Zona vermelha

Que se desengane quem pensa que só em Amesterdão, Hamburgo e outras decadentes cidades é que há zonas vermelhas. Por cá também existem e até é preciso pagar para parar por lá... :)

Arma emperrada

Aparentemente, em Moscavide, um grupo de 10 a 15 brasileiros terá invadido a esquadra local para agredir um sujeito que apresentava queixa precisamente contra o grupo em questão. Nas instalações só se encontrava um polícia que não impediu as agressões ao queixoso.A existência deste agente único na esquadra do subúrbio lisboeta foi imediatamente vista como mais uma prova da falência do sistema de segurança pública e, como não podia deixar de ser, apontou-se o dedo à vítima do costume: o Governo. Mas o caso é mais sério do que possa fazer parecer a ligeireza com que tudo é resumido pela população com um "a culpa é de...". Se esta situação for efectivamente verdade (lembremo-nos do "arrastão" em Carcavelos e que, na realidade, nunca existiu), há várias coisas que devem ser analisadas. Para começar, a atitude (ou falta dela) do agente de serviço. O que fez ele para proteger o cidadão que apresentava queixa? Tentou protegê-lo? Fê-lo de forma activa ou passiva? Estava armado? Se estava, porque razão não usou a arma para impedir que uma vítima que se queixava fosse ainda mais incomodada (a ponto de ter ido parar ao hospital)? A partir de que momento é que um polícia acha que é legítimo sacar da pistola que o Estado lhe atribui para sua defesa e dos cidadãos que jurou proteger? Quinze indivíduos numa esquadra agredindo um só homem não bastam? É só a partir de vinte? Que não me queiram convencer de que o agente seria vítima de perseguição institucional se tivesse cumprido o seu dever de forma firme! Quinze imigrantes agredindo uma pessoa dentro de instalações policiais é situação mais do que suficiente para justificar a utilização de uma arma! Irra!
Depois, passando à frente da incompetência do agente, há que analisar a reacção "popular". Esta, inevitavelmente, assenta numa histeria securitária (mais polícia, já e em todo o lado!), em complexos xenófobos (os estrangeiros são sempre piores) e na secular dependência de terceiros (ninguém se preocupa em prevenir e agir - os outros que o façam). Diz a voz do povo que não se pode aceitar que uma esquadra só tenha um polícia de serviço. É um ponto de vista, apesar de tudo, defensável mas que se deixa derrotar pelo paradoxo que é a população querer mais agentes na rua e, ao mesmo tempo, na esquadra! Se houvesse mais polícias "dentro", queixar-se-ia o Zé Povinho de não os ver "fora", onde são mais precisos...

Um demagogo resolveria a situação facilmente: mais polícia! E ficaria por explicar porque razão temos nós uma necessidade endémica de ter polícias a escorrer das paredes quando, noutros países com mais crime e meios para o combater, isso não acontece? Porque razão, no Japão, há quiosques na rua com um (um só) polícia lá dentro? Isso é sinal de incompetência organizativa? Não me parece. Esse agente serve para "receber" o cidadão e impor respeito no local mas não é a ele que compete a perseguição. Cá como lá, é à patrulha de rua que compete velar pela segurança pública. É um trabalho de rua, não é de secretaria!

Mas cá, na tugalândia, o que se quer é polícia por todo o lado. Quiçá ao estilo de Buenos Aires onde não se anda cem metros sem se encontrar um índio na sua farda preta. Mas eu preferiria uma coisa mais à Suíça (polícia? onde está ela?). Estilos à parte, o que importa sempre é que, quando a coisa aqueça, o responsável pela manutenção da ordem pública se saiba impor e isso, por mais leis que se façam, por mais agentes que se ponham nas ruas, por mais ministros que falem, é sempre uma coisa do homem que está no terreno e da sua capacidade para analisar a situação e a melhor forma de cumprir o seu dever. O povo quer mais polícias. A mim, bastava-me que os que existem fossem bons. No caso, que em Moscavide o agente tivesse sacado da pistola e a apontasse de forma decidida aos meliantes. Estes, após identificados, só teriam um caminho: o da expulsão do país. Bastava-me isto.

A vez dos xicos-espertos

Em primeiro lugar foi o autoritarismo de uma professora que, sem saber impor disciplina, resolveu arrancar das mãos de uma aluna o telemóvel que esta usava (erradamente).

Em segundo lugar foi a indisciplina, falta de educação (e revolta) de uma aluna a quem foi tirado um objecto seu e que resolveu agir pela mesma medida no meio da sala de aula, envolvendo-se numa ridícula cena de "Dá cá o telemóvel, já!!!" com a professora.

Em terceiro lugar foi a boçalidade e cobardia dos colegas da rapariga que, em vez de colocarem água na fervura, ficaram a apreciar (e incentivar) o espectáculo.

Em quarto lugar foi a traição de um colega que filmou e colocou na internet tudo o que se passou naquela sala da escola Carolina Michaelis, no Porto.

Em quinto lugar foi o asqueroso aproveitamento político feito pela oposição ao Governo, pretendendo fazer deste caso pontual (na forma) uma questão política quando não passava de simples gestão da disciplina num estabelecimento de ensino.

Em sexto lugar foi o corporativismo dos sindicatos que, como não podia deixar de ser, resolveram associar o caso à "luta" dos professores em torno dessa coisa eterna que é o "estatuto da carreira docente" que, desde a minha mais tenra idade, sempre foi um eufemismo para "melhores salários".

Em sétimo lugar foi a visão de fim da civilização partilhada por essa massa de gente anónima e burra para quem tudo quanto seja problema gerado pelo progresso é consequência do 25 de Abril e do facto de alguém não saber dar umas boas bofetadas a não sei quem.

Em oitavo lugar foi o habitual circo montado pela comunicação social, esse monstro sedento de conflitos e desgraças, cada vez mais um vampiro que suga as vítimas até à última gota de polémica para, de seguida, as deixar cair no esquecimento, depois de as ter exposto ao ridículo e à vergonha públicas.

Em nono lugar foi a inépcia do Ministério da Educação que, prontamente, devia ter movido os mecanismos legais para proteger a imagem e o bom nome quer da professora, quer da rapariga, minimizando a exibição do vídeo e de imagens associadas.

Em décimo, chega a vez dos xicos espertos que resolveram ganhar dinheiro com a situação. É evidente que a comunicação social não faz outra coisa do que ver pingar os euros com a divulgação (tendenciosa) de certas notícias mas tudo se torna mais chocante quando uma empresa resolve por à venda na internet um toque de telemóvel com o som da discussão entre a professora e a aluna.

"Dá cá o telemóvel, já!!!" pode ser o som que você se arrisca a ouvir quando a pessoa que está ao seu lado receber um telefonema. E faz-se a pergunta: a professora está à beira de uma depressão, a aluna está marcada para os tempos mais próximos e, como se isso não bastasse, aparece alguém a fazer lucro com a divulgação da triste cena, sem que seja pedida qualquer autorização às "vítimas", sem que haja o mínimo respeito pelos direitos de personalidade e mesmo pela dignidade de duas criaturas que nunca pediram para serem filmadas e postas na internet. Se isto fosse na América, a empresa em questão já estava com um processo de milhões de dólares em cima. Como é por cá, ninguém se mexe. A professora porque está doente, a aluna porque quer é esquecer o sarilho em que se meteu e a sociedade porque acha muito giro andar por aí a perpetuar num toque de telemóvel uma cena de indisciplina escolar.

Cena que, diga-se de passagem, não é em nada diferente de outras que sempre se passaram nas escolas. Sendo eu um exemplo de pacifismo estudantil, não consigo esquecer-me de imensas situações que oscilaram entre o engraçado e o miserável passadas nas salas de aulas da Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa, estabelecimento que não apresentava qualquer problema geral quer de indisciplina, quer social (isto nos anos 80). Uma das que me ocorre já é a do "roubo" do livro de ponto e recusa na sua entrega enquanto a professora não retirasse a falta a um qualquer aluno. Mas na altura não havia telemóveis com câmara de filmar, nem internet, nem Youtube...

Estaciona aí, bobi

Desconheço se neste estacionamento existirão arrumadores. Talvez não. As vítimas do serviço podiam morder...

Este estacionamento para cães fica junto ao Minipreço da Rua Alexandre Herculano (Lisboa).

'Tá tudo mal!

Fotografia tirada junto à Estrada de Benfica (Lisboa).

O hóspede

A família vai de férias e fica-se a tomar conta da mascote. A casa ganha nova vida com a alegria de um cão, enche-se o tempo de pequenas graças, ocupa-se as horas com a presença do bicho. Presença permanente, feita de uma quase perseguição por todos os cantos da casa e de muito pelo largado. Os animais são assim: mesmo quando são chatos, acabam por ser amorosos. Dá-se comida, leva-se a passear, brinca-se com a criatura e, à noite, luta-se por um lugar na cama :)

Ainda bem que os animais nos deixam tratar deles.

Em defesa das cabras

Naquele país mais evoluído do que nós, eleito por Deus para mostrar o caminho da Democracia ao mundo (Zimbabwe à parte), há gente com responsabilidades políticas cuja preocupação actual é a sexualidade das cabras. Mmm... isto cheira a brejeirice, dirão alguns. Nada mais errado: não me refiro aqui ao eufemismo vernáculo usado para caracterizar muitas fêmeas da espécie humana mas sim às verdadeiras cabras. Essas mesmas, aquelas com cornichos e tetas e que levam tudo à boca e que fazem béééé.
Pois bem, a senadora Nan Rich (a bela senhora na foto), do estado da Florida (Florida, ou seja, com flores - não é FlÓrida), conseguiu que fosse aprovado um projecto-lei no seu estado proibindo a bestialidade, isto é, o sexo com animais.

Na Palestina, é punível o sexo com animais se estes forem do mesmo género, ou seja, condena-se a homossexualidade inter-espécies. Mas, como esta coisa dos árabes pode ser vista como homofobia e os americanos são muito sensíveis ao politicamente correcto, na Florida deu-se um passo em frente e pretende-se cortar o mal pela raiz. E tudo isto porque a Meg, a mascote de um casal que espera gémeos, apareceu "violada" e asfixiada! Percebe-se a razão de ser de terem morto o animal: foi para impedir que ele apresentasse queixa. Quanto à violação propriamente dita, as minhas suspeitas encaminham-se todinhas para o futuro pai. Se uma mulher grávida já se corta, imagine-se uma mulher duplamente grávida! O pobre homem não devia saber o que é sexo há muito e, entre satisfazer os desejos de grávida da sua mulher e a rejeição desta em satisfazer os seus desejos de macho, o coitado deve ter começado a olhar com outros olhos a inocente Meg.

Há no entanto que fazer de advogado do diabo e perguntar se a Meg seria assim tão inocente. Ela terá consentido? Ela terá provocado o violador? Que roupas usava a cabra? Gostou do que ele lhe fez? Tentou fugir? São perguntas perturbantes que têm de ser feitas.

Quanto à boa da Nan Rich, assegura ela que quem é capaz de abusar sexualmente de um animal também é capaz de o fazer a uma criança. Estará nesta lógica o segredo da compreensão do fenómeno dos abusos sexuais cometidos por padres católicos nos EUA? Afinal de contas, tudo se resume a uma coisa de "rebanho"... Cabras, ovelhas, venham a mim as criancinhas...

Quem não parece olhar tudo isto com bons olhos é a enorme população reformada que habita na Florida (estado para onde os velhos vão morrer). E isto porque muitos encarariam uns afagos a uma cabra como a sua derradeira hipótese de se divertirem...


P.S. - a um nível enciclopédico será interessante reparar que existe, de facto, uma ligação no imaginário masculino entre animais e sexo. Senão, veja-se os nomes dados à vagina: rata, mexilhão, ostra, aranha (Portugal), coelho (conejo-Espanha), castor (beaver-EUA), "gata" (pussy-Reino Unido / chatte-França).

Sport Lisboa e Barcelona

Para aquela espécie de "inocentes" que vêem no país do lado uma espécie de sol na terra, aqui fica um bom exemplo (um de entre muitos) do respeito (ironia...) que lá se tem por tudo quanto tenha origem aqui na santa terrinha. Neste caso, trata-se de uma imagem feita a partir do site do jornal El Pais (um dos principais de Espanha). A página em questão é a "ficha" do Benfica no dia depois do grande jogo com o Sporting que este venceu por 5-3. Repare o leitor que na imagem se vê que, notícias respeitantes ao maior clube português, só as que tenham alguma coisa a ver com espanhóis. Referência ao clássico do desporto nacional, nem vê-la. E, para cúmulo, o próprio nome do clube vem confundido com o do Barcelona. Quanto ao treinador, é um tal "Ferreira" e o presidente é o "Manuel Lino Rodrigues" que, após pesquisa, vim a descobrir ser o Vilarinho... E a equipa? Bom, deixo a si o trabalho de se lembrar dos jogadores de há cinco anos...

Um dia para quem?

Hoje é 18 de Abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Para quem está habituado a ouvir falar de dias para tudo e mais alguma coisa, é forçoso salientar que, neste dia, há coisas verdadeiramente interessantes. Para quem tenha o gosto pelo património, há um banquete de visitas a fazer, muitas vezes a locais que não estão abertos ao público. É um dia que devia ser uma semana, digo eu. Mas, sobretudo, é uma data que devia ser móvel (como querem fazer aos feriados religiosos) de forma a que calhasse sempre a um fim-de-semana. Convenhamos, a quem beneficia um dia festivo que calha (como hoje) num dia de trabalho? Qual é o impacto efectivo de todas as actividades programadas? É coisa para crianças em visita escolar, velhos e turistas ocasionais. Os outros? Que trabalhem ou metam férias!

Para quem leia isto e não esteja a fazer nada, aproveite para dar um salto a 18deabril.sapo.pt e escolha uma coisa que lhe interesse. Aos outros, fica a inveja de não poderem usufruir de todo o trabalho preparado pelas diversas entidades (e que não deve ter custado pouco).

Diferenças de atitude

Abre a nova época tauromáquica no Campo Pequeno, em Lisboa. Pela primeira vez, resolvo ir à tourada ("aos toiros"). Enquanto contorno a praça, reparo em dois camiões de transporte de cavalos ali estacionados. Ambos pertencem a cavaleiros que vão actuar à noite. O camião da esquerda é do espanhol Pablo Hermoso. É um camião todo pintado, com uma grande imagem de um belo andaluz branco, na traseira e, nos lados, uma gigantesca assinatura do toureiro. Os vidros estão protegidos com ferros à maneira tradicional dos que protegem as casas no sul de Espanha. É uma coisa feita para o espectáculo, para impressionar quem a vê.
À direita, está o veículo do nosso Luís Rouxinol. A diferença é abismal. Aquilo que no toureiro vizinho é imponência e vontade de se mostrar, no nosso é saloíce e displiscência. O camião está pintado de cinzento. Na traseira tem uma curriqueira imagem do cavaleiro. Nos lados, o nome da personagem está escrito numas letras incaracterísticas e, pasme-se!, há anúncios do fabrico e venda de matraquilhos!

A velha expressão "uma imagem vale mil palavras" aplica-se bem a este caso. É a diferença entre saber-se vender, saber projectar uma imagem, e o deixa andar lusitano para quem a embalagem nunca tem qualquer valor.

Depois, digam que a culpa é do Governo...

P.S. - Na arena, o "nosso" portou-se melhor, como seria de esperar.

A nossa história

"O último conjurado", de Isabel Ricardo, é um daqueles romances de aventuras, no estilo "capa e espada", que tanto fez as delícias de quem tenha qualquer coisinha mais do que trinta anos. Género que se reinventa em cada história, teve o seu clímax nas páginas do francês Alexandre Dumas (os mosqueteiros) e do italiano Emilio Salgari (o ciclo dos corsários). Mas todas essas histórias são estrangeiras e têm as cores de outras bandeiras que não a nossa.

"O último conjurado" versa sobre a revolta de 1 de Dezembro de 1640 e a consequente recuperação da independência nacional. É, portanto, uma história que, mantendo todos os ingredientes do estilo (o mistério, as lutas, o humor, o heroísmo, a traição...), compõe um quadro em tudo familiar. É a nossa História que desfila nas páginas de Ricardo.

Este é o segundo lançamento da obra. O original já data de há uns bons anos e foi então que o li. Desconheço qual foi a sorte da obra que, não sendo uma obra-prima é, concerteza, de agradabilíssima leitura, mas apraz-me ver que o livro está aí de novo e bem visível na FNAC. É de esperar algum êxito. Oxalá assim seja para que se possa contribuir com mais uma gota para acabar com esse imenso deserto que é a ligação que o nosso povo tem com a sua própria identidade.

Somos educados com base na cultura e história anglo-saxónicas e julgo não me enganar se disser que muito adolescente deve conhecer melhor a História dos EUA ou de Inglaterra do que a de Portugal. É triste mas é, em muito, o fruto de não sermos capazes de ter uma indústria audiovisual minimamente capaz.

Leia ou ofereça "O último conjurado" porque vale a pena. A História não vive só nos manuais e nos ensaios mas também na alegria das estocadas dadas aos maus da fita. :)

Quer ouro sobre azul? Complemente "O último conjurado" com "A independência de Portugal", de Rafael Valladares. Para saber mais, carregue aqui!
O meu tempo é redondo
Cinza besta gorda, robusta, rotunda
Cheia de um silêncio onde ecoa um espesso enfado

Eu não me movo, cedo
Encosta-se o tempo a mim
E deslizo até à próxima posição da inércia
E assim, de imobilidade em imobilidade
Acho o sinuoso caminho do não ser
Não ser tido, achado ou vivo

Nós e eles

Eu sei que ontem deve ter havido uns milhões de lampiões a tirarem a barriguinha de misérias gozando com a falta de jeito dos rivais do Lumiar (ou Telheiras, ou Campo Grande, seja lá o que for o sítio onde está o estádio da lagarteira). Vingaram-se de tratamento semelhante aquando da eliminação perante o Gatafe (ou Getafe - quero lá saber...). Até aqui, fica tudo por conta da palermice clubística (porque todos deviam apoiar-se mutuamente nos conflitos internacionais). O que me chateou mais na derrota caseira do Sporting frente ao Glasgow Rangers foi a convicção com que todos estávamos (mais uma vez?) de que a "nossa" equipa era superior à outra. É que, quem tenha ouvido o relato da TSF no jogo na Escócia, só pode ter ficado com a impressão de que o Sporting era avassaladoramente superior aos homens das saias. Os jornalistas presentes dedicavam-se a uma fanfarronada tal que a eliminação dos verdes só pode ter sido uma espécie de castigo de Deus. Que os escoceses não jogavam nada, que eram toscos, que quando o Sporting acelerava quase marcava, que o jogo estava controlado, que os adeptos do Glasgow só diziam "que grande equipa!", blá, blá, blá. No fim, sabe-se, o resultado foi um nulo. Cá, foi uma derrota.

O que faria se "eles" não fossem tão toscos e "nós" tão bons...
curtas 011

Uma nota de esperança: há mais mulheres bonitas do que homens ricos.

A ponte do Menezes

O Governo anunciou recentemente a construção de uma nova ponte sobre o Tejo, na área de Lisboa. Ponte esta que deverá ligar a zona lisboeta de Chelas à cidade do Barreiro. Como foi uma decisão governamental, à Oposição só restavam duas hipóteses: 1) dizer que era contra a ponte; 2) dizer que a ponte devia ser feita noutro lado. Foi esta segunda hipótese a escolhida por Luís Filipe Menezes, o actual líder do PSD (auto-intitulado líder da oposição) e ainda Presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia. Pegando numa ideia que não é sua (do mal, o menos), LFM resolveu vir a terreiro defender a construção de uma ponte ligando Algés à Trafaria, afirmando que, esta sim, era verdadeiramente importante para as populações.

Como já escrevi, a ideia não é de LFM, ele apenas a apadrinha por necessitar de obter tempo de antena. Qualquer que fosse a decisão governamental, ele teria de defender uma coisa diversa. Calhou-lhe esta.

Mas se até este ponto se compreende, pela perversa lógica da política, a atitude de LFM, já mais difícil será justificar a proposta em si mesma. Repito: uma ponte entre Algés e a Trafaria. "Onde e Onde?", perguntará o leitor que não conhece Lisboa.
Eu explico: Algés é, literalmente, a primeira localidade após Lisboa (colada a esta), em direcção ao mar e, a Trafaria, é a terra que fica defronte, do outro lado do rio. Se houvesse uma espécie de porta para o Tejo, estaria assente nestas duas localidades.
(Para os portuenses, seria como uma ponte a ligar a Foz à Afurada)
Algés está, também, a poucas centenas de metros do mais famoso monumento nacional: a Torre de Belém. Igualmente tem uma praia, ainda usada por muita gente e que se pretende despoluída para que reganhe o "prestígio" que em tempos já teve.

Portanto, o que o nosso Pipinho defende é que se plante um mastodonte de betão, a cruzar o rio no local onde este se faz mar, escarrapachado nas ventas de quem contemple a Torre de Belém (que, ainda por cima, se observa sempre na direcção do mar!), destruindo a paisagem, desqualificando um ponto turístico essencial, aviltando o enquadramento de uma zona histórica. O que LFM quer (já agora, veja-se a diferença de qualidade urbanística entre Gaia e o Porto) é eclipsar a monumentalidade da vista sobre/de Lisboa em direcção à foz, colocando-lhe uma grotesca barreira, uma espécie de monumento ao grunho responsável pela destruição da paisagem urbana (e não só) no nosso país.
Para a malta do betão, esta hipótese era óptima. A zona do Barreiro já está destruída mas a costa entre a Trafaria e a Costa de Caparica ainda apresenta alguns pontos "sossegados". Demasiadamente sossegados e a precisar urgentemente de muito prédio e estrada, de preferência bem em cima das praias que (ainda) existem. Sabe-se que o mar quer comer aquela zona da costa, sabe-se que a arriba fóssil é para preservar, sabe-se que aquela zona devia ser uma espécie de escapatória para o fim-de-semana... Mas sabe-se ainda mais que o monstro da construção civil não descansa e, além disso, até dá umas boas gorjetas aos partidos (nomeadamente ao PSD - com direito a condenação em tribunal, até).



Luís Filipe Meneses, que durante muito tempo foi mais conhecido pela sua patética participação num congresso do PSD realizado no Coliseu dos Recreios onde, devido à sua tirada sobre os "sulistas e elitistas", pos o recinto a apupá-lo, tendo obrigado à suspensão dos trabalhos; LFM, o mesmo que acabou por sair do Coliseu chorando e dizendo para as câmaras de TV "eu só quero ir para casa..." (onde estão os vídeos das lágrimas no YouTube?!), essa personagem, cujas ideias para o país chegam a roçar o arripiante, que se cola ao louco independentista que governa a Madeira, que se afirma regionalista, defensor da entrega da educação aos privados e outros disparates do mesmo tipo (parece que também há uma coisa com os cemitérios), esse Menezes é o mesmo homem que se pretende afirmar como alternativa ao actual Governo.


(já agora: como é que ficou aquela coisa do seu blog pessoal que, afinal, era escrito por um assessor que até fazia copy+paste de textos de outros?...)

Já muita gente o disse: com uma oposição assim, Sócrates não tem de se preocupar. Eu simpatizo com o Sócrates. Não é perfeito, claro, mas, ainda assim, apoio-o e isso é confortável porque, se eu não estivesse nessa situação, o meu espírito sofreria verdadeiras torturas tentanto encontrar alguém em quem votar nas próximas eleições. Quando o "líder da oposição" defende uma ideia como a que está na base deste texto, Sócrates até podia ser o Diabo que eu votaria à mesma nele. Há coisas que são tão absurdas que quem as defenda só pode ser igualmente detentor de uma mente absurda.

LFM é do Norte, esse mesmo que passa a vida a queixar-se da falta de investimentos (só isto já daria pano para mangas). Mas, curiosamente, e sendo ainda autarca na Almada do Porto, Menezes não é contra o investimento milionário na nova ponte. Apenas lhe faz cócegas a localização. Isto mostra bem como são diferentes as exigências do caciquismo e as da política a nível nacional. A maioria dos políticos não é de Lisboa e são bastos os exemplos de nortenhos em funções do mais alto nível. Mas, sempre que chegados ao poder, o seu discurso altera-se e a acção adapta-se. As portas do poder, quando cruzadas, fazem os políticos ver as coisas de outra forma, decididamente. Até ao momento em que voltam à sua terra e que necessitam, novamente, de marcar posição. Aí, põem as penas na cabeça, vestem a melhor tanga e ei-los de novo no seu melhor jeito "tribal".

Este último parágrafo foi um àparte, uma espécie de desabafo. Independentemente de onde LFM possa ser, o que me interessa é que o homem dá, a um ritmo quase diário, provas de que não é capaz daquilo a que se pretende e que é: governar o país. Por mim, se esta iluminária chegasse ao poder e fosse para a frente com a questão da ponte, eu chegaria à conclusão de que isto tinha batido no fundo. O que vale é que o mundo é grande...


Mas tenhamos alguma compaixão pelo LFM, não sejamos duros demais com ele ou ainda vamos ter de o ver a chorar novamente. Se bem que fosse uma óptima ideia ele "ir para casa", também há que dizer que as suas estapafúrdias ideias nos podem divertir (desde que tenhamos a certeza de que ninguém lhes liga). Num espírito de desinteressada ajuda, ficam aqui algumas curtas e modestas sugestões para LFM e os seus assessores:

1) Transformar a Torre dos Clérigos numa torre de telecomunicações (com parabólicas e tudo)
2) Fazer um parque aquático na Lagoa das Sete Cidades
3) Construir um estádio no vale glaciar da Serra de Estrela
4) Fazer um hotel no Mosteiro da Batalha
5) "Modernizar" o centro histórico de Guimarães
6) Secar a Ria de Aveiro (esse desperdício de espaço...)
7) Plantar eucaliptos nas planícies alentejanas

Não são as melhores sugestões? Que querem? Não é qualquer um que consegue ter ideias do calibre das de LFM. Tenham dó!...

Curtas (10)

N'"A Brasileira", no Campo Pequeno, peço um copo de vinho ao almoço. Servem-mo num copo bastante sujo, com porcarias agarradas. O rapaz que me atende pede desculpa, serve-me outro copo e explica: "sabe, às vezes é dos nossos dedos".

Fiquei mais descansado.

Curtas (9)

No blog do Cláudio Ramos, por entre inúmeros auto-elogios, também há lugar a fortes palavrões.
Surpreendeu-me... nunca pensei que, na boca do rapaz, a versão vernácula de "pirilau" fosse um insulto.

A miúda dos sapatos vermelhos

Sempre houve uma coisa em mim que detestou modas e unanimidades. Se algo se tornava consensual, eu imediatamente começava a olhar para a coisa de soslaio. Há algo de estranho quando toda a gente está de acordo...
Recentemente, o panorama musical nacional viu ser editado um álbum de nome "Golden era", de uma cantora que responde pelo nome de Rita Redshoes. Já se vê que não é o nome da pequena até porque ela é bem portuguesa. Mas, como se insere nesta triste (e longa) moda de cantar em Inglês para Português ouvir (só os Moonspell é que conseguem ter uma carreira internacional?), a Rita Pereira resolveu arranjar um nome artístico "internacionalizante". Seja, então.

Como toda a gente anda a falar da moça, tecendo-lhe os maiores elogios, eu, cumprindo o meu feitio, não o vou fazer. Exactamente, eu não vou falar da obra mas sim da artista. E isto porque a pequena é um xuxuzinho que dá vontade de levar para casa. :)
Vi-a na FNAC...

(onde foi tocar algumas canções do seu óptimo disco)

...e imediatamente fiquei preso naqueles olhos grandes, risonhos, quase de criança que vê à frente uma recompensa. Primeiro em roupa à civil, durante os testes de som, com o cabelo apanhado num jovial rabo-de-cavalo e, depois,

(já durante o bem interessante concerto)

num vestido escuro, de lã - o que lhe motivou um desabafo por causa do calor ("tira! tira!" pensaram alguns...), com o cabelo solto e os sapatos vermelhos que lhe dão o nome artístico. O quadro era bonito de ver e serviu para ajudar a cativar...

(ainda mais)

...o público presente na FNAC do Chiado e que já devia conhecer o álbum em apresentação. Foi bom de ver...

(a artista!, que, da obra, eu não falo)

...e abriu o apetite para mais.

Rita Redshoes, antes de se lançar a solo, foi cantora de uma banda de nome Atomic Bees e mantém uma colaboração de anos com David Fonseca, tendo inclusivamente dividido uma bonita canção com ele. Há quem lhe chame uma protegida do leiriense...

(eu, se pudesse, tomava conta dela)

...o que pode ser mais um ponto a favor do ex-vocalista dos Silence4.


Bom, se não fosse a já minha declarada embirrância com os consensos...

(que me impede de dizer o quão boa é a música da Rita Redshoes)

...e o facto de eu a ter olhado mais do que ouvido, seria capaz de espraiar-me aqui em elogios ao disco, aos telediscos, à voz dela, às letras, ao vestido, aos sapatos, ao penteado, enfim, a todas aquelas coisas que compõem este projecto assente nuns saltos altos muitíssimo elegantes...

Venham mais Ritas, Marias, Albertas e Manelas que nós cá estaremos para olhar para elas. (fina rima, hem?)


NOTA: a foto da Rita Redshoes que aqui se vê foi despudoradamente roubada do blog da Rita Carmo (ritacarmo.blogspot.com)

Curtas (8)

O site Portugal Diário criou um novo visual e andou, durante semanas, a perguntar a opinião dos leitores. A maioria foi negativa. Consequência: o site mudou mesmo de visual e os comentários a favor passaram a ser considerados "o melhor do leitor".

Há gente que não tem a noção do ridículo... (já não bastava o mau jornalismo)

Os reis do ye ye

Era uma vez o tempo em que uma gravata era um acessório de "jovem", a maioria da população não sabia ler nem escrever, no quintal tínhamos territórios com leões e povos exóticos, um velho sovina fazia discursos convencendo-nos que ser pobre era uma coisa boa e os pretos na América, enquanto levavam bordoadas da polícia racista, faziam da melhor música que já se ouviu.

Hoje, a gravata é uma espécie de "opressão", quase toda a gente sabe ler e escrever (pitas à parte), as colónias foram-se, o velho calou-se, as pessoas enriqueceram, e os pretos na América, como já não levam porrada da polícia, dedicaram-se a inundar o mundo com o maior lixo que já se ouviu.

Como tudo são recordações (salvé Espadinha), sabe bem uma visita ao blog Os reis do Ye Ye para visitar o valioso espólio discográfico do Fantomas, um coleccionador de vinil cujo acervo bem merecia estar em mp3.

Imagens para saborear

Hoje deixo aqui uma sugestão para um blog: ritacarmo.blogspot.com/.

Rita Carmo fotografou diversos artistas e colocou no seu blog algumas das fotos, várias delas capazes de concorrer à designação de icónicas. A título de exemplo, reparem na beleza da imagem de Jorge Palma que ilustra este texto...

Muitas outras óptimas fotografias podem ser vistas no blog, abrangendo um leque de artistas vasto mas com clara predominância no que é bom, que é como quem diz, o que é nacional.

São imagens para saborear com calma, tentando ouvir nelas a música que as fez nascer.

Velho e cansado

Podia começar este texto de muitas formas. Uma delas seria lembrar-me de quando Mark Knopfler e os Dire Straits eram uma referência incontornável da minha adolescência. Da forma como eu e um amigo seguíamos a carreira da banda e do seu líder (a melhor fase a solo de MK foi durante os DS), de como lhe copiávamos a maneira de tocar, de como tentávamos aprender as músicas do Alchemy seguindo fotocópias de pautas, de como comprávamos ou gravávamos tudo aquilo em que o "mestre" tocasse (ou produzisse, ou abençoasse), de como pendurávamos nas músicas dos "Apertos Terríveis" alguns dos nossos sonhos ao som daquelas notas de guitarra que pairavam no ar e se alongavam ainda mais nas horas nocturnas. A vida faltava-nos ainda quase toda e, no entanto, tanto dela parecia já estar ali ao nosso alcance... Há traços de uma idade passada que acordam sempre que o início de Romeo & Juliet é dedilhado na guitarra de aço de MK; há horizontes que se tornam maiores na monumentalidade instrumental de um Telegraph Road; há uma menina que nos espera num parque de diversões qualquer, onde as bancas de tiros se cruzam com as lojas, logo ali, à saída do "túnel do amor".

Podia também começar relembrando a desilusão que foi ver (finalmente) os DS em Portugal. Muitos anos depois da sua fase maior, quando o nosso país se abria aos grandes espectáculos - então na enfadonha versão "concerto de estádio" -, a banda londrina ofereceu ao velhinho Estádio José de Alvalade um evento competente mas que já dava para perceber que a chama era pouca. Tempos mais tarde, tocaram no Algarve e as críticas foram unanimemente melhores. Pouca sorte das dezenas de milhares que estiveram em Lisboa...

Finalmente, podia falar do outro concerto de MK que vi no Pavilhão Atlântico e onde a "decadência" do homem que Herman José considera categoricamente como o pior entrevistado que já lhe calhou (só respondia por monossílabos), já dava mostras da sua graça: um espectáculo chato que só se animava quando MK ia ao baú buscar os icónicos temas dos DS.

Se, nos concertos dos Scorpions, metade do público está lá pelas baladas (mulheres) e a outra metade pelo Hard Rock (homens), nos espectáculos de MK, toda a gente está lá pelos Dire Straits. A diferença é que a banda alemã é feita de gente minimamente atenta aos gostos de quem lhe sustenta o nível de vida e procura agradar a todos, enquanto que Knopfler está-se marimbando para a montanha-russa que são os aplausos ao longo das cerca de duas horas em que toca: da relativamente comedida reacção aos temas "a solo" ao quase delírio quando os anos 80 "straitianos" surgem. A alegria do reencontro chega a ser tal que ofusca completamente momentos que deviam ser saboreados com um silêncio quase religioso (mais uma vez, a guitarra de Romeo & Juliet).
Os concertos de Mark Knopfler dificilmente poderão melhorar. O caminho apresenta-se claramente descendente. Por várias razões: MK já não tem o talento de compositor que tinha; a colagem a estilos tipicamente americanos diminui-lhe a margem de criação; Knopfler quer ter uma carreira sua (se assim não fosse, ressuscitava os Dire Straits - operação certamente de retorno milionário). Quanto mais anos passarem e maior for o reportório a solo, menos espaço haverá para as canções dos DS. O público perde - MK está-se, certamente, lixando.

Toda a atitude do escocês é feita de um laxismo que só cede perante a competência técnica. E mesmo esta parece, aqui e ali, ser incomodada por algumas precipitações (houve ou não versões "encurtadas" de alguns momentos?). MK passeia (enfim, apresenta) em palco uma barriga redonda sobre a qual assenta as diversas guitarras que vai usando, cada uma com a sua afinação e nem sempre a que se espera nos temas. Compreende-se que haja cansaço por parte do artista ao executar infinitas vezes alguns temas mas, daí a mostrar menos cuidado na interpretação... É essa a imagem do profissionalismo que Knopfler não parece seguir. Em cima do palco, ele tem de dar espectáculo. E isso passa por uma selecção de temas que agradem ao público e por uma atitude enérgica na interpretação. Várias vezes dei por mim, no Campo Pequeno (muito más condições, no segundo andar) à beira do enfado absoluto, olhando para um homem que parecia mais estar a tocar num qualquer evento para paralíticos com problemas de insónia do que para milhares de (velhos) fans seus.
As músicas escolhidas para serem interpretadas foram do mais chato que se possa imaginar. Momentos houve em que mais parecia que era preciso encher uns minutos com qualquer coisa e enfiava-se uma suporífera bucha no estilo arremessado de "country" que MK agora segue, do que estarmos propriamente num concerto de um nome grande da pop britânica. Mau demais!


Mark Knopfler podia tocar sentado num sofá. Aliás, custa-me a crer que a displiscência daquele não lhe tenha já segredado ao ouvido semelhante sugestão. Assim por assim, a figura chega a ser tão imóvel que só se lhe vêm os dedinhos mexer, algo que continuaria a poder fazer confortavelmente refastelado. O público poderia fazer o mesmo e, deixando-se ir na onda, adormecer sonhando que estava de volta aos anos 80/90 quando uma banda chamada Dire Straits era fundamental no panorama musical mundial, aí ainda liderada por um magro e razoavelmente mexido guitarrista de fita na cabeça e não por um avô de ar quase sempre sisudo.

O problema de MK é que, apesar da sua enorme obra, é demasiadamente humano para o que um artista deve ser. Aos grandes músicos não cabe o direito de envelhecerem tanto ou mais do que os seus fans. Há qualquer coisa de imoral numa criatura que, em cima do palco, não faz questão de ser mais jovem do que o mais novo dos seus espectadores. A idade não pode ser desculpa. Os Rolling Stones continuam aos saltos em palco, Bryan Adams parece um adolescente, os Iron Maiden debitam hora e meia de pura energia. Todos com estilos muitíssimo mais exigentes do que o de MK.

Fui a este concerto como uma espécie de tira-teimas. Tirei-as todas: cinco ou seis músicas de Dire Straits (Sultans of swing, Romeo & Juliet, Telegraph Road, Brothers in Arms, So far away) não são suficientes para justificar o preço do bilhete, ainda mais quando estamos sentados como sardinha em lata, encaixados entre o sujeito de cima e o de baixo, mexendo um pé e acertando nas costelas de alguém, com colunas à frente e gente sempre a passar devido à má disposição dos acessos das entradas às cadeiras.

A noite estava quente, como se fosse Verão. Mark Knopfler, como de costume, pos gelo na coisa.

Curtas (7)

Uma vizinha minha mostrou-se ofendida porque lhe enviei uma carta de reclamação e comecei-a com "Caríssima".

As meninas da net

Já aqui deixei, noutra ocasião, uma amostra da minha opinião sobre o tipo de pessoas que nos arriscamos a encontrar nos sites de "encontros". Não vale a pena repetir o que escrevi então mas valerá relatar alguns exemplos das prendas com as quais nos deparamos. E porquê fazê-lo agora? Porque me apetece e, sinceramente, não me estou a lembrar de nada melhor. :)





Caso 1: a psicóloga clínica

Uma rapariga a meio dos trintas, solteira, de aspecto chamativo (o que não é, necessariamente, sinónimo de beleza), presente em quase todos os sites de procura de uma cara-metade, aparentemente muito bem na vida...
Conversa-se com ela no MSN, diariamente, várias horas por dia, chega-se à conclusão de que há uma sintonia quase total de gostos e pontos de vista, somos soterrados em fotografias (dela, da família e dos cães), marca-se um encontro e, dois dias antes do grande momento, comete-se uma falha monumental: no meio de (mais) uma conversa, digo à moçoila para ser ela a puxar um assunto porque era quase sempre eu a fazê-lo. O que eu fui escrever! Que julgava que estava a falar com uma pessoa adulta, que éramos iguais, isto e aquilo e... silêncio.
Continuo a vê-la nos sites...


Caso 2: a comercial da multinacional

Mais uma trintona, de aspecto agradável, muito bem na vida, divorciada após um casamento de vários anos, vivendo numa zona moderna da cidade, quadro comercial numa multinacional do sector informático. Fala-se com ela algumas vezes, a coisa corre muito bem, e eis que, no meio de uma troca de banalidades (o que estás a fazer? o que estou eu a fazer?) escrevo que estou a tratar das fotos de alguém. "Mas, que relevância é que isso tem para a nossa conversa?!", dispara ela à queima-roupa.
Depois do "tiro", nem mais uma palavrinha...


Caso 3: a brasileira lusófila

Desta feita, o apelo foi do outro lado. Uma mensagem enviada e começa-se uma troca regular de mensagens e conversas no MSN. A rapariga é atrevidota (claramente à procura de noivo no lado de cá), o assunto é esclarecido e continua-se a conversar, inclusivamente sobre um bigodado pretendente à pequena. Passam-se semanas e meses e vai-se mantendo o contacto. Chega-se inclusivamente à fala propriamente dita. A rapariga resolve vir a Portugal (passando por Lisboa) para conhecer a terra de que diz tanto gostar e passear na companhia do pretendente. Pois bem, julgam que teve qualquer interesse em conhecer-me pessoalmente? Nada disso. Afinal de contas, vir a Portugal deve ser como ir ao café da esquina. Meses de conversas e nem a curiosidade de se estar à frente de alguém com quem se discute todo o tipo de assuntos.
Um dia muito mais tarde, perante uma "brincadeira" minha relativa ao esquecimento do meu nome, finge-se ofendida e "desliga".


Caso 4: a constipada

Cachopa atraente, a menina nos vintes, administrativa (?) numa empresa nas Olaias. Um bocado abaixo da idade para mim (ou eu acima, para ela) mas, ainda assim, tenta-se a coisa. Fala-se uma ou duas vezes e eis que me lembro de perguntar à rapariga se estava melhor da constipação. Bruto como só eu, pergunto se ainda estava "entupida". Ai credo, o vilão mal-educado! Corte imediato.


Caso 5: a professora universitária

Moça culta e cheia de histórias, do tipo palrador, divertida pela capacidade de conseguir falar sem parar sobre si e as coisas de que gosta. Encontramo-nos duas vezes. Não há atracção física mas a personagem é "engraçada" e interessante no acesso a um nível cultural pelo qual me sinto atraído. Trocam-se mensagens mas falho em ficar com o telemóvel da catraia (já repararam nos sinónimos de "mulher" que vou usando? - aprendam, que ficam com o vocabulário mais rico). Um dia "insinuo" que ela mo pode dar para nos podermos encontrar "acidentalmente". Como assegura já mo ter dado e eu não ter ficado com ele por falta de vontade, exige que eu lho peça explicitamente. Que não seja "naquela de saber" - não! -, tenho de o pedir.
A coisa fica por ali. Eu sem o número da menina e os dois sem (aparentemente) falarmos mais.


Caso 6: a brasileira ressabiada

Brasileira, 26 anos, estudante de psicologia na Universidade Lusófona. Bom aspecto...
Envia-se uma piscadela através do Match.com, recebe-se outra de volta, começa-se a conversar...
Na terceira linha, a miúda diz o que faz; na quinta, já está a dizer mal da maneira de ser dos Portugueses; na oitava chama-me nomes por eu dizer que não gosto do ensino universitário particular.
Corto a comunicação mas ela não gosta. Faz questão de continuar a vomitar o seu ressabiamento e má-educação em dois ou três emails irados.
Uma das coisas de que esta estudante universitária (futura "psicóloga") me tenta convencer é que, no Brasil, "mas" se escreve "mais"... Dá bem a noção da animalária...


Caso 7: a infeliz

Uma cara muito bonita chama-me a atenção num site. Como o email dá para ser percebido, adiciono-a ao MSN. Um dia, lá a apanho. Foi das conversas mais tristemente estúpidas que tive com alguém: a rapariga afirmava-se uma desgraçada, possuída por uma tristeza sem fim e até pedia desculpa por estar a escrever-se comigo, a pobre. Sem instrução, sem alegria, sem dinheiro, sem nada...
E eu sem pachorra...


Caso 8: a cantora pop

Parte de um trio pop, mais conhecido pelo aspecto das garinas do que pela sua música, esta moça passou largas horas de conversa comigo. Falou-se de muita coisa, trocámos números de telefone, SMS de Boas-Festas, ela enviou-me fotos em que aparecia nua, etc. Pois nunca consegui encontrar-me com a rapariga!
E uma pessoa fica assim, a modos que a pensar... se nem fotos de nudez significam alguma coisa...


Caso 9: a inquisidora

Uma vez, arranjei o contacto de uma rapariga que trabalhava num escritório de advogados perto de mim. Já não me lembro da origem do contacto mas lembro-me da absoluta frieza indagadora da criatura. Após os "olás" da praxe, a mulher ataca-me com um questionário cerrado: "Altura, peso, cor dos olhos, emprego (...)". A coisa morreu ali, naquela altura. Noutro dia, recuperada a paciência para aturar malucas, voltei à carga. E o cenário repetiu-se. :)

Curtas (6)

O Holmes Place da Avenida da Liberdade (Lisboa) tem descontos para homossexuais ou é só uma grande coincidência a enorme quantidade deles que lá anda?