sexta-feira, 13
Nunca fui de superstições mas, se houvesse dia para começar a acreditar em crendices, ontem teria sido óptimo.
O meu gatinho está para morrer: não só tem a pior das doenças dos gatos como, ainda por cima, é afectado pela pior forma daquela. Vou perdê-lo, vou ficar sem a figurinha que me recebia à porta de casa todas as noites, que se aninhava em mim quando me deitava, que chegava a pousar a cabeça no meu ombro e na almofada, que me acordava de manhã (ah! o pequeno-almoço), que poucas vezes passava por mim sem se roçar, que enchia de calma e serenidade a minha casa, que ocupava tantos dos meus pensamentos...
A doença é uma puta e quer tirar-me um amigo após três meses de convivência. Tempo curto, é certo, mas que foi suficiente para a presença do animal se afirmar no meu dia-a-dia como se ele sempre tivesse cá estado. Por toda a casa há coisas que me lembram dele: os sítos onde se deitava, os objectos, os pelos agarrados a tudo, as marcas das unhas num lençol, as embalagens de comida, as fotografias no computador, as "barreiras" para impedir ele saltasse para cima da TV, um ror de pequenas coisas que, na sua simplicidade, gritam a ausência do meu companheiro.
Hoje vou buscá-lo à clínica porque fecha ao Domingo. Vou ficar com ele dia e meio. Dia e meio a tentar roubá-lo ao destino, dia e meio tentando enganar-me pensando que tudo voltou ao normal, que ele está em casa e que, por isso, está bem.
O relógio não pára. O tempo gasta-se e com ele leva sempre um pouco mais da vida do gatinho. Não sei quanto tempo lhe resta: dias, semanas, alguns poucos meses? Tudo me parece pouco e, ao mesmo tempo, tanto, tal é a dor que sinto. Dou por mim a pensar que queria que tudo isto se resolvesse de forma fulminante, que não tivesse de assitir à degeneração do meu amigo, que não tivesse de passar os dias pensando nele e consumindo-me também.
O meu pai morreu com alguns dos mesmos sintomas. É um filme que vejo pela segunda vez, com a agravante de já conhecer o trágico fim e, portanto, não haver lugar para esperanças quanto a um final feliz. Não importa a espécie, importa é que a doença implanta-se, afirma o seu ódio pelos bons e, implacavelmente, ceifa a vida dos justos e dos meigos.
Merda! Merda! Merda!
1 comentário:
Estamos todos a torcer pelo melhor desfecho para esta história.
AS melhoras para o e-g@to!!
Abraço.
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