O preço dos livros

António Lobo Antunes, durante a cerimónia de entrega à sua pessoa do prémio do Clube Literário do Porto, disse achar "indecentemente caros" os livros em Portugal. É uma opinião e há que respeitá-la, até porque vem de alguém que está no meio, ainda que do lado da criação e não do da publicação. Mas, não deixa de parecer estranho um certo alheamento do escritor relativamente à lógica de mercado que, naturalmente, preside ao estabelecimento dos preços. Dizer assim, de forma desbragada, que os preços em Portugal são indecentemente elevados é uma afirmação estemporânea que, à boa maneira portuguesa, evita a razão em prol do choque. Lobo Antunes foi mais longe e comparou Portugal com países como a Alemanha, Holanda e Noruega, alegando que, apesar do maior poder de compra dos seus habitantes, os livros lá eram mais baratos. Não vou aqui contestar estas duas afirmações: acredito que os livros tenham preços mais reduzidos e tenho a certeza de que o nível de vida nesses países é superior ao nosso. O que eu ponho em causa é que não se tente perceber as razões de semelhante "fenómeno" e se remeta o assunto para o departamento das bizarrias nacionais. Acredito haver razões muito simples que justifiquem os preços dos livros e digo simples porque se baseiam no bom-senso, escusando-me de conhecer os meandros das casas editoras e das teias urdidas pelos homens do negócio. Basta, portanto, ter em conta alguns - poucos -, factos:

1) O tamanho do mercado

Portugal tem 10 milhões de habitantes e, apesar dessa quimera chamada "Língua Portuguesa", o nosso mercado possível não vai além deste pedaço de Europa e dos PALOPS (mais Timor). Isto, porque o Brasil tem edições próprias. Ora, se por cá o poder de compra não é famoso, imagine-se o de africanos e timorenses. Não serão, certamente, os mercados "internacionais" que trarão rendimento às obras impressas em Portugal. Portanto, quando do prelo sai um livro, já se sabe que ele se limita a ser vendido unicamente em Portugal. Se o mercado é pequeno, os custos de produção têm menos hipótese de se esbaterem, logo, o preço final aumenta. O mercado de língua alemã abarca pelo menos dois países chegando quase aos 90 milhões de pessoas. Se para além desta multiplicação por nove ainda tivermos em conta factores culturais que possam levar a um maior consumo de livros na Alemanha e na Áustria, facilmente poderemos compreender que os preços possam ser menores. A própria Holanda tem um mercado maior do que o nosso. E a Noruega, se, de facto tem menos de metade da nossa população, não deixa de ser o país apontado como tendo o maior desenvolvimento humano do planeta. Compensará com o interesse o que lhe falta em massa de gente.

2) Despesas de tradução

Qualquer obra estrangeira tem de ser traduzida para Português. Como os hábitos, as normas, as birras e os orgulhos impedem uma verdadeira unificação da língua (nem que fosse a um nível "formal"/literário), o "espaço português" e o Brasil não partilham traduções (nem mesmo edições em Português!) pelo que, mais uma vez, o custo de uma tradução feita em Portugal tem de ser suportado na totalidade pelos consumidores portugueses. Pessoalmente, devo dizer que já deixei de comprar traduções de obras anglófonas e, vingando o desígnio do Governo de transformar em bilingues todas as criancinhas, é fácil perceber que, nalgumas (poucas) dezenas de anos, o mercado das traduções de originais "ingleses" irá desaparecer. Nessa altura, muitos livros ficarão mais baratos mas serão lidos em Inglês... Não deixo de invejar os povos anglófonos que, com uma excepção aqui ou ali, partilham efectivamente (e apesar das diferenças) uma mesma língua, a ponto de, pondo de parte orgulhos parvos, se venderem edições inglesas escritas à americana.

3) Tipos de edição

Compare-se, para uma mesma obra, uma edição inglesa e uma portuguesa. Haverá grande probabilidade de a edição britânica ter o formato de livro de bolso, ser feita com papel aparentemente de pior qualidade e ter uma capa atraente. Por seu lado, a edição portuguesa terá um formato maior (fica melhor na estante), será feita com papel "finório" e terá uma capa apenas minimamente atraente. É certo que os ingleses costumam lançar edições de bolso (paperback) e "de mesa" (hardcover) mas não deixam de oferecer ao consumidor a escolha e é no segmento "de bolso" que os preços mais caem. Todos estes pormenores ajudam a determinar o preço de um livro. Se o formato é mais pequeno, gasta-se menos papel e tinta, se o papel é mais "fraco" - ainda caberia discutir se assim é, de facto -, fica mais barato e, finalmente, se a capa é mais atraente, haverá mais gente a ser "puxada" para o objecto aumentando, assim, as vendas.

Não há, portanto, que procurar explicações complicadas ou fatalmente diminuidoras da autoestima nacional para algo que pode ser explicado com o recurso ao bom-senso. Mas, se quiséssemos basear a explicação do "fenómeno" em factores meramente "comportamentais" (pelo lado do desinteresse do consumidor e da ganância do editor/vendedor) também teríamos de adiar os juízos categóricos até termos feito uma exaustiva comparação de preços com outras actividades e produtos onde, aparentemente, os preços são equivalentes aos dos livros mas o consumo é feito "sem queixas". Serão 15 euros um exagero por um livro quando um bilhete de cinema já se aproxima dos 6? Quando qualquer menu do MacDonalds ultrapassa os 5? Quando um bilhete para um concerto começa nos 25? Quando uma entrada para um jogo de futebol implica um gasto mínimo de 20 euros? Quando umas calças reles custam 15?

Nunca li nada de António Lobo Antunes. Confesso que ocasionais entrevistas me desmotivaram de o fazer. Mas não deixarei de, na devida altura, comprar uma obra sua para lhe apreciar o estilo que, espero, seja melhor do que o raciocínio demasiadamente "popular" que se lhe notou neste assunto dos preços...

Este Natal não há prendas? Há mas isso não interessa para nada. Chega esta estúpida altura do ano e impõe-se este clássico dos anos 80: o dinamarquês King Diamond, numa "brincadeira" bem agradável de ouvir. Vamos lá abanar essas carolas e assustar as criancinhas "Não há prendas neste Natal!!!"
Confrontado com a notícia de que o tema "Enter sandman" teria sido usado para torturar prisioneiros em Guantanamo, James Hetfield (Metallica) saiu-se com qualquer coisa deste tipo:

temos torturado durante anos os nossos pais, mulheres e amigos com a nossa música, porque é que os iraquianos haviam de ser diferentes?

A frase foi alvo de críticas por parte das sempre existentes personagens mais sensíveis mas isto, meus amigos, é humor negro no seu melhor!

Já agora, fica aqui a lista das canções usadas pelos torturadores americanos:


AC/DC - Hell's Bells
AC/DC - Shoot To Thrill
Aerosmith
Barney the Purple Dinosaur - Theme Tune
Bee Gees - Stayin' Alive
Britney Spears
Bruce Springsteen - Born In the USA
Christina Aguilera - Dirrty
David Gray - Babylon
Deicide - Fuck Your God
Don McLean - American Pie
Dope - Die MF Die
Dope - Take Your Best Shot
Dr. Dre
Drowning Pools - Bodies
Eminem - Kim
Eminem - Slim Shady
Eminem - White America
Li'l Kim
Limp Bizkit
Matchbox Twenty - Gold
Meat Loaf
Metallica - Enter Sandman
Neil Diamond - America
Nine Inch Nails - March of the Pigs
Nine Inch Nails - Mr. Self-Destruct
Prince - Raspberry Beret
Queen - We are The Champions
Rage Against the Machine - Killing in the Name Of
Red Hot Chilli Peppers
Saliva - Click Click Boom
Sesame Street - Theme Tune
Tupac - All Eyes on Me


Confesso que, se alguns temas me arrepiam, muitos outros me levariam a gritar "quero mais!" :)
Circular enviada em 19 de Setembro de 1846, pelo Ministro da Presidência, aos Governadores Civis de todos os distritos do Reino de Portugal.


1º Rever a Carta de modo a que os seus preceitos fiquem mais evidentes e salvos de falsa e abusiva interpretação, será um novo culto à memória saudosa do seu augusto autor e o cumprimento de uma vontade e desejo seu tantas vezes manifestado.

2º Reformar as leis tributárias de modo que os contribuintes paguem com uma maior igualdade e com o menor sacrifício possível.

3º Fazer uma rigorosa revisão dos quadros de todos os estabelecimentos; fixá-los inalteravelmente, garantindo assim um progressivo e seguro aumento de economia.

4º Fundar o crédito nacional sobre estas bases e prescrever o sistema de créditos fantásticos, ruína da fortuna pública e dos particulares.

5º Dar real protecção ao comércio e à agricultura pela construção de estradas e vias de comunicação.

6º Difundir a instrução por todas as classes, fazendo com que a ciência se derrame nas suas aplicações práticas à artes.

7º Tratar sobretudo da educação moral do povo, provendo para o mesmo fim aos meios de educação e instrução do clero.

8º Organizar a força pública e simplificar o sistema administrativo e fiscal.

9º Regular as habilitações para a admissão aos empregos públicos.

10º Finalmente fazer efectiva a responsabilidade de todos.


É a velha história da senhora que se repete sem cessar...
Andava eu a dar a típica voltinha de Domingo à tarde (i.e., ida ao centro comercial) e resolvi entrar numa Bertrand. Passando os olhos pela mesa onde se acumulavam as novidades, dei de caras com uma volumosa edição ostentando o selo de "Recomendação de Natal". Movido pela curiosidade, peguei no livro. Ali, misturado com uma miríade de romances históricos e livros de auto-ajuda, estava um romance de amor. Um verdadeiro romance de amor, de seu nome "Eu escrevi sempre". Perguntar-se-á o leitor se é um livro de cartas escritas por um soldado em África, ou novidades de terras de França enviadas por um emigrante, ou mesmo lacrimejantes histórias de um exilado em tempos de ditadura... Nada disso! "Eu escrevi sempre" é uma compilação de cartas de amor de Jardim Gonçalves, enviadas aos accionistas e funcionários do banco que ele ajudou a fundar. Cartas extensas ou muitas curtas, o certo é que, pelo tamanho do livro, JG é homem de muita escrita que procura, agora, gente que seja de muita leitura. A Bertrand recomenda-nos o livro e tem razão em fazê-lo: já me imagino a ir à árvore de Natal e encontrar lá, com o meu nome, o livro de Jardim Gonçalves. Ó suprema felicidade, ó calorosa antecipação de dias passados no conforto do lar, beberricando qualquer coisinha quente enquanto desfilam à minha frente as cartas de Jardim Gonçalves: "Caro accionista...", "Caro amigo...", ali, só para mim, Gonçalves expondo os rios de amor que lhe inundavam o coração, "o mercado está forte", "há que ter confiança", os sentimentos são como flores e Gonçalves é um jardim... Homem de sorte, homem de enorme felicidade, duplamente abençoado pela vida, amando os homens por ser cristão, amando os accionistas por ser da Opus Dei...
Dizia-nos Pessoa que todas as cartas de amor são ridículas e, se assim é, estamos perante um tratado de um ridículo quase tão grande como oferecer semelhante coisa a alguém. Mas, também nos dizia a mesma pessoa que ridículo é quem nunca escreveu cartas de amor. E aqui, ridículo me confesso, vergado sob o peso da vergonha que sinto por nunca ter tido a oportunidade de escrever cartas assim. Amar, já amei, mas não dava para publicar...
Pensamento positivo: ninguém assistirá aos 200 anos de Manoel de Oliveira :)


E se um periférico minúsculo nos permitisse ver TV nos nossos PDA's? Era boa ideia, não era? Pois, os chineses da Permian Co Ltd tiveram a ideia e produziram o aparelhozinho. Agora, é só esperar que ele apareça por aí à venda (e que não seja caro).
notas da Madeira (1)

Foi preciso ir ao Funchal para, finalmente, perceber porque raio chamam "Pão de Açúcar" ao famoso morro carioca (que, por sua vez, deu nome à não menos famosa cadeia de supermercados).

"Pão de açúcar" era a forma que o açúcar ganhava na forma cónica onde era colocado (ver fotografia). Simples, não é? :)
A coisa quadradona que surge na foto ao lado não parece fazer juz ao seu nome: "mosquito". Quem vê caras, não vê corações e quem olha para o aparelho não imagina que a sua designação se prende com aquilo que ele faz e que é, muito basicamente, dispersar grupos de adolescentes. Mmm... coisa fascistazóide, dirão logo alguns. A verdade é que só quem não sabe o que é ter de aturar grupinhos à noite, junto a sua casa, ou encostados às janelas, ou a ouvirem música até às tantas é que pode negar a enorme utilidade de semelhante aparelho.

O princípio por trás do aparelho é simples e baseia-se na capacidade do ouvido humano para ouvir sons em determinadas frequências. Esta capacidade perde-se com a idade e, a partir dos 25 anos, o nosso aparelho auditivo mostra-se incapaz de apanhar o som emitido pelo "Mosquito". Os fabricantes do dispositivo já anunciaram estarem a desenvolver uma versão capaz de alargar o leque de "vítimas" mas, até agora, só resta mesmo rezar para que as criaturinhas que nos incomodam sejam menores de 25 e, sobretudo, que não tenham os seus ouvidos completamente lixados pelos leitores de MP3, e isto para que possam ser incomodados pelo som emitido pelo "Mosquito" que, ao fim de cerca de cinco minutos, se torna insuportável, levando a que os chatos procurem outro pouso...

No Reino Unido, o "Mosquito" parece estar a fazer furor, nomeadamente junto de comerciantes que querem dispersar os grupos que se formam junto às suas portas e que acabam por afastar possíveis clientes. Levantam-se questões éticas e legais mas a verdade é que o "Mosquito" continua a aparecer nas notícias, o que parece provar que é útil, bem-vindo e tem uma utilização crescente.

Quem quiser mais informações, pode aceder a www.mosquito-ni.com
Quem acampa sabe do desconforto que pode surgir quando se mete num saco-camo do tipo "múmia": os braços apertados, sem espaço para se mexer, a sensação de claustrofobia... Bom, os ingleses da Lippiselkbag (www.lippiselkbag.co.uk) parecem ter encontrado a solução: um "fato-cama". A coisa é gira e tem aspecto de ser muito confortável. Em vez de nos metermos num saco-cama, vestimo-lo :) E, aparentemente, a roupa até vem com reforço nos pés, para que possamos fazer (curtíssimos) passeios.

Feitos um para o outro

Elsa Raposo e João Kleber assumiram o namoro. Uma conceituadíssima revista de baixo nível fez o favor ao mundo de revelar a importante notícia. Elsa e João não queriam, certamente. Sabe-se que a ex-modelo (que faz ela agora?) é bastante reservada no que diz respeito à sua vida íntima (reparem que a famosa cassete com cenas de sexo nunca se tornou pública). Já João, prefere por a nu a vida dos outros do que a sua. Portanto, não nos resta senão pensar que algum jornalista os terá coagido. Talvez João tenha sido ameaçado com um corte de cabelo decente, talvez a Elsa tenha sido mostrada uma fotografia da mesma quando era bonita. Sabe-se lá que cenas horripilantes lhes terão sido sugeridas para que eles aceitassem dizer ao mundo que se amam. Sim, porque esta gente que aparece na TV e imprensa escrita, nunca "gosta" de nada: ama, adora, está apaixonada. Mesmo que seja coisa apenas de fim-de-semana.

Elsa e João, amam-se. E Elsa chega mesmo a dizer "sinto-me muito serena". Óptimo! É bom estar-se sereno sem a ajuda de comprimidos. O facto é ainda mais notável quando se pensa que a pílula é a repelente personagem que nos mostrava, noite dentro, as supostas infidelidades que uns casais "bas fond" aceitavam mostrar na TV. João, o Kleber, quando abre a boca, parece sempre que nos está a querer expulsar um demónio de dentro - "sai demónio, sai! pelo poder de um carro e uma viagem às Caraíbas, sai desse corpo!". Talvez ele o tenha feito à Elsa. Coisa de monta, já se vê, porque, a crer pela imprensa, a rapariga está cheia deles. Que o diga eu que, uma vez, passei junto dela e fiquei com aquela sensação de "ufa... escapei". Foi há uns bons anos, o que, em medidas elsescas quer dizer, uns quantos namorados, algumas paixões, dois ou três internamentos e quarenta e cinco entrevistas.

Elsa, a "beldade" que, segundo quem pretensamente viu a suposta cassete com cenas de sexo entre ela e o namorado nº 27/2007, responde aos filhos com um "a mãe agora não pode, está a fazer amor com o...", Elsa, dizia, é daquelas personagens decadentes, de quem só se ouve falar por motivos tristes: doenças, casos, escândalos... Kleber, mais do que triste (o homem parece animado), é uma tristeza e uma das coisas mais parecidas com um cancro que a televisão pode ter. Estão bem um para o outro. E os meus votos de felicidades são tão fortes que espero sinceramente que o amor deles seja tão forte, tão forte que se lhes aplique fielmente (ups...) a velha expressão "o amor e uma cabana" - de preferência nos confins da Amazónia...

Dois socos na mesa

"O aluno deu dois socos na mesa". Assim... desta forma simples se resume o que aconteceu numa escola na Maia (Maia! Não é Damaia...). Esta é uma das notícias no noticiário da RTP. Pelos vistos, também o foi ontem e até deu azo a que uma responsável qualquer da burocracia estatal se deslocasse às instalações do canal televisivo para responder a perguntas que, logo se vê, eram prementes de fazer: o país estava sedento de explicações sobre este novo caso de "violência escolar".

Vamos lá descer à terra. Numa aula, qualquer coisa corre mal, um aluno irrita-se, dá dois socos na mesa e a professora vê-se obrigada a chamar uns colegas para o por fora da sala. Assim de repente, não passa de (mais um) caso de indisciplina na sala de aulas. É grave? Houve feridos ou mortos? Houve prejuizos materiais? Em que é que isto é diferente de tantas outras curriqueiras situações de indisciplina? Há mais de vinte anos, presenciava eu situações idênticas no meu liceu e nunca as coisas passaram dos muros da escola. Porquê, então, este novo apetite, esta nova histeria da comunicação social perante coisas tão - repito a palavra -, curriqueiras?

O aluno deu dois socos na mesa... É um anti-social, um psicopata, mandem-no para a prisão, ressuscitem o Tarrafal, façam qualquer coisa! O aluno deu dois socos na mesa, o país está no caos, o Presidente da República não se pronuncia? A culpa é do Governo, da União Europeia, venha a Espanha, queremos ordem e progresso (não, brasileiros não), aqui d'El-Rei, chamem a guarda, Deus que mande o Cristo, o aluno deu dois socos na mesa!

Quando um dia tudo isto der o berro, alguém lá fora escreverá um livro sobre o papel da comunicação social no rebentamento deste país.

Um aluno deu dois socos na mesa... Notícia a nível nacional.

O jardim da Fundação Gulbenkian está a ficar modernaço: até já tem vagabundos e tudo. Fixe!

Não sei o que é isso!

Cheio de vontade de beber uma cervejola, entro num "snack" de centro comercial. Enquanto espero que me atendam, olho para a lista de preços. Decido pedir uma caneca.

- Uma caneca, por favor.

A empregada olha para mim com um ar incrédulo
- Uma caneca? Nós não temos disso!

- Não têm? - pergunto - está na lista.

- Ah, está? Mas eu não sei o que é isso!

Começa a passar-me uma coisa pela frente. Contenho-me. A rapariga abre o armário dos copos e retira dois, de tamanhos diferentes. Mostra-me o maior.
- É isto? 33cl?

- Não sei. - digo - Deve saber isso melhor do que eu, não é?

- Pois... só se for este...

Uma outra cliente intervém.
- É esse, 33cl, vocês é que não têm canecas.

- Pois... - retoma a empregada - deve ser este.

- Deixe lá - corto -, dê-me uma imperial.

- Mas...

- Bebo uma imperial, deixe lá isso.

Às vezes, apetece-me fechar os olhos e acordar...

Café das estrelas

Apesar das viagens que já fiz, nunca tinha entrado em qualquer estabelecimento da cadeia de cafés Starbucks. Se o fiz, foi involuntariamente e, já se vê, não foi coisa que me marcasse.
Em Portugal, até há muito pouco tempo, não havia qualquer café desta marca que já está espalhada por um ror de países mas, como em quase tudo, não há espera que não dê fruto. O primeiro abriu no centro comercial Allegro, nos arredores de Lisboa. Resolvi, experimentar. Aproveitando uma ida ao local, lá entrei no espaço (bem agradável) onde tudo está feito para ter um ar confortável e caseiro, o ar que os cafés anglo-saxónicos tanto gostam de exibir: prateleiras com canecas, vitrinas com bolos à fatia, sofás, mesinhas redondas e cadeiras de madeira. Até aqui: tudo aprovado. Olho para os “menus” e vejo que as bebidas (não sei quantas misturas à base de café) têm todas nomes em “estrangeiro”. Mmm... Os bolos, idem idem, aspas aspas. Quem quiser comer, tem de aprender a dizer “cookie” e “brownie”. Quem quiser beber, que aprenda a dizer “Caramel Machiatto” e “Moca Frappé”. Quem quiser pagar, que aprenda a conter a língua... É que a globalização não se fica pelos nomes das coisas e impõe que também os preços se equivalham. E isto porque um “cookie” (que mais não é que uma bolacha grandinha e mole) custa €1,70 e uma caneca de “Caramel Machiatto” fica por uns módicos €3,10 (estamos a falar da medida mais pequena). Ou seja, um pequeno-almoço ficou-me em €4,80 - pouco menos do que um menu de almoço.

E valeu a pena? Pela curiosidade sim. O café misturado com leite e caramelo era inegavelmente agradável (dizer mais já seria exagero) mas o “cookie” de caramelo já era uma coisa sensaborona. No entanto, os preços não convidam a ataques frequentes de curiosidade. É certo que, se uma bica já custa (pelo menos) €0,50, uma caneca terá várias vezes esta quantidade e, no fim, €3,10 acaba por não ser caro. Simplesmente, cinquenta cêntimos é coisa que não custa a dar e não dói, enquanto que seiscentos e vinte escudos por uma caneca de café, já é coisa que bate forte. Em Londres, Paris ou Nova Iorque, semelhantes preços podem ser banais mas, para o nosso nível de vida, não julgo que sejam.

Outra coisa que me desagradou, por me parecer absolutamente forçada e deslocada da nossa cultura foi o ridículo pormenor de nos perguntarem o nome no momento da encomenda. Para quê, pergunta-se? Porque cargas de água é que tenho de dizer o meu nome para encomendar um café e um bolo? Para uma coisa muito simples: para que a empregada que atende possa dizer à que prepara as coisas “Um café para o António!”, “Um cookie e um expresso para a Maria!”. Finalmente, quando nos entregam as coisas (no fim do balcão), chamam-nos novamente: “José, o seu café”. Pois... onde é que eu já vi esta familiaridade forçada? No Holmes Place, de má memória para mim.
Ora, se há coisa que eu não sou é pretencioso. Gosto de dar confiança q.b. às pessoas, gosto de as por à vontade comigo. Do que eu não gosto é que se ponham à vontade comigo por “decreto”.
Quando entro num café, quero comer e beber e não participar num qualquer conceito artificial e oco de familiaridade entre cliente e empregado. Até porque a coisa ganha contornos ainda mais estúpidos quando somos atendidos (como foi o caso) por uma empregada assim para o trombudo. Já que querem aplicar cá conceitos importados, podiam começar pela simpatia com que somos atendidos neste tipo de estabelecimentos lá fora. É que, ainda recentemente, passei 18 dias em França e se houve coisa que me saltou à vista foi a forma como somos recebidos e atendidos num estabelecimento comercial, seja ele o McDonalds ou uma papelaria: “Bom-dia! O que deseja?”, “Muito obrigado, senhor. Até à próxima! Bom-dia para si”. Convenhamos que um sorriso e um “olá” têm certamente mais importância para a nossa “experiência de consumo” do que ter alguém que não conhecemos de parte alguma a tratar-nos pelo nome próprio.

“Qual é o seu nome?” - perguntou a rapariga. “Pode ser Zé Manel”, respondi. “Um café para o José”, pediu ela. Se um dia lá voltar (pouco provável), hei-de dizer que me chamo “Mamaqui”...
À saída do cinema, uma rapariga distribuia panfletos aos transeuntes. Ao contrário do que é costume, não disse que não, nem deitei fora o papel quando ela mo deu. Tive curiosidade e li. Ainda bem que o fiz: era um papel alusivo a uns "Prémios Precariedade", criados para denunciar a precariedade no mercado laboral em Portugal. Guardei-o com curiosidade de ver o site que lá vinha indicado. Temos coisa à Globos de Ouro mas cujos nomeados são "patrões" e políticos.

A iniciativa cheira a extrema-esquerda mas a verdade é que está gira e bem feita e merece uma visita, quanto mais não seja para ver os vídeos dos nomeados.

Vá lá, dê um pulo até www.premiosprecariedade.net e vote.
É curioso como, mesmo em "modo aberração", um gatinho é sempre bonito :)
O site br.msn.com, horas antes do jogo amigável entre o Brasil e Portugal (em Brasília), coloca à disposição dos visitantes uma votação relativa ao melhor jogador (do encontro?) e escolhe quatro fotografias. Curiosamente, todas elas de brasileiros :)

Chauvinismo tropical?


Toda a gente que mexe com imagem sabe da importância de ter uma iluminação correcta. No caso deste cartaz de cinema, pode-se dizer que a luz veio trazer algo de "novo" à imagem :)

Lusotango


Bonito, bonito, foi o concerto dos Lusotango, na Central Tejo, no âmbito da exposição Remade in Portugal. Evento para algumas dezenas de pessoas que tiveram a curiosidade (eu) ou a sorte de já conhecer o grupo. A repetir, sem dúvida e, de preferência, com bailarinos porque ontem não os houve.

Fica aqui um vídeo, para abrir o apetite para futuros tangos.

Pérolas do match.com (3)

Uma das milhentas diferenças entre homens e mulheres é a forma como cada sexo expressa o seu gosto/desgosto pelas coisas. Supostamente mais capazes verbalmente (é o que dizem uns estudos que se andam publicando e que pretendem provar sempre mais uma superioridade feminina), quando chega o momento de dar a opinião sobre algo, as mulheres parecem remeter-se a um irritante maniqueísmo assente na mais redutora versão da nossa língua: aquela em que só existem as palavras "Adoro" e "Odeio" (algumas meninas, só para se fazerem notar, substituem o "Odeio" por "Detesto").
Pergunte-se a uma rapariga quais são os seus gostos e já sabemos que vem lá uma lista de "adoro" e "odeio". Uma namorada minha, por exemplo, adorava-me nos dias em que estava bem-disposta e odiava-me nos outros. Não havia meio-termo, tudo ou nada. Tudo que não é nada. Nada que talvez te salves...

Observemos a "curtíssima" lista de gostos de uma pequena com perfil no Match.com:


Ser feliz...ADORO-TE MANA LINDA, ADORO-TE RAQUEL, AMIGA MINHA, AS 2 NINAS LINDAS O MEU CORAÇÃO !!! NADA DE INVEJAS, EU CHEGO PARA TODOS, EHEHHH...QUEM ME CONHECE SABE Q TOU A BRINCAR. ACIMA DE TUDO VIVAM OS AMIGOS VERDADEIROS, EM 2º AOS AMIGOS, 3º AOS AMIGOS...

Adoro tudo o q me faz sorrir
Adoro os meus PAIS
Adoro as noites que passo acordada
Adoro a Puca
Adoro música
Adoro q me sussurrem segredos ao ouvido
Adoro estar na cama a ouvir a chuva cair
Adoro uma boa conversa num momento único
Adoro mimos
Adoro pormenores
Adoro chocolate
Adoro palavras doces e meigas
Adoro um sorriso
Adoro surpresas boas
Adoro cheiros que me trazem recordações
Adoro natação
Adoro passear o Rei
Adoro praia
Adoro os momentos passados à lareira
Adoro pensar em alguém
Adoro pensar em TI
Adoro a intensidade dos momentos
Adoro o cheiro de um bom perfume
Adoro sentir-me desejada e única
Adoro desejar alguém
Adoro sinais
Adoro o inesperado
Adoro o mar
Adoro o Sol
Adoro a Lua
Adoro a noite
Adoro sair com os amigos
Adoro o impossível
Adoro apaixonar-me
Adoro sentir-me livre
Adoro pessoas com personalidade forte
Adoro tentar entender o sexo masculino
Adoro que tentem compreender os meus momentos
Adoro loucuras
Adoro tatuagens
Adoro saltos altos
Adoro momentos
Adoro reviver esses momentos :)

Tanta "adoração", nem em Fátima, em dia de procissão...

Por baixo de Paris

Minas, subterrâneos, catacumbas, passagens, esgotos e estações de metro... Paris assenta num colossal queijo suíço. No seu subsolo existem entre 250 e 300 Km de passagens parcial ou totalmente abandonadas, fruto, sobretudo, de antiquíssimas explorações mineiras, algumas das quais vieram mais tarde a ser aproveitadas (como no caso das "catacumbas", criadas no Séc. XVIII). A atração que esta gigantesca rede de túneis exerce sobre muitos é tal que, a partir de 1955, e para evitar os inevitáveis acidentes, é absolutamente proíbido o acesso não-autorizado ao subsolo da capital francesa. Mas nem a lei, nem a polícia que patrulha o soturno reflexo de Paris é suficiente para impedir que muito boa gente dê largas ao desejo de aventura e desça às profundezas da cidade. O grupo Compéres (compadres) coloca no seu site (www.comperes.org) o relato das incursões realizadas ao mundo subterrâneo parisiense. Belas fotos para ver e, acima de tudo, uma sensação de inveja que nos fica... :)
No café, uma mulher fala, em tom animoso, ao telemóvel. O filho, impaciente, agita na mão um saquinho de papel onde está uma sandes acabada de pedir. A mão, irritada, dispara-lhe: "Cala-te! E se eu quisesse fugir e não pagar?"

Boa!...
E que tal se se começasse pelos imbecis irresponsáveis que permitem a publicação de uma coisa destas?

Escândalo na Assembleia

Já sabemos que os deputados à Assembleia da República são bem pagos.
Já sabemos que os nossos representantes têm direito a reformar-se em apenas oito anos.
Já sabemos que têm direito a várias mordomias.
Agora... o que eu não sabia era que, apesar de todas as regalias e do elevado poder de compra, os deputados também têm direito a cafezinho ao preço da chuva!

Repare-se no recibo à esquerda: por dois cafés e uma sandes mista, no cubículo que serve de café no 1º andar de São Bento, paguei €1,05 (um euro e cinco cêntimos)!
Quando eu estendi uma nota de dez euros e a empregada me perguntou se não tinha nada menor, fiquei um pouco admirado (esperava uma conta na ordem dos três euros) mas, quando ela me disse que a despesa era apenas de €1,05 (€0,25 por cada café e €0,55 pela sandes), então, fiquei aparvalhado. Um amigo com quem estava falava, falava, mas eu só pensava na conta. Confirmei com a empregada: "Contou tudo?!". "Sim", disse ela, com um sorriso onde se percebia compreender o meu espanto. Logo alguém atrás soltou a inevitável piada "temos de vir cá tomar o pequeno-almoço todos os dias". Pudera!

Ora... se há coisa que eu não sou é demagogo. Eu também percebo que o café talvez não pague aluger, que é possível que beneficie de algumas condições que lhe permitam baixar os preços, que, ali, a lógica seja de serviço e não tanto de lucro (nas máquinas nos centros de saúde as coisas também são mais baratas) mas há uma questão de princípio que me choca, ainda assim. Num local onde as pessoas ganham €3.000/mês e onde, dizem-me, os próprios empregados de corredor (o que é que aquela gente faz?) ganham muito bem, como é que se pode compreender que um café custe, pelo menos, metade do que custa cá fora? E que uma sandes custe um terço!?

Às vezes, são as pequenas coisas que nos põem a pensar...
E, perguntam-se vossemecês, quem é a beldada na foto? Alguma ac.. atriz (lá ia eu por o "c")? Alguma cantora? Uma daquelas meninas de revista? Nada disso, meus bons leitores. A louraça (também já teve uma versão morena) é, nada mais, nada menos do que a primeira-ministra da Ucrânia. Olari!

Sim, leram bem, da Ucrânia. Esse país que nós conhecemos por enviar para cá resmas de homens para trabalharem nas obras e mulheres sem pontinha de graça para lavarem o chão, é, como se vê, o país de origem de uma admirável política (reparem no delicado trocadilho), de sua graça Yulia Tymoshenko. Bem hajas, ó Júlia.

A Júlia, já se vê, percebe que é uma pérola (sobretudo quando posta ao lado do Presidente do país) e, vai daí toca de por no ar um site onde, a par de conhecermos a sua actividade política, temos também acesso a, pelo menos, 1357 fotografias da personagem que, não fosse o ar institucional que a senhora ostenta em quase todas, poderiam ser uma óptima forma de passar uma tarde...

Eis o site! - www.tymoshenko.com.ua
Nem mais! Já agora, estamos a falar do quê?
Nos EUA, os republicanos avançaram com uma candidata a vice-presidente que é uma perfeita comédia. Inspirados pelas qualidades da sra. Sarah Palin que acredita, entre outras coisas, em Adão e Eva, mentes bem mais lúcidas contrapuseram o antigo Monty Python, Michael Palin.
Se os EUA querem ser uma anedota, então que tenham à sua frente alguém que perceba do assunto e que, pelo que se vê neste vídeo, está bem preparado... :)

Por mim, apoio desde já a ideia!
Faça você o mesmo em www.michaelpalinforpresident.com
Por vezes, há momentos que quase nos cegam, tal é a forma como iluminam a escuridão em que vivemos.
Obrigado, www.publico.pt
Andar a passear na net tem destas graças: de vez em quando encontramos coisas involuntariamente cómicas.
Neste caso, acredite-se ou não, num site dedicado aos Iron Maiden (exactamente, a melhor banda de Heavy Metal de todos os tempos - e ainda os que hão-de vir) apareceu um anúncio relativo a arrependimento de pecados. A minha curiosidade falou mais alto e carreguei no linquezinho. Fui parar ao site da "The New Life Mission" onde me esfregaram na cara com a mensagem do nosso irmão Rubens Curinga, de Belo Horizonte (Brasil).
Como não há palavras que expressem o que senti, fica aqui a imagem para que, também vós, maninhos em Deus, possais (é assim?) ser abençoados.

Atentai, ó heréticos, na lã das ovelhas! Há-a de vários tipos mas dizem que a das Shetland (malditas anglicanas) é a melhor. Será, não será? Só a Deus nosso senhor cabe dizer se devemos vestir-nos de lã ou de polartec...

É só malucos

Já aqui deixei mais do que uma vez escrito que o Hip-Hop anda a ser impingido à sociedade e, sobretudo à juventude, como uma espécie de banda sonora imprescindível à vida urbana. Não gosto de Hip-Hop, não suporto os seus tiques e, francamente, as "tribos" a ele associadas são, no mínimo, uma porcaria que não faz falta nem em Plutão.

São 10:45 duma manhã de Domingo e a ex-Floribella, no seu programa infantil na SIC anuncia, com grande gáudio, a presença dos Black Company (os tais do "não sabe nadar"). Os rapazes têm novo disco e vêm apresentar o "single" "É só malucos".
Gostava de por aqui a letra mas a verdade é que não a consegui encontrar. De qualquer modo fala de pais que batem nos filhos, de condutores bêbedos, de gente agressiva, etc.: os "malucos" da nossa sociedade. Mas os BC esqueceram-se de acrescentar à lista um outro tipo de malucos: os que colocam merdas destas num programa para crianças!!!

Para a Lúcia Abreu, não há problema. A "plastificada" apresentadora (toda ela é brilhos e acessórios basfond) mostra-se entusiasmadíssima com a prestação da banda e assegura ser uma fan. Disso não tenho dúvidas. Afinal, não se espera muito de quem anda para aí a dizer que, aos 26 anos, dorme diariamente com a mãe...

Será que se alguém se lembrasse dos Moonspell e da sua versão da canção do Noddy, a ideia passava? Sempre era um tema infantil...

Bom, quanto ao tema, propriamente dito, do mal o menos. Mantendo aquela cadência irritante muito própria do Hip-Hop, consegue, apesar disso, ser minimamente escutável (em caso de nem José Malhoa se conseguir arranjar) fruto do "roubo" de excertos de Adelaide Ferreira e Astor Piazzolla (pobre homem).
No chorrilho de coisas mais ou menos fúteis que se me atravessam nos pensamentos, escolhi, hoje, fazer aqui uma comparação de tamanho entre bilhetes de vários tipos. Para o efeito, escolhi uma entrada nos cinemas do grupo Medeia, o cartão recarregável do Metro de Lisboa e ainda um bilhete do Cinema São Jorge.

O cartão do Metro é do tamanho de um cartão Multibanco, o papelinho do grupo Medeia, não é reciclável (é em papel de fax) mas ainda tem um tamanho pequeno, agora... o bilhete do São Jorge... será que a Câmara Municipal de Lisboa tem participação numa empresa de pasta de papel? Será inconsciência ambiental? Vontade de gastar? O "bilhetão" tem, nada mais, nada menos, que o tamanho de três cartões Multibanco!!!

Eh pá, diminuam lá essa coisa: se não for pelos custos, nem pelo ambiente, ao menos que seja em nome da falta de espaço nos bolsos...

O clã da Manela

Quantas vezes vi os Clã ao vivo? Poucas, parece-me: lembro-me de um concerto na Expo 98, num cantinho semi-escondido onde agora cabe um qualquer restaurante; lembro-me de um concerto das Festas de Lisboa, em Monsanto (quando as "festas" ainda tinham muita coisa boa); lembro-me de um espectáculo no Olga Cadaval, em Sintra...
Se a memória não me falha, portanto, ontem foi a quarta vez que vi o grupo portuense ao vivo. Vezes suficientes para ter a certeza de que os magníficos espectáculos que dão são uma regra e não um acaso mas, ao mesmo tempo, vezes a menos para satisfazer o gosto que tenho pela banda.

As noites de Quinta-Feira no Casino Estoril são, de vez em quando, iluminadas com artistas que nos dão concertos soberbos, espectáculos que estão acima da média. Os Clã são dessa espécie. Quem vai ver um concerto deste grupo tão especial já sabe que "óptimo" é o mínimo a esperar.

Não são só as músicas (as belas, as fortes, as sensíveis, as alegres, as agressivas) que contribuem para aquela sensação de "tão bom que é estar aqui" mas é, sobretudo, a presença enorme desse animal de palco que é a jeitosa da Manuela Azevedo, dona de uma voz tutti-fruti que lhe permite tudo na arte de mexer connosco (e de nos por a mexer).

Os Clã têm classe, carisma, e várias vezes dei por mim a ser incomodado pelo inoportuno pensamento de quão injusto é andarmos a "vender" o nosso país com base no facilitismo da "world music" (sim, falo da Marisa) quando temos portentos musicais como a banda de que aqui se fala, capazes de fazer cair numa sala um véu de romantismo para, logo de seguida, virarem a coisa do avesso a ponto de me apetecer fazer headbanging.

Esta gente faz-nos bem à saúde!

Pérolas do match.com (2)

Já sofri muito na vida. Tenho 2 alegrias que são as minhas filhas. só quero ser feliz e tratada como mereço. ter uma vida boa, calma e poder estar junto daqueles que amo, a minha família.Não sou exigente, pelo con trário contento-me com pouco. Basta carinho e amor.


Que a senhora se contente com pouco não é, em si mesmo, um problema. O pior mesmo será saber que há alguém que se interesse por algo tão mau...
Para quem goste de História militar (e, já agora, de arquitectura), fica a sugestão do site Third Reich in Ruins, um local na internet dedicado a mostrar fotografias (acompanhadas de textos) do "antes e depois" de diversas infraestruturas da Alemanha nazi.

Embora a apresentação seja má e, no todo, seja precisa alguma paciência para navegar nos conteúdos, o interesse das fotografias compensa bem o esforço.
Tem tralhas em casa que já não quer mas acha que ainda servem? Está farto daquele móvel que lhe enche a sala? O computador já não funciona bem com os últimos jogos? Mudou a decoração da sala e não sabe o que fazer aos candeeiros? Deixe lá o caixote do lixo! Se as coisas estão em condições, doe-as a quem precisa delas!

No site do Banco de Bens Doados pode ter uma ideia de como colaborar com as instituições que precisam das coisas que você já não quer. Por sua vez, na Bolsa do Voluntariado, não só pode ter uma lista de instituições necessitadas e dos bens que elas procuram, como também se pode oferecer como voluntário para executar tarefas de acordo com as suas aptidões.

Esqueça o padre da paróquia e a sua corte de beatas :) - use a internet para ajudar quem precisa!
Um antigo executivo da Coca-Cola pronunciou a famosa frase: "Metade do dinheiro que gastamos em publicidade é mal-gasto. O nosso problema é não sabermos que metade...". No caso desta imagem, é facil perceber o sentido da frase: no site oficial desse "cromo" que é o Ozzy Osbourne, o que é que nos aparece? Ah pois... anúncios de Hip-Hop/Rap. Tem tudo a ver, não tem? :)

FIAT 500

O revivalismo está sempre na moda. Recentemente, a FIAT lançou no mercado a remodelação (alguns diriam "restyling") do seu ícone FIAT 500. Naturalmente adaptado às exigências actuais, o carro não deixa de mergulhar fundo no imaginário saudosista indo-se a pormenores como a imitação do antigo tecido dos assentos.

Os carros italianos têm fama de má mecânica mas uma coisa ninguém poderá negar (está bem... há sempre quem o faça!): este "popó" é uma alegria para a vista!
O site www.boreally.org traz-nos um belíssimo conjunto de fotografias dedicadas ao abandono. Exactamente, são imagens sobre ruínas, instalações fabris desactivadas e outros sítios e equipamentos que ficaram algures, nessa espécie de vida suspensa em que é colocado muito do património.

O site está em Francês, o que poderá dificultar a vida à maior parte das pessoas mas, ainda assim, a visita aconselha-se vivamente, numa de "ver os bonecos" :)

Pérolas do match.com (1)

AGUEM QUEM QUE SABE AMAR O PROSIMO PRISIPALMENTE EU E QUE SEJA AGUEM ESPECIAL PARA ME ..EU SO PRSESO DE SER FELIZ E DAR AMOR E CARIMHO AU MEU PASSEIRO O MEU FUTURO AMOR .EU AINDA SONHO COM O MEU PRECIPE EMCANTADO QUEM SABE VC SEJA ELE .. EU GOSTO DE PESSOAS QUE SENPRE FALA A VERDADE SEJA GUAL FOR GOSTO DE OVIR A VERDADE . E
Estava aqui a pensar o que escrever sobre a exposição "Lisboa 1758 - O plano da Baixa hoje" que está na Praça do Comércio, no Páteo da Galé (fica nas arcadas da direita - olhando para o rio). Gostei? Foi chata? Os 3 euros da entrada são demasiado para o que se mostra? Pois bem, respondo às três perguntas com "sim".
Sim, gostei de ver as plantas desenhadas aquando da reconstrução pombalina; sim, achei a exposição chata porque, convenhamos, baseá-la a 90% na exibição de plantas arquitetónicas é capaz de ser muito giro para estudantes de arquitetura mas pouco para o público em geral; sim, três euros parece muito para o que é mostrado.
Ou seja, não recomendo uma ida ao Terreiro do Paço para ver "O plano da Baixa": para os miúdos é uma gigantesca seca que só se atenua perante a maravilha da maqueta da Lisboa pré-terramoto (a mesma que costuma estar no Museu da Cidade - esse sim, uma boa visita a fazer) e, para os graúdos, é demasiadamente "especializada". Do todo, fica a ideia de muita parra e pouca uva; muito design na forma como as coisas são mostradas e pouco "interesse" no que se mostra...

Vontade de chatear (2)

Se isto não é vontade de chatear os outros, então, é o quê?
Uma piada de arquitecto:
Um arquitecto é alguém que não é suficientemente larilas para ir para design, nem suficientemente macho para ir para engenharia.

Do mete-nojo ao mete-medo

Nos fantásticos anos 80, a toda-poderosa máquina anglo-saxónica que, sistematicamente, vai lançando os próximos "não-sei-quê", impingiu ao mundo os Bros. Talvez poucos já se lembrem do duo, composto pelos gémeos Luke e Matt Gross.

Uma desgraça nunca vem só... a piada é fácil, mas aplica-se às personagens. Autênticos modelos de catálogo larilóide (versão para o efeminado) os Bros tiveram - como não podia deixar de ser -, bastante êxito junto das jovens que, como se sabe, são a subcategoria mais estúpida que se encontra em qualquer corrente adolescente.

O tempo cura as feridas e o mundo já tinha lançado os Bros para um qualquer sítio, juntamente com as baterias de telemóvel usadas e as meias velhas mas, eis que um deles me aparece à frente, em versão gigante, no cinema. O mano Luke faz de mau da fita na nova película do Hellboy (vale a pena ver), onde encarna um príncipe elfo (deve ser uma fantasia) que quer vencer os humanos e castigá-los pelos maus tratos à natureza.

Contemplemos a fotografia e meditemos sobre a maneira de ir do mete-nojo, ao mete-medo.


Ele está aí! Ele chegou! O muito aguardado navegador (pronto... browser) dessa máquina que é o Google está, finalmente, no ar, se bem que ainda numa versão "beta".

Segundo o Google, este navegador - cujo nome é Chrome -, é mais rápido e leve do que os seus concorrentes e apresenta algumas (pequenas) novidades que talvez possam cativar alguns utilizadores.

Não há nada como experimentar para ver se se gosta. Carregue AQUI !
Lá vai mais um...

Ao que parece, a cidade prepara-se para perder mais um prédio antigo. Este, situado na esquina da Av. Miguel Bombarda com a Av. Marquês de Tomar, há já muitos anos que só abrigava uma mercearia "gourmet" e uma farmácia (que fica no registo da História por ter sido o local onde comprei os primeiros preservativos para impedir que o mundo conhecesse prole minha). Hoje, começou a largar pedaços e a área circundante já está vedada pelos bombeiros.

Não estamos a falar de um imóvel de grande valor arquitectónico mas é, concerteza, um representante digno do estilo aplicado na construção das chamadas "Avenidas Novas" da capital. Sobretudo, é um espaço onde poderiam viver confortavelmente largas dezenas de pessoas, numa zona central da cidade.

Decadência, ruína, abandono: hoje, alguém estará a comemorar em grande o lucro que se avizinha com a construção de mais um edifício de habitação de "prestige" ou de escritórios.
Lisboa está cheia de edifícios assim. Estou, inclusivamente, a preparar um site de imobiliário exclusivamente dedicado a estes casos. Não é possível caminhar dez minutos por Lisboa sem nos depararmos com casos confrangedores de património deixado ao abandono: moradias, quintinhas, prédios, palacetes...

E o mais giro é reparar que continuamos a não penalizar os filhos da mãe que deixam as coisas caírem! No tempo de Santana Lopes, a CML começou a reparar alguns edifícios, tomando posse deles enquanto os senhorios/proprietários não cumprissem com as suas obrigações. Um desses exemplos está na Av. da Liberdade, tendo, na altura, sido colocado um enorme cartaz a chamar a atenção para a medida. A verdade é que os anos passaram e o prédio continua por recuperar. Um dia destes, lá estarão os bombeiros, também...
Um repórter da RTP (Vítor Gonçalves) andava por Nova Orleães (New Orleans, como ele prefere) a entrevistar pessoas. Entrou num bar que era o único estabelecimento aberto em toda a cidade (por causa da tempestade) e "atacou" uma jovem americana com as seguintes perguntas:

VG: Você ficou aqui...
Jovem: Sim, fiquei


(se ela estava ali... era porque não estava noutro lado, certo?)

VG: Não se foi embora...
Jovem: Não, fiquei.


Digam lá se isto não é jornalismo de qualidade? É!

Bloqueador de telemóveis



O site gadget.brando.com.hk apresenta-nos um dispositivo que, aplicado com parcimónia, pode ser uma verdadeira evolução civilizacional: um bloqueador de telemóveis.

Toda a melga tem um insecticidada à altura e a empresa de Hong Kong dá-nos a hipótese de acabar com o "zumbido" daquelas que vão para o cinema tocar aqueles sons irritantes ou que chegam a interromper um concerto (como aconteceu com a Ute Lemper, no CCB) ou até mesmo o caso da minha colega que "acorda" a empresa toda com a banda Techno que se põe a martelar sempre que o marido e a amiga e a mãe e a prima e mais não sei quem lhe telefonam.

O único problema desta maravilha é o preço (USD 246) e o pouco alcance. Ainda assim, é capaz de ser um investimento a ter em conta para um teatro ou cinema.
Duas pérolas de um dos locutores da Rádio Renascença durante a transmissão do recente jogo de futebol entre o Benfica e o Porto:

Situação 1: um espectador benfiquista salta das bancadas e tenta agredir o fiscal de linha

Mas o que é isto?! Parece que estamos no Suriname!!!


Situação 2: ocorre uma discussão entre jogadores das duas equipas
Bom... e agora temos ali no meio-campo uma discussão toda ela em Castelhano: são cinco argentinos, dois uruguaios, três brasileiros (...)


Convenhamos que o Gabriel Alves era melhor do que isto...
Nisto é que somos bons

Ao contrário daqueles que se deixam enredar nas malhas do politicamente correto ("olhó" Acordo!...), eu continuo a achar que ser cego ou feio ou gordo ou velho ou coxo ou anão ou marreco ou perneta ou vesgo ou sei lá que mais não é bom. Por mais campanhas "positivas" que queiram lançar, a mim ninguém me convence de que ter uma anomalia física ou estética faz de nós pessoas melhores ou mais felizes. Esqueçam, não vale a pena. Compreendo que quem as tenha necessite de, como estratégia psicológica de sobrevivência, se autoconvencer de que é "positivamente" especial mas eu não tenho nada a ver com isso.

Portanto, eu tenho pena das pessoas que não podem ouvir música (é que eu sempre posso tapar os ouvidos quando me dão com a Kizomba e o Hip-Hop); tenho dó de quem não consegue ver as muitas coisas belas que existem no mundo (eu ainda posso fechar os olhos quando confrontado com algo que não me agrade); sinto piedade pelos que precisam de alguém que os leve à sanita (porque eu sou livre de fazer merda quando, onde e como me apetecer); tenho compaixão pelos que vivem torcidos sobre si mesmos (porque eu nasci e escolhi ter a coluna direita)...
Ser deficiente é uma desgraça!

Mas, mesmo na infelicidade, é possível estabelecer a diferença entre ser-se um pobre coitado e ser-se alguém. Quando a natureza ou a sorte nos são madrastas podemos atirar a toalha para o chão ou lutar com raiva contra o infortúnio. Os atletas paralímpicos fazem-no: treinam, esforçam-se, sofrem para não se resignarem, para não se renderem às suas falhas físicas. E merecem apoio, respeito e até carinho pelo que fazem. Num povo de gentinha lamechas que mais não faz do que se queixar de tudo e esperar que um salvador caia do céu para lhe tratar das coisas mais básicas, ver gente que tem, de facto, razões para se queixar de muito, fazer das tripas coração para se erguer acima da mediocridade é algo que faz bem e, sobretudo, que tem o sabor de uma lição de vida, um exemplo a seguir.

Mas, se é verdade que os paralímpicos são um exemplo, também não é menos verdade que a atenção que lhes tem sido dada nos últimos anos é exagerada relativamente à representatividade do desporto para deficientes junto da população em geral. Convenhamos: a seleção nacional de Hóquei em Patins tem mais tradição e peso junto do público do que os melhores atletas de Boccia (não sabe o que é? - é sintomático...) e, no entanto, tem-se visto cada vez mais relegada para notas de rodapé na imprensa. Porquê? Porque os paralímpicos preenchem uma falha no imaginário da população, massacrada pelo negativismo "criminoso" da comunicação social: os paralímpicos ganham medalhas, muitas medalhas! Supostamente, a coisa é de tal forma que, agora, até se lançou uma campanha cujo mote é "Nisto é que somos bons". Esta expressão, exagerada, provocatória e, acima de tudo, estúpida, vem na linha, precisamente, da destruição paulatina que se está a fazer do orgulho (autoestima, como se diz agora) nacional. Nada corre bem, tudo dá para o torto, os bons não se esforçam, os outros países são sempre melhores mas!... mas, os paralímpicos, esses sim, são os maiores!

Quando um conjunto de deficientes é apresentado a um povo como sendo o seu melhor, algo está efectivamente podre na sociedade.

Só que os desportistas deficientes não precisam de carregar mais esta cruz. As dificuldades que têm na vida já são suficientes para ainda lhes quererem por sobre os ombros a responsabilidade de resgatar o orgulho ferido de uma nação que persiste em se autoflagelar.

Deixem-nos em paz! Deixem os desportistas deficientes correrem, rolarem, nadarem livremente e sem pressões, como quem faz algo por gosto e não por obrigação! E, já agora, façam o mesmo a todos os outros, os "normais": deixem os Ronaldos e os Quaresmas divertirem-se em campo, deixem as Naídes e os Nelsones saltarem pela alegria do voo, deixem os Zés, os Manéis, as Marias competirem pela paixão do desporto e acabem com esta maldita pressão que ameaça tornar todos os desportistas em falhados e todos nós em frustrados porque, pelo que se tem visto, a euforia da espetativa só nos tem trazido desilusões atrás de desilusões!


Podiam dizer-me que o queijo era de boa qualidade. Podiam dizer-me que o fiambre também. Mas, qualquer coisa que me dissessem não me convencia de que pagar EUR 2,30 por um croissant misto não é uma roubalheira. Não há outra palavra. Quando, numa pastelaria perfeitamente banal me cobram, por semelhante "iguaria", o mesmo que me cobram por um lanche inteiro em muitos outros locais... então, não me ocorre outro termo: roubalheira!

Dois euros e trinta cêntimos. Quatrocentos e sessenta escudos. Qualquer que seja a moeda ou o câmbio, vai sempre parecer-me o mesmo: um roubo.


Assim de repente, até parece que uma bela caganeira é uma coisa gira.

Uma saída para a memória

Andava eu passeando, tirando fotografias a casas abandonadas quando, ao passar pelas Laranjeiras, resolvi fazer uma concessão à lamechiche e ir ver como estava um local onde, numa outra vida já, costumava passar uns belos momentos com uma menina bonita.

Nessa altura, duas das saídas da estação de metro estavam fechadas porque nada havia junto delas. Tinham sido feitas a pensar no Luna Parque, uma ideia do então presidente da câmara, Nuno Kruz Abecasis (o infeliz responsável pela demolição do cinema Monumental, no Saldanha), que pretendia acabar com a Feira Popular e substituí-la por um parque de diversões moderno que apenas apresentaria um "pequeno" problema: ficaria encostado ao Jardim Zoológico.

A coisa não foi em frente, portanto. Mas nem por isso o Metro deixou de afixar na parede o aviso que aqui se mostra. Passaram-se dezasseis anos desde que lá tinha estado pela última vez (e, nessa altura, a coisa já era velha) e lá continua a indicação do Luna Parque...

Hoje, a rua já tem um grande condomínio privado e não há espaço para mais nada ali. Entretanto, a própria Feira Popular acabou e ficou, em plena Av. da República, um enorme espaço que mais parece um cenário de guerra. E Lisboa continua sem o seu parque de diversões...

Turistas em apuros

A revista masculina FHM resolveu prestar uma homenagem ao último macho latino, Zezé Camarinha. O irredutível algarvio, orgulho da nossa nação e estandarte da sua região, doce memória para milhares de turistAAs (com dois "a" para desfazer qualquer confusão que pudesse surgir), foi transformado em personagem de jogo de computador. O enredo é básico (queriam o quê?): Zezé persegue uma turista na praia e nós - quais empata-fodas -, tentamos que a turista fuja aos camarinhescos encantos.

O jogo está aqui:
http://www.classic.fhm.com/site/bigeye/link_pt.asp?http://sorisomail.com/email/1772/zeze-camarinha--put-the-cream-game.html

Mas, para aqueles que (nesta época de ausência de Ferrero-Rocher), exigem qualquer coisa de mais substancial - algo de diferente, digamos -, fica aqui o link para uma lista de frases e pensamentos camarinhescos. Leiam e meditem, se conseguirem...


Parece que, do outro lado do mar, no Brasil, as Olimpíadas também estão a causar estragos. Fiquemos, então, com a versão sul-americana da frustração olímpica.

Azeitonas à moda do Porto

O Porto mandou-nos ontem uma das suas actuais pérolas musicais: os Azeitonas. Banda divertida, com óptima música, atitude descontraída q.b., que sabe entreter e agradar. O Casino Estoril estava longe das suas enchentes em noite de concerto grátis no Duarte Garden, muito longe mesmo (mês de férias?), o que deve ter sido frustrante para os elementos do grupo, "fardados" a rigor em fatos nas versões "riscas à mafioso", "branco à já não se usa" e "preto está sempre na moda". É caso para dizer que quem lá não foi, não sabe o que perdeu. Eu sei, certamente, que confirmei a impressão que tinha da banda através das músicas e da sua presença, sempre cuidada, na internet: são um dos maiores valores da música nacional, neste momento.

Os Azeitonas tocam uma música que não é propriamente Pop e dá para notar ali influências de várias épocas e estilos que contribuem, na mistura, para a frescura da música do grupo. Há pop, swing, big band, rock, jazz...

Gente competente, que sabe o que faz e fá-lo bem, os Azeitonas merecem muita sorte. Por várias vezes ao longo do espectáculo dei por mim a pensar "que bem que eles ficavam a abrir para os Clã". Parece-me que quem goste dos segundos, gostará também muito dos primeiros. Apesar das óbvias diferenças entre as bandas, há mais coisas em comum do que a simples origem tripeira.

E como nem só de (muito boa) música se faz uma banda, esta ainda nos traz essa coisa bonita de se ver que é a Nena (foto ao lado, pessoal), moça que, recorrendo a um chavão, canta e encanta, roubando ao resto da banda o olhar de muita gente. Importam-se de a por numa passerelle? O mundo agradece...

É caso para dizer "Azeitoninha, deixa-me ser o teu palito".
Eis um bom exemplo de recuperação (pelo menos, por fora). O edifício junto ao Jardim Zoológico, na Estrada de Benfica (Lisboa), estava a precisar de arranjo e arranjado foi. Agora, exibe paredes lisas e pintadas e um ar geral bem janota. Se fosse sempre assim...

Mas, diz a má-língua bloguística que a placa colocada na fachada e que identifica o imóvel como sendo o antigo Palácio do Visconde de Farrobo está errada já que o dito se encontraria do outro lado do Zoo, i.e., na Estrada da Luz.

Esperemos pela correcção. Entretanto, salvou-se património. Viva!

Vontade de chatear (1)

Se isto não é vontade de chatear os outros, então, é o quê?

Nem os animais escapam

As participações olímpicas nacionais revestem-se sempre de características semelhantes: à partida, levamos uns quantos campeões do mundo, da Europa, primeiros classificados nos rankings mundiais, jovens esperanças, etc. Depois, começa a competição e o calvário de dores de cabeça, de árbitros mauzinhos, de dias "não", de ventos contrários, enfim, tudo e mais alguma coisa. Mas há sempre lugar para a novidade e esta é-nos trazida pela agência Lusa: uma égua histérica.
Vacas, cabras, mulas, porcas sofrendo deste terríval mal, já todos nós conhecíamos mas, afinal de contas, as éguas também sofrem dele e foi logo uma destas que calhou a um dos integrantes da equipa nacional nos JO de Pequim, ditando a sua desistência a título individual e a consequente eliminação da equipa das Quinas.


(...) Miguel Ralão Duarte, montando a égua Oxallys da Meia Lua, desistiu hoje na sua participação na disciplina de Ensino das provas equestres dos Jogos Olímpicos. Segundo o cavaleiro, a égua assustou-se com o ecrã de vídeo existente no recinto e "entrou em histeria". A desistência ditou a eliminação de Portugal na competição por equipas.

Em declarações à agência Lusa momentos depois de ter desistido da prova, Miguel Ralão Duarte explicou que a égua Oxallys da Meia Lua "entrou em histeria com medo do ecrã de vídeo" pelo que antes de entrar nos exercícios mais difíceis "decidi desistir". (...)


Quando as coisas chegam a este estado, já não dá para chorar: é mesmo para rir...

Resta esperar pelas fatais queixas de falta de apoio... para as éguas com problemas mentais!