Nunca tinha ido ao Chapitô e devo dizer que o nome do local sempre me fez pensar naquele pessoal dos malabares, artistas de rua aos quais nunca achei grande piada e que, vá-se lá saber porquê, parecem andar sempre atrelados às iniciativas do Bloco de Esquerda. Preconceito? Talvez.Há coisa de uma semana li estar em cena no teatro do Chapitô uma comédia cuja ideia central andava à volta de problemas dentários sofridos pelo nosso bem conhecido Conde Drácula. Achei graça e resolvi ir ver a coisa. Não me arrependi. Para começar, fiquei a conhecer um belíssimo espaço, partilhado por vários restaurantes e bares, bem decorado, com um clima cosmopolita e, ao mesmo tempo, intimista, uma soberba vista para o rio (mesmo à noite) e um clima geral de descontracção q.b. Fiquei rendido mal cheguei. Constantemente, a cidade de Lisboa desvenda pequenos recantos que ignoramos na monótona azáfama do dia-a-dia.
Enquanto esperava a entrada para o teatro, um casal de "mortos-vivos" dedicava-se a performances que entretinham o público.
Relativamente à peça, só posso dizer que é um prodígio de sincronização entre os actores, um belo trio pleno de expressão corporal, numa peça que vive de um cenário quase inexistente, apenas composto por meia dúzia de objectos que se transformam em tudo o que seja necessário para ilustrar as cenas. Um malão tanto serve de casa de banho num comboio como de caixão para Drácula e as transformações de personagens e cenário são assumidamente "descaradas" dando ainda mais graça a tudo.
Decididamente, parece-me que quem queira rir tem uma boa oferta de teatro em Lisboa.
2 comentários:
felizmente o estigma "Chapitô" vai-se dissipando quando o público visita o nosso espaço e conhece o nosso trabalho.
Infelizmente trabalhamos (companhia do chapitô)maioritáriamente no estrangeiro.
Chapitô, não sei porquê, sempre me fez lembrar circo... mas é uma daquelas saídas que tenho prometida a mim mesma!
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