E pronto, aí está a preparação para o Euro 2008. Como não podia deixar de ser, multiplicam-se os apelos de apoio à Selecção, quase sempre em tom épico, o povinho todo a empurrar a camioneta com os nossos "heróis" (alguns deles, pela forma como se arrastam em campo bem gostariam de estar ali, feitos paxás...), a cidade onde a equipa treina (Viseu) a engalanar-se toda para receber os 23, as autoridades a porem-se em bicos de pés para estarem à altura da honra que é ter tão prestigiados hóspedes, as empresas a inventarem produtos para se colarem ao entusiasmo pela bola, concursos a dar prémios, entrevistas e reportagens em todas as TV's e rádios, um diabo a quatro!E, depois, submersos por tanta baba popular, lá estão os jogadores: antipáticos, ensimesmados, repetindo até à exaustão frases feitas sobre a importância dos adeptos (de quem eles se escondem), sobre a honra que é jogar pela Pátria (todos desejosos de conseguirem grandes contratos lá fora), etc.
Hoje, por exemplo, os nossos adoráveis campeões que, sendo para o tuga os melhores do mundo, na realidade nunca ganharam nada (nem a porra do Euro jogado em casa!), vão visitar um centro para deficientes mentais profundos. Se isto não é uma prova de amor à comunidade que os recebe, digam-me lá o que é! Deficientes mentais profundos... ou seja, gente que não só não deve reconhecer os jogadores como, mesmo que o conseguisse, não devia ser capaz sequer de lhes dizer "olá"! Isto, para as estrelas enjoadas é a visita perfeita: descansam, não apanham chuva e ainda se safam aos habituais fans peganhentos. No fim de tudo, as televisões encarregar-se-ão de os fazer parecer uns príncipes cheios de consciência social. Scolari dirá umas palavras de ocasião sobre a importância do apoio demonstrado pelos deficientes mentais profundos e do enorme carinho que sentiu em todos eles, Ronaldo piscará o olho a uma enfermeira e Nuno Gomes ficará impressionado com a forma como um dos deficientes o conseguiu fintar. Não há pachorra!
Ainda agora esta coisa começou e já estou farto de Selecção Nacional e de patriotismo de quinta categoria e de bandeirinhas e cachecóis e o camandro! E, no fim disto tudo, ninguém fala do que verdadeiramente interessa: estes tipos jogam bem, ou não? É que, observando os últimos vinte jogos da equipa das Quinas, o panorama é confrangedor... E se pensarmos que o último jogo de preparação, mesmo antes de partir para a Suíça, é com uma daquelas equipas "fraquinhas" com as quais gostamos de dar barracas... Ai mãe!
1 comentário:
Concordo em absoluto consigo, e digo mais, com a crise que está este país a viver é lamentável que as pessoas se mobilizem para aplaudir jogadores de futebol e não se mobilizem para fazer um protesto a sério pelo que realmente importa.
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