Dá-se o caso de eu andar a ler um livro sobre a famigerada participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial (chamada, na altura, "a Grande Guerra") e de parte do texto ser, obviamente, ocupada com a descrição das desumanas condições de vida nas trincheiras, bem como do estado da paisagem por força dos bombardeamentos feitos por ambas as partes do conflito. Deu-se, também, a coincidência de eu ter ido ao ISCTE esta semana e de ter deixado o popó no imenso espaço que existe no interior do quarteirão das faculdades. Ora, dei por mim a olhar para o estado em que tudo aquilo está e a pensar que, dentro das possibilidades do cidadão urbano, deve ser o que de mais parecido se encontra com os campos de França à altura do conflito de 1914-18. Há lama por todo o lado, há montes e montículos, árvorezinhas e arbustos, onde havia estrada, há, sobretudo, pequenos lagos e enormes buracos (alguns a concorrer à classificação de crateras), e há, como não podia deixar de ser, automóveis pendurados nas árvores. Usei um bocadinho de imaginação e troquei as latas com rodas por soldados e, debaixo da chuva que caia, vi uma imagem do Marne.Para ilustrar este pobre texto, fica uma foto de duas "armadilhas" em pleno caminho. Se a sua função é capturar um inimigo distraído ou servir de abrigo aos nossos, não sei, mas lá que é fácil alguém (ou algo) ser engolido pelos buracos, ah isso é! Não são os únicos. Por qualquer motivo, naquela zona, tudo quanto fosse para ter tampa, viu-a ser-lhe retirada e, entre caixas de electricidade, esgotos e coisas quejandas, aquele "estacionamento" da cidade universitária tem mais buracos do que um queijo suíço, o que, sendo uma expressão comparativa das mais curriqueiras, não deixa de ser verdade.
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