para começar, não está mal...

...E depois, dizem que um tipo tem de se controlar, olha o stress, etc.
Ontem, às 24:00 (ou 00:00, se preferirem) uns vizinhos meus resolveram andar a acartar mobília pela escada acima. Como o prédio não tem elevador e eles moram no último andar, pode-se imaginar o efeito...

Hoje, logo a abrir o dia, resolvo comunicar as leituras dos contadores. Vou ao site da EPAL e o dito não carrega - em nenhum browser.
Vou ao da EDP (onde costumava comunicar a luz e o gás) e lá consigo enviar a leitura da electricidade. Quanto à do gás, já lá não está.
Vou ao site da LisboaGás (i.e., da Galp) e, após alguns passos, ao chegar ao écran de envio de dados, aparece-me uma mensagem a dizer que o serviço está temporariamente indisponível.

Finda a questão das leituras, apeteceu-me ir verificar o pagamento do condomínio. Acedo ao site do BCP e recebo uma mensagem de que a informação lá mostrada já é antiga e que não é possível darem-me dados recentes.

Daqui a pouco vou à médica, mostrar as maleitas com que ando. Será que também lhe devo falar dos sites? Às tantas, ficavam todos óptimos com uns comprimidos...

Ajude os animais

A União Zoófila está a pedir ajuda para alimentar os imensos animais que tem a seu cargo. É Natal , blá, blá, blá mas isso pouco interessa porque devemos preocupar-nos com as boas causas SEMPRE. Ainda assim, a época dá jeito para apelar a um certo "sentimentalismo" e lembrar as boas almas de que não são só os homens que têm fome: os animais também.

A União Zoófila abriga, alimenta e trata centenas de animais nas suas instalações no Bairro das Furnas, ali bem perto de Sete Rios e, de vez em quando, vê-se na necessidade de fazer apelos públicos por ajuda em termos de alimentos e medicamentos.

Uma lata de comida para gato (das mais baratas) custa cerca de €0,35 (menos do que um café!!!) e permite alimentar um animal durante um dia (2 refeições). O que custa pegar em alguns euros e gastá-los numas quantas refeições para os nossos amigos de quatro patas? Será dinheiro certamente mais bem gasto do que em cafeína, não?

A UZ aceita donativos em dinheiro (ver o site aqui) mas prefere receber em géneros.

Ajude. Não dói, faz-nos sentir bem e permite manter vivos animais que não tiveram culpa nenhuma de serem abandonados por gente reles que não quis tratar deles.

Graças a deus pelo humor

Nunca tinha ido ao Mário Viegas. Refiro-me ao Teatro, aquele que fica na “cave” do Teatro Municipal de São Luiz, em pleno Chiado. Após muitos anos, chegou, finalmente, a vez de ir ver actuar a companhia residente, responsável pela manutenção em cartaz há mais de uma década desse êxito que é “Toda a obra de Shakespeare em 90 minutos”. Curiosamente, não foi esta a peça que fui ver mas sim a mais recente da casa, de seu nome "A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (Sintetizada)".
Durante cerca de três horas, o público que enchia a pequena sala (o meu bilhete foi o último a ser vendido), foi brindado com uma dose absolutamente cavalar de humor, onde as maxilas de quem lá estava poucos momentos tiverem para descansar. Ao fim de poucos minutos, uma dor já me tomava conta da cara, tornando, por vezes, o soltar das gargalhadas uma coisa difícil. Mas muito mais difícil ainda seria deixar de rir com as interpretações do trio em palco e com o texto que interpretavam.
Para quem não saiba, a peça em questão pretende dar-nos a conhecer uma versão cómica de TODA a Bíblia - o que não é coisa pouca. E fá-lo recorrendo às piadas, à farsa, ao travesti, à música, à interacção com o público, gerando momentos após momentos onde só há uma coisa a fazer: rir!
Em boa verdade digo que nunca me tinha rido tanto e que os vinte euros que paguei pela entrada foram merecidos até ao último cêntimo (ia escrever tostão...).

Desconheço se esta companhia teatral está abrangida pela “perversa” política de subsídios à cultura. Não me parece que tenha necessidade da ajuda estatal, a avaliar pela afluência de público. Mas, apetece dizer que este tipo de espectáculos, precisamente estes, mereciam, acima de todos, serem premiados e incentivados pelos poderes públicos, quanto mais não fosse pela sua capacidade para levar uma imensa alegria a todos os que os frequentam. Ir ao Teatro faz bem ao espírito. Ir ver a Companhia Teatral do Chiado faz bem à saúde! :)

Quer divertir-se? Quer divertir-se mesmo muito? Meta-se a caminho da Baixa e vá ver A "A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (Sintetizada)".

Assim não!

Não sou um consumidor do tipo “exigente”, i.e., que espera serviços absolutamente impecáveis em troca do que paga. A concepção “moderna” de exigência chateia-me até porque, também eu, enquanto executante, não sou isento de mácula e tendo a ter com os outros a mesma paciência que espero que tenham comigo quando eu falho. Ainda assim, casos há em que apetece dar um murro na mesa tamanha é a desconsideração que por vezes se enfrenta. Neste Domingo (2007/12/16), no cinema Monumental, a bilheteira tardou a abrir. Nada do outro mundo diria eu: qualquer pessoa pode ter um contratempo e se a moça responsável pela venda de bilhetes não conseguiu chegar a tempo, paciência: o mundo não acaba por isso. Já da parte dos responsáveis pelas salas, será de perguntar se não seria de ter alguém capaz de, numa situação semelhante, dar uma mãozinha na venda dos bilhetes, sobretudo quando está uma sessão a começar e há várias pessoas à espera! Nunca lhes deve ter passado pela cabeça que a bilheteira (no caso, a vendedora de bilhetes) possa não chegar a horas...
Bom, mas isto não foi o pior. Como escrevi antes, sou tolerante com as falhas. Mas não com as faltas de respeito. É que, apesar do atraso na abertura da bilheteira, apesar de ser a primeira sessão do dia, apesar de – entre as sessões -, haver intervalos, apesar de haver várias pessoas a comprar bilhete para ver um filme, este começou a ser exibido exactamente à mesma hora, levando a que os primeiros a entrarem na sala (entre os quais, eu) perdessem nada mais, nada menos do que cinco a oito minutos do filme!!! (sim, porque, para variar mesmo, até nem houve a habitual exibição de 12 minutos de publicidade...).
Que explicação pode haver para isto? Nenhuma, parece-me...

Um consumidor exigente teria pedido o livro de reclamações e, aqui, “exigente” não seria sinónimo de picuinhas ou embirante mas tão-só de responsável. Porque reclamar é um acto de responsabilidade civil, por vezes, algo que pode fazer a diferença na melhoria dos serviços que nos prestam.

Pequei por não o fazer. Primeiro, porque queria ver um filme (e só após entrar na sala é que pude ver que me tinham roubado uma parte dele) e, depois da fita, porque estava ainda combalido pela falta de piada do “A história de uma abelha”, da responsabilidade de Seinfeld, um cómico americano universalmente idolatrado mas pelo qual eu, estranhamente (?), nunca consegui sentir qualquer simpatia ou achar qualquer piada. Coisas...

Males que vêm por bem

Tinha um bilhete comprado para ver os franceses Nouvelle Vague na Aula Magna, em Lisboa. À última da hora, um compromisso de trabalho "atirou-me" para o Norte, mais precisamente para Braga. Duas semanas depos de lá ter estado em férias, eis que visito novamente a cidade dos arcebispos. Esperei mais de 30 anos para lá ir mas, agora, parece que vou ser cliente habitual...

Bom, deu-se a feliz coincidência de os NV tocarem na cidade-berço (bonito nome para a belíssima Guimarães) e de eu até ter ficado hospedado nesta mesma cidade no dia do espectáculo. Por vezes (é raro, bem sei) as coisas acabam por correr como queremos. E, neste caso, tudo saiu certo.

A sala vimaranense São Mamede é um belo local, recentemente renovado (parece que tinha reaberto na noite anterior), confortável, bem decorada (até as casas de banho têm design...) e com uma acústica mais do que razoável. O único senão foi mesmo a localização do meu lugar: a segunda fila do segundo balcão. À frente há uns ferros de protecção que atrapalham um pouco a vista mas, sobretudo, é o facto (natural) de as pessoas que estão à frente se curvarem para melhor verem o palco que pode tornar um óptimo espectáculo em algo que, pura e simplesmente, não se vê. A quem lá for, aconselho vivamente a não se sentar antes da terceira ou quarta filas.
Apesar de tudo, consegui ver razoavelmente o palco (apenas "perdendo" a parte mais à minha esquerda).

Quanto ao concerto, foi excelente! Só conhecia o primeiro álbum dos Nouvelle Vague (um dos últimos CD's que comprei - ao tempo...) e, a partir daí, tinha ficado com a lembrança da sonoridade mas não o conhecimento dos novos temas.
A banda tocou muito bem, o público reagiu optimamente, houve momentos engraçados, outros a raiar o sublime e, no fim, toda a gente terá saído contente e com a sensação de ter assistido a um daqueles momentos que teimarão em não se perder nas memórias breves.

A repetir? Sem qualquer dúvida: em Lisboa, Guimarães, ou qualquer outro lugar.

Há males que vêm por bem e ter perdido a gravação do álbum ao vivo na Aula Magna apenas serviu para conhecer uma sala tão distante da Cidade Universitária quanto está o encanto de Guimarães da confusão e pretenciosismo da capital.

Ainda picam!

Ontem, o Pavilhão Atlântico encheu-se para ver os Scorpions, a banda alemã (agora com um baixista polaco e um baterista americano... coisas da globalização), velha de mais de 30 anos mas ainda para as curvas. Foi a quarta vez que os vi e, tal como das outras vezes, fiquei a pensar quantas das pessoas presentes estariam ali por causa das baladas (que temos de aceitar serem a imagem de marca da banda) e quantas estariam por isso e tudo o resto. É que, no caso dos primeiros, um concerto dos Scorpions pode, rapidamente, virar uma desilusão. As baladas (entre as quais, esse "ícone" que é "Still loving you") foram a maneira (involuntária a princípio, assumida posteriormente?) que os Scorpions encontraram de passar na rádio, de vencer o preconceito contra o Hard Rock e dessa forma chegar a um público maior. Mas a banda de Hannover não esquece (e nunca o tentou fazer) que é um portento do rock. Ainda assim, num acto de louvável honestidade (que contrasta com a atitude "arrogante" de outros artistas) os Scorpions tentam agradar a todos e lá debitam as baladas que lhes deram a merecida fama fora dos muros da música pesada. Mas, no resto do concerto... aí, é sempre a abrir! E é nessa altura que os fans mais antigos se lembram de como eram grandes os anos 80 no que diz respeito ao Hardn'n'Heavy. O quarteto de álbuns composto por "Blackout", "Love at first sting", "Animal magnetism" e "Lovedrive", que culminou no disco ao vivo "World wide live" (sim... e o "Gold ballads") é um marco em qualquer história que se faça da música popular europeia na sua vertente um pouco mais dura.

O espectáculo de ontem foi o costume: competente e feito para agradar a todos os que lá estavam. Klaus Meine distribuiu baquetes às dezenas (!) pela fila da frente (não se esforçava por ir mais além), os guitarristas atiravam palhetas como quem semeia pequenas recordações no público e este, naturalmente, gostava de ouvir os "muito obrigado" ou "como estão?" frequentes. No fim, fica uma noite bem passada, com momentos românticos (ó enjôo - aqueles casais que se agarram mal as baladas começam para imediatamente se largarem quando elas acabam), ritmos pesados (Dynamite!!!) e muita energia.

Como único senão, o "intervalo" a meio para um secante solo de bateria. Antes, o baixista tinha dado um ar da sua graça com uma pequena interpretação de "Enter sandman" (Metallica). São os elementos mais novos mas, sobretudo, mais jovens, ainda com físico para não precisarem de descansar a meio do espectáculo. Compreende-se mas não deixa de ser uma seca.

Humilhação sexual

Antes de colocar este texto no ar pensei bastante sobre ele. Não que tivesse dúvidas quanto à oportunidade do mesmo mas mais pela forma como o deveria apresentar. Optei por fazê-lo de uma forma fria, quiçá chocante, mas concerteza mais eficaz.

A foto que se vê ao lado foi retirada do site Ghetto Gaggers e ilustra um pequeno vídeo de pornografia inter-racial onde uma mulher mantém relações sexuais com um homem. Até aqui nada há de novo no gigantesco mundo da pornografia e serei o último a criticar a existência e propagação de conteúdos sexuais online. O que me moveu a escrever foi o olhar da rapariga, o vazio que se sente nele, o abandono de um corpo à humilhação pública (porque estas coisas são feitas para serem vistas pelo maior número de pessoas) a troco de alguns trocos que vão servir sabe-se lá para quê... droga? alimentação? luxos? Pouco me importa, sinceramente.

Ao contrário do que é comum nos conteúdos para maiores de 18, aqui não há uma beldade sorridente e de ar lascivo fazendo o seu trabalho de forma desinibida. Não, aqui há apenas um ser humano sendo humilhado em nome da excitação sexual que tal acto provoca em quem o vê. Todo o vídeo serve unicamente para isso: mostrar alguém a ser usado como um pedaço de carne anónimo, uma coisa que se usa e deita fora, uma queca sem qualquer valor.

No fim, a rapariga é brindada (por um segundo homem) com a clássica ejaculação para a cara e é precisamente neste momento que melhor nos apercebemos da ausência no seu olhar. Distante... apagado... mesmo quando olha para nós (ou através de nós).

Já vi muito na internet, já vi coisas capazes de revolver o estômago ao cidadão médio mas a cara desta mulher meteu-me pena, mesmo tendo quase a certeza de que ninguém a obrigou a entrar ali, mesmo sabendo que ela é livre de se deixar humilhar.

Ainda assim...

Se quiser ver o vídeo carregue no link seguinte (mas fica avisado de que vai ver pornografia...): Ver o vídeo

Dar ao couro pelos outros

Passei o que seria um feriado (se não fosse num Sábado) a trabalhar no Banco Alimentar. Por esta altura costumam fazer uma campanha de recolha de alimentos e, deste vez, resolvi trabalhar pelo lugarzinho no céu, oferecendo-me como voluntário para trabalho de armazém.

Lá compareci na Av. de Ceuta, às 11:00, pronto para dar o meu melhor por quem ainda pode vir a assaltar-me (eh... que frase reaccionária). À chegada, foi-me dado um formulário por uma senhora com um ar um pouco enjoado. Preenchi-o e entreguei-o a outra senhora com um ar um pouco menos enjoado. Deixadas as coisas no contentor que servia de bengaleiro, lá me fiz ao trabalho. O armazém de recolha e triagem estava cheio de gente, sobretudo adolescentes e imediatamente percebi que se não tivesse lá posto os pés ninguém ia sentir a minha falta. Fiquei um pouco desanimado mas entretive-me com a primeira tarefa do dia: abrir sacos de plástico. Terminada essa tarefa e chegados os alimentos, passou-se à triagem dos mesmos. A mim coube-me inicialmente a mesa do arroz. Umas miúdas tiravam da passadeira embalagens de arroz, juntavam-nas aos grupos de seis e eu e uma mulher arrumávamo-las numa grade. Deu para por à prova o corpinho.

Chegada a hora do almoço, lá me fui alimentar: uma espécie de puré de bacalhau (saboroso) com um pouco de alface. Para beber, um sumo. Como sobremesa, limitei-me a um café e a um biscoito. Outros se deleitavam a fazer colecção de bolos...

À tarde, fui tirar coisas da passadeira e passá-las para uma mesa. Trabalho maquinal, em grande velocidade, extremamente cansativo mas que me deu gozo (hoje, estou todo partido, como paga pela minha "solidariedade"). Tudo quanto fosse embalagem de feijão, grão e coisas quejandas, secas, era para ser embalado na minha mesa. Depois do lanche, fiquei com o encaixotamento e já não com a triagem (o que deu para descansar um pouco..).

Às 20:00, cansado e farto, abalei. Não tive paciência para aguardar pelo jantar.

Gostei? Não me fez mal nenhum e de certeza que ajudei bastante. Não fiz nenhuma diferença mas trabalhei concerteza muitíssimo mais do que muito do pessoal que por lá andava encostado às paredes. Não tivesse ficado todo partido (alguma vez terei trabalhado tanto?) e teria voltado hoje.

Para o ano que vem, talvez volte. E voltarão um pouquinho mais crescidos muitos dos miúdos que por lá vi, escoteiros ou não e que não deixam de nos fazer pensar que nem todos os adolescentes são necessariamente uns imbecis egoístas. Ainda bem que assim é.

Finalmente, uma pequena nota: não foi possível passar ao lado da ironia que foi, no 1º de Dezembro, ter levado com uma dose cavalar de música cantada em castelhano passada pelo disc jockey de serviço - Enrique Iglesias, Azucar Moreno, Manu Chao, Heroes del Silencio, Ricky Martin, Alejandro Sanz, Gipsy Kings e outros...