Arte Déco: a não perder

Está há já algum tempo, no Museu de Sintra (antigo casino e hoje mais conhecido pela ligação às colecção de Joe Berardo), a exposição ART DECO, versando, obviamente, sobre este belo período da produção artística do século XX.
O recheio é composto na sua esmagadora maioria por obras pertença de Berardo, complementadas por roupa do Museu do Trajo (Lisboa) e do Musée des Années 30.

Se uma ida a Sintra não fosse, já por si, motivo suficiente para nos fazer sair de casa, ainda nos é oferecida a hipótese de contemplar mobiliário, pintura, escultura e outros tipos de objectos que brilharam a partir dos "anos loucos" e que, graças ao cuidado de quem os juntou, podem, uma vez mais, ser apreciados por gerações já distantes daquelas que os produziram e utilizaram.

Gosto do Museu de Sintra, sabe-me bem olhar para aquele edifício elegante, e ainda gosto mais de poder cirandar pelos seus corredores e salões "encharcando-me" da beleza que eles ostentam.
Não fosse Sintra ser tão bela e teria inveja de lá estar um local tão bom. Mas, como é difícil não sentir que a bela vila também é nossa, perde sentido a mesquinhez e ocupo-me apenas em desfrutar do que ela tem: no caso, um óptimo museu!

E quanto custa entrar nesta exposição? Aí é que a coisa fica desagradável. Não pelo preço do bilhete (3 euros) mas pelo facto de ter ficado com a sensação de que pertenço a uma qualquer minoria ranhosa que não merece favores. É que, no momento da compra, a simpática rapriga que estava ao balcão, antes de me dizer o preço, indicou-me um quadro pedindo que eu visse se fazia parte de alguma das categorias de cidadãos que nele constavam e que tinham descontos ou que podiam, mesmo, entrar de graça. Não, disse-lhe eu, não tenho direito a qualquer desconto. Não sou criança, não sou velho, não sou funcionário público, não sou funcionário camarário, não sou isto nem aquilo e, sobretudo, não sou sócio de nenhum clube de futebol a disputar a 1ª Liga!... Exactamente: os sócios do Benfica, Beira-Mar, Setúbal e outros podem entar à borla (!) nesta exposição enquanto que eu tive de pagar 3 euros (coisa pouca, convenhamos).
O Museu de Sintra pertence a quem? À CM de Sintra? Este estúpido desconto a sócios de clubes de futebol pretende o quê? Uma câmara municipal tem de se preocupar com coisas destas? Achei o facto ridículo e disse-o à moça que me atendeu. Ela, concordou. Sinceramente, acho que qualquer pessoa de bom senso o faria...
obrigatório para os tugas

Este é daqueles filmes estrangeiros que devia ser obrigatório ver por todas as criaturinhas que têm como principal prazer na vida malhar no país em que nasceram. A gente do "só neste país" devia ser atada à cadeira e forçada a "engolir" a película "Trés bien, merci" ("Muito bem, obrigado", em Português), numa situação um pouco ao estilo do tratamento que a personagem da Laranja Mecânica sofre aquando da sua reabilitação. Nem os olhos podiam fechar.

Explique-se, então, o porquê desta minha "sugestão".

Tudo começa quando um contabilista (em cuja empresa andam a fazer cortes de pessoal), fica especado, na rua, a assistir a um controlo de identidade a um jovem casal. A polícia diz-lhe para se ir embora mas ele mantém-se no local. Acaba por ser metido à força no carro-patrulha, levado para a esquadra e obrigado a passar a noite numa cela fétida e fria. Recusam-se a dar-lhe um cobertor, recusam-se a avisar a mulher e, no dia seguinte, mandam-no embora sem explicações. Como ele exige falar com um superior para apresentar queixa, dizem que não há comandante ali. O homem pede para usar a casa de banho e dizem-lhe que também não têm. E põem-no fora da esquadra. Ele volta e afirma que dali não sai enquanto não puder apresentar queixa. Prendem-no e levam-no para um hospital onde fica "abandonado" e sem explicações. Médicos? São poucos e têm muito trabalho. Burocracias, isso, há muita. A mulher não o pode ver, o médico gostaria mas... tem tanto que fazer. E apresenta uns papéis ("meras formalidades") para que a mulher assine. Não a avisa de que está a assinar um pedido de internamento psiquiátrico. E lá vai o homem atirado para um hospital de loucos onde, mais uma vez, ninguém lhe dá explicações. E tudo isto, porque, na rua, resolveu assistir a uma operação policial...

O filme desenvolve-se desta maneira, expondo fragilidades do sistema de saúde (falta de pessoal, negligência), do sistema laboral (o homem acaba por perder o trabalho sem que tenha feito nada para isso), do sistema policial (prepotência, arrogância e falta de educação), etc.

Tudo isto num país do primeiríssimo mundo onde, aparentemente, muita coisa é pior do que aqui, no "Terceiro Mundo" que os tugas tanto gostam de invocar.

Descubra as diferenças

Dito assim, isto presta-se a trabalho fecundo porque a foto da Fátima Campos Ferreira não é das melhores (há poucas imagens da rapariga) mas a verdade é que a nossa Fatinha tem uma clone (bem mais conhecida do que ela...) nos Estados Unidos: uma actriz de nome Hope Davis.

Não se aplicaria aqui, muito justamente, o princípio dos direitos de imagem? Piada...

Não se pode exterminá-los?

De vez em quando (i.e., cada vez mais frequentemente) somos acordados do "sossego" do nosso dia-a-dia por algumas criaturas que parecem ter vindo ao mundo a contra-gosto e, por tal, sentem um impulso para, basicamente, lixar o juizo aos outros.
Por vezes, as criaturinhas associam-se em empresas e - ó diabólica combinação! -, resolvem contratar outros igualmente terríveis seres (vulgo adolescentes/jovens adultos), desesperadamente à procura de dinheiro, e põem-nos sentados à mesa com a missão de chagar o máximo de pessoas que for possível tentando vender-lhes um qualquer serviço ou produto.

As agências de viagens e de timesharing cheiram e enxofre à distância e só podem ser filiais infernais tal é a birra que fazem em irritar os pobres possuidores de um telefone.
Em tempos, andei a ser "perseguido" por uma das mais activas empresas de timesharing cá do burgo e a coisa só se resolveu com ameaças de processo judicial. Há pouco, foi a NextTravel que se ergueu da fossa pestilenta onde estas empresas medram e resolveu atacar os meus nervos...

Recebo um primeiro telefonema e, como já começo a ser "rato", imediatamente pergunto onde é que tinham arranjado o meu telefone e que, se ele está numa base de dados, quero que o apaguem. Sem direito a contemplações, a mulher responde-me com um "Sei lá onde está!!! É um programa que vai tentanto os números todos!". Fim de conversa.

Passa uma semana e, em 2007/05/02, volto a receber um telefonema da NextTravel (961509258), da parte de uma tal Lena. Digo-lhe que já os tinha informado de que não queria publicidade e pergunto porque é que me estão a telefonar novamente. Responde-me a boa da Lena: "é porque não apagaram o seu número da lista, hello?! É mesmo dah...". E desliga-me o telefone. Com os nervos em franja, vou ao site da empresa, arranjo o email e escrevo uma mensagem apresentando queixa e exigindo um pedido de desculpas, proibindo-os de guardar os meus dados e, mais uma vez, perguntando-lhes onde arranjaram o meu telefone.
No dia seguinte, e como ainda ninguém me tinha dito nada, volto a enviar-lhes um email e, milagre, passadas umas horas telefona-me um Pedro Santos pedindo desculpa pelo sucedido, blá blá blá, e dizendo que não voltaria a ser incomodado porque o meu telefone iria ficar de parte. Não me disse onde o arranjou... Digo-lhe para me enviar um email (em resposta ao meu) para eu ter por escrito a declaração de que não me voltariam a incomodar e levo com o espanto da personagem "Por email?!". Com pouca vontade lá me diz que sim. Nunca recebi nada, claro.

Passam duas semanas: a meio do trabalho, toca-me o telelé. Uma chamada do 961509252. Atendo e, supresa!, é da NextTravel. E quem é, quem é? A Lena! Ponho o telefone em alta voz, chamo a atenção dos meus colegas e digo à pequena que sou a pessoa a quem ela ofendeu da outra vez (aproveito para chamar a atenção para o facto de estarem duas outras pessoas a ouvir a conversa). Que lamentava, que não julgava que me tivesse insultado (pasme-se!) e pedia desculpa de me incomodar. Desligo.

Dia 11 de Julho. Toca o telefone e é da NextTravel. Fala um tipo com voz de panilas. Repito a lenga-lenga de lhes já ter dito várias vezes que não queria telefonemas e que continuavam a aborrecer-me (a expressão foi esta mesma). Responde-me o sujeito - com um tom arrogante -, de que numa empresa como aquela não podiam ter o meu telefone pendurado em todos os cantos (!!!) e que eu era extremamente mal-educado (!!!). Não resisti a chamar-lhe filho da puta (gritando) conforme ambos desligávamos os telefones.
Dia 12 de Julho. Novo telefonema. Pela conversa inicial apercebi-me logo de que era outra vez da NextTravel. Corto a palavra e peço confirmação. Respondem que sim, em tom alegre. Desligo.
Dia 14 de Julho. Mais um telefonema. Desta vez já conheço os números e nem atendo. Três vezes numa semana e após o que tinha sucedido.

Por aqui, já tinha a certeza de que os tipos andam a catar os telefones que aparecem no Jornal Ocasião.
Antes que os meus nervos rebentem, resolvo pedir à TMN para me bloquearem as chamadas vindas dos números da NextTravel (que são da TMN). Respondem que não o podem fazer. Incrível, não é? É.
Procuro um programa que possa por no telefone e que faça aquilo que a TMN não faz. Encontro um chamado "Call SMS Blocker", uma pequena maravilha que até permite a "tropelia" de, ao receber uma chamada de um determinado número, atender e desligar no momento, fazendo o "prevaricador" gastar inutilmente uma chamada. Estava preparado para a merda da NextTravel...
No dia 20 de Julho, chegou o momento do baptismo de fogo. A coisa funcionou. Nem um toque ouvi e o telefone atendeu e desligou. Até ao momento, não voltei a receber chamadas da NextTravel. Mas hão-de tentar novamente. Se for com os mesmos números, estou "protegido"...

Conclusão: a NextTravel é uma empresa que, com comportamentos destes, não merece confiança. Por mim, até podem vender viagens à China por cem euros que eu não vou. São burros (quem é chateado nunca será cliente), são incompetentes (como é que é possível não terem forma de "bloquear" números?) e os operadores são uns chungas de merda que mereciam ser afogados. Infelizmente, eu é que me tramava.

Parece que o governo aprovou ou quer aprovar uma lei que proíbe a publicidade telefónica sem o consentimento prévio do destinatário. Santa lei. Imediatamente apareceu gente a dizer que uns milhares de tipos iam ficar sem trabalho. Notável argumento: é mais importante o trabalho deles do que o direito dos outros a não serem sistematicamente incomodados. Ficava aqui horas a dar exemplos de como este raciocínio (de quem está contra a lei) é boçal mas nem vale a pena...

Para quem quiser puxar o "Call SMS Blocker" e defender-se da NextTravel, ficam aqui os telefones: 961509252, 969841839, 961509258, 961509256

O reino do disparate

O site Portugal Diário é o reino do disparate. Pertencente ao grupo IOL, que pertence ao grupo Media Capital, que pertence ao grupo espanhol Prisa (uf!...), o PD segue a linha editorial comum aos órgãos da Media Capital (TVI, etc.), apostando em informação sensacionalista, títulos enganadores, notícias sem interesse e, claro, uma fidelidade canina aos interesses do dono Prisa que se exibe, por exemplo, na "obrigatoriedade" de, a qualquer momento, haver, pelo menos, uma ou duas notícias sobre Espanha na página inicial do site (por mais desinteressantes que possam ser para o público português). Ainda recentemente pudemos assistir a uma demonstração de quem manda quando, a propósito de (mais) umas declarações estúpidas por parte de José Saramago (grande escritor, péssimo pensador) sobre uma hipotética união ibérica, o PD se desunhou a publicitá-las, alimentando intermináveis discussões à volta do tema, o que veio, como de costume, conferir visibilidade ao assunto e dar oportunidade aos ressabiados e marrecos cá da praça de afirmarem a sua falta de princípios e total subserviência aos nossos vizinhos.

Ainda assim, há que considerar que a estupidez é um direito e quer Saramago quer os asquerosos profetas da desgraça que por todo o lado pululam têm direito a botar palavra, por mais que isso nos dê a volta ao estômago.

Já quanto ao PD, o caso é um pouco diferente. Órgão de má qualidade, só ganha a alguns "rivais" (Sapo, Diário Digital) por ter muito melhor apresentação e facilidade de navegação. Tem também, como já se adivinhou, a possibilidade de se deixar comentários às notícias. E aí..., bom, aí é o vê se te havias. A estupidez, o disparate, a ignorância desfilam em larga parada pela avenida que o PD lhes abre no que é um desafio à sanidade mental de quem resolve ler as pérolas dos leitores. A par disto, a não-publicação de imensos comentários (sem que se perceba porquê) por oposição à repetição sistemática de outros lança uma suspeita de incompetência mas igualmente de censura sobre quem filtra as opiniões deixadas no site.

Curiosamente, e muito provavelmente por engano, aquando de uma notícia recente versando o interessantíssimo tema de uma tempestade que se aproximava de uma qualquer ilha no outro lado do mundo, o censor de serviço deixou escapar um desabafo tronitroante de um leitor que escreveu:
"Façam jornalismo sério e deixem-se de manchetes enganadoras. Vão para a puta que vos pariu. Vou passar a ir ao Sapo que pelo menos é sério. (SIC)"
.
Ora, isto é de aplaudir. Não por o comentário ter ido para o ar (foi engano, só pode ter sido!) mas por o leitor ter escrito tão grande verdade. É que, o comentário deixado por um leitor anterior mostra bem o quão pernicioso é este tipo de "jornalismo" que procura captar leitores utilizando parangonas enganadoras. No caso, o título da notícia era "Tempestade tropical aproxima-se" e imediatamente houve um palerma que comentou:
"(...) mas o Serviço de Protecção Civil ainda nada disse. Estarão à espera de quê? (SIC)"

Como mel na sopa: apesar de o artigo referir que o caso se daria na cidade de Ilan (quem não conhece?) na longínqua Formosa (Taiwan, para o PD), logo um tuga se aprestou a vomitar a habitual revolta contra as instituições, no caso, a Protecção Civil, que assim se viu acusada de não informar a população nacional de uma tempestade perto da China...

Luís de Matos: arranjem-lhe um cérebro

Estava eu deitado, a destilar o calor de uma tarde algarvia, fazendo zapping pela TVCabo quando dou de caras com o "nosso" Luís de Matos num programa da TVGaliza (Galicia, se preferirem a versão espanhola).
Lá estava o simpático rapaz ladeado de um casal de apresentadores galegos, falando galego (os apresentadores), num programa da tv galega, para galegos... etc... etc... Pois bem, o Luisinho, como bom tuga que é fazia questão de tentar falar Espanhol! Exactamente. O homem estava num programa onde se falava Galego (i.e., a origem da nossa língua) e, em vez de se expressar em Português, tentava fazê-lo em Castelhano. Não só isto é sintoma de uma enorme falta de coluna vertebral como, ainda por cima, ia totalmente contra a natureza do programa televisivo, feito para os falantes de Galego e não dessa coisa arranhada e cuspida que é a língua de Cervantes (e, também, do Iglésias - que até é galego...).

Eu simpatizava com o Luís de Matos e até reconhecia nele capacidades que o destacavam da mediania tuga mas, afinal, desce tão baixo quanto os outros e nem o soriso Colgate o safa, a partir de aqui, de gerar em mim um bem amarelo!