A nossa história

"O último conjurado", de Isabel Ricardo, é um daqueles romances de aventuras, no estilo "capa e espada", que tanto fez as delícias de quem tenha qualquer coisinha mais do que trinta anos. Género que se reinventa em cada história, teve o seu clímax nas páginas do francês Alexandre Dumas (os mosqueteiros) e do italiano Emilio Salgari (o ciclo dos corsários). Mas todas essas histórias são estrangeiras e têm as cores de outras bandeiras que não a nossa.

"O último conjurado" versa sobre a revolta de 1 de Dezembro de 1640 e a consequente recuperação da independência nacional. É, portanto, uma história que, mantendo todos os ingredientes do estilo (o mistério, as lutas, o humor, o heroísmo, a traição...), compõe um quadro em tudo familiar. É a nossa História que desfila nas páginas de Ricardo.

Este é o segundo lançamento da obra. O original já data de há uns bons anos e foi então que o li. Desconheço qual foi a sorte da obra que, não sendo uma obra-prima é, concerteza, de agradabilíssima leitura, mas apraz-me ver que o livro está aí de novo e bem visível na FNAC. É de esperar algum êxito. Oxalá assim seja para que se possa contribuir com mais uma gota para acabar com esse imenso deserto que é a ligação que o nosso povo tem com a sua própria identidade.

Somos educados com base na cultura e história anglo-saxónicas e julgo não me enganar se disser que muito adolescente deve conhecer melhor a História dos EUA ou de Inglaterra do que a de Portugal. É triste mas é, em muito, o fruto de não sermos capazes de ter uma indústria audiovisual minimamente capaz.

Leia ou ofereça "O último conjurado" porque vale a pena. A História não vive só nos manuais e nos ensaios mas também na alegria das estocadas dadas aos maus da fita. :)

Quer ouro sobre azul? Complemente "O último conjurado" com "A independência de Portugal", de Rafael Valladares. Para saber mais, carregue aqui!

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