O filme "Tropa de elite" é mais do que uma fita agradável de ver. É mais do que a rara oportunidade de vermos um bom produto cinematográfico na nossa língua. É mais do que hora e meia passada no descanso de uma cadeira de poltrona a beber imagens de forma passiva. O filme "Tropa de elite" é a vingança que todos nós queremos ter de um mundo de xicos-espertos agressivos, de gentinha de esquemas e prepotência, de criminosos impunes... No limite, naquela tela de cinema está a fila de gente que nós fomos acumulando na nossa contabilidade pessoal sob a categoria de "filhos da puta".E estes, os filhos da puta, não se limitam, como nos vulgares filmes de polícias, a serem presos ou (em caso de pouca sorte) rebentarem dentro de um carro. Não, neste filme brasileiro, os "maus" são inapelavelmente mal tratados pelos "bons": são humilhados física e verbalmente, torturados, espezinhados, baleados, pontapeados, estrangulados... morrem com a naturalidade que o nosso espírito exige a quem não presta para nada e toda a película é um banquete cru onde as nossas frustrações encontram quem lhes dê satisfação.
Sem dúvida um filme a não perder pelo lado da acção, o "Tropa de elite" não fica, no entanto, pelo maniqueísmo simples de polícia x bandidos, expondo o degradante mundo da corrupção generalizada na sociedade carioca e das suas origens e consequências a nível social.
Mas, no fim, o que passa, o que fica, é a imagem dos polícias-soldados do BOPE a fazerem o trabalho que todos gostaríamos, uma vez ou outra, de poder fazer.
Caveira!
P.S. - já agora, em Português existe uma palavra equivalente à francesa élite: "escol". Ficam a saber...
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