O outrora prometedor Manuel Monteiro anunciou que o seu actual partido tinha atingido o mínimo de 5000 militantes exigidos por lei para não ser obrigado a fechar portas. Ainda bem. O que já não está tão bem é a preocupação do Manel com a polemicazinha respeitante à suposta existência de militantes do PND com ideias de extrema-direita. Anunciou Monteiro que já tinham corrido com os elementos indesejáveis, se bem que ele não pudesse garantir a extinção da espécie. A "solução final" poderá não ser assim tão final mas, pelo menos, permitiu alguma limpeza. É uma atitude corajosa por parte do PND. Não nos esqueçamos de que o partido estava em vias de desaparecer por falta de militantes. Das duas uma: ou os "extremistas" não eram assim tantos (lá se vai a ideia do perigo para a democracia) ou então o PND tem o dom de fazer brotar das pedras novos militantes capazes de repor o imenso sangue perdido. Seja como for, o PND é, agora, um partido limpo de racismo e xenofobia (a constante ligação dos dois termos é por demais irritante), e Manuel Monteiro até deu como exemplo da sua pureza de princípios o facto do PND ser apoiado pela "comunidade cigana". Assim de repente, parece-me que o desesperado ex-líder do CDS trocou o diabo pelo demónio... Desconheço quais são as vantagens da ligação à "comunidade cigana" mas espíritos mais indelicados poderiam sempre especular que o PND passaria a ter acesso preferencial aos melhores produtos falsificados que se vendem nas boas feiras deste país. Do DVD pirata à coca feita com gesso, da roupa de prestígio fabricada na Buraca ao ouro falso, da mula doente à pistola, há um sem fim de coisas de fina qualidade que os novos apoiantes de Manuel Monteiro lhe podem dar. Podem, por exemplo, para grande vantagem da contabilidade do partido, ensinar o PND a viver com muito pouco dinheiro. Como se sabe, os ciganos são mestres em fazer render os parcos trocos que a sua difícil vida lhes proporciona, conseguindo transformá-los em colecções de fios de ouro, carros de alta cilindrada e casamentos sumptuosos. Não são todos, é certo. A maioria prefere ignorar as artes mágicas e apostar no conhecimento das leis, nomeadamente das que dizem respeito a todo e qualquer tipo de subsídio, seja ele o guterrista rendimento mínimo garantido ("rendimento de inserção social", na versão "liberal") ou o apoio à criação de burros (de preferência em bairros sociais). Num país de subsídio-dependentes, a "comunidade" apresenta-se como mestre na matéria.
O Nelinho também poderá contar com o peculiar sentido de honra existente entre os ciganos, para quem um amigo é até à morte. O problema são as mil e uma razões que podem antecipá-la... Mas poderá concerteza o PND contar com o apoio das caçadeiras "da raça nobre", caso as soqueiras e as matracas dos perigosíssimos direitistas expurgados algum dia queiram vingar a afronta de os obrigarem a pertencerem todos ao infeliz PNR.
Às tantas, Monteiro até fez uma grande jogada: substituiu o "não gosto de pretos", pelo "não gosto de ninguém que não seja da minha família", jogou fora o "se andares com um indiano já não és minha filha" e puxou o "se te vejo com um gadjó mato-te a ele e a ti". A diferença poderá parecer subtil a muitos mas, na realidade, não é.

O PND ganha um espírito mais aguerrido nesta sua nova vocação multi-étnica (é uma ironia). A direita monteirista quer-se moderna, aberta às realidades do mundo, mesmo quando elas implicam a troca de cobardias cuja única diferença está na cor da pele. Entre ser-se espancado por um grupo de brancos pró-nazis ou esfaqueado por um bando de ciganos raivosos vai a distância de perceber a diferença entre pontuais anomalias sociais ao nível do indivíduo (o primeiro caso) e uma aberração cultural velha de séculos (o segundo). Apesar de tudo, os radicais de direita respeitam a sociedade em que vivem e é por a quererem que julgam vê-la doente. Ao outros, àqueles cujos espartilhos culturais obrigam a viver numa espécie de sociedade tribal onde a honra ainda se lava com sangue, a endogamia é uma obrigação feminina, os casamentos são combinados, a rivalidade territorial é recorrente e o "racismo e a xenofobia" correm nas veias, a esses, resta continuarem a confiar nos complexos de culpa de personagens como Manuel Monteiro para irem perpetuando a farsa da vitimização.
Manuel Monteiro parece ter o hábito de escolher más companhias: depois de Portas (lembram-se das rivalidades entre os dois grandes amigos, nos tempos do CDS-PP?), surge a suspeita das ligações à extrema-direita, exorcizada com um vade-retro abençoado por alguma da pior gente que por esta terra (e muitas outras) anda.
Já se vê que este texto irá suscitar as reacções que se esperam: insultos e acusações de racismo, ofensas pessoais e a habitual panóplia de muletas ideológicas (ou nem isso) tão próprias das boas almas. Mas esse é o preço de se ter uma opinião.Justiça se faça aos radicais de direita: apesar de tudo, quando a violência nasce no seu seio, bem ou mal, há um fundo ideológico na qual assenta e aquela pode ser combatida de forma muito mais fácil e limpa do que a violência que se baseia em tradições canalhas para as quais já não pode haver espaço na nossa sociedade. Aparentemente, Manuel Monteiro não percebe isso e, feito tolo passarinho, anda por aí a anunciar as suas novas ligações a uma gente que pura e simplesmente se está borrifando para tudo quanto Manuel Monteiro possa defender.
Como se isto não fosse já de si mau, ainda há que reparar no ridículo de invocar o apoio de uma "comunidade" inteira, como se existisse qualquer tipo de organização entre os ciganos que não fosse a ditada pela tradição ao nível familiar. Tem esta comunidade qualquer tipo de representação eleita? Acreditará Monteiro na figura do "rei dos ciganos"? Quem lhe prometeu o apoio? Falava em nome dos outros? Com que direito? Mau demais.
A andorinha de Monteiro parece ter, decididamente, pousado no chão...
1 comentário:
Todos temos o direito à nossa opinião e não vejo porque temos de andar todos preocupados com o politicamente correcto até chegar ao ridículo! Temos olhos é para ver e só não vemos se não quisermos!
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