado do busto (enorme)... Um atentado ao bom gosto (e não entramos pela oportunidade - ou não -, da "homenagem").
Um pouco mais à frente, entramos numa rua onde, à esquerda temos edifícios de vários andares e, à direita, casas e casarões. Quanto aos edifícios, temos coisas em estilo Português Suave de má qualidade, outras em estilo "sintrense" e, finalmente, um pavoroso e deslocado exemplar de arquitectura "moderna" e amorfa cuja construção em semelhante local só pode ser explicada pela estupidez ou pela corrupção. Do outro lado da rua - na zona das casas -, existem, pelo menos, duas construções devolutas, sendo uma delas uma amorosa casa. E voltamos a perguntar: como é que isto é possível?

Mas o tom de "há aqui qualquer coisa que não bate certo" continua um pouco por todo o lado. Na Volta do Duche andaram a semear esculturas de mau-gosto, na vila velha, há caixas de correio de todo o tipo (saloio) penduradas à porta de edifícios que deviam ser protegidos, há árvores que rebentaram com os passeios e os peões que saltem para a estrada porque os carros não deixam espaço para aqueles se esgueirarem. Nas ruas mais estreitas, em pleno centro turístico, os peões são obrigados a conviver com os automóveis ali estacionados (e que, nalguma altura, hão-de circular), os popós - mais uma vez, eles -, estão estacionados por todo o lado, e, como não podia deixar de ser, há mais edificios em decadência acelerada. Ao lado do Palácio da Vila, um hotel foi construido (anos 80?), manchando a panorâmica do lado de Seteais e ninguém se preocupou em minimizar o efeito do monstro (com plantas trepadeiras nas paredes exteriores, pintura das partes coloridas, colocação de telhados, etc), nada!

Sintra é mais um exemplo (como a zona histórica do Porto) de um tesouro que caiu nas mãos de piratas!...
[ Abaixo o Domingo! ]

Domingo, o dia mais estúpido da semana. Que se lixe a paranóia anti-Segundas-Feiras de que falava Bob Geldof (I don't like mondays - The Boomtown Rats). Depois de um Domingo comum, a Segunda é uma libertação! Ao Domingo, tudo fecha, as ruas ficam desertas (os centros comerciais, não) e a cidade reveste-se de um tédio que é difícil de sacudir. Dá-se as voltas à imaginação para inventar formas de matar o tempo mas a verdade é que, ao Domingo, também a originalidade está de baixa. O Domingo não é um dia, é uma fatalidade. Fala-se constantemente em reduzir a semana de trabalho mas, na realidade, é o fim-de-semana que devia ser reduzido. Para compensar, trabalhava-se menos nos outros dias. Era bem pensado...
[ O coleccionador de olhos ]

Tarde de Sábado (no caso, 16h30 de 23/09), cinemas Alvaláxia...

Preparo-me para queimar mais hora e meia do meu tempo livre a ver um qualquer filme que me promete a chacina de um bando de jovens deliquentes. Como, no dia em questão, a minha tolerância para com adolescentes chungas já está abaixo de zero, alinho sem pestanejar...

Ainda gasto os últimos minutos antes da sessão, tentando ler um chatérrimo conto de fantasmas (em Inglês) quando vejo entrar na sala um indivíduo com duas crianças e um adolescente. Fico a pensar se teria sido uma ilusão induzida pela minha leitura e guardo a confirmação para mais tarde...

O filme em questão chamava-se "O coleccionador de olhos" e, durante cerca de 90 minutos, brindou-nos com: fanatismo religioso, gente morta (à machadada, à pancada, aos tiros, empalada, atirada da janela, perfurada com barras de ferro pelos olhos adentro, comida viva por cães), fracturas expostas, linguagem obscena (*), mutilações, corpos em decomposição, consumo de droga, masturbação, etc., etc.

Já agora, diga-se que o tema principal da obra era a obsessão de um maníaco por arrancar olhos às pessoas (enquanto vivas, claro). Os olhinhos, com nervo à mistura, eram, depois, guardados em boiões e ficavam para colecção numa mesa de uma sala do hotel onde a acção se desenrolava. O hotel estava abandonado e as suas paredes cobertas de imundície, sangue e, claro, baratas...

Em todo o filme a violência é assumida e explícita. Temos até direito a uma pequena viagem ao interior do corpo humano para observar os efeitos de uma queda de muitos metros de altura, com perfurações de diversos tipos. Uma verdadeira iguaria!

Bom, mas, ironias à parte, eu não contesto a existência destes filmes. Eu fui vê-lo! O que me deixou revoltado foi que, ao sair da sala, e fazendo eu um compasso de espera propositado, pude confirmar a minha desconfiança. Efectivamente, um energúmeno tinha levado duas crianças (8-12 anos) e um adolescente (14/15?) a ver o filme em questão. Ora, não é possível, pelo car taz, pelas descrições disponíveis em grande quantidade, etc., que aquele indivíduo desconhecesse o conteúdo da película e, mesmo que tal sucedesse, ele era sempre livre de, a qualquer momento, se levantar e sair. Não o fez. A razão para tal comportamento só pode ser uma total irresponsabilidade, um "deixa-andar" entranhado, uma falta de sentido crítico que tudo permite. E, pensa-se: quando crianças (repito, crianças) são levadas, de propósito, ao cinema, para ver coisas destas (havia filmes infantis e juvenis no mesmo espaço), o que se pode esperar que seja o seu crescimento? Qual será o desenvolvimento do seu carácter? As esperanças serão poucas. Mas, o mais assustador é que o patife do pai (?) não está sozinho. Está acompanhado de quem lhe vendeu os quatro bilhetes, de quem lhos recebeu à entrada, de quem se sentou junto dele e o viu, na sala, com as crianças. Ninguém se mexe e esta é a imagem do nosso povo, um povo de bandalheira onde tudo vale, onde ninguém faz nada, onde nada interessa.

E, com esta, já é a segunda vez que vejo menores (crianças) numa sala de cinema, vendo um filme de terror. Da outra vez, foi nas salas VIP das Amoreiras e o menu era consideravelmente menos nocivo: lobisomens comendo mulheres (em vários sentidos...).


Está tudo bem, portanto. E, se não estiver, a culpa é do Governo, obviamente!...



(*) - aqui, há que dar os parabéns à tradutora que teve o cuidado de não ferir susceptibilidades, trocando a palavra "puta" por "meretriz", o que faz todo o sentido no contexto do filme e ainda mais se pensarmos que as personagens eram adolescentes condenados por tráfico de droga, agressões, roubos, etc. Pensou nas criancinhas que estavam a ver a fita, concerteza...
Vá-se lá fugir das memórias. Vá-se lá pedir-lhes que não nos batam à porta nas alturas menos próprias. Vá-se lá fingir que o que nos passa agora à frente é novo e não a continuação de qualquer coisa que nunca se foi embora...
[ Pragas ]

Há pragas que são passageiras, há outras que vêm para ficar. Entre as primeiras contam-se coisas tão nocivas quanto efémeras como sejam as Spice Girls ou um número da Caras; entre as segundas, ocorre-me, assim de repente, as empresas de segurança.
Já não me lembro de quando foi mas recordo-me de quando os lugares de porteiro e recepcionista eram ocupados por pessoas de meia-idade que não usavam uniformes de mau-gosto. Também me lembro de ir aos incipientes centros comerciais da altura (ah pois, já os havia!) e não ver vigilantes. Não eram necessários ou, como diriam os iluminados da Economia, havia um nicho de mercado à espera de ser preenchido? Provavelmente, os chatarrões de fato teriam razão, a julgar pela explosão de empresas de segurança que, em todo o lado e para todo o lado, espalharam hordas de homens - e mulheres... (fica a concessão ao igualitarismo de Esquerda) -, para nos atenderem ao balcão, prestarem informações, tomarem conta dos nossos valores, entregar senhas nos serviços públicos ou, como me parece que é o caso em demasiadas ocasiões, se passearem simplesmente com os seus intercomunicadores.
Recentemente, tive três oportunidades para constatar que a inutilidade das empresas de segurança é um facto em muitas situações e não apenas embirrância minha...

Situação nº1 - Alvaláxia, Lisboa

Na zona de comidas, um grupo de três casais na casa dos vinte, aparentando pertencer à classe média, parecia festejar um aniversário na zona comum de restauração. Passemos à frente do pormenor de mau-gosto que é celebrar os anos de alguém numas mesas de centro comercial e concentremo-nos no "depois da festa". Este ocorreu quando eu me preparava para morder um suculento hamburguer (numa das minhas raras incursões ao sofisticado universo gastronómico da comida de plástico) e se começou a ouvir vozes exaltadas de mulheres. Tento perceber o que se passa, dou descanso aos dentes e afino os ouvidos para tentar escutar melhor. Não era preciso: em poucos segundos passa por mim uma rapariga com sangue a escorrer pela cara, seguida de mais duas ou três que a tentam acalmar. Pelo caminho por entre as mesas, em direcção à casa-de-banho, a revoltada moça vai soltando ameaças. Aparentemente, alguma coisa tinha corrido mal no salão de jogos... Passam longos minutos. A jovem volta a cruzar a zona de restauração, voltam-se a ouvir gritos e vão aparecendo seguranças. Mais gritos, mais discussão e mais alguns seguranças. E assim se foi mantendo a coisa durante, pelo menos meia-hora. Acabo de comer, vou dar uma volta pelo centro e sempre ouvindo gritos e discussão. E o molho de seguranças, lá. Sento-me a ler e a fazer tempo para ir ao cinema e a discussão continua. Acabo a leitura, vou para o cinema e... a discussão continua... (adivinharam: os seguranças lá estavam). Aqui, já se tinha passado mais de uma hora desde o começo das "hostilidades"!
Desta vez, a PSP já estava no local. Ora, como sabem, a PSP tem uma reputação a manter e, por tal, apresentou-se, falou e... não resolveu nada.
Bom, sentei-me na sala, vi o filme e, ao sair da sala, preocupado por ter perdido 90 minutos a ver uma péssima fita, sou brindado pelo doce som de restos de discussão. Aqui, já se tinham passado duas horas e meia! Duas horas e meia durante as quais os seguranças do Alvaláxia deixaram que os utilizadores do espaço fossem incomodados por gente aos gritos, a soltar imprecações e ameaças, a passear-se com sangue na cara e, como parece óbvio, a agredir-se.
E pergunta o tolinho: para que raio é que servem os seguranças?!


Situação nº 2 - CC do Campo Pequeno, Lisboa

Ah, o prestígio da renovação dos espaços, a centralidade, a sofisticação... Passemos à frente do facto de, do ponto de vista estritamente comercial, o CC do Campo Pequeno ser absolutamente desinteressante ("trapos" são coisa que me interessa pouco) e concentremo-nos no que interessa: o CCQP tem uma zona de restauração! (não estavam à espera desta, pois não?)
E como o que interessa é matar a fome, aquele é um sítio como qualquer outro para o fazer. Para além disso, confesso, o prestígio é uma coisa que sabe bem e não me parece que a tasca da esquina o tenha. Ainda assim, hei-de falar com o dono para saber se ele o vai adquirir nos próximos tempos. Isso e Sumol porque eu não bebo Fanta.
Bom, estava eu e dois colegas a comer a nossa comidinha de franchising quando, por entre as notas de piano ao vivo, somos contemplados com o assédio mendicante de duas mulheres romenas. Ah pois, nada como ouvir o "My way" com uma letra do tipo "senhor, senhor, para o menino, senhor...". As mulheres, vestindo-se como ciganas, uma com o habitual bebé ao colo (já repararam como os bebés romenos são uns santos?, sempre a dormir, não dão trabalho nenhum) e a outra com um rebento já autónomo que apresentava a vantagem de poder ir de mesa em mesa pedindo qualquer coisa. Ora, como se a situação não fosse já irritante, ainda por cima, estas criaturas dedicavam-se a importunar os clientes do centro comercial à vista de diversos seguranças a quem elas passavam literalmente debaixo da cara (eram pequenas, as mulheres), sem que eles fizessem o que quer que fosse.
E pergunta o tolinho: para que raio é que servem os seguranças?!


Situação nº 3 - CC do Campo Pequeno, Lisboa

Exactamente, outra vez o CCQP. Desta vez eram só duas mulheres, tentando disfarçar a sua origem com um aspectozinho melhor mas entregues ao mesmo trabalho: andar a pedir esmola a quem almoçava. E, para variar, os seguranças nada faziam. Como isto já me estava a causar azia, dirigi-me à recepção do centro para apresentar reclamação. Santo milagre! Ainda a reclamação não estava assinada (livro de reclamações, nunca esquecer a sua existência!) e já as mulheres eram postas na rua. Reclamar compensa SEMPRE!
Mas o tolinho pergunta: e se eu não tivesse reclamado?