nacionalistas, q.b.

No dia 21 de Abril, haverá um encontro de "nacionalistas" no espaço onde funcionava a antiga Feira Popular. Ao contrário de muita gente exaltada que se atira às paredes cada vez que se fala em extrema-direita, eu
Mas, ser diferente não significa, necessariamente, ser bom. No caso da ED, raras vezes isso acontece mas tal não é razão para proibir a sua defesa ou ostracizar quem o faz. Na política, é a discutir ideias que se chega a conclusões e se todos estamos sujeitos ao populismo demagógico de esquerda, porque razão não deixar que se lhe contraponha o de direita?
Dizia Benjamin Franklin, um americano dos antigos (político, intelectual e inventor), qualquer coisa como isto: "posso não concordar com o que os outros dizem mas seria capaz de morrer pelo seu direito a fazê-lo". É a liberdade de expressão. Muitos não a querem.
Dito tudo isto, passemos a umas pequeníssimas notas sobre algumas contradições dos chamados "nacionalistas", todas bem evidentes no cartaz do evento a que aludi na primeira linha.
Comecemos pela lista de países com organizações aderentes. Entre outros, surgem-nos Alemanha, Espanha, Inglaterra (!) e Itália. Ora bem, aqui, a definição de nacionalismo está sujeita a forte fogo. O que é o nacionalismo? Ou, melhor, quem tem direito a proclamar-se nacionalista? No caso espanhol, a extrema-direita nacional apoia os franquistas ou os nacionalistas galegos, bascos e catalães? E em "Inglaterra" (apresentada com a bandeira do Reino Unido)? Galeses e Escoceses não interessam? Em Itália, onde a Liga Nord é considerada um partido de extrema-direita, ser nacionalista é querer a independência do norte de Itália ou defender a supremacia romana sobre a península?
A resposta é, em todos os casos, que os "nacionalistas" são aqueles que defendem a aglutinação/supressão das nacionalidades históricas em favor de entidades políticas mais ou menos forçadas. E aqui entram em conflito com a extrema-esquerda cuja tendência é, precisamente, para apoior os nacionalismos independentistas (vejam a ligação do Bloco de Esquerda aos nacionalistas Galegos e Bascos). Temos, portanto, que o termo nacionalista, empregue da forma como os "nacionalistas" o fazem, é enganador e reflexo de falta de pensamento. Porquê? perguntarão. Vejamos exemplos:
A Alemanha está para a extrema-direita, como a antiga União Soviética estava para o comunismo. A Alemanha provocou duas guerras mundiais onde teve como principais adversários a França e o Reino Unido. À Alemanha convinha que estes dois países fossem entidades supra-nacionais sólidas ou que, pelo contrário, se desintegrassem em unidades menores, quase fatalmente em conflito umas com as outras por necessidade de afirmação? A resposta é, obviamente, a segunda. E, no entanto, os nacionalistas alemães sentam-se à mesa com os que defendem os Estados Inglês e Francês...
A história da França na Europa é, em parte, a história dos seus conflitos com os vizinhos e, particularmente, com os espanhóis. A pergunta que se faz é: para um nacionalista francês, o melhor para o estado de Napoleão teria sido uma Espanha unida ou a existência de quatro países onde hoje está um? Mais uma vez, temos como certa a segunda hipótese.
E já que falámos de espanhóis, atendamos ao caso mais óbvio. Para Portugal, seria mais fácil a afirmação no contexto peninsular tendo de lidar/competir com três países pequenos e um médio ou com um grande? Como é possível que um nacionalista português possa sentar-se à mesa com indivíduos que defendem um regime (o de Franco) onde as nacionalidades históricas eram reprimidas com o consequente fortalecimento espanhol face ao nosso país? Como é que um nacionalista lusitano pode preferir o centralismo castelhano ao independentismo galego? Não faz sentido e isso explica-se porque a palavra "nacionalista" não passa de uma mera fachada, um eufemismo usado para tentar levar as pessoas a crerem que a ED tem como grande preocupação o bem estar nacional quando, como acontece com todos os extremismos, a única coisa que se pretende é a defesa de radicalismos e totalitarismos conducentes à manutenção de determinadas classes no poder. Como sempre, os peões, ignorantes, prestam-se à manipulação política e intelectual por incapacidade de verem o que está por detrás de discursos políticos de fraca qualidade. Quando, na rua, se entrevistam "nacionalistas", as suas respostas são confrangedoramente más e atabalhoadas, quase ao nível (ou abaixo dele) das cassetes comunistas.
O nacionalismo é-nos apresentado muitas vezes como um radicalismo, uma degeneração do patrotismo que urge evitar. Este "nacionalismo", que faz um português apertar a mão a um espanhol defensor de um regime cujo dirigente máximo teve como tese de fim de curso na Escola de Guerra, um plano para a invasão de Portugal, não me serve e não serve os interesses de qualquer pessoa com dois dedos de testa.
O próprio Salazar, quantas vezes apresentado como exemplo pelos "nacionalistas", desprezaria concerteza esta gente, da mesma maneira que desprezou os radicais de Rolão Preto. A Salazar agradavam os totalitarismos de direita por se oporem aos de esquerda e porque a sua existência fornecia uma espécie de "ambiente" natural onde a sua própria ditadura poderia sobreviver. Foi por isso que Salazar apoiou Franco. Porque a derrota deste último e a consequente existência de uma Espanha democrática seriam uma ameaça para o regime. Apenas por isso.
Mas, o disparate "nacionalista" não pára por aqui, i.e., pela salganhada ideológica. No cartaz do evento que esteve na origem deste texto, podemos ainda ver que existirá um concerto "Luso-Ibérico" !!! Arregalarão os olhos os minimamente atentos. Já se tinha ouvido muita coisa mas "luso-ibérico"... É certo que, do lado de lá da fronteira, o apropriamento do termo é constante (veja-se os nomes das empresas) mas isso já não nos surprende (chamar Espanha a um país já foi um óbvio abuso). O que me deixa boqueaberto é ver semelhante estupidez patrocinada pelos "nacionalistas" portugueses... Será que Portugal já só existe nas ilhas?
Denunciada aqui a aberração, passemos à análise das bandas. Por Portugal, temos os "Bullet 38" e pela "Ibéria", apresentam-se os Asedio e os Totenkopf. Ou seja, destas três bandas nacionalistas, duas têm nomes em línguas que não são as suas. Isto é ser nacionalista?
É mau demais... ou caso para concordar com os Gato Fedorento quando dizem que "com os Portugueses não vamos lá"? Com estes nacionalistas, de certeza que não.
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