Abre a nova época tauromáquica no Campo Pequeno, em Lisboa. Pela primeira vez, resolvo ir à tourada ("aos toiros"). Enquanto contorno a praça, reparo em dois camiões de transporte de cavalos ali estacionados. Ambos pertencem a cavaleiros que vão actuar à noite. O camião da esquerda é do espanhol Pablo Hermoso. É um camião todo pintado, com uma grande imagem de um belo andaluz branco, na traseira e, nos lados, uma gigantesca assinatura do toureiro. Os vidros estão protegidos com ferros à maneira tradicional dos que protegem as casas no sul de Espanha. É uma coisa feita para o espectáculo, para impressionar quem a vê.À direita, está o veículo do nosso Luís Rouxinol. A diferença é abismal. Aquilo que no toureiro vizinho é imponência e vontade de se mostrar, no nosso é saloíce e displiscência. O camião está pintado de cinzento. Na traseira tem uma curriqueira imagem do cavaleiro. Nos lados, o nome da personagem está escrito numas letras incaracterísticas e, pasme-se!, há anúncios do fabrico e venda de matraquilhos!
A velha expressão "uma imagem vale mil palavras" aplica-se bem a este caso. É a diferença entre saber-se vender, saber projectar uma imagem, e o deixa andar lusitano para quem a embalagem nunca tem qualquer valor.
Depois, digam que a culpa é do Governo...
P.S. - Na arena, o "nosso" portou-se melhor, como seria de esperar.
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