Aparentemente, em Moscavide, um grupo de 10 a 15 brasileiros terá invadido a esquadra local para agredir um sujeito que apresentava queixa precisamente contra o grupo em questão. Nas instalações só se encontrava um polícia que não impediu as agressões ao queixoso.A existência deste agente único na esquadra do subúrbio lisboeta foi imediatamente vista como mais uma prova da falência do sistema de segurança pública e, como não podia deixar de ser, apontou-se o dedo à vítima do costume: o Governo. Mas o caso é mais sério do que possa fazer parecer a ligeireza com que tudo é resumido pela população com um "a culpa é de...". Se esta situação for efectivamente verdade (lembremo-nos do "arrastão" em Carcavelos e que, na realidade, nunca existiu), há várias coisas que devem ser analisadas. Para começar, a atitude (ou falta dela) do agente de serviço. O que fez ele para proteger o cidadão que apresentava queixa? Tentou protegê-lo? Fê-lo de forma activa ou passiva? Estava armado? Se estava, porque razão não usou a arma para impedir que uma vítima que se queixava fosse ainda mais incomodada (a ponto de ter ido parar ao hospital)? A partir de que momento é que um polícia acha que é legítimo sacar da pistola que o Estado lhe atribui para sua defesa e dos cidadãos que jurou proteger? Quinze indivíduos numa esquadra agredindo um só homem não bastam? É só a partir de vinte? Que não me queiram convencer de que o agente seria vítima de perseguição institucional se tivesse cumprido o seu dever de forma firme! Quinze imigrantes agredindo uma pessoa dentro de instalações policiais é situação mais do que suficiente para justificar a utilização de uma arma! Irra! Depois, passando à frente da incompetência do agente, há que analisar a reacção "popular". Esta, inevitavelmente, assenta numa histeria securitária (mais polícia, já e em todo o lado!), em complexos xenófobos (os estrangeiros são sempre piores) e na secular dependência de terceiros (ninguém se preocupa em prevenir e agir - os outros que o façam). Diz a voz do povo que não se pode aceitar que uma esquadra só tenha um polícia de serviço. É um ponto de vista, apesar de tudo, defensável mas que se deixa derrotar pelo paradoxo que é a população querer mais agentes na rua e, ao mesmo tempo, na esquadra! Se houvesse mais polícias "dentro", queixar-se-ia o Zé Povinho de não os ver "fora", onde são mais precisos...
Um demagogo resolveria a situação facilmente: mais polícia! E ficaria por explicar porque razão temos nós uma necessidade endémica de ter polícias a escorrer das paredes quando, noutros países com mais crime e meios para o combater, isso não acontece? Porque razão, no Japão, há quiosques na rua com um (um só) polícia lá dentro? Isso é sinal de incompetência organizativa? Não me parece. Esse agente serve para "receber" o cidadão e impor respeito no local mas não é a ele que compete a perseguição. Cá como lá, é à patrulha de rua que compete velar pela segurança pública. É um trabalho de rua, não é de secretaria!
Mas cá, na tugalândia, o que se quer é polícia por todo o lado. Quiçá ao estilo de Buenos Aires onde não se anda cem metros sem se encontrar um índio na sua farda preta. Mas eu preferiria uma coisa mais à Suíça (polícia? onde está ela?). Estilos à parte, o que importa sempre é que, quando a coisa aqueça, o responsável pela manutenção da ordem pública se saiba impor e isso, por mais leis que se façam, por mais agentes que se ponham nas ruas, por mais ministros que falem, é sempre uma coisa do homem que está no terreno e da sua capacidade para analisar a situação e a melhor forma de cumprir o seu dever. O povo quer mais polícias. A mim, bastava-me que os que existem fossem bons. No caso, que em Moscavide o agente tivesse sacado da pistola e a apontasse de forma decidida aos meliantes. Estes, após identificados, só teriam um caminho: o da expulsão do país. Bastava-me isto.
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