No concelho de Oeiras há muita coisa boa. É uma ironia, é certo, mas o "companheiro" Isaltino, comummente tido como corrupto, sabe gerir a Câmara Municipal do concelho vizinho da capital. Há arranjos paisagísticos bonitos, há parques empresariais "finórios", há jardins e equipamentos sociais...Enfim, diz-me quem nunca votou nele que o homem sabe o que faz.
É claro que nenhum presidente faz tudo e é preciso ter boas equipas à volta mas estas são geralmente fruto da arte de saber escolher com quem se trabalha e, fazendo, portanto, fé em quem é munícipe do Sr. Morais, o homem sabe rodear-se de gente competente.
Vem isto a propósito de uma ida minha, no Sábado passado, à Fábrica da Pólvora, que fica em Barcarena.
Vai-se pelo IC19, sai-se na saída para Tercena, dá-se umas voltinhas e eis-nos frente a um conjunto de edifícios que vai desde o Séc. XVII até ao Séc. XX. O espaço é grande e compreende vários núcleos mais ou menos dispersos pelos dois lados da ribeira da barcarena, uns ainda do domínio público, outros perdidos em ruínas e, finalmente, outros em posse privada (uma faculdade).
A Fábrica da Pólvora é, por assim dizer, uma espécie de Éden encravado numa paisagem cada vez mais urbanizada, sentindo-se perfeitamente a pressão urbanística a cercar o belíssimo espaço. Nalguns lados, já não é possível deixar de ver os prédios a agigantarem-se por cima das copas das árvores...
Mas a Fábrica, resiste. E com o trabalho de restauração e manutenção que a CMO empreendeu, foi possível proporcionar a quem visite o espaço um brilhante equilíbrio entre património arquitectónico, equipamentos sociais e zonas verdes.
Quase todos os edifícios estão pintados de amarelo, uma cor que contrasta fortemente com a vegetação feita, em boa parte, de eucaliptos, e que dá ao espaço um tom alegre, quase de verão. Há um grande anfiteatro onde se realizam espectáculos, há uma enorme praça onde qualquer criança gostaria de disparar a correr, há bancos a chamarem-nos para um descanso à sombra de uma árvore, há bom-gosto por todo o lado. E há a piada de ver os viveiros da CMO onde centenas ou milhares de árvores crescem os primeiro centímetros em vasos cuidadosamente alinhados como verdes exércitos em parada.
Trabalhei dois anos na zona de São Marcos - Cacém e, tirando uma fugaz visita, nunca tinha ido visitar a Fábrica da Pólvora porque me fazia impressão ir àquela zona que detestava e que tresandava à tristeza do trabalho. Finalmente, a pretexto de um bom bife com pimenta (única boa recordação de São Marcos), resolvi passar por Barcarena. E hei-de ir lá mais vezes, quer seja para me encostar a uma árvore nos relvados, quer seja para tirar fotografias ao deslumbrante amarelo com que os edifícios estão pintados, quer seja para beber uma cerveja e apreciar algum espectáculo.
Fábrica da Pólvora: um bom exemplo de que o património que os nossos antepassados nos legaram está aí para o bem de todos nós.
Sem comentários:
Enviar um comentário