para começar, não está mal...

...E depois, dizem que um tipo tem de se controlar, olha o stress, etc.
Ontem, às 24:00 (ou 00:00, se preferirem) uns vizinhos meus resolveram andar a acartar mobília pela escada acima. Como o prédio não tem elevador e eles moram no último andar, pode-se imaginar o efeito...

Hoje, logo a abrir o dia, resolvo comunicar as leituras dos contadores. Vou ao site da EPAL e o dito não carrega - em nenhum browser.
Vou ao da EDP (onde costumava comunicar a luz e o gás) e lá consigo enviar a leitura da electricidade. Quanto à do gás, já lá não está.
Vou ao site da LisboaGás (i.e., da Galp) e, após alguns passos, ao chegar ao écran de envio de dados, aparece-me uma mensagem a dizer que o serviço está temporariamente indisponível.

Finda a questão das leituras, apeteceu-me ir verificar o pagamento do condomínio. Acedo ao site do BCP e recebo uma mensagem de que a informação lá mostrada já é antiga e que não é possível darem-me dados recentes.

Daqui a pouco vou à médica, mostrar as maleitas com que ando. Será que também lhe devo falar dos sites? Às tantas, ficavam todos óptimos com uns comprimidos...

Ajude os animais

A União Zoófila está a pedir ajuda para alimentar os imensos animais que tem a seu cargo. É Natal , blá, blá, blá mas isso pouco interessa porque devemos preocupar-nos com as boas causas SEMPRE. Ainda assim, a época dá jeito para apelar a um certo "sentimentalismo" e lembrar as boas almas de que não são só os homens que têm fome: os animais também.

A União Zoófila abriga, alimenta e trata centenas de animais nas suas instalações no Bairro das Furnas, ali bem perto de Sete Rios e, de vez em quando, vê-se na necessidade de fazer apelos públicos por ajuda em termos de alimentos e medicamentos.

Uma lata de comida para gato (das mais baratas) custa cerca de €0,35 (menos do que um café!!!) e permite alimentar um animal durante um dia (2 refeições). O que custa pegar em alguns euros e gastá-los numas quantas refeições para os nossos amigos de quatro patas? Será dinheiro certamente mais bem gasto do que em cafeína, não?

A UZ aceita donativos em dinheiro (ver o site aqui) mas prefere receber em géneros.

Ajude. Não dói, faz-nos sentir bem e permite manter vivos animais que não tiveram culpa nenhuma de serem abandonados por gente reles que não quis tratar deles.

Graças a deus pelo humor

Nunca tinha ido ao Mário Viegas. Refiro-me ao Teatro, aquele que fica na “cave” do Teatro Municipal de São Luiz, em pleno Chiado. Após muitos anos, chegou, finalmente, a vez de ir ver actuar a companhia residente, responsável pela manutenção em cartaz há mais de uma década desse êxito que é “Toda a obra de Shakespeare em 90 minutos”. Curiosamente, não foi esta a peça que fui ver mas sim a mais recente da casa, de seu nome "A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (Sintetizada)".
Durante cerca de três horas, o público que enchia a pequena sala (o meu bilhete foi o último a ser vendido), foi brindado com uma dose absolutamente cavalar de humor, onde as maxilas de quem lá estava poucos momentos tiverem para descansar. Ao fim de poucos minutos, uma dor já me tomava conta da cara, tornando, por vezes, o soltar das gargalhadas uma coisa difícil. Mas muito mais difícil ainda seria deixar de rir com as interpretações do trio em palco e com o texto que interpretavam.
Para quem não saiba, a peça em questão pretende dar-nos a conhecer uma versão cómica de TODA a Bíblia - o que não é coisa pouca. E fá-lo recorrendo às piadas, à farsa, ao travesti, à música, à interacção com o público, gerando momentos após momentos onde só há uma coisa a fazer: rir!
Em boa verdade digo que nunca me tinha rido tanto e que os vinte euros que paguei pela entrada foram merecidos até ao último cêntimo (ia escrever tostão...).

Desconheço se esta companhia teatral está abrangida pela “perversa” política de subsídios à cultura. Não me parece que tenha necessidade da ajuda estatal, a avaliar pela afluência de público. Mas, apetece dizer que este tipo de espectáculos, precisamente estes, mereciam, acima de todos, serem premiados e incentivados pelos poderes públicos, quanto mais não fosse pela sua capacidade para levar uma imensa alegria a todos os que os frequentam. Ir ao Teatro faz bem ao espírito. Ir ver a Companhia Teatral do Chiado faz bem à saúde! :)

Quer divertir-se? Quer divertir-se mesmo muito? Meta-se a caminho da Baixa e vá ver A "A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (Sintetizada)".

Assim não!

Não sou um consumidor do tipo “exigente”, i.e., que espera serviços absolutamente impecáveis em troca do que paga. A concepção “moderna” de exigência chateia-me até porque, também eu, enquanto executante, não sou isento de mácula e tendo a ter com os outros a mesma paciência que espero que tenham comigo quando eu falho. Ainda assim, casos há em que apetece dar um murro na mesa tamanha é a desconsideração que por vezes se enfrenta. Neste Domingo (2007/12/16), no cinema Monumental, a bilheteira tardou a abrir. Nada do outro mundo diria eu: qualquer pessoa pode ter um contratempo e se a moça responsável pela venda de bilhetes não conseguiu chegar a tempo, paciência: o mundo não acaba por isso. Já da parte dos responsáveis pelas salas, será de perguntar se não seria de ter alguém capaz de, numa situação semelhante, dar uma mãozinha na venda dos bilhetes, sobretudo quando está uma sessão a começar e há várias pessoas à espera! Nunca lhes deve ter passado pela cabeça que a bilheteira (no caso, a vendedora de bilhetes) possa não chegar a horas...
Bom, mas isto não foi o pior. Como escrevi antes, sou tolerante com as falhas. Mas não com as faltas de respeito. É que, apesar do atraso na abertura da bilheteira, apesar de ser a primeira sessão do dia, apesar de – entre as sessões -, haver intervalos, apesar de haver várias pessoas a comprar bilhete para ver um filme, este começou a ser exibido exactamente à mesma hora, levando a que os primeiros a entrarem na sala (entre os quais, eu) perdessem nada mais, nada menos do que cinco a oito minutos do filme!!! (sim, porque, para variar mesmo, até nem houve a habitual exibição de 12 minutos de publicidade...).
Que explicação pode haver para isto? Nenhuma, parece-me...

Um consumidor exigente teria pedido o livro de reclamações e, aqui, “exigente” não seria sinónimo de picuinhas ou embirante mas tão-só de responsável. Porque reclamar é um acto de responsabilidade civil, por vezes, algo que pode fazer a diferença na melhoria dos serviços que nos prestam.

Pequei por não o fazer. Primeiro, porque queria ver um filme (e só após entrar na sala é que pude ver que me tinham roubado uma parte dele) e, depois da fita, porque estava ainda combalido pela falta de piada do “A história de uma abelha”, da responsabilidade de Seinfeld, um cómico americano universalmente idolatrado mas pelo qual eu, estranhamente (?), nunca consegui sentir qualquer simpatia ou achar qualquer piada. Coisas...

Males que vêm por bem

Tinha um bilhete comprado para ver os franceses Nouvelle Vague na Aula Magna, em Lisboa. À última da hora, um compromisso de trabalho "atirou-me" para o Norte, mais precisamente para Braga. Duas semanas depos de lá ter estado em férias, eis que visito novamente a cidade dos arcebispos. Esperei mais de 30 anos para lá ir mas, agora, parece que vou ser cliente habitual...

Bom, deu-se a feliz coincidência de os NV tocarem na cidade-berço (bonito nome para a belíssima Guimarães) e de eu até ter ficado hospedado nesta mesma cidade no dia do espectáculo. Por vezes (é raro, bem sei) as coisas acabam por correr como queremos. E, neste caso, tudo saiu certo.

A sala vimaranense São Mamede é um belo local, recentemente renovado (parece que tinha reaberto na noite anterior), confortável, bem decorada (até as casas de banho têm design...) e com uma acústica mais do que razoável. O único senão foi mesmo a localização do meu lugar: a segunda fila do segundo balcão. À frente há uns ferros de protecção que atrapalham um pouco a vista mas, sobretudo, é o facto (natural) de as pessoas que estão à frente se curvarem para melhor verem o palco que pode tornar um óptimo espectáculo em algo que, pura e simplesmente, não se vê. A quem lá for, aconselho vivamente a não se sentar antes da terceira ou quarta filas.
Apesar de tudo, consegui ver razoavelmente o palco (apenas "perdendo" a parte mais à minha esquerda).

Quanto ao concerto, foi excelente! Só conhecia o primeiro álbum dos Nouvelle Vague (um dos últimos CD's que comprei - ao tempo...) e, a partir daí, tinha ficado com a lembrança da sonoridade mas não o conhecimento dos novos temas.
A banda tocou muito bem, o público reagiu optimamente, houve momentos engraçados, outros a raiar o sublime e, no fim, toda a gente terá saído contente e com a sensação de ter assistido a um daqueles momentos que teimarão em não se perder nas memórias breves.

A repetir? Sem qualquer dúvida: em Lisboa, Guimarães, ou qualquer outro lugar.

Há males que vêm por bem e ter perdido a gravação do álbum ao vivo na Aula Magna apenas serviu para conhecer uma sala tão distante da Cidade Universitária quanto está o encanto de Guimarães da confusão e pretenciosismo da capital.

Ainda picam!

Ontem, o Pavilhão Atlântico encheu-se para ver os Scorpions, a banda alemã (agora com um baixista polaco e um baterista americano... coisas da globalização), velha de mais de 30 anos mas ainda para as curvas. Foi a quarta vez que os vi e, tal como das outras vezes, fiquei a pensar quantas das pessoas presentes estariam ali por causa das baladas (que temos de aceitar serem a imagem de marca da banda) e quantas estariam por isso e tudo o resto. É que, no caso dos primeiros, um concerto dos Scorpions pode, rapidamente, virar uma desilusão. As baladas (entre as quais, esse "ícone" que é "Still loving you") foram a maneira (involuntária a princípio, assumida posteriormente?) que os Scorpions encontraram de passar na rádio, de vencer o preconceito contra o Hard Rock e dessa forma chegar a um público maior. Mas a banda de Hannover não esquece (e nunca o tentou fazer) que é um portento do rock. Ainda assim, num acto de louvável honestidade (que contrasta com a atitude "arrogante" de outros artistas) os Scorpions tentam agradar a todos e lá debitam as baladas que lhes deram a merecida fama fora dos muros da música pesada. Mas, no resto do concerto... aí, é sempre a abrir! E é nessa altura que os fans mais antigos se lembram de como eram grandes os anos 80 no que diz respeito ao Hardn'n'Heavy. O quarteto de álbuns composto por "Blackout", "Love at first sting", "Animal magnetism" e "Lovedrive", que culminou no disco ao vivo "World wide live" (sim... e o "Gold ballads") é um marco em qualquer história que se faça da música popular europeia na sua vertente um pouco mais dura.

O espectáculo de ontem foi o costume: competente e feito para agradar a todos os que lá estavam. Klaus Meine distribuiu baquetes às dezenas (!) pela fila da frente (não se esforçava por ir mais além), os guitarristas atiravam palhetas como quem semeia pequenas recordações no público e este, naturalmente, gostava de ouvir os "muito obrigado" ou "como estão?" frequentes. No fim, fica uma noite bem passada, com momentos românticos (ó enjôo - aqueles casais que se agarram mal as baladas começam para imediatamente se largarem quando elas acabam), ritmos pesados (Dynamite!!!) e muita energia.

Como único senão, o "intervalo" a meio para um secante solo de bateria. Antes, o baixista tinha dado um ar da sua graça com uma pequena interpretação de "Enter sandman" (Metallica). São os elementos mais novos mas, sobretudo, mais jovens, ainda com físico para não precisarem de descansar a meio do espectáculo. Compreende-se mas não deixa de ser uma seca.

Humilhação sexual

Antes de colocar este texto no ar pensei bastante sobre ele. Não que tivesse dúvidas quanto à oportunidade do mesmo mas mais pela forma como o deveria apresentar. Optei por fazê-lo de uma forma fria, quiçá chocante, mas concerteza mais eficaz.

A foto que se vê ao lado foi retirada do site Ghetto Gaggers e ilustra um pequeno vídeo de pornografia inter-racial onde uma mulher mantém relações sexuais com um homem. Até aqui nada há de novo no gigantesco mundo da pornografia e serei o último a criticar a existência e propagação de conteúdos sexuais online. O que me moveu a escrever foi o olhar da rapariga, o vazio que se sente nele, o abandono de um corpo à humilhação pública (porque estas coisas são feitas para serem vistas pelo maior número de pessoas) a troco de alguns trocos que vão servir sabe-se lá para quê... droga? alimentação? luxos? Pouco me importa, sinceramente.

Ao contrário do que é comum nos conteúdos para maiores de 18, aqui não há uma beldade sorridente e de ar lascivo fazendo o seu trabalho de forma desinibida. Não, aqui há apenas um ser humano sendo humilhado em nome da excitação sexual que tal acto provoca em quem o vê. Todo o vídeo serve unicamente para isso: mostrar alguém a ser usado como um pedaço de carne anónimo, uma coisa que se usa e deita fora, uma queca sem qualquer valor.

No fim, a rapariga é brindada (por um segundo homem) com a clássica ejaculação para a cara e é precisamente neste momento que melhor nos apercebemos da ausência no seu olhar. Distante... apagado... mesmo quando olha para nós (ou através de nós).

Já vi muito na internet, já vi coisas capazes de revolver o estômago ao cidadão médio mas a cara desta mulher meteu-me pena, mesmo tendo quase a certeza de que ninguém a obrigou a entrar ali, mesmo sabendo que ela é livre de se deixar humilhar.

Ainda assim...

Se quiser ver o vídeo carregue no link seguinte (mas fica avisado de que vai ver pornografia...): Ver o vídeo

Dar ao couro pelos outros

Passei o que seria um feriado (se não fosse num Sábado) a trabalhar no Banco Alimentar. Por esta altura costumam fazer uma campanha de recolha de alimentos e, deste vez, resolvi trabalhar pelo lugarzinho no céu, oferecendo-me como voluntário para trabalho de armazém.

Lá compareci na Av. de Ceuta, às 11:00, pronto para dar o meu melhor por quem ainda pode vir a assaltar-me (eh... que frase reaccionária). À chegada, foi-me dado um formulário por uma senhora com um ar um pouco enjoado. Preenchi-o e entreguei-o a outra senhora com um ar um pouco menos enjoado. Deixadas as coisas no contentor que servia de bengaleiro, lá me fiz ao trabalho. O armazém de recolha e triagem estava cheio de gente, sobretudo adolescentes e imediatamente percebi que se não tivesse lá posto os pés ninguém ia sentir a minha falta. Fiquei um pouco desanimado mas entretive-me com a primeira tarefa do dia: abrir sacos de plástico. Terminada essa tarefa e chegados os alimentos, passou-se à triagem dos mesmos. A mim coube-me inicialmente a mesa do arroz. Umas miúdas tiravam da passadeira embalagens de arroz, juntavam-nas aos grupos de seis e eu e uma mulher arrumávamo-las numa grade. Deu para por à prova o corpinho.

Chegada a hora do almoço, lá me fui alimentar: uma espécie de puré de bacalhau (saboroso) com um pouco de alface. Para beber, um sumo. Como sobremesa, limitei-me a um café e a um biscoito. Outros se deleitavam a fazer colecção de bolos...

À tarde, fui tirar coisas da passadeira e passá-las para uma mesa. Trabalho maquinal, em grande velocidade, extremamente cansativo mas que me deu gozo (hoje, estou todo partido, como paga pela minha "solidariedade"). Tudo quanto fosse embalagem de feijão, grão e coisas quejandas, secas, era para ser embalado na minha mesa. Depois do lanche, fiquei com o encaixotamento e já não com a triagem (o que deu para descansar um pouco..).

Às 20:00, cansado e farto, abalei. Não tive paciência para aguardar pelo jantar.

Gostei? Não me fez mal nenhum e de certeza que ajudei bastante. Não fiz nenhuma diferença mas trabalhei concerteza muitíssimo mais do que muito do pessoal que por lá andava encostado às paredes. Não tivesse ficado todo partido (alguma vez terei trabalhado tanto?) e teria voltado hoje.

Para o ano que vem, talvez volte. E voltarão um pouquinho mais crescidos muitos dos miúdos que por lá vi, escoteiros ou não e que não deixam de nos fazer pensar que nem todos os adolescentes são necessariamente uns imbecis egoístas. Ainda bem que assim é.

Finalmente, uma pequena nota: não foi possível passar ao lado da ironia que foi, no 1º de Dezembro, ter levado com uma dose cavalar de música cantada em castelhano passada pelo disc jockey de serviço - Enrique Iglesias, Azucar Moreno, Manu Chao, Heroes del Silencio, Ricky Martin, Alejandro Sanz, Gipsy Kings e outros...

O 1º de Dezembro

Para os mais distraídos, amanhã, Sábado, dia 1 de Dezembro é feriado nacional. Não será coisa que se note muito tendo em conta a infeliz coincidência de calhar a um fim-de-semana a comemoração deste dia de boa memória. Também não se pode contar com a comunicação social ou mesmo com os poderes instituídos para avivar as consciências ou educar os ignorantes. Convenhamos, ninguém quer saber para nada do 1º de Dezembro. Mas é pena...

Em 1 de Dezembro do ano da graça de 1640 houve uma revolta em Lisboa com um objectivo muito claro: terminar com a sujeição da coroa portuguesa à dinastia filipina com sede em Madrid. Para isso, seria preciso substituir Filipe III (IV de Espanha) pelo Duque de Bragança, João de seu nome que, curiosamente, era casado com uma espanhola.
Diz-se que o futuro D. João IV não estava muito inclinado a deixar o seu palácio de Vila Viçosa (visita a não perder) e a aventurar-se na "conquista" do trono português. Diz-se também que foi a sua mulher que o convenceu alegando que mais valia ser rainha por um dia do que duquesa toda a vida. Onde acaba a lenda e começa a realidade?

A data da Restauração da Independência - que deu nome à Praça dos Restauradores e à Rua 1º de Dezembro (ambas em Lisboa) -, foi alvo, ao longo dos tempos, de apropriação por parte dos sectores mais conservadores e nacionalistas da nossa sociedade, tendo com isso sido inculcadas no imaginário popular diversas ideias que não correspondem à realidade mas que foram sendo passadas como forma de fortalecer um patriotismo sempre débil no nosso povo e ainda mais nas classes dirigentes. Salazar e o Estado Novo souberam tirar bom partido da data, a 1ª República também e ainda me lembro de uma célebre manifestação quando eu era criança, organizada pela jornalista Vera Lagoa, então directora do semanário "O Diabo", periódico semi-oficial da direita nacional. Estabelecida a democracia, a data começou a perder fulgor resumindo-se hoje ao feriado, e a uma ou duas sessões solenes frequentadas por velhotes serôdios. Para o regime actual, empenhadíssimo na construção europeia e na integração comercial com Espanha, a comemoração do 1º de Dezembro é um fardo que a história nos deixou, um sinal feio que tentamos esconder puxando a manga da camisa.

Mas, independentemente das cores que os tempos actuais queiram dar à História, ela existe e deve ser conhecida. A Restauração é um período fascinante do nosso passado colectivo, algo que vai muito mais além do que o dia que se comemora. A guerra com Espanha, intermitente e de baixa intensidade (ao contrário do que se costuma contar) , durou 28 anos e traduziu-se numa série de vitórias portuguesas possíveis pelo brio dos nossos militares, pela força que tem quem luta por uma causa justa, pela conjugação de interesses políticos internacionais, pela decadência do Império Espanhol e das suas finanças (com a involuntária colaboração dos traidores portugueses a viverem em Espanha, autênticas sanguessugas do erário público castelhano), e por um constante e muitas vezes humilhante jogo de cintura que o nosso país teve de utilizar.

Espanha sempre pensou que a qualquer momento poderia reconduzir ao rebanho a ovelha tresmalhada e foi-se ocupando de outras rezes rebeldes (a Catalunha, os Países Baixos), afundando-se em guerras intermináveis e custosas em vidas e dinheiro, sempre mais enfraquecida pelo conflito com Portugal, Inglaterra, França, Holanda...
A Portugal coube aproveitar as rivalidades, ir recuperando e cimentando posições, umas vezes pela força das armas, outras pela via diplomática, outras aindas pagando para recuperar o que tinha sido seu (um pouco conhecido negócio com os Holandeses, a propósito do Brasil) e ir esperando os momentos em que Filipe IV de Espanha e a sua alma danada, Olivares, se viravam (sem êxito) contra o nosso território.

A versão "oficial" dos acontecimentos diz-nos que houve 40 conjurados, todos grandes patriotas, que se reuniam perto do Rossio, para preparar o plano de ataque ao poder. Não eram 40, nem eram grandes patriotas. Eram herdeiros da mesma nobreza que em 1580 se tinha vendido a Filipe II de Espanha, originando a sua célebre frase "Portugal é meu por direito: herdei-o, conquistei-o, comprei-o". O que se passou foi que, ao juntarem-se as duas coroas, os nobres portugueses passaram a ter obrigações para com a Coroa Espanhola (esqueçamos o pormenor formal da separação dos negócios dos reinos) e os conflitos que esta mantinha com todas as nações. Ao fim de 60 anos, a nobreza estava cansada e não se sentia recompensada. Foi, portanto, o interesse que fez com que os poderosos se mexessem e não a glória do Reino.

Quanto ao Duque de Bragança, sempre se tinha sentido mais inclinado para a música do que para a política e era conhecida e famosa a sua colecção de livros e instrumentos musicais que se perdeu aquando do terramoto de 1755. Também era compositor e há quem defenda a tese de que o tema Adeste Fideles (que é uma das peças musicais fundamentais em qualquer celebração natalícia à face da terra) é da sua autoria. Você sabia disso? Provavelmente, não.

E o povo? Que pensava o povo de tudo isto? É costume dizer-se que o povo queria um soberano português, que odiava o "traidor" Miguel de Vasconcelos (o defenestrado) que respondia perante a Duquesa de Mântua, delegada da coroa. Mas... seria isto verdade?
De uma forma geral, sim. O povo era mais "patriota" do que aqueles que detinham algum poder (os nobres, os financeiros judeus, os burgueses) mas mesmo aqui a História reserva-nos algumas surpresas como seja saber que a população de São Paulo (Brasil) ofereceu vassalagem à coroa espanhola para garantir a continuação do comércio com a América espanhola...


Ler História é ser constantemente agredido com a verdade. No caso, tive oportunidade de, recentemente, ler um excelente livro escrito pelo historiador espanhol Rafael Valladares, obra justa, honesta, que analisa com frieza o enquadramento histórico da Restauração, não cedendo a patriotismos de nenhum lado da fronteira e possibilitando-nos o contacto com uma realidade muito diferente da versão gloriosa que nos foi ensinada quando ainda se ensinava o que era o 1º de Dezembro.

Em 1640, pos-se fim à catástrofe que foram os 60 anos de dominação estrangeira. Não nos devemos esquecer que a perda da independência nacional só foi possível graças às loucuras de D. Sebastião, à posterior incapacidade para aguentar o barco por parte de D. Henrique, ao colaboracionismo dos poderosos e ao baixar dos braços por parte de quem se opunha à situação.
Portugal, enquanto país, pouco ou nada ganhou com a união das coroas. É certo que no Brasil, os bandeirantes aproveitaram a situação para empurrar para ocidente as fronteiras da colónia, fazendo tábua rasa de Tordesilhas mas, no resto do mundo, o Império Português foi estraçalhado por Ingleses e Holandeses. E já que se fala de desastres, convém lembrar que na Invencível Armada, essa louca aventura de Filipe I, pereceram milhares de compatriotas nossos e afundaram-se muitos dos nossos melhores navios. Não tinhamos nada contra a Inglaterra mas éramos obrigados a alinhar na campanha e pagámos bem caro por isso.

A História é uma lição e, como se costuma dizer, é uma "velha senhora que se repete sem cessar". O período pós-Alcácer-Quibir, a dominação filipina, a Restauração, são enormes avisos do que pode custar a um povo o não saber ser senhor de si mesmo e traçar o seu próprio caminho. Ninguém nos guia se quisermos ser cegos.

Alguém está - ainda -, interessado em perceber isto?
lá nos safámos...

Certo, a imagem que acompanha este texto é um bocado para o chulento (embora não desprovida de uma certa beleza simples) mas preferi-a a colocar aqui a cara de qualquer um dos jogadores na nossa Selecção Nacional (e muito menos alguém da equipa técnica). Eu "ispilico" (lembram-se do Chinesinho Limpopó?): eu queria ir ver a Selecção jogar a Leiria e, depois, ao Porto. Os dois jogos serviam como pretexto para uma semaninha de férias e um belo passeio pelo centro-norte da santa terrinha. Como quis comprar os dois bilhetes de uma só vez (manias) já só consegui para o jogo no Dragão. Há males que vêm por bem e isso permitiu-me alterar (com enorme vantagem) a minha rota. Fiquei sem conhecer (detalhadamente) Leiria mas poupei-me a uma chuchadeira de jogo. Vi-o sentado num café na Guarda, tentando aquecer as mãos geladas com um galão. Ganhámos, apesar de tudo e não me senti prejudicado.
O mal, bom, o mal foi o jogo no Porto. É que ir da Guarda ao Porto não é, propriamente, um passeio simples. Sobretudo quando se anda a cirandar e se dá conta de que a partida começa uma hora e tal mais cedo do que se julga. É prego a fundo numa autoestrada monte-acima, monte-abaixo, pelo meio do nevoeiro, sob chuva, com paisagens que, às vezes, "metem respeito", chegar ao Porto, andar às voltas, arranjar um lugar para deixar o carro, descobrir onde passa o Metro (aquele que parece um dos nossos eléctricos para Belém), esperar na bicha para os bilhetes, esperar que passe um comboio onde consigamos um espacinho muito apertadinho onde caibamos, chegar ao estádio, andar a correr feito parvo à procura do quiosque da Federação para levantar os bilhetes comprados na internet (não... não os dão na bilheteira - é estúpido, certo?), ir a correr para o estádio e chegar ao assento quando o hino já estava a ser cantado para, no fim, assistir a mais uma merdelosa exibição dos nossos "bravos" que dão tudo pelo seu país, que adoram o público, que amam a bandeira e sei lá que mais patacoadas que nos querem impingir... Bom, no fim da partida eu nem consegui comemorar. Aliás, muita gente sorria e não ia além disso. Não se esperava outra coisa desta equipa (que ainda podia ter ficado em primeiro lugar no grupo - se tivesse ganho) e a verdade é que a mediocridade foi o tom constante na "equipa de todos nós".

Scolari mostrou-se "irritado" com o facto de se apontar à equipa as péssimas exibições mas não tem razão. Compreende-se que o faça como defesa do seu trabalho mas isso não nos pode fazer calar. A Selecção está uma lástima! Pela primeira vez não senti absolutamente nada ao ver o meu "clube" apurar-se para uma competição. É certo que já começo a ganhar calo dado o bom desempenho da Selecção na era Madaíl mas, ainda assim, eu queria mais do que o apuramento - queria a excitação da vitória, a alegria de gritar golo, o orgulho na nossa superioridade dentro de campo. Não tive nada disso. Nem eu, nem milhões. Será que estamos todos errados?

Espero agora que alguém faça o favor de dar um abraço de despedida a Scolari. O Campeonato da Europa vem aí e já chega de más figuras.

Da Vinci na Invicta

Voltado de umas curtas férias (esqueci-me de deixar aqui um aviso para vos fazer inveja), apetece-me partilhar a última coisinha agradável que me aconteceu: a visita à exposição "Leonardo da Vinci - O Génio" que está no Palácio de Cristal (ou Pavilhão Rosa Mota), na cidade do Porto.

Debruça-se a exposição sobre a faceta inventiva deste génio toscano do Séc. XV, com inúmeras maquetes de máquinas e, também, vários aparelhos à escala 1:1, sendo ainda possível interagir com um reduzido número dos ditos.

Já muitas vezes disse aqui mal do MillenniumBCP a propósito de campanhas publicitárias palermas mas, desta vez, elogio o banco nacional: não só patrocina a mostra como também oferece a entrada (carota: EUR 4,5) a quem possua qualquer uma das milhentas versões de cartões de crédito que o grupo disponibiliza. Convenhamos que é paga pouca pelo que me tiram mensalmente mas não deixa de ser simpático.

A exposição não é uma maravilha: vários dos aparelhos com os quais se pode interagir deixam-nos sem perceber exactamente o que fazer (se é que se pode fazer alguma coisa com eles) mas é suficientemente interessante para despertar em muitos a curiosidade em relação a esse super-homem que foi daVinci. Para aqueles que já tiveram oportunidade de admirar algumas das suas obras ou ler sobre a sua vida, o interesse residirá unicamente na possibilidade de ver materializadas algumas das descobertas mecânicas daquele.

Não posso dizer que valha a pena alguém fazer-se à estrada expressamente para ver a exposição de que aqui se fala mas, se estiver de passagem pelo Porto ou viver nos "arredores", então, não hesite e vá ao Palácio de Cristal. Se tiver crianças, elas ainda podem entreter-se num ateliê de desenho no fim do circuito.

Que agradável seria que esta exposição também viesse à cidade das sete colinas...

Os fantasminhas

A imagem que acompanha este texto é de, nada mais, nada menos, que uma folha de papel higiénico. Não se trata de um daqueles casos em que já não há nada mais sobre que falar e nos viramos para questões escatológicas, sempre fáceis de abordar, mas sim de um genuíno espanto ao verificar a existência das simpáticas criaturinhas na superfície das folhas às quais tenho vindo a limpar o meu [a cada um o seu adjectivo] traseiro.

É verdade. Eu nunca tinha reparado nos fantasminhas sorridentes de todas as vezes que me limpei. Pode-se argumentar que nessas situações, o aspecto do papel pouco importa e é a sua suavidade que se torna crucial para uma operação agradável. Mas agora penso de outra forma. E, pelos vistos, na Renova também. Eu não sei se estes fantasmas são da família do outro, do que andava pelas lixeiras vestido de latex, se sofrem de uma qualquer perversão de carácter, se ignoram, pura e simplesmente, o que os espera quando os desenrolamos (ah doidos, todos ali ao molho!)... não sei nem me importa. No entanto, a partir de agora, cada vez que obrar vou olhar para eles de outra forma, tendo pena pelo trabalho de merda que têm mas, ao mesmo tempo, sorrindo-lhes de volta antes de lhes esfregar a cara no meu dito cujo.

As mulheres a preferir

A imensidão do meu tempo livre leva-me a pensar bastante nas coisas do mundo e faço-o a ponto de, por vezes, me ocorrerem verdadeiras pérolas de sabedoria que me apresso a partilhar com os outros. Há que ser altruísta e aceitar que nem todos chegam lá sozinhos...

Hoje, resolvi dar a conhecer ao mundo a minha mais recente reflexão sobre o sexo feminino ("espécie" seria mais adequado) que, condensada numa frase simples, daria qualquer coisa como "vale mais roubar uma mulher casada do que procurar uma solteira".
Aviso já que esta máxima (a partir de agora minha e vossa) só se aplica às moçoilas a partir dos 25 anos. Que não vos baralhe a precisão da idade, é a modos que um número redondo. O que interessa para o caso é perceber que, a partir de dada altura, as mulheres bonitas já estão todas comprometidas (habitualmente, com os tipos mais parolos que conseguiram encontrar) e só sobraram as outras...

E quem são as outras? Não há mulheres atraentes entre "as outras", as que não se casaram, juntaram ou, no mínimo, andam para aí enroladas com um tipo qualquer que não nós? É claro que há, apesar de tudo, ainda se está a falar de um número que pode ser considerável (mesmo esquecendo as velhas solteironas). O problema está em que, devido ao dinamismo predatório que caracteriza os homens, a única fruta que fica por apanhar é a que não presta. Mulher bonita ainda solteira aos 30 (número ainda mais redondo - e não é piada aos quilinhos que se começam a acumular...) ou é lésbica ou tem problemas de cabeça. Ponto final. Das feias não se fala aqui.

Diz a sabedoria popular que a fruta mais saborosa é a que tem bicho. Não se entenda por "bicho" uma doença qualquer daquelas que nos faz arrepiar os cabelos mas sim a criaturinha amantíssima que chegou antes de nós. Se uma mulher tem homem, é porque deve valer alguma coisa. Se está solteira, ou portava-se mal (e foi posta com dono - expressão duplamente irónica neste contexto, já se vê) ou portaram-se mal com ela e agora está cheia de vontade de se vingar do que lhe fizeram. Em ambos os casos, é de fugir, minha gente!

Temos, portanto, que as belezas presas são aquelas que mais apetecíveis deveriam ser.
O problema (há sempre um, não é?) está em que, se uma mulher comprometida ceder ao nosso encanto isso quer dizer que acaba por ir parar ao grupo das que se portam mal e que, por isso, não nos deveriam interessar. Se é capaz de mandar à vida o seu actual amor, também nos pode fazer o mesmo amanhã. E isso não seria nada agradável, pois não?

Chegamos, então, a uma espécie de beco sem saída... O que nos sobra afinal?

Camões: sempre

Por ocasião da leitura de uma obra de José Hermano Saraiva sobre a vida de Camões ("Vida ignorada de Camões"), ocorre-me publicar aqui essa maravilha (uma de várias) que o nosso Imortal nos deixou. Publicada - e lida -, até à exaustão, conserva, séculos depois, a beleza das coisas verdadeiramente eternas. Como o Amor, dirão alguns, como o Génio humano, apontarão outros. A verdade é que o bom velho Luís Vaz, rufia que fosse, sabia, como poucos, trocar o estoque pela pena.




Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Quem de nós não se revê em algo disto?

Cheiras tão bem

Agora que já vou começando a perceber umas coisas muito básicas de Alemão (lá me vou conseguindo concentrar nas aulas...), ocorre-me estar a ouvir Rammstein e "apanhar" pedaços das letras.

O ritmo é marcial, as guitarras rugem, as paredes vibram e o cantor rosna:

"Tu cheiras tão beeeem, tu cheiras tão beeeem. Eu acho-te tão booooa, tão booooa."

Bem, já toda a gente sabia que traduzir letras escritas em Inglês era um exercício que não nos brindava com grandes revelações. Pelos vistos, em Alemão também se dá o mesmo fenómeno. Mas isso até nem me preocupa por aí além. O que me faz espécie é que eu achava que os rapazes, no meio daquele ritmo martelado que me faz sempre pensar em soldadinhos a marchar, até diziam coisas com mais substância. Também tem a ver com a língua, é certo. O Alemão parece demasiadamente sério para banalidades. Mas é preconceito meu (e dos bem palermas). Às tantas, 99,9% das vezes em que eu não percebo o que é que o cantor diz, ele até está a debitar grandes pensamentos.

Bom... que se lixe! Se a rapariga cheira bem, isso merece ser dito, que raio!

"Tu cheiras tão beeeem, tu cheiras tão beeeem. Eu acho-te tão booooa, tão booooa." - Olhó teledisco aqui!

Nas asas do amor

Segundo li hoje, uma agência de viagens a operar no nosso mercado está a organizar o primeiro evento de skydating (tem sempre mais pinta, em "estrangeiro") que, traduzido de forma livre, seria qualquer coisa como "engate aéreo" o que até estaria muito bem para o caso. E que raio é isto de skydating, perguntar-se-á toda a gente? É simples: pega-se num número igual de homens e mulheres (nesta primeiro evento não haverá lugar para sexualidades "alternativas"), põe-se o pessoal num avião e, durante a viagem até ao destino (que, neste caso será Viena), os moçoilos solitários andarão a passear pelo avião a "conversar" com as pequenas que, por o serem - i.e., meninas -, não terão de dar-se ao trabalho sequer de se levantarem do assento. Eles que vão ter com elas (e é se quiserem!). Cada "conversa" só poderá durar cinco minutos e, no fim, serão entregues à organização as notas dadas por cada um a quem tiverem entrevistado (ou por quem o tiverem sido).

Chegados a Viena, os solteirões passam uma noite lá e voltam na manhã seguinte. Dias depois, receberão em casa uma cartinha com os resultados da aventura, ou seja, com indicação de terem sido, ou não, abençoados com um par.

Parece que a coisa não está a andar mal pelo lado feminino mas, no que diz respeito aos machos, ainda faltam 14. Isto até se percebe: uma coisa destas levanta suspeitas. As raparigas serão mesmo clientes ou mulheres pagas pela organização? E, se forem clientes, quantas delas serão imigrantes à procura de um passaporte? Nos dias que correm, é a situação mais provável.

Mas, fica aqui a notícia para quem quiser tentar e pagar EUR 160 para ganhar asas e - quem sabe? -, encontrar a sua cara-metade, algures pelos céus da Europa. Poderão sempre, um dia mais tarde, dizer: "Lembras-te de quando nos conhecemos, amor? Vi-te em França, falei contigo na Suíça e apaixonei-me ao chegarmos à Áustria."

Se o seu par não lhe cai do céu, não desanime e suba aos céus à procura dele...

Corações ao alto...
apartheid canino

Andava eu a organizar as minhas fotos (tarefa hercúlea) quando deparei com uma bem engraçada tirada em Lausanne (Suíça) em Novembro de 2005.

Aparentemente, na bela cidade suíça (há alguma coisa que não seja bela naquele país?), existe uma atitude discriminatória relativamente aos cães de cor preta. Aqui, não se pode falar em raça porque há, por exemplo, Labradores de cor preta, amarela, castanha..., portanto, o problema das autoridades de Lausanne é mesmo a cor!

Se você tiver um cão preto, ele tem de andar de trela e no lado esquerdo do caminho (ou seja, no cimento). Se ele for branco, já pode andar sem trela e na relva fofinha. Como é que isto se pode admitir? E - pergunta-se -, a que regra estão sujeitos todos os cães que não caibam nesta visão maniqueísta de preto e branco?

Se isto se passasse na zona "alemã" da boa Helvécia, ainda se conseguia perceber (mas nunca aceitar). Agora, logo em Lausanne, a cidade tão intimamente ligada aos Jogos Olímpicos...

Pobres cães pretos de Lausanne...
canções de amor

"As canções de amor" (Les chansons d'amour) é o último filme do francês Christophe Honoré a estrear em Portugal e conta-nos a história de Ismaël, um jovem adulto que vive uma relação a três com a sua namorada Julie e a "convidada" Alice. Com a morte da primeira, o triângulo desfaz-se e Ismaël acaba por ceder aos encantos de Erwann, o jovem bretão irmão de Gwendal, o novo e efémero romance de Alice. Confuso? Desagradado? Não se preocupe.

Em "As canções de amor" o que menos importa é a história. O trunfo do filme está, precisamente, nas canções que lhe dão o nome. Canções que não são complementos do enredo, pedaços musicais enxertados na narrativa, mas sim parte do discurso das personagens - diálogos musicados, se assim quisermos pensar. E são belas estas canções da autoria de Alex Beaupain e interpretadas (e bem) pelos próprios actores. Entre as várias composições destacam-se "Au parc" (por Chiara Mastroianni) e "As-tu déjà aimé ?" (cantada em duo por Grégoire Leprince-Ringuet e Louis Garrel). Mas, apontar temas em particular implica uma injustiça óbvia, tal é a qualidade de toda a banda sonora.

"As canções de amor" pode ser visto como uma espécie de "Magnólia" em Francês. Entenda-se que o filme propriamente dito nunca poderia ser comparado com essa obra maior de Paul Thomas Anderson. Honoré não é aquilo a que se possa chamar um realizador brilhante e bastaria lembrar esse horrível "A mãe" para desfazer quaisquer dúvidas. Não, é ao nível musical que a película gaulesa ganha estatuto de destaque, com canções sensíveis, melodias ora de uma beleza triste, ora de uma jovialidade contagiante (ouça-se o par de temas acima indicados).

A cinematografia francesa não é fácil. Filmes como aquele de que aqui se fala podem contribuir para chamar público às salas. É certo que, no fim, são as músicas que dão vontade de o rever mas um filme é feito de imagem e som e as bandas sonoras têm de ser aceites não como um acrescento mas como algo que pode ser essencial ao prazer do espectáculo. Nesta fita, a banda sonora é o espectáculo.
presente envenenado

Inscrevi-me num curso de Alemão, no IEFP. Fi-lo por puro gosto pela sonoridade da língua. Não preciso, para nada, de saber falar o idioma de Goethe, Beckenbauer ou Hitler. A música dos Rammstein vale por si indiferentemente do que as letras possam dizer. Os livros de Günter Grass são traduzidos. O futebol fala-se com os pés. O Metal germânico é cantado em Inglês...

Mas a língua tem uma classe que poucas partilham e foi com alegria que vi que o Estado se propunha oferecer-me um curso de um mês de Alemão. Sim, a palavra é mesmo "oferecer" porque apenas tive de pagar uma inscrição de €5 (cinco euros)!

Cinco euros por um mês com 3 horas por dia de aulas, direito a dossier, bloco de notas, caneta, material de apoio, lugar de estacionamento e... uma professora bonita. :)

Ora aqui é que a porca torce o rabo. É que eu acho que todas as professoras deviam ser feias. Professoras como a minha são boas para a assiduidade (quem é que quer faltar às aulas?) mas péssimas para a concentração. Ver uma bela rapariga andar de um lado para o outro, ajeitando os cabelos, expondo ocasionalmente um longo e alvo pescoço, distribuindo sorrisos enquanto vai dizendo "sehr gut!" (muito bem) e ter de conseguir prestar atenção à gramática é coisa que se aproxima da tortura...

Quando a esmola é muita, o pobre desconfia. O Estado presenteia-me com um curso que se aproxima de inútil (como tantos) mas que assenta que nem uma luva nos meus gostos culturais para, logo a seguir, me sujeitar à provação que é passar três horas diárias a domar as hormonas: "Quietas! Deixem-me estudar em paz!".

O que sofre um homem solteiro... ou, em Alemão, "Ein fraulos Mann"

ÚLTIMA HORA: indica-me um anónimo comentador que o termo para solteiro é "ledig". Seja! "Ein ledig Mann" ;)
o celibato sai caro

Um recente artigo na internet, no habitual estilo "está tudo mal", versava sobre as dificuldades por que passam as famílias. E, como celibatário forçado que sou, ocorreu-me que a vida dos outros, os que têm como melhor amiga a mão direita, talvez não seja muito melhor...

Ser celibatário é uma condição cuja razão depende de cada um. Uns são-no por escolha, outros por falta de oportunidade para mudar, outros porque calha. Mas, se as razões que levam quem vive sozinho a estar (e continuar) nesse estado podem variar de pessoa para pessoa, o certo é que as consequências de se ser solteiro e desacompanhado poderão muito bem ser notadas na maior parte dos elementos deste "estado civil". De todas, destacam-se as de nível sexual e económico. Eis uma pequena lista:


- A prestação da casa (ou a renda) cai-nos toda em cima.
- Água, luz, gás: é tudo por nossa única conta.
- Se tivermos um acidente de automóvel nunca temos testemunha porque estamos sozinhos.
- Se quisermos ir de férias, pagamos mais por irmos sozinhos.
- No cinema, os pares pagam meio-bilhete; os solteiros pagam bilhete inteiro.
- No ginásio, não há descontos de família.
- Nos impostos, não há descontos nem ajudas.
- No restaurante, somos os tipos que estão a ocupar uma mesa para vários - ou somos mal atendidos ou temos de levar com a má cara dos grupos que chegam e não têm lugar.
- Não há sexo (a menos que se pague). Se for esta a escolha (as prostitutas), o celibato ainda nos sai mais caro.
- Comemos mal - ou porque não sabemos cozinhar ou porque não dá gosto cozinhar só para um.
- A lida da casa tem de ser feita por nós. Podemos arranjar uma empregada mas isso implica ainda mais despesa.
- Se gostamos de crianças, isso é de desconfiar...
- Se falamos de mulheres é porque somos uns mulherengos incorrigíveis.
- Se já temos uma certa idade, então, somos maricas.
- Se o dia nos corre mal, só nos resta desabafar com as paredes.
- Se o dia nos corre bem, não temos com quem partilhar a alegria.


A lista continuava mas já estou suficientemente deprimido...
Pobres casais, que têm tantas dificuldades...
andam atrás de mim!

Por vezes vem-me à cabeça (ao pensamento, i.e.) uma velha canção dos Guns n'Roses, "Out ta get me", cujo refrão era assim: "They're out ta get me, They won't catch me" (eles andam atrás de mim mas não vão apanhar-me). E acontece semelhante fenómeno quando me ocorrem situações como a de há pouco - consultar o saldo bancário.

O HolmesPlace fez o favor de aumentar a mensalidade que pago em cinco euros e qualquer coisinha pelo serviço de toalha. Era oferta mas não me disseram quando é que a dita acabava...
(sabem, no entanto, enviar SMS com convites para actividades...)
Temos portanto uma situação em que ando a pagar vinte e tal euros a mais do que os meus colegas de trabalho. Só porque sim.


O MillenniumBCP aumentou-me, uma vez mais, a prestação da casa, em qualquer coisa como vinte e cinco euros (é um empréstimo pequeno). Também não avisa. Resultado: saldo negativo, logo, ainda mais uma taxa de dez euros a pagar!
(o MillenniumBCP envia publicidade, cartinhas a untar os clientes, emails com aviso de saldo, etc. mas não avisa ninguém sobre o aumento das prestações - para quê? que importância é que isso tem?)


O portátil precisa de uma nova bateria. A que tinha está morta há muito, o que me faz o feliz possuidor de um "portátil de mesa". Só encontrei uma bateria igual numa empresa de vigaristas cá do burgo (que nem sequer respondem aos emails), numa marca com representação em França e Alemanha (que também não responde a emails) e num site da Formosa. Este vende o precioso artigo mas cobrar-me-á qualquer coisa como USD 130. E ainda há que contar com as taxas alfandegárias...


O popó começou a fazer birra quando se mete a marcha atrás. Um dia depois, faz birra com qualquer mudança. O popó (um Opel Corsa B de 2000, que eu uso muito pouco) é um chulo que, regularmente, e sempre nas piores alturas (em termos de dinheiro) faz questão de ter uma avaria qualquer (o que, no caso dos automóveis, implica sempre umas dezenas de contos de despesa).
Mas, apesar da sua chulice, o popó ainda me avisou, ainda me disse, numa noite, que estava a apetecer-lhe fazer birra, e eu insisti com ele no dia seguinte...
O popó acaba por ser um chulo simpático e que, de alguma forma, dá sempre pré-aviso de greve apesar de eu não o tratar bem: ando pouco com ele, não lhe dou banho, não lhe dou oportunidade de ver pornografia, não lhe digo coisinhas fofas...
Hoje vou deixá-lo à porta do mecânico (se conseguir chegar lá...). Fica de castigo no fim-de-semana. Depois, é a vez de ele se vingar.

Vistas bem as coisas, o chulo do popó (o carro, não eu) até é um tipo simpático: já me levou um dinheirão em reparações mas parece ter mais consideração por mim do que aqueles a quem eu pago atempadamente por serviços de prestígio ou a quem dou a particular alegria de ser cliente (a acreditar na última carta do MillenniumBCP).


"They're out ta get me, They won't catch me"

(pelo menos, por agora)
planeta agostini: aleluia!

Cantam os anjos no céu, tocam os sinos nas igrejas, rejubila a minha alma pela ventura de, finalmente, ter conseguido acabar a colecção de romances de Alexandre Dumas editada pela Planeta Agostini. Mais de um ano depois de o último volume (da reedição da colecção !!!) ter sido lançado, meses depois de começar com reclamações constantes com dezenas de emails enviados (nos quais acabou por ser necessário recorrer a coisas próximas do insulto), a PA forneceu-me o livrinho que faltava. Mas a coisa andou torta até ao último momento...

Tal como eu esperava e dei conta num texto anterior, a funcionária da PA que ficou de me avisar da chegada do livro anotou realmente mal o meu email e, em vez de X.Y entendeu X Ponte Y. Exactamente, no pacote deixado na portaria do edifício do Campo Pequeno lá estava escrito "Ponte" entre o meu nome e o apelido. Não há palavras...

Depois de receber o pacote (verificando que era o livro correcto) já nem me preocupei com pormenores como a qualidade de impressão, páginas em falta ou fosse lá o que fosse. Acobardei-me e guardei o precioso item na mala. Já cá cantava e a novela tinha acabado.

Fica a lição: produtos da Planeta Agostini, nunca mais!
planeta agostini: ainda não foi desta

Em Junho coloquei aqui um texto contando a minha aventura com a Planeta Agostini no sentido de conseguir acabar uma colecção de livros de Alexandre Dumas (veja aqui). Em Julho, escrevi mais um texto sobre a continuação do caso e eis que, agora, em Outubro, me vejo forçado a continuar a história...

No dia 3 de Outubro, após dezenas de mensagens enviadas, sou informado pelo apoio ao cliente de que o livro que me faltava já tinha chegado. Aparentemente, teria sido necessário ir buscá-lo a Espanha. Como eu fazia questão de ir buscar o livro às instalações da PA, como forma de me assegurar de que o volume chegado era o correcto - para além da PA não cobrar, à cabeça, mais um livro ao homem do quiosque -, fui, então, às instalações que ficam perto do Campo Pequeno (Lisboa). Isto foi no dia 8.

Ao chegar e dizer ao que vinha, a recepcionista manifestou algum espanto. Não tinha nada em meu nome... Consultou emails e percebeu a situação. O livro, o tão aguardado livro tinha ido para as instalações da PA mas... em Alcochete.

Aproveitei para dizer que com aquela empresa nada funcionava direito mas contive-me de expressar o que me ia, realmente, na alma.

A recepcionista propôs mandar vir o livro, de Alcochete para Lisboa e avisar-me de tal quando a encomenda chegasse. É justo, pensei eu. Pediu-me um contacto e dei-lhe o meu email que é na forma X.Y@gmail.com - Vi, claramente, a rapariga escrever xPONT?y@gmail.com (onde o ? é a minha dúvida sobre se teria sido PONTO ou PONTE...).
Chamei-lhe a atenção para o facto, que estava a escrever por extenso o ponto mas olhou para mim como se não estivesse a ver bem do que é que eu falava...

Portanto, neste momento, não sei se a PA me vai conseguir avisar da chegada do livro porque suspeito que nem o meu email conseguiram anotar bem.

E, quando o livro que devia ter vindo para Lisboa mas foi para Alcochete chegar, ao fim de muitos meses, ainda é preciso que seja, realmente, o que me falta e não mais um engano (o quarto, parece-me) da Planeta Agostini.
E, se o livro for o correcto, é necessário que venha em Português.
E, se o livro vier em Português, é preciso que esteja em boas condições.

Ou seja, tenho cá a impressão de que isto ainda vai durar...
Para já, ao fim de cinco dias, a encomenda ainda não aatravessou, sequer, o rio. Ou, se calhar, atravessou mas, lá está, o email não está bem...

Não há palavras!
vamos a nado!

O blog Rascunho Virtual descobriu mais um traço de humor num serviço do Google. Bem... esperamos que seja humor mesmo e não uma brincadeira de mau gosto.

Desta feita, ao querermos estabelecer um itinerário entre a cidade brasileira de Belo Horizonte (belo nome, diria eu) e a cubana cidade americana de Miami, indica-nos o Google Maps, no passo 43, que devemos atravessar o Oceano Atlântico a nado até chegar a um determinado ponto da Florida (e não FlÓrida, como a maior parte das pessoas diz).

Se é uma piada, tem bastante graça. Se é a sério, então, é uma grande gralha. Mas a gente até lhes perdoa, não?
sorrir perante os problemas

A imagem que ilustra este texto é um bom exemplo de uma atitute muito americana baseada no bom-humor e que muito se vê na internet. Neste caso, perante um problema no serviço YouTube.com, o site informa-nos de que "uma equipa de macacos altamente treinados foi enviada para tratar do problema". Leu bem, "macacos". Não há nada de estranho nisto a menos que você seja uma daquelas pessoas que se leva demasiadamente a sério e que, caso fosse responsável pelo YouTube.com colocaria uma mensagem do tipo "Temos os melhores especialistas actualmente debruçados sobre o problema com vista a repor a qualidade do serviço o quanto antes." - convenhamos, transmitir-nos a ideia de uns macacos aos saltos por detrás de uns monitores, tentando resolver o problema, tem muito mais graça do que imaginar uns sorumbáticos especialistas informáticos às voltas com os bits e bytes da situação...

Viva o bom-humor, abaixo os chatarrões!
mate a fome mas não se mate a si mesmo

Existe um sítio no mundo onde, por maior que seja a fome com que se entra, à saída espera-nos uma dor de barriga. Não porque a comida seja má mas porque é MUITA...

O Restaurante Waldgeist em Hofheim (Alemanha) especializou-se em doses cavalares de comida, quantidades tão grandes que nas mesas até há papel de alumínio para que os clientes possam desistir da refeição e continuá-la em casa.

Ele são os hamburguers gigantes, ele são as salsichas gigantes, ele são os bifes panados gigantes... E, para que não se julgue que ali só se trinca em grande, também
há bebidas em doses XXL: 2 litros é a capacidade mínima dos "copos" e, para quem ache isto pouco, há sempre o "Der Bembel des Todes" (o copo do morto) que leva 5 litros de uma mistura à base de Bacardi e Cola.

Perguntar-se-á o leitor: "Se a comida é tanta, os preços devem ser enormes!". Não, não são. Aqui aplica-se na perfeição o paradoxo dos restaurantes finos onde quanto maior for o preço, menor é a quantidade. No Waldgeist, um bife panado do tamanho de uma pizza custa apenas €8,30. :)
calha a todas - ou talvez não

Vá-se lá saber porquê, as estrelas de TV/Cinema gostam de se fazer filmar a ter relações sexuais com os seus mais-queridos. É certo que eu já o fiz e não sou famoso mas também ninguém teria interesse em me ver a menos que fosse para ter a mesma reacção que eu tive: rir à gargalhada.

Bom, depois da Pamela Anderson, da Paris Hilton, da Elsa Raposo (alguém tem o vídeo? - isto começa a tornar-se uma lenda urbana), da Maria e da Chica, agora é a vez da Eva Longoria, essa amostra de gente que tanto espaço ocupa nas fantasias de muitos de nós.

Parece que a bela moçoila teria vindo engrossar as fileiras das celebridades que, não só se filmam em intimidades, como deixam que as gravações desapareçam para, depois, aparecerem na internet.

A existência de uma sex tape (isto é para que o blog apareça no Google) com a sensual actriz seria uma maravilha para os seus fans mas a verdade é que tudo não passa de uma brincadeira para um site do comediante Will Ferrell, de nome "Funny or Die".
adopte um animal - ganhe um amigo

A associação SOS Animal, mais conhecida pelas suas acções anti-tourada (com as quais eu até nem concordo porque reconheço a riqueza cultural da tauromaquia), promove no dia 5 de Outubro, no Terreiro do Paço (Praça do Comércio), em Lisboa, uma exposição de animais para adopção.

Entre as 11 e as 18 horas haverá bichinhos à sua espera para que lhes possa dar um lar (e o que vem junto com isso: ternura, comida, conforto). Se é daquelas pessoas que anda a pensar no assunto mas não há meio de se decidir, aproveite agora e vá ver os nossos amigos de quatro patas. Sexta-Feira é feriado e tudo!

No 5 de Outubro, dia em que se comemora a imposição da República a um país que, na sua maioria, não a queria, você pode optar por comemorar o dia de S. Francisco de Assis que chamava aos animais os seus "irmãos mais novos".

Entre a República e os animais, eu escolho os segundos. E você, porque não faz o mesmo?
seja smart - pague pouco

Quer andar um dia inteiro com um smart por 1 euro?

É preciso reservar e estar atento às condições, mas não deixa de ser uma ideia engraçada (e barata).

O aluguer na promoção €1/dia está limitado a 7 dias consecutivos; é preciso fazer um mínimo de 30km e não ultrapassar um máximo de 100km por dia; não se pode circular fora do distrito da cidade onde o carro foi alugado (controlado por GPS) e só se pode fazer 1 aluguer por mês nesta tarifa promocional.

Apenas disponivel em Lisboa e Cascais por enquanto.

Mais informação em http://www.s2rent.net

Esta notícia foi retirada do Rascunho Virtual
Eva, a destruidora

Já não nos bastava o satânico Dan Brown mais as suas fantasiosas teorias da conspiração acerca da linhagem perdida de Jesus Cristo, agora ainda temos a própria Igreja a dar uma machadada num dos mais belos momentos da Bíblia: Adão e Eva.

Todos fomos educados na crença de que Deus teria criado Adão e, de uma costela deste, teria nascido a preciosa Eva, a mãe de todas essas criaturas que ora nos afagam, ora nos rebentam com a paciência. E no verbo "rebentar" parece mesmo estar o busílis desta questão. É que, segundo as pinturas no tecto da Igreja de Nossa Senhora do Cabo, em Linda-a-Velha, parece que Eva, a primeira, ao invés de nascer da adâmica costela mais se preocupou em escaqueirá-la, aplicando no nosso antepassado um potentíssimo pontapé ao mais puro estilo Kung-Fu.

Temos, portanto, duas revelações simultâneas: a primeira - Eva bateu em Adão e com isso deu origem aos casos de violência doméstica (ou, no caso, familiar já que, à letra eles não tinham casa - "domus"); a segunda - as artes marciais não tiveram origem na China mas sim no Éden.

São coisas a mais para o comum dos mortais. Dan Brown nunca veio a Linda-a-Velha mas se soubesse que em Inglês se diria Beautiful-the-Old Woman, talvez engendrasse uma qualquer ligação a Maria Madalena.

Fica-nos a esperança de ver os arredores de Lisboa como cenário de um novo romance...

a caixinha de pandora

E pronto, abriu-se a caixa de Pandora das recordações. Procura-se, encontra-se.

Esta criaturinha preversa, o Marco, punha-me sempre a chorar mais a porcaria da interminável busca pela mãe.

Aaahhhhh!!!!!

Juro que não meto mais nada aqui hoje. Chega!

Não tarda nada, estou à procura do Verão Azul...

Ó tempo, volta para trás

Aqui fica o genérico da série Dartacão. Essa engraçadíssima adaptação da obra maior de Dumas que, quer em livro, quer em desenho animado, nos enche a imaginação de aventuras.

Ó tempo, volta para trás...

o não de Santana


Santana Lopes (SL) é uma daquelas personagens que me inspira sentimentos contraditórios. Um pouco à imagem de Paulo Portas (não é à toa que estiveram "juntos" politicamente), SL é capaz de nos surpreender com tiradas absolutamente racionais e com as quais é difícil estar em desacordo para, logo de seguida se envolver em polémicas revestidas de populismo barato. Nunca atingindo sequer uma parte do brilhantismo intelectual de Portas (que até sobre cinema escreve bem), SL tem a vantagem de ser mais mediático e de ter por trás um partido maior e aproveita isto para potenciar a projecção da sua figura, alcançada em entrevistas, debates e jornais.

SL é sempre a vedeta esperada dos congressos do PSD, é a personagem cujo discurso é aguardado com ansiedade, é um íman para as câmaras.

Recentemente, uma das ideias defendida por SL ao longo dos anos foi posta, finalmente, em prática dentro do PSD: as eleições directas para a presidência. SL deve estar orgulhoso de tal. Tão orgulhoso como da sua intervenção no noticiário da SIC Notícias onde se recusou a continuar após ser interrompido para a exibição da chegada de José Mourinho a Portugal...

A SIC Notícias, a meio de uma entrevista, achou por bem interrompê-la para nos brindar com algo de absolutamente corriqueiro e que, conforme se provou, não apresentava qualquer interesse. Mourinho nem sequer falou aos jornalistas e tudo se resumiu a um "ali vem ele, ali vai ele". Na retoma da entrevista, SL, numa atitude digna de quem se sente, criticou, em directo, a estação de TV pelo que tinha feito. Fê-lo com toda a razão. Apenas falhou num tique elitista ao referir-se a "um treinador de futebol", num tom marcadamente perjorativo. SL, o político, não consegue perceber que "um treinador de futebol" possa ser mais importante do que ele. Mas pode...

José Mourinho é um daqueles portugueses que devia ser fabricado em série. Devia haver clones de Mourinho na administração pública, na política, nas faculdades, enfim, um pouco por todo o lado onde fosse necessário planear, ensinar e gerir.
Mourinho já transcende a simples qualidade de técnico desportivo de escol e assume-se como um símbolo do que todos gostariam de ser: eficientes, ricos, famosos e respeitados.
O até há pouco tempo treinador do Chelsea pode ser odiado por muitos - como Santana -, mas, se o é, é porque o seu êxito gera invejas. SL apenas consegue ser odiado pelas trapalhadas em que se meteu. É a maior das diferenças entre o "treinador de futebol" e o "político que já foi Primeiro Ministro". Mourinho conseguiu tudo à custa do seu enorme talento para fazer algo de concreto: vencer. SL sempre se afirmou em plataformas pouco estáveis, de forma passageira, nunca como um vencedor de guerras mas tão-somente de batalhas, de "combates" (como o próprio gosta de chamar às etapas políticas).

Mas, independentemente da "birra de classe" por parte de SL, o que convém não perder de vista é o choque entre o que se pode chamar "critérios jornalísticos" e o que se poderia muito simplesmente chamar "respeito". De facto, a chegada de Mourinho ao aeroporto não configurava um evento de especial interesse para o público, sobretudo se pensarmos que a "confusão" da demissão/despedimento do treinador já tinha sido há vários dias e que não havia a esperar qualquer novidade a ser declarada pelo special one. Foi (mais) um momento de mau jornalismo, cedendo a SIC Notícias ao (suposto) espectáculo da notícia que, neste caso, até se veio a revelar inexistente.

SL não gostou e, a julgar pelos comentários da maior parte das pessoas, tem o apoio geral. A SIC, pelo contrário, não reconhecendo o erro (algum jornalista o faz?) ainda colocou mais lenha no fogo ao associar a recusa de SL à sua propensão para deixar coisas a meio. Não só se tratou de um comentário cobarde como, pelo menos no caso da demissão do Governo por Jorge Sampaio, SL foi (bem?) impedido de continuar a exercer funções. Não foi, portanto, da sua responsabilidade o "corte".

No fundo, as partes envolvidas no caso estarão, ambas, contentes. A SIC Notícias conseguiu publicidade e Santana Lopes esteve na origem de mais um "facto", o que lhe permite (a SL) manter-se à tona.

E quem é que perdeu? pergunta-se. O bom senso, de certeza. Quanto ao público, acredito que prefira o circo à "chateza" de uma boa e séria discussão sobre política.



Este vídeo foi retirado do Rascunho Virtual
partilhar o que é bom

Quando encontramos uma coisa de que gostamos temos o dever de a partilhar com os outros. Neste caso, falo de um vinho, um Cabernet Sauvignon da Bairrada, datado de 1991, de seu nome Quinta do Poço do Lobo.

Não percebo de vinhos mais do que aquilo que o paladar me diz e, neste caso, diz-me que este vinho é bom, que sabe a fruta, que não me contento com um copo dele, que a cada ida ao hiper lá tenho de trazer duas garrafas... :)

Aparentemente, não estou só na apreciação da qualidade do néctar. Já encontrei listagens onde lhe atribuiam 17 valores (em 20 possíveis).
Gostava de ter uma garrafeira para a encher de garrafas deste bom vinho.

Coincidência ou não, a Bairrada parece produzir vinhos do tipo que mais me agrada: tintos, encorpados, com sabor a fruta. E a preços bem acessíveis. O Quinta do Poço do Lobo nunca chega a €5. Até o Continente tem uma "série" própria por pouco mais de €2 e que é muito agradável.

Já provei outros Cabernet Sauvignon (eram chilenos) e não me entusiasmaram. Será que, também no vinho, a nossa terra dá melhor fruto? Na fruta, isso é uma verdade incontestável. E a uva não é mais do que fruta...
tropeçar numa jóia

A internet tem destas coisas: andamos à procura de uma coisa e tropeçamos noutra. No caso, andando à procura de um filme, acabei a ver a ficha de outro, exemplo do "Cinema Novo" nacional, "Domingo à tarde". Esta obra de António de Macedo baseia-se no romance homónimo de Fernando Namora, história triste sobre um médico frio que acaba por se relacionar com uma doente sem esperança de cura.

Lembro-me de ver o filme, no seu preto e branco distante, Rui de Carvalho ainda jovem, Isabel Ruth interpretando a rapariga condenada pela doença. Perdida para a vida, perdida na vida...

O livro de Namora, lido depois de ver o filme, encheu-se das imagens da película e acompanhou-me, na sua curta duração, numa etapa de uma viagem pela Argentina. Deixei-o em Mendoza, na prateleira da minúscula biblioteca de uma hospedaria.

Alguém já o terá lido? Se o fez, não o denunciou. Mas espero que sim, espero que aquela edição de bolso da Europa-América tenha acompanhado mais alguém em horas de comunhão com a tristeza de duas pessoas desesperadas.

Até ao momento, foi a única obra de Namora que li. Assumo a injustiça. Após "Domingo à tarde", após as memórias longínquas da série de TV "Retalhos da vida de um médico", devia ter feito desígnio de abraçar a obra de um autor maior.

Hei-de fazê-lo...

Entretanto, fica aqui o link para um blog de alguém que sabe falar muito melhor de literatura: panorama-direitoliteratura.blogspot.com
não se pode exterminá-los? (parte 2)


Após dois meses de "descanso", a NextTravel voltou ao ataque com dois telefonemas. O primeiro foi imediatamente bloqueado mas, o segundo, teve origem num número "novo" que escapou ao programa de bloqueio de chamadas.

Assim sendo, para quem quiser safar-se deste lixo, deverá acrescentar o 961509255 à sua lista de números bloqueados.

No entanto, dado que já foram confirmados os números 961509252/5/6/8, é de pensar que, do 961509251 ao 961509259, é tudo a mesma porcaria.

Protejam-se: bloqueiem!!!
Falhanço

E pronto, a tentativa de criação de um "facto político" com uma petição online exigindo a chamada de Mourinho para a Selecção Nacional falhou.

Falhou porque se baseou no pressuposto de aproveitar contactos existentes para a criação de uma rede (cada um enviando para outros tantos). Alguns dos ditos bloquearam a mensagem com o link, não a retransmitiram e ainda me chagaram a cabeça.

Para esses (e para os outros, já agora) fica aqui a explicação do objectivo da petição...

Sei muito bem que Mourinho nunca viria para a Selecção agora: está em alta como treinador (e, agora, como "vítima"), sabe que terá um emprego milionário à sua espera, sabe que Scolari, provavelmente, já lixou a qualificação e não quer vir comprometer o seu prestígio numa batalha que parece perdida, sabe que treinar uma selecção não é a excitação que é o envolvimento diário num clube, etc.
Por tudo isto, esta ainda não é a altura de Mourinho se juntar às Quinas. Mas, dito isto, também nós sabemos que a Selecção Nacional precisa de levar um safanão e que o "perigo" de Mourinho talvez possa servir para espicaçar as equipas (a técnica e a desportiva). Só por isso (e pela piada de ver no que dava), resolvi tentar fazer alguma coisa. Falhei.

Felizmente não sou político, caso contrário já estavam a pedir a minha demissão... :)
faz lá...

Garanto que não ganho um tostão com a coisa mas as camisolas em
fazbic.freehostia.com são tão giras que merecem que as usemos. Mais dia, menos dia, lá vou ter de gastar uns euros para poder usar uma coisa tão engraçada.

Pode ser que tenha sorte...

Santos da casa fazem milagres

No dia 18 deste mês (Setembro, para quem ande perdido), os Paradise Lost actuaram no Cine-teatro de Corroios. Foi um concerto tripartido com os canadianos Neosonic e os alemães Eyes of Eden. Não vou aqui discorrer sobre a música que se tocou (isso é para os fans dos géneros presentes) mas sim sobre a organização do evento.

O espectáculo tinha sido originalmente marcado para o Paradise Garage, espaço de renome na zona de Alcântara (em Lisboa) mas devido a mais uma dessas compras e "descompras", aberturas e fechos, que abundam na "noite", teve de ser transferido para Corroios, na Margem Sul do Tejo.

Há que dizer que me faz um bocado de impressão ver uma banda de tanta qualidade a actuar num cine-teatro, numa rua das traseiras de um subúrbio de segunda categoria (poupem-me os locais aos seus impropérios - ninguém escolhe viver em sítios aqueles), mas essa sensação acabou por ser apagada pela informalidade da organização. É que, ao contrário do que sucede em praticamente todos os acontecimentos que envolvam mais do que cem pessoas, aqui não houve barreiras metálicas, revistas à entrada, detectores de metal, seguranças musculados e mal-encarados, nada! Simplesmente, mostrava-se o bilhete à entrada a um indivíduo (com uma camisola dos Xutos & Pontapés), um pouco mais à frente retiravam o respectivo talão de entrada e, pronto, era tudo nosso!
Entre o palco e o público havia um pequeno corredor por onde um vigilante podia passar e mais nada. Mesmo os dois indivíduos que se revezavam tomando conta do local eram fans da música e não deixavam de apreciar o concerto mantendo um mínimo de atenção a eventuais abusos (que não houve).

Ou seja, os organizadores do concerto de Paradise Lost em Corroios são, visivelmente, fans de Metal e, ao serem-no, percebem a (óptima) maneira de estar das pessoas e com isso contribuem para que os espectáculos sejam melhores e sem qualquer tensão. É um exemplo a ser seguido por quem queira estar à frente de espectáculos e que está a anos-luz do que tanta gente já viu em outros tempos quando, à saída do Pavilhão de Cascais, as pessoas eram "presenteadas" com a polícia de choque, totalmente equipada.

Tudo isto fez-me pensar se aqueles que defendem que a exibição da força é um convite ao confronto, não têm, realmente, razão.

Para finalizar, há que dizer que a acústica do Cine-teatro de Corroios é bem melhor do que a do Paradise Garage (ainda assim, aconselha-se sempre o uso de algodão), que as casas de banho estavam limpas e que a única coisa má foi mesmo ter de pagar €1,5 por uma imperial servida num copinho dos pequenos. Lá se foi a esperada bebedeira...
Mourinho à Selecção, já!

Já está no ar uma petição online a pedir a contratação de Mourinho para a Selecção Nacional, quanto mais não seja para a treinar nos quatro jogos que faltam no apuramento para o Europeu 2008.

Vamos todos assinar a petição (carregue aqui)!



Eis o texto completo:

Estamos em Setembro de 2007, a quatro jogos de acabar a fase de qualificação para o Europeu de 2008, organizado a meias entre a Áustria e a Suíça. Até agora, nada está perdido mas a situação está muito complicada tendo a Selecção Nacional de vencer os quatro jogos que restam por forma a conseguir qualificar-se. Esta situação não pode deixar de constituir uma surpresa para os adeptos que se habituaram a, nos últimos anos, ver a equipa portuguesa nos lugares cimeiros das competições onde tem entrado. Os jogadores são quase os mesmos, o treinador é o mesmo e, no entanto, estamos à beira de voltar aos tempos antigos das vitórias morais em que ficávamos sentados a ver passar os adeptos dos outros países rumo aos grandes estádios para apoiar as suas equipas. E porquê?

Poderá haver tantas explicações quanto as cabeças que pensarem no assunto mas salta à vista que, em diversos momentos, houve uma notória falta de empenho por parte dos jogadores, acrescida de manifesta falta de ambição por parte de um treinador que é, reconhecidamente, um bom líder de grupo mas que, do ponto de vista técnico, levanta muitas dúvidas a ainda mais gente.

Scolari definiu como estratégia para o apuramento conseguir empatar nos jogos fora e vencer as partidas em casa. Foi um passo em falso porque o treinador caiu no erro de confiar nos seus jogadores, esquecendo-se de que, como é hábito nos jogadores nacionais, baixar a fasquia ou aligeirar a pressão é um mero convite ao relaxamento e ao desbaratar de preciosos pontos. Como seria de esperar, os "azares" aconteceram e Portugal vê-se agora numa situação de aflição.

Para cúmulo, como se já não bastassem as más exibições e os piores resultados, o seleccionador nacional resolveu (ainda que com possíveis boas razões) tentar agredir um jogador da equipa adversária em pleno relvado conseguindo, com isso, criar uma situação embaraçosa para a Federação e gerar uma punição da UEFA que acaba de condenar Scolari a não comandar a equipa das Quinas nos quatro jogos decisivos do apuramento.

Se olharmos para o péssimo currículo da Selecção Nacional nos últimos 15 jogos (5 vitórias, 6 empates, 4 derrotas) somos tentados a cair no sarcasmo e dizer que a UEFA nos acaba de fazer um favor. Mas isso é demasiadamente fácil e pouco útil. Aquilo a que o país tem direito é ver a equipa de todos nós, se não a jogar bem, pelo menos, a ganhar e a apurar-se para o Euro 2008 onde temos a hipótese de praticamente jogar em casa, atendendo à enorme população portuguesa que habita na Europa Central. E, para que Portugal se apure, é absolutamente necessário que a equipa seja motivada e conduzida com brilhantismo e ambição, coisa que Scolari não parece estar em condições de conseguir.

Mais do que o resultado de um soco (que só conseguiu evitar uma discussão, essa sim importante, sobre o nosso mau percurso), a presente situação é fruto de consecutivos maus resultados que têm de parar já! Queremos Portugal no Euro 2008!!!, com ou sem Scolari, Ronaldo, Quaresma ou quaisquer outras vedetas de dentro ou fora do relvado.

Curiosamente, o destino parece-nos ter enviado uma bóia que, talvez, possa evitar que afundemos o prestígio nacional com mais uma polémica medíocre. No preciso dia em que Scolari é castigado pela UEFA, José Mourinho, o português que muitos consideram o melhor treinador do mundo, um homem cheio de títulos e espírito ganhador, abandona o Chelsea, clube onde venceu dois campeonatos da Liga Inglesa, uma taça de Inglaterra e duas taças da Liga em apenas três anos. Isto para além de um segundo lugar na Liga inglesa e duas presenças nas meias-finais da Liga dos Campeões.

Mourinho já manifestou, por mais de uma vez, o desejo de treinar a Selecção Nacional, apenas colocando a condição de o não fazer nesta fase da sua carreira. Pois bem, aquilo que aqui se defende é que Mourinho altere o seu calendário para tomar as rédeas da equipa portuguesa pelo menos até ao fim da fase de apuramento. O essencial é que Portugal se apure!

Cabe a todos nós convencê-lo de que não é preciso esperar mais 12 anos para poder treinar Portugal. Cabe a nós convencer a Federação Portuguesa de Futebol de que é preciso fazer algo e de que não podemos voltar às contratações de treinadores de segundo plano (não foi, diga-se em abono da verdade, o caso de Scolari). Queremos que Mourinho conduza Portugal ao apuramento e, se assim o entender, possa ser campeão da Europa com as Quinas ao peito.

Mourinho tem muito tempo pela frente. A selecção nacional, não.

Assine a petição (carregue aqui)!

povo à venda

Um belga, cansado dos problemas políticos e étnicos do seu país (a velha rivalidade entre Flamengos e Valões), resolveu colocar o seu país à venda no eBay. O anúncio acabou por ser retirado pelo site mas não deixou de estar no ar o tempo suficiente para ser falado.

A ideia deste belga gerou em mim outra: e se os tugas fossem postos à venda?

O anúncio seria qualquer coisa do tipo:

"Vende-se 2/3 da população de um país da Europa Ocidental com uma História grande, onde não há terrorismo, a guerra não é coisa comum e o crime é mais baixo do que noutros lugares, onde não há problemas étnicos, religiosos ou linguísticos, onde o clima é (dizem) muito bom e a natureza amiga, onde a bebida é óptima e a comida melhor, onde a música é bela, a língua harmoniosa e os escritores e poetas excelentes, onde as raparigas são bonitas, as artes tradicionais são de valor e o património abunda.
Em resumo, a vida é melhor do que em 95% dos outros países do mundo.

Desfazemo-nos desta corja de inúteis porque estão a estragar o ambiente com a sua maledicência e calanzice, poluindo o ar que se respira e deixando um profundo cheiro a caca que tende a propagar-se aos melhores sítios da nação.

Estamos dispostos a pagar as despesas de transporte desde que seja assegurado que nenhum destes elementos volte a pisar território nacional (Olivença incluída) nos próximos 50 anos (o que, na maior parte dos casos talvez seja tempo suficiente para os levar para o quinto dos infernos).

Convém esclarecer potenciais interessados nesta gente de que não servem para adubo já que, de tanto ácido que têm na língua, poderiam tornar estéril o melhor dos solos ao babarem-se. Ainda assim, alguma utilidade poderão ter desde que se use a imaginação:

- poderão servir de espantalhos, bastando, para os activar, dizer "governo";
- de tão calões que são, poderão servir para estacas delimitadoras;
- poderão ser bajuladores excelentes desde que lhes seja mostrada uma moeda;
- poderão servir de quiosques multilingues já que, para além da sua língua natal, ainda conseguem rosnar, cuspir e pedir em mais cinco;
- poderão servir de óptimos capachos;
- poderão servir de lastro a navios;
- poderão servir de bancos de jardim (desde que estejam ao sol);
- poderão servir de cinzeiros dado o seu hábito de viver de mão estendida;


Como se vê, desde que empenhada numa função passiva, esta cambada de mentecaptos pode ainda valer o ar que respira. À parte disso, por uma questão de ética de negócios, somos obrigados a confessar que não servem para mais nada. Eventualmente, se bem compactados, talvez possam servir para tapar buracos de minas a céu aberto mas convém isolar bem o local por causa da contaminação.

Vendem-se pela melhor oferta. Valor mínimo: 10 cêntimos (pode ser de Francos do Burkina Faso)"
deus a pilhas

Já sabíamos que as tradicionais velas de cera andavam, em muito boa igreja, a serem substituidas por velas eléctricas. A medida tinha as suas vantagens: evitava-se a poluição, o cheiro e o consumo de cera. A Igreja também beneficia com a troca porque o dinheiro que ia para os comerciantes de velas, agora, vai todinho para ajudar as almas.
Além disso, a cera deve ser mais cara do que a pouca energia eléctrica, o que aumenta a margem de lucro. Isto foi coisa de Jesuítas...

A substituição das velas não é, no entanto, geral. Em Fátima ainda podemos assistir a esse ritual com contornos "babilónicos" das piras a serem alimentadas com velas de todas as formas e feitios, atiradas pelos fiéis, de forma displicente, como quem atira milho aos pombos.

Alimenta-se a divindade com um gesto frio e mecânico, da mesma forma que se reza por rezar, pelo hábito de debitar ladainhas, fórmulas estabelecidas e tão banais que a qualidade do texto , de tão gasto, já não basta e obriga à multiplicação da prece por 5, por 10, pelas vezes que a crendice julgar necessárias a aplacar os males do espírito.

Agora, dizem-nos as notícias, os nossos irmãos italianos deram um novo passo no caminho da modernidade com a criação de terços electrónicos que poupam aos crentes o fastio de passar pelos dedos aquelas continhas herdadas dos muçulmanos. Rejubilemos com a boa nova.
E, como se esta graça concedida não fosse por si só suficiente, ainda temos à disposição vários destes terços hi-tech, cada qual com uma oração diferente (também há várias cores disponíveis).

Cada uma destas ferramentas com as quais podemos partir pedra na construção do caminho até ao céu, custa a módica quantia de EUR 29,50. Quem quiser a colecção completa pagará EUR 472.
Como, segundo os bons ensinamentos, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus, aconselha-se a compra de apenas um terço, não vão as finanças declarar-nos como ricos e lá se vai o paraíso (o celeste, que o terrestre é já ali, do outro lado da fronteira).

A próxima evolução do terço electrónico poderá ser a leitura de cartões de memória para que os fiéis possam mudar de oração com o mesmo aparelho. O valor que a empresa P.R.E.X. deixa de ganhar em quantidade de terços será compensado pela venda dos cartõezinhos (que poderão ter orações traduzidas para diversas línguas).



No meio disto tudo, esperemos que Deus não fique sem pilhas...

Ámen.