O tesouro no baú

Tenho um álbum em vinil que sempre considerei um pequeno tesouro. Pela sua raridade (quantos terão sido feitos?) e qualidade, lá o tenho ainda, guardado no meio dos já poucos LP's que me restam. É um álbum instrumental da autoria de Francis, um dos guitarristas da formação original dos Xutos & Pontapés e que, depois de sair desta banda, ainda andou pelos Ravel.

"Stiletto" (assim se chama o disco) é daquelas obras que todos conhecemos sem a saber apontar. Vários dos seus temas serviam de fundo àqueles programas de fim-de-dia, quando os sons da rádio guiavam uns no seu caminho para casa ou embalavam já outros no descanso merecido. É um trabalho de temas suaves, contemplativos, que nos traz à ideia paisagens serenas de montanha (a cada um a sua fantasia - esta é a minha) e horizontes limpos, ambientes confortáveis onde nos apetece enroscar nas notas da guitarra e numa manta felpuda.

Durante anos vivi no conflito entre preservar o disco que tenho e usá-lo. Quando me preparava para embarcar na experiência de passá-lo para mp3, eis que descubro que alguém já o tinha feito e colocado na internet. Aqui não há pirataria mas sim protecção de um património que tem de ser de todos. Quando o mercado ignora uma obra e a deixa cair num poço, é da responsabilidade dos apreciadores resgatarem-na do esquecimento e colocarem-na à disposição de quem a queira conhecer.

Para quando uma base de dados onde seja possível o acesso ao património discográfico nacional já descontinuado? Com que direito se nega ao público o conhecimento de trabalhos antigos que já ninguém quer editar? O que é feito dos discos da primeira vaga do rock português? Onde se compram? Em lado algum...

"Stiletto" é o primeiro de dois discos de Francis. É o melhor e apresenta uma qualidade que facilmente o içaria ao patamar onde vivem nomes como, por exemplo, Mark Knopfler (álbuns "Cal" e "Local Hero"). Ouvi-lo e deixar as suas melodias entranharem-se-nos nos sentidos é, mais do que um prazer, um verdadeiro favor que fazemos a nós mesmos.

3 comentários:

Assunção disse...

Obrigado!

Unknown disse...

Ao autor do blog quero deixar uma palavra de apreço por aquelas que me dirigiu nos comentários do artigo do Ipsilon e q me trouxeram até aqui para ser bombardeado com tamanha lisonja, passe algum exagero - mas gostos n s discutem.
Já agora desafiava-o a ouvir o The Last Prophecy e depois deixar-m saber o q experimentou - n é imediato, mas chega-se lá.
Para tal visite www.myspace.com/francismannspace
Quanto ao Stilleto andar já pela web em mp3 só me faz congratular. Ando a tentar colher autorização da EMI para reedição quer do Stilleto quer do Rota dos Ventos, mas sem muito sucesso - nem reeditam nem deixam reeditar - atitude de empata fadas ;)
Abraço
Francis

K10o disse...

Dois pequenos tesouros sem duvida, um patrimonio injustamente esquecido. Os meus dois vinis, por falta de leitor, há mais de 10 anos que estão silenciosos - diga-se que tanto os ouvi, as espiras já deixam a desejar.

Felizmente a EMI caiu em si:
https://www.facebook.com/francis.mann.58