O festival

Lisboa já tem um festival de Flamenco. Não, não tem nada a ver com o queijo (que é "FlamenGo"). Antes tivesse, ainda assim. Apesar da sensaboria do famoso Limiano, há por aí muita bola vermelha que faz as delícias de quem a come. E o verbo "comer" vem a propósito porque, agora, temos de "comer" com um festival (com direito a palestras e tudo) de uma... digamos, "expressão cultural" estrangeira que não nos diz nada, que não está difundida nos gostos da nossa população e que, basicamente, serve (o festival) de testa de ponte da penetração espanhola cá no burgo. Desconheço quantas pessoas frequentarão os eventos e, dessas, quantas serão portuguesas (desconta-se as tias e os homossexuais) mas calculo que, por poucas que fossem, o dinheiro injectado pelas autoridades do país vizinho continuaria a afluir, por forma a encher a capital de cartazes e dar a impressão de que o Flamenco é coisa grande, por cá. Se há característica dos espanhóis é a aposta em massacres publicitários. Veja-se a loucura de gastos do Corte Inglês, os postes e paredes cobertos de panfletos de aulas de dança sevilhana, os "muros" de papel com anúncios de cursos de Castelhano...

Mas, se tudo isto é importante para reflectir, ainda mais será olhar para o Flamenco e tentar extrair dali coisa que se aproveite. É "arte" que consegue uma mistura esquisita: homens machões e mulheres que se vestem como travestis. Tirando a guitarra (cuja técnica consegue ser sublime), tudo o resto é feito de um minimalismo ridículo: gente a bater palmas, a fazer cara de má, a bater com os pés no chão e a urrar como se lhes tivessem a espetar uma faca. Mau demais. Imagine-se uma "canção" assim:

Aiiiiiiiii
O meu pai tá presoooooooooo
A minha mãe pariu um sapoooooooo
Aaaaaaaiiiiiiii, pobre de miiiiiimmm
(guitarra a fundo, seguida de pancadas no chão)
Olé!
Aaaaaaaaiiiiii, aaaaaaaiiiiiiiiiii
Que vida malditaaaaaaaaaaaaaa
(incentivos do resto da companhia)
Ninguém gosta de miiiiiim, só a desgraaaaçaaaaa
Olé! Olé!
(mais pancadas no chão, novamente a guitarra a fundo)
Se eu pudesse matava-me já à tua freeeeeeente
(Força!!! - diz uma parte do público)
Aaaaaiiiii, e levava-te comigooooooooo
Olé!!!

É uma graça mas não deve estar longe da verdade, tivesse eu percebido alguma coisa da letra gritada e cuspida das coisas que já ouvi.
Francamente, o Flamenco bem podia ser metido num saco juntamente com o Hip-Hop e o Rap e mandado para o mais fundo dos aterros sanitários ou, ainda melhor, colocado num daqueles depósitos para lixo nuclear. Qualquer sítio onde se evitasse sermos brindados com todo o mau gosto da "arte".

Já temos um festival!

2 comentários:

Anónimo disse...

escândalo na bíblia! visite:

http://olhodotigre.blogspot.com/

Assunção disse...

Ora aqui está uma coisa em que discordamos: eu gosto de flamenco (mas não da versão aciganada ou da bichona do Cortez)! Assim como gosto de ver várias outras danças de outras culturas, desde que bem interpretadas...