nem todos podem ser astronautas

Segundo acaba de informar um jornalista desportivo da RTP, na transmissão do jogo Portugal-Cazaquistão, este acaba de chegar à meia-lua. O comentador acrescentou que já era um feito. Concordo: o Cazaquistão não é os EUA, o Cazaquistão é um país pobre, saído da desagregação da URSS e mesmo esta não tinha os meios (ou a vontade?) para se lançar à conquista do nosso satélite natural. Os bravos do Cazaquistão tiveram mais ambição do que os soviéticos e, provavelmente com o apoio de Alá, de peito aberto, lançaram-se à conquista da nossa meia-lua...

Da "nossa"?, mas, afinal... nós também fomos à Lua? Nada isso, nós vivemos lá...
o gato já cheira mal?

Ao terceiro episódio do "Diz que é uma espécie de magazine", o novo programa desses ícones do humor nacional que são os Gato Fedorento, parece confirmar-se o meu prgnóstico inicial: a coisa é fraca.

O primeiro episódio foi assim-assim, o segundo foi melhorzinho, o terceiro foi o pior.
Ou os rapazes mudam aquilo ou arriscam-se a ficar só com os "verdadeiros fans", aqueles que papam qualquer coisa...
a minha casa, não!

Recentemente, recebi uma carta do Millennium BCP publicitando um novo serviço, de seu nome "Crédito Mill Opções" (o "Mill" é mesmo assim, uma espécie de trocadilho com o nome do banco, engendrado pelos génios do marketing ao serviço do grupo BCP).
A lógica do serviço é muito simples: eu tenho uma casa e ela vale dinheiro, logo, o BCP empresta-me até 95% do valor da casa para que eu possa realizar os meus sonhos (o habitual apelo onírica...) que, como não podiam deixar de ser, para os publicitários se resumem a automóveis, férias em praias tropicais, jóias e televisões de plasma. Faltam as mulheres, mas como o BCP tem sido gerido por gente ligada à Opus Dei, suponho que semelhante assunção de pecado seja considerada inaceitável...
Ora, se esta pressão para a criação ou acumular de dívidas não tivesse já qualquer coisa de imoral, o caso torna-se ainda mais problemático quando se tem em conta que eu tenho um crédito à habitação cujo final ainda não se vê e, apesar disso, o BCP acha por bem enviar-me publicidade a um serviço onde é a minha casa, que eu ainda estou a "começar" a pagar, que vai servir de garantia!!!

Há coisas que nem ao Diabo lembram.
A menos que o Diabo seja da Opus Dei...
Fish não é fixe!

A Aula Magna, na Cidade Universitária, estava cheia. O público, composto em grande parte por trintões e quarentões (os jovens já nem reconhecem a banda Marillion), se partilhasse do meu estado de espírito, ansiava por um concerto com vinte anos de atraso. E não era qualquer concerto mas sim a exibição dessa obra maior dos anos 80 chamada "Misplaced Childhood". É certo que, desta vez, não eram os Marillion que tocavam mas era a voz do seu antigo cantor que iríamos ouvir e é sempre isso que constitui a parte mais reconhecível de uma banda. Fish iria cantar um dos discos que mais marcou a minha adolescência, disco do qual sei (ainda) a maior parte das letras, disco que reconheço em cada acorde. Ele que subisse ao palco, então.

O concerto começou antes da hora, como é "lei" hoje em dia. Uma banda de suporte, nacional, entra antes da hora e faz com que o concerto principal comece depois da hora. Que se lixem os horários.

O som estava altíssimo. A banda Forgotten Suns debitava uma espécie de rock sinfónico misturado com Heavy Metal e, se a música propriamente dita não era má, o cantor, esse, podia ficar calado. No fim do espectáculo, os meus ouvidos já estavam semi-entorpecidos. Meti o algodão...

Finalmente, Fish entra e, quando eu esperava começar a ouvir os primeiros acordes do álbum que me fazia estar ali, o escocês brinda-me com meio espectáculo de canções próprias, da sua carreira a solo que, como toda a gente sabe, só é apreciada pela família mais próxima do cantor. Consta que os seus amigos de pub também a elogiam mas cobram uma rodada geral pelo sacrifício.

Ao fim de um enormíssimo tempo (o sofrimento estica sempre o relógio), Fish lá se calou com as sensaborias e saiu de palco. Houve quem comentasse que iria pedir o dinheiro de volta. O sentimento é compreensível. "Ninguém" estava ali para ouvir "Fish" mas sim para escutar Marillion ainda que para isso tivesse de se abstrair da presença totalmente sem classe dos músicos que estavam em palco (seriam amigos de copos?). No entanto, há que admitir que os ditos estavam à altura da imagem decadente de Fish.

Ao fim de um curto intervalo, a banda reentra em palco e esfrego as mãos. Era agora!
Os primeiros acordes de "Pseudo Silk Kimono" devem ter arrepiado muita gente por ali. A mim, infelizmente, não o fizeram por ter imediatamente reparado que as dificuldades vocais de Fish iriam continuar. Com o continuar do espectáculo, não só o problema se manteve como houve problemas de som e até um corte total que motivou comentários pouco abonatórios por parte do cantor. Diga-se aliás que Fish não parece ser uma pessoa com o sentido da delicadeza atendendo às várias (e longas) piadas acerca da sonoridade da nossa língua (e nem entremos agora na questão do "vocês são um país tão pequeno, tão pequeno, tão pequeno...").

As coisas boas têm, muitas vezes, o defeito de serem breves e esse é o caso de "Misplaced Childhood". Mesmo com um espectáculo mau (provavelmente o pior concerto que já vi), Fish podia muito bem ter repetido a dose de Marillion que eu não me importaria. Eu até seria capaz de esquecer a forma desenxabida como Kayleigh foi tocado, os solos fora de tom e a sempre presente falta de capacidade vocal de Fish.

Após o prato principal, tivemos direito a algumas músicas "extras" (já se sabe que os encores são "obrigatórios") mas, primeiro, tivemos de aturar mais um enorme discurso, desta feita acompanhado com vinho.
O concerto acabou com músicas dos Marillion e o público deve ter saído contente. Era para ouvir Marillion que ali estavam. Mas eu lembrava-me constantemente de um concerto que vi no Pavilhão Carlos Lopes, já com Steve Hogarth ao microfone e como já então o achei superior a Fish (em expressividade e voz). Passaram muitos anos é certo e a idade mata muito do talento e das capacidades mas a minha vontade de ouvir um disco que tanto me dizia estava cá toda e Fish não esteve à altura das expectativas.

Um concerto para esquecer ou lembrar com um sorriso amarelo...
menos um...

Sadam Hussein foi condenado à morte. A meu ver, a decisão é justa e só peca por tardia. Em breve haverá menos um pulha no mundo. A diferença não será muita mas a grão e grão...
Anuncia-se que Sadam será enforcado (como forma de humilhação) e não fuzilado. Por mim, tudo bem. Felizmente não estamos na Idade Média. Nessa altura, o nosso querido Sadam seria enforcado, esquartejado e os seus restos espalhados pelos caminhos. Ora, isso teria graves consequências a nível ambiental, nomeadamente, na saúde dos corvos...