09:00 - desloco-me aos contentores da reciclagem para deixar um saco cheio de plásticos e uns papéis de publicidade. No local está uma mulher, daquelas que podia ser nossa mãe, olhando com ar de poucos amigos para os recipientes. Na mão tem uma garrafa de plástico de 1,5l. Tira a tampa e lança-a para dentro do contentor dos papéis. De seguida, continua a olhar para aquilo... Podia estar a ler as legendas, podia estar a ver os bonecos mas, ainda assim, aprestou-se a dar à garrafa o mesmo destino da tampa (porquê a dolorosa separação, já agora?). Chamo-lhe a atenção: "Está a por uma garrafa de plástico no sítio dos papéis!". Responde-me imediatamente com aquele ar mal-disposto que elas põem quando lhes apontam uma falha: "Então, e onde é que hei-de por?!" Indico-lhe o contentor das embalagens e exemplifico deitando para lá o meu saco. Viro as costas e continuo a ouvi-la a refilar. A esta altura, já todas as suas amigas sabem que um malcriadão com ar de maricas (não sou, mas dizem que pareço) se armou em sabichão com ela, uma senhora respeitável. No tempo do Salazar não havia nada disto... a começar pela reciclagem.

09:10 - sentado no autocarro, na primeira paragem, vejo um homem entrar. Mete conversa com o motorista (qualquer coisa de irem a casa dele mudar não sei o quê), e, de seguida, exclama "Eh pá, 'tou cá com uma bebedeira!". Como se a revelação, proferida bem alto, não pudesse, ainda assim, ter sido suficientemente esclarecedora, o passageiro continua: "É daquelas secas, sabe? [ou seja, não era uma bebedeira "húmida"...], 'tou aqui..., eh eh eh, ai mãe, que bebedeira!...". Chama-se a isto começar o dia com alegria.

Se pensarmos bem, o lógico seria que a estúpida mulher que é incapaz de distinguir os contentores da reciclagem estivesse bêbeda e que o homem ébrio, esse sim, estivesse mal-disposto por lhe irem a casa mudar não sei o quê... Mas o mundo é mesmo assim: tudo ao contrário!

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