Ainda a manhã de trabalho estava a começar e já eu sentia o apetite a ser despertado pelos odores que entram na minha sala provenientes de um restaurante vizinho. Ah... umas febrinhas, que bem que iam...Lembrei-me de já ter visto em vários restaurantes a palavra "fêveras" e resolvi procurar na net a diferença entre as duas palavras. Fui parar ao Ciberdúvidas da Língua Portuguesa onde me brindaram com o seguinte:
(...)A forma fêvera é uma variante em que a consoante oclusiva -b- se tornou uma fricativa bilabial ou labiodental, representada por -v-; além disso, inseriu-se uma vogal (chamada epentética), à semelhança do que ocorreu com Fevereiro, que tem origem em fĕbruārĭus, forma latina sem 'e' antes da consoante líquida representada por 'r'(...)
Ora bem, o mínimo que posso dizer é que o mundo nunca mais será o mesmo para mim. As febras são um prato importante na nossa gastronomia e esta é parte essencial da nossa cultura. Nos muitos anos que ainda espero que me restem, nunca mais poderei sentar-me à mesa para saborear aquelas tirinhas do santo bicho que é o porco, sem me lembrar da fricativa bilabial, da oclusiva, da epentética...
De todas as "monstruosidades" apontadas à febrinha, a única que ainda me pode merecer alguma simpatia é a consoante líquida que, pela sua natureza, é capaz de dar um acompanhamento interessante (desde que não consumida em excesso).
Ó amarga gramática!
P.S. - uma curiosidade: na Argentina, servem-se comummente febras "à portuguesa", nos restaurantes.
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