Ontem, o Pavilhão Atlântico encheu-se para ver os Scorpions, a banda alemã (agora com um baixista polaco e um baterista americano... coisas da globalização), velha de mais de 30 anos mas ainda para as curvas. Foi a quarta vez que os vi e, tal como das outras vezes, fiquei a pensar quantas das pessoas presentes estariam ali por causa das baladas (que temos de aceitar serem a imagem de marca da banda) e quantas estariam por isso e tudo o resto. É que, no caso dos primeiros, um concerto dos Scorpions pode, rapidamente, virar uma desilusão. As baladas (entre as quais, esse "ícone" que é "Still loving you") foram a maneira (involuntária a princípio, assumida posteriormente?) que os Scorpions encontraram de passar na rádio, de vencer o preconceito contra o Hard Rock e dessa forma chegar a um público maior. Mas a banda de Hannover não esquece (e nunca o tentou fazer) que é um portento do rock. Ainda assim, num acto de louvável honestidade (que contrasta com a atitude "arrogante" de outros artistas) os Scorpions tentam agradar a todos e lá debitam as baladas que lhes deram a merecida fama fora dos muros da música pesada. Mas, no resto do concerto... aí, é sempre a abrir! E é nessa altura que os fans mais antigos se lembram de como eram grandes os anos 80 no que diz respeito ao Hardn'n'Heavy. O quarteto de álbuns composto por "Blackout", "Love at first sting", "Animal magnetism" e "Lovedrive", que culminou no disco ao vivo "World wide live" (sim... e o "Gold ballads") é um marco em qualquer história que se faça da música popular europeia na sua vertente um pouco mais dura.O espectáculo de ontem foi o costume: competente e feito para agradar a todos os que lá estavam. Klaus Meine distribuiu baquetes às dezenas (!) pela fila da frente (não se esforçava por ir mais além), os guitarristas atiravam palhetas como quem semeia pequenas recordações no público e este, naturalmente, gostava de ouvir os "muito obrigado" ou "como estão?" frequentes. No fim, fica uma noite bem passada, com momentos românticos (ó enjôo - aqueles casais que se agarram mal as baladas começam para imediatamente se largarem quando elas acabam), ritmos pesados (Dynamite!!!) e muita energia.
Como único senão, o "intervalo" a meio para um secante solo de bateria. Antes, o baixista tinha dado um ar da sua graça com uma pequena interpretação de "Enter sandman" (Metallica). São os elementos mais novos mas, sobretudo, mais jovens, ainda com físico para não precisarem de descansar a meio do espectáculo. Compreende-se mas não deixa de ser uma seca.
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