uma questão de terminologia

O ensino do Português vai mal e podemos imaginar várias razões para tal. Uma delas, quanto a mim, é a insistência em confundir a disciplina com análise literária ignorando a muito maior necessidade de formar bons utilizadores da língua, com capacidade de expressão escrita e oral. Por mais brilhante que seja a prosa de Eça ou a lírica camoniana, é concerteza mais determinante para o sucesso individual escrever sem erros e saber dizer o que nos vai na alma sem causar um ataque de nervos a quem nos escuta. Mas os responsáveis pelo ensino da língua materna parecem estar preocupados com coisas mais importantes. No caso, perante a necessidade de revitalizar o ensino do Português, as mentes geniais escolhidas para descobrir a melhor forma de melhorar a aprendizagem da língua chegaram à conclusão de que era preciso mudar a terminologia da análise morfológica. Exactamente: num momento em que "yah, tipo, curto bué esta cena porque é o que eu gosto, percebestes?" será uma pálida amostra dos disparates que se ouvem no dia-a-dia, os nossos analistas concluiram que seria vital que a palavra "paciência" deixasse de ser denominada "nome comum abstracto" e passasse a ser chamada de "nome não contável e não massivo" ou que "peixe-espada" passasse a ser um "composto morfo-sintáctico coordenado" em vez de "palavra composta por justaposição".

Esta gente droga-se?

1 comentário:

Assunção disse...

Depois do acordo ortográfico? Só podem!!!!