deus a pilhas
Já sabíamos que as tradicionais velas de cera andavam, em muito boa igreja, a serem substituidas por velas eléctricas. A medida tinha as suas vantagens: evitava-se a poluição, o cheiro e o consumo de cera. A Igreja também beneficia com a troca porque o dinheiro que ia para os comerciantes de velas, agora, vai todinho para ajudar as almas.
Além disso, a cera deve ser mais cara do que a pouca energia eléctrica, o que aumenta a margem de lucro. Isto foi coisa de Jesuítas...
A substituição das velas não é, no entanto, geral. Em Fátima ainda podemos assistir a esse ritual com contornos "babilónicos" das piras a serem alimentadas com velas de todas as formas e feitios, atiradas pelos fiéis, de forma displicente, como quem atira milho aos pombos.
Alimenta-se a divindade com um gesto frio e mecânico, da mesma forma que se reza por rezar, pelo hábito de debitar ladainhas, fórmulas estabelecidas e tão banais que a qualidade do texto , de tão gasto, já não basta e obriga à multiplicação da prece por 5, por 10, pelas vezes que a crendice julgar necessárias a aplacar os males do espírito.
Agora, dizem-nos as notícias, os nossos irmãos italianos deram um novo passo no caminho da modernidade com a criação de terços electrónicos que poupam aos crentes o fastio de passar pelos dedos aquelas continhas herdadas dos muçulmanos. Rejubilemos com a boa nova.
E, como se esta graça concedida não fosse por si só suficiente, ainda temos à disposição vários destes terços hi-tech, cada qual com uma oração diferente (também há várias cores disponíveis).
Cada uma destas ferramentas com as quais podemos partir pedra na construção do caminho até ao céu, custa a módica quantia de EUR 29,50. Quem quiser a colecção completa pagará EUR 472.
Como, segundo os bons ensinamentos, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus, aconselha-se a compra de apenas um terço, não vão as finanças declarar-nos como ricos e lá se vai o paraíso (o celeste, que o terrestre é já ali, do outro lado da fronteira).
A próxima evolução do terço electrónico poderá ser a leitura de cartões de memória para que os fiéis possam mudar de oração com o mesmo aparelho. O valor que a empresa P.R.E.X. deixa de ganhar em quantidade de terços será compensado pela venda dos cartõezinhos (que poderão ter orações traduzidas para diversas línguas).
No meio disto tudo, esperemos que Deus não fique sem pilhas...
Ámen.
2 comentários:
Vi o link para o teu blog num comentário a uma notícia do Portugal Diário. A curiosidade foi mais forte e vim até aqui. Valeu a pena. Fartei-me de rir com a ironia fina que utilizaste. No entanto, creio que Deus já gastou as pilhas todas. Pelo menos é o que me parece quando analiso este mundo supostamente criado e governado por um deus OMNIpotente!
O teu blog é uma seca...
Mas que abemos de fazer.
hè só palermices...
Publicar um comentário