Um concerto sensível

Aimee Mann tocou ontem no Coliseu dos Recreios. Ao princípio "receei" que a coisa fosse um fracasso dado a pouca gente que estava na sala mas, afinal, estavam apenas atrasados e o espaço compos-se.
A banda de abertura era nacional e não consegui perceber-lhes o nome (se é que o disseram). Com apenas três elementos, tocavam uma espécie de cruzamento de rockabilly com Mazzy Star e não se pode dizer que tenham desagradado. O baterista surpreendeu-me porque nunca tinha assistido ao "prodígio" de ver alguém tocar bateria e teclado ao mesmo tempo!...

Chegada a vez da estrela da noite, assistimos a um concerto competente, bem cantado e tocado, com um bom som, e que só teve uma falha aquando da apresentação de uma canção "nunca antes tocada ao vivo" e que foi preciso recomeçar. Ninguém se importou com o facto.

Aimee Man é uma autora de canções "sensíveis" (lembram-se desse grande filme: "Magnólia"?) que, naturalmente, apelam a espíritos sensíveis. Talvez daí o facto de a SIC-Mulher ter patrocinado o evento. Como eu estava no "galinheiro" ter-me-ia dado jeito sentar-me de vez em quando mas o patrocinador tinha colocado uns cartazes que me impediam a vista e, por isso, tive de passar o tempo todo em pé o que foi mau para as minhas sensíveis bolhas dos pés.
O público era variado mas havia talvez mais raparigas do que o habitual. Notava-se muitos casais "alternativos" no feminino, o que só reforça a condição "sensível" da cantora já que, como sabemos, se as mulheres são naturalmente "sensíveis", as lésbicas são-no a dobrar...
Picado pela curiosidade, fui à net tentar saber mais da "sensibilidade" de Aimee Mann até porque a moça tem, de facto, ar de ser "sensível". Aparentemente, não foi só impressão do meu espírito masculino degenerado: há muita gente a perguntar-se se Mann é, realmente, "alternativa". Parece que não é e a coisa fica-se por um certo aspecto, um "je ne sais quoi" (ah, a Língua Francesa, tão cheia de sensibilidade). Melhor assim, as hormonas do público masculino ficam mais descansadas.

Interessa esta discussão? Nem por isso. É só uma certa embirração com a SIC-Mulher...

Aimee não se cansou de dizer, no fim de cada música, coisas sensíveis como "vocês são tão incríveis" (faltou um "sei lá" no fim - podia ser em "americano", um "like"), "estou tão contente por estar aqui", "este sítio é lindo", "há tanto tempo que queria vir ao vosso país", "estou cá há um dia e adoro", etc.

Digam lá que um artista "sensível" não é diferente dos outros?...

O vazio de Oliveira

Fui ver um filme de Manoel de Oliveira. Tenho o passe Medeia Card (em Inglês é mais bonito, já se sabe) e já não me restava nada mais para ver. Para além disso é sempre agradável ir ao King Triplex e sentir esse local parado no tempo onde podemos apreciar algumas características de tempos que já lá vão (assassinaram a decoração de uma casa-de-banho mas o resto mantem-se).

O filme "Belle toujours" pretende ser uma homenagem ao filme "Belle de jour" do realizador mexicano Luis Buñuel. Ao contrário do que é comum com os filmes de Oliveira, não é uma película de silêncios e planos insuportavelmente longos e, para um fim de tarde, até se vê bem (num registo calmo, muito calmo...). Mas a fita tem, apenas, 1 hora de duração. E se é verdade que, atendendo à (falta de) qualidade do enredo, isso podia ser uma benção, não deixa de ser menos verdade que, para quem paga (não foi o meu caso), 1 hora é muito pouco para um filme numa sala de cinema.

Passando à frente da curta duração da película, há que analisar o "recheio" do mesmo e este é de uma pobreza monumental. Oliveira entretem-se (com um dos seus amigos - Michel Picolli) a passear uma total falta de originalidade, de interesse e de qualidade pelo écran, numa "homenagem" que mais não é do que a ausência de qualquer coisinha em que se possa pegar. Exercício de desperdício de fundos e de tempo, este "Belle toujours" é um vazio colossal e já imagino o mais elitista dos críticos de cinema a torcer a coluna para conseguir ver nesta hora perdida alguma coisa que valha a pena: os actores são maus, os diálogos são de vão-de-escada, o enredo é inexistente.

Uma merda!

Sumol clássico?

No outro dia, como parte de um daqueles menus "rápidos" com que damos cabo da nossa saúde, pedi uma lata de Sumol de ananás. Quando bebi o sumo até me assustei: aquilo parecia um xarope de açúcar! Pouco gás, pouco "sabor a Sumol"... E dei comigo a pensar "será que estes gajos andam a alterar a fórmula desta coisa?". É que o Sumol de laranja também já não tem (tantas) farripinhas como costumava ter. É a globalização e a conquista de novos mercados? É a ganância do lucro? O que é que se passa? O Sumol está para Portugal como a Coca-Cola está para a América! É certo que não há uma identificação cultural mas há, certamente, um hábito de consumo e de qualidade! O Sumol é a nossa grande bebida não-alcóolica e se começam a mexer na composição que fez a delícia de tanta gente ao longo de não-sei-quantos-anos, então, talvez seja altura de fazer como os americanos e exigir um "Sumol clássico" para podermos continuar a ter a melhor gasosa do mundo!

Fica a ideia....

e-g@to

? - 16/07/2007



[ fotografias ]



Morreu o meu amigo, três meses depois de o ter ido buscar numa solarenga tarde de Domingo. Morto por uma doença estúpida para a qual não há cura. Tirado de mim à força sem que eu o pudesse defender.


A casa está vazia na proporção inversa à minha cabeça, cheia de tantas memórias, de tantos pequenos nadas que me tinham feito adorar aquela criaturinha.

Ainda tenho o cheiro dele nas mãos após horas a fazer-lhe festas, esperando para, juntamente com a veterinária, tomar uma decisão.

Partiu serenamente o meu amigo, da mesma forma como tinha vivido comigo: um gato meigo e calmo.

Ironia das ironias, o PDA acaba de avisar que são horas de lhe dar um comprimido para o coração, o mesmo que parou há uma hora. Apaguei o aviso. Antes pudesse ouvi-lo durante muito tempo...
sexta-feira, 13

Nunca fui de superstições mas, se houvesse dia para começar a acreditar em crendices, ontem teria sido óptimo.

O meu gatinho está para morrer: não só tem a pior das doenças dos gatos como, ainda por cima, é afectado pela pior forma daquela. Vou perdê-lo, vou ficar sem a figurinha que me recebia à porta de casa todas as noites, que se aninhava em mim quando me deitava, que chegava a pousar a cabeça no meu ombro e na almofada, que me acordava de manhã (ah! o pequeno-almoço), que poucas vezes passava por mim sem se roçar, que enchia de calma e serenidade a minha casa, que ocupava tantos dos meus pensamentos...

A doença é uma puta e quer tirar-me um amigo após três meses de convivência. Tempo curto, é certo, mas que foi suficiente para a presença do animal se afirmar no meu dia-a-dia como se ele sempre tivesse cá estado. Por toda a casa há coisas que me lembram dele: os sítos onde se deitava, os objectos, os pelos agarrados a tudo, as marcas das unhas num lençol, as embalagens de comida, as fotografias no computador, as "barreiras" para impedir ele saltasse para cima da TV, um ror de pequenas coisas que, na sua simplicidade, gritam a ausência do meu companheiro.

Hoje vou buscá-lo à clínica porque fecha ao Domingo. Vou ficar com ele dia e meio. Dia e meio a tentar roubá-lo ao destino, dia e meio tentando enganar-me pensando que tudo voltou ao normal, que ele está em casa e que, por isso, está bem.
O relógio não pára. O tempo gasta-se e com ele leva sempre um pouco mais da vida do gatinho. Não sei quanto tempo lhe resta: dias, semanas, alguns poucos meses? Tudo me parece pouco e, ao mesmo tempo, tanto, tal é a dor que sinto. Dou por mim a pensar que queria que tudo isto se resolvesse de forma fulminante, que não tivesse de assitir à degeneração do meu amigo, que não tivesse de passar os dias pensando nele e consumindo-me também.

O meu pai morreu com alguns dos mesmos sintomas. É um filme que vejo pela segunda vez, com a agravante de já conhecer o trágico fim e, portanto, não haver lugar para esperanças quanto a um final feliz. Não importa a espécie, importa é que a doença implanta-se, afirma o seu ódio pelos bons e, implacavelmente, ceifa a vida dos justos e dos meigos.

Merda! Merda! Merda!
a informação faz mal?

Tenho o meu gato doente. A criaturinha que adoptei em Abril, na União Zoófila, tem estado constipada, sem apetite, a desidratar... Levei o bichano ao médico e vim de lá com antibióticos e xarope. A coisa pareceu melhorar para, no dia seguinte, piorar. Lá foi o animal novamente para o veterinário e, desta vez, ficou para observação.
Procuro informação na internet: "contipação gato perda apetite". Em má hora o fiz. Aparentemente, a saúde dos gatos é mais frágil do que cristal e andam por aí n doenças fatais cujos sintomas se assemelham aos que o meu animal tem. A preocupação enche-me a cabeça ao antever um mal grande para ele. Valeu a pena procurar informação na internet? Neste caso, não. Mais valia ficar na ignorância do que a pensar que aquela coisa meiga que todos os dias me vem receber à porta com um miado em estilo de reclamação ("onde é que andaste até agora?") pode ser afectada por algo que a tire de mim.
A casa estava triste, ontem: as coisas do gato espalhadas e a falta da sua presença serena lançavam um véu de solidão que custava afastar.

Merda para a informação!
planeta agostini: a saga continua...


Após o último post contactei a Planeta Agostini devido ao livro trocado. Após algum tempo, informaram-me de iriam enviar o livro correcto para o quiosque. Pelo texto da mensagem, imediatamente desconfiei de que aquelas sumidades da incompetência iriam reenviar o livro errado. Prontamente lhes escrevi indicando em letras garrafais o nome do volume correcto. Não responderam... Passadas duas semanas, vou ao quiosque e... confirmam-se as minhas suspeitas: voltaram a mandar para o vendedor o livro errado, o mesmo que tinham enviado antes e que eu lhes tinha dito que estava mal!!! E, para cúmulo, o sujeito do quiosque ainda teve de pagar esse livro, não podendo, agora, devolvê-lo devido a umas quaisquer regras de serviço. Ou seja, os imbecis da Planeta Agostini enviam dois livros (iguais) errados e, quer eu, quer o vendedor tivemos de pagar por eles. E eu continuo sem o livro correcto e a colecção completa!!!
Já não volto a pedir nada para ir buscar ao quiosque porque, senão, ainda voltam a cobrar mais um livro ao infeliz e, provavelmente, voltará a ser o livro errado...

A Planeta Agostini parece-me ser um caso bizarro: ou só trabalham depois da hora de almoço, ou aquilo tem empregados vindos da CERCIS ou não dormem o suficiente. O facto é que "incompetência" já me parece pouco para este caso. Estupidez ou imbelicidade serão o mínimo que se pode utilizar referindo-se àquela empresa.

Há coisas que são más demais...