GNR contra Emanuel


Lisboa
Cada um tem aquilo que merece.


Porto
Fim de ano: as duas maiores cidades do país preparam as suas festas para distrair a população. Lisboa agenda o maior grupo rock nacional (Xutos & Pontapés) e o Porto não se deixa ficar para trás e contrata o absolutamente estrondoso Emanuel, o homem que deu nome àquele estilo musical saloio com que toda a gente gozava e para o qual ninguém tinha um nome certo e decente.

Os reis do rock contra o rei da música pimba!

Provavelmente, tudo isto não passou de mais uma jogada maquiavélica da Câmara Municipal de Lisboa mas, aí, já estamos a entrar na teoria da conspiração. Certo, certo é que os Xutos & Pontapés cancelaram a participação por doença do Zé Pedro e a CML - agora, sim, numa jogada diabólica -, foi buscar os GNR ao Porto!

Sim, porque a cidade que tem os GNR, os Clã, os Azeitonas e mais umas quantas coisas interessantes, para a festa de fim de ano só se lembrou de dar à população uma grande pimbalhada!

Talvez o Emanuel faça parte dos planos para a promoção turística do Porto, sei lá, e a gente cá em baixo é que não percebe...

W.A.S.P. - Wild child



Anos 80, sempre os anos 80... Costumava ouvir isto com as colunas da aparelhagem (hifi) encostadas aos ouvidos, como se fossem auscultadores (fones). E que bem que sabia!

Para os mais novos (teenagers), que se perguntam quem raio são estes foleirões que aparecem no teledisco (videoclip), eu respondo que são os W.A.S.P. (ou WASP), uma banda de Heavy Metal muito à americana que usava de bastante provocação para se afirmar. Mas, ao contrário do que acontece com tanto artista, estes também sabiam fazer grandes músicas.

Embora algumas pessoas mais esclarecidas possam pensar que W.A.S.P. vem de "White Anglo Saxon Protestants" o nome vem sim de "We Are Sexual Perverts". Se o eram ou não, isso era lá com eles mas de certeza que gozavam bastante a vida :)

Os W.A.S.P. ainda vivem, embora sejam uma sombra do que eram nesta altura. Ainda assim, vale a pena ouvir algumas coisas. Para já, para aguçar a curiosidade, fica aqui este Wild Child.

A arte de complicar

"Ó pessoal, vamos ao teatro amanhã?" - pergunto eu. "Pode ser..." - respondem-me. E eis que me lanço à aparentemente fácil tarefa de comprar quatro bilhetes para a magnífica Companhia Teatral do Chiado. Até aqui, nada de especial...

Mas a CTC, agora, vende os seus bilhetes através de um serviço externo e isto implica, desde logo, não poder apresentar bilhetes antigos e com isso conseguir um desconto MUITO simpático. Paciência, fica mais caro mas é Natal.

Chega-se à altura de pagar e eis que o serviço de bilhetes cobra 6% sobre o total. A coisa acaba de ficar ainda mais cara. Paciência, que é Natal.

Acaba-se a encomenda (já com dois encarecimentos) e é-nos apresentado um écran informando de que temos de imprimir os bilhetes. Sim, não basta um email para levantar os papelinhos, ou um SMS para conferência no local (como na CP), ou um SMS com códigos de barras (como no Benfica). Não, temos de imprimir os bilhetes e tem de ser uma folha para cada um. Terceiro encarecimento, portanto. Como os bilhetes são grandes e muito coloridos, se um tipo se descuida, a coisa ainda implica mais gastos.

Até aqui, falou-se de gastos extras pelo luxo de comprar uns bilhetes na internet. Agora, vamos ao resto...

A impressora da casa dos meus familiares não tem ligação sem fios. Isso implica que eu pegue no meu portátil e vá até à sala onde está a dita. Quando lá chego, a máquina precisa de ser instalada no meu computador. O Windows não tem os drivers e é preciso puxá-los da internet. Na sala da impressora o sinal é muito fraco e tenho de regressar à origem para ter ligação à net. Uma vez aí, apesar da ligação, os drivers não são puxados e a coisa não fica instalada. Não há problema: mando um email para o meu tio (que está sentado ao meu lado) para que ele vá com o seu portátil à salinha da impressora para imprimir os bilhetes.

O assunto parecia bem encaminhado mas eis que a impressora só tem tinta preta e recusa-se a imprimir a preto e branco. O que fazer? O meu primo oferece-se para imprimir os bilhetes no seu quarto. O meu tio envia-lhe então um email com o PDF dos bilhetes (que já anda a passear em três contas...).

Chegado ao seu quarto,o meu primo repara que, como tinha formatado o seu PC ontem, também precisa de instalar a sua impressora. De caminho, nota que precisará, igualmente, de instalar o Adobe Reader.

Resultado, para ter os bilhetes para o teatro (muito mais caros), foram precisas três pessoas, três contas de correio eletrónico, duas impressoras, três computadores e mais de uma hora de trabalho.

É Natal, é o que vale.

Estou preparado!

Já estou preparado para a ceia de Natal. Não, não comprei um bife para poder fugir ao bacalhau mas muni-me de outras coisas que podem servir para animar o serão: uma garrafa de Vinho do Pico (que me custou o mesmo que várias de vinho de mesa - espero que valha a pena!) e outra de um licor madeirense que promete fazer furor, à base de rum, mel e maracujá. Para quem isto não seja suficiente, ainda há uma "pasta" de pistaccio, comprada numa pastelaria árabe.

A vantagem de aparecermos com comes-e-bebes (quanto menos comuns, melhor) é que podemos sempre dizer "Eh pá, não trouxe prendas mas trago aqui umas coisas boas" e com isto descartamo-nos à secante obrigação social de andar a comprar prendinhas para este e para aquele, situação que se torna patética quando temos de dar merdinhas só para não ficar mal na fotografia no que respeita aos convidados que mal conhecemos ou com quem não temos confiança nenhuma. No topo das prendas tristemente ridículas estão as caixas com velinhas...

Portanto, quando a televisão estiver ligada num qualquer canal de futebol e os machos da família se deleitarem a discutir os assuntos da quadra (i.e., o Benfica-Porto ou o Benfica-Cascalheira ou ainda o Benfica-NãoSeiQuem), eu falo com as garrafas. É capaz de ser divertido!

Entretanto, reparei que já tive a minha primeira prenda de Natal na forma de dois novos "sócios" deste blog. À vossa!

Amália no CCB

A foto ao lado podia ser o Calçadão de Copacabana ("moderna" obra nossa no Brasil) mas não é: é a alcatifa que cobre o chão da entrada da exposição "Amália", no CCB. Se este enorme tapete nos dá vontade de ser miúdos e desatar às cambalhotas, o melhor é mesmo conter os impulsos juvenis e guardar os nossos sentidos para o que se segue: uma enorme exposição dedicada à diva do Fado, assente em imagem e som, onde podemos contemplar todo o tipo de recordações ligadas a essa voz espantosa que cantou o nosso país mas que, infelizmente, também se dedicou a umas saloíces estrangeiradas às quais - a meu ver, mal - a exposição dá demasiado destaque. Podem dizer que é preconceito meu mas não me agrada caminhar por aquele espaço de homenagem a um ícone nacional e ouvir o "perompopero" (ou como é que se chama aquilo) abafar jóias da música a que se convencionou chamar "a música de Portugal". Nem o "perompopero", nem o "toro y la luna", nem uma qualquer coisa italiana que até tem direito a uma sala própria...

Pode-se alegar que as espanholices e outras "ices" de Amália fazem parte da sua carreira (e é verdade), que elas contribuiram para parte do seu êxito lá fora (igualmente verídico) mas há um sentido de prostituição artística e traição às raizes que me desagrada profundamente mesmo que as canções estrangeiras fossem adaptadas à sonoridade do fado. Afinal, se Amália era procurada inicialmente, não seria por causa das concessões aos internacionalismos mas sim pelo que de genuinamente português apresentava. Mas, sendo tão portuguesa, Amália tinha aquele gene de falta de orgulho que nos leva a querer corresponder ao interesse alheio não com um reforçar da nossa identidade mas sim com a apropriação parola dos traços de quem elogia.

Críticas à parte, vale a pena vaguearmos por ali, olhando as fotografias, ouvindo as canções - que até têm direito a uma enorme sala de audição onde apetece ficar deitado nas plataformas almofadadas contemplando um "paredão" de cortinas vermelhas onde duas pequenas colunas nos enchem com música (e, mais uma vez, estrangeirices metidas à pressão) -, passando pelo meio dos três gigantescos corações minhotos (a notável obra "Coração Independente") que rodopiam incessantemente numa sala só sua ou abrindo as gavetas com objectos pessoais e onde se descobrem simples e emocionantes cartas da cantora... enfim, sentindo, vendo e ouvindo Amália.

Numa salinha a um canto, a vocação "moderna" do Museu Berardo deixou espaço para que artistas expusessem obras cuja temática fosse Amália Rodrigues. É um espaço a evitar - felizmente pequeno -, já que a mediocridade das obras é por demais evidente num claro contraste com outras "homenagens" de qualidade como a do projecto "Amália Hoje" (que, curiosamente, também caiu na tentação da estrangeirice ao enfiar no disco com uma versão do tema "L'important c'est la rose" - para quê?!).

Como de costume no Museu Berardo, a entrada é gratuita. Não há desculpas para faltar.

Devaneios hormonais

Esta rapariga (Rita Carmo), não só é talentosa como, ainda por cima, tem aquele "je ne sais quoi" que, de vez em quando me lembra de que as mulheres podem valer a nossa paciência...

Impõe-se uma sessão fotográfica com a... fotógrafa. Agradece-se, sim?

Vontade de chatear (14)

A Securitas é uma conhecida e antiga empresa de segurança. Como empresa honesta que é, a Securitas leva muito a sério a segurança dos seus clientes. Já os outros, os que não lhe pagam, têm tratamento diferente. Observe-se a forma como este brioso "agente" da empresa estacionou o seu carro na Av. Alias Garcia, à noite. Da ponta do carro ao caixote do lixo vão dez centímetros, o suficiente para um contorcionista passar mas muito pouco para que os peões possam circular no passeio que, afinal, devia ser para eles. Como não pagam à Securitas, têm de caminhar na estrada e exporem-se a levarem uma trancada dos carros que passam. Tudo porque o agente da "Vigilância Mobile" (exactamente, não leram mal) não esteve para deixar o carro num dos muitos lugares de estacionamento da zona, às 22:00 de um Sábado e achou que uma coisa é ele ser "mobile", outra coisa é ter de andar meia-dúzia de metros até chegar ao carro.

Como de costume, o tuga ligou os quatro piscas, para que a sua conscienciazinha abrutalhada se sentisse descansada.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Um médico às direitas!

Andava eu folheando umas revistas com sessenta anos quando deparei com este anúncio. Não só vemos um médico a fumar (nada de especial, é certo) como ele até nos aconselha uma marca em especial: Camel. Espíritos céticos apontariam aqui um qualquer trocadilho maroto mas eu prefiro ver neste médico um homem bom preocupado com o nosso bem-estar mental, um seguidor das teorias holísticas que aconselham a olhar para os doentes como um todo e não apenas a olhar para um paciente como um fígado, uns pulmões, uns joanetes...

Este médico americano de antanho é um modelo que devia ser seguido, alguém que nos conforta e apoia nos nossos pequenos vícios, um porreiraço que nos abraça e diz "Gosta de doces? Enfarde-se neles, homem!", que percebe a complexidade da alma humana e a aceita - "É boa a pinga, não é? Beba mais um, vá lá...", que entende a incontornabilidade (pausa para respirar) dos pequenos prazeres mundanos - "Cerveja e amendoins, meu amigo, sempre ao sofá!", que não se compraz na tortura dos nossos corpos mas que procura o seu conforto - "Cansa-se na ginástica? É porque lhe faz mal." Isto sim, eram bons médicos, os que os americanos tinham.

Depois, vieram uns chatos e acabaram com a festa.

Acompanhantes incluídas?

Oh pá, eu sempre quis ir num cruzeiro! E, ainda por cima, andam para aí uns que até têm um preço em conta. Mas, como solteirão que sou, se for apresentar-me na agência de viagens pedindo um bilhete aplicam-me logo com uma taxa especial como castigo de não levar companhia. Sim que isto de barcos, hotéis e até casas está pensado para casais. Se não houver cara-metade - paciência -, fica mais caro.

Mas eis que o génio humano (e o aperto da crise) descobrem a solução: acompanhante grátis! Foi esta a brilhante solução para quem conversa com a sombra que uma empresa turística descobriu. Ou assim me fez pensar o meu espírito fantasioso quando deparei com o cartaz que aqui se mostra. Por breves instantes imaginei-me em frente ao funcionário da agência pedindo um cruzeiro e o catálogo das acompanhantes. Mais difícil do que decidir o destino da viagem seria escolher a companhia. Ah, que a baba já escorria na antecipação da viagem mas... eis que olho para umas letrinhas pequenas e tudo se desmorona: a acompanhante tem mesmo de ser fornecida por nós - eles só não lhe cobram pela passagem...

Ora bolas, fico novamente em terra vendo os navios passar!

Vontade de chatear (13)

Suponho que, se fossem perguntar a este automobilista a razão de estar a ocupar com o seu popó toda a área de estacionamento reservada às motas ali para os lados das Picoas ele alegaria que:

1) ao Domingo de manhã é dificílimo estacionar em Lisboa
2) é daltónico e não consegue ver o chão pintado de amarelo
3) o boneco representando um homem sobre uma mota podia ser um grafitti
4) não resiste a a ver uns pinos que tem logo de se meter no meio deles
5) o parque de estacionamento que há ali perto é só para quem quer ir ao cinema
6) anda a trabalhar e não é nenhum burguês
7) é pobre, mal casado e o patrão bate-lhe
8) toda a vida quis ter uma mota mas o pai não deixou
9) anda sobre quatro rodas mas tem alma de "motard"
10) ligou os piscas e isso desculpa-o de tudo

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

O Porto está vivo!

Cavalgando a recente novidade dos casamentos homossexuais, a Câmara Municipal do Porto decidiu apelar ao espírito inovador, tolerante e aberto que marca a capital do concelho do Porto e instituir os "Noivos de São João".

Esta iniciativa enquadra-se numa sã concorrência com a capital do país e visa estabelecer pontes de solidariedade que permitam aos casais "gay" o acesso à felicidade em moldes iguais aos dos pares mais conservadores patrocinados pelo santo alfacinha de nome António e conhecido popularmente na zona de Alfama por "Tó Santo".

Indagado o presidente da edilidade nortenha sobre se isto seria uma resposta à partida dos aviões da Red Bull para Lisboa, Rui Rio escusou-se a alimentar polémicas declarando apenas que "Mais uma vez, Lisboa está atrás e é assim que gostamos".

Da parte das forças vivas da cidade vizinha de Gaia, as reacções não poderiam ser mais positivas tendo a Associação Comercial do Porto desmarcado o boicote por si promovido à Red Bull, EDP, Galp, Santa Casa da Misericórdia, Associação de Cegos de Portugal e Federação Nacional de Filatelia com base na necessidade de desanuviamento das relações entre as duas cidades. "Nunca estivemos contra Lisboa, apenas achámos nojenta a atitude do monhé que manda naquela cidade marroquina", afirmou o presidente da associação que avançou até com um "slogan" para a iniciativa: "Beba um Porto e case com um roto".

Também a população portuense está entusiasmada com os "Noivos de São João" e sente que esta é a grande oportunidade de a cidade dar a volta e afirmar-se. "É importante que nos assumamos como cidade de ponta" proclamou orgulhosamente Roberto Baibém, um empresário de restauração na zona da Ribeira. "O Porto dá a cara e tudo mais para mostrar ao mundo o que realmente é", continuou o mesmo Baibém enquanto atendia uns turistas estrangeiros vindos do sul. "O país julga que nos pode guardar num armário mas nós vamos saltar cá para fora!", concluiu o empresário.

A hipótese de Lisboa promover um acontecimento semelhante por forma a roubar o protagonismo internacional que se espera a Invicta venha a ter é descartada por António Costa (o presidente da CML) que, aliás, manifestou o desejo de ajudar a CMP na organização do evento já que é conhecida a experiência do santo lisboeta em assuntos de bilhas partidas.

Mas, nem tudo são mares de rosas no Porto. A ILGA e a Opus Gay já vieram a público recusar a atitude condescendente da CMP exigindo que os casamentos joaninos incluam igualmente casais heterossexuais "Nem que os tenham de ir buscar a Guimarães!". Para as associações de defesa dos direitos dos homossexuais, é inaceitável a "guetização" dos matrimónios e a sua manipulação para fins políticos e turísticos. Por outro lado, o Bloco de Esquerda condenou vivamente a figura de São João que considerou "um lobo com pele de cordeiro".

Apesar destas reacções dos sectores homoactivistas, Rui Rio está esperançado em que tudo corra bem e adiantou alguns pormenores sobre as festividades: Desfile pela Av. dos Aliados, casamentos na Sé celebrados pelo Papa da cidade e, finalmente, copo de água no Palácio de Cristal que, contrariando o seu nome, será tapado para formar o maior quarto escuro de sempre. "Teremos cá um funcionário do Guiness para oficializar o record" sublinhou o Presidente da Câmara.

A segurança do evento estará a cargo de "uns rapazes de Gaia".

É neste espírito empreendedor que se têm vivido os últimos dias na capital do trabalho, com as autoridades preparando dossiês de promoção da cidade e realizando um sem número de contactos por forma a maximizar a "experiência portuense" de todos os que se desloquem à urbe para casar. "Já temos um símbolo para os Noivos de São João" - declarou Mirinda Catraia, a responsável pelo departamento de turismo da câmara - "Estávamos indecisos entre o edifício da Câmara e a Torre dos Clérigos mas optámos pelo primeiro porque está mais acompanhado dos lados e é um óptimo símbolo do que esta cidade é".

Relativamente à data em que os casamentos se irão realizar, a única certeza até ao momento é de que ocorrerão posteriormente à tradicional festa de São João já que nessa pretende-se que toda a gente possa martelar sem constrangimentos.

Segurança no trabalho, mano

:)

Vontade de chatear (12)

Pareceria difícil de acreditar se eu, porventura, fosse marciano mas, sendo de cá, já começo a alinhar na política do sorriso amarelo e do "não há nada a fazer"...

Este carro estava parado na zona da Lapa, no meio da estrada, bloqueando a passagem ao eléctrico, para que o seu dono fosse ao multibanco que está logo ali.

O que vale é que ligou os quatro piscas, essa maneira tão nossa de dizer "Cago em ti mas cumpro o código!".

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Checkpoint Galp

Não sei se será influência das notícias sobre as guerras com o petróleo como fundo mas esta bomba da Galp, ali na Av. Frei Miguel Contreiras (ou o frade que nunca existiu), parece mesmo um daqueles checkpoints militares. Só lá faltam os fuzileiros.

Se calhar, o melhor era mesmo chamar a tropa para guardar o local porque, se os proprietários sentem esta necessidade de barrar o acesso às bombas, é porque aquilo devia ser uma guerra fora de horas...

Entendam-se lá, por favor!

Este é um daqueles casos em que o transeunte fica sem saber que reação ter: rir ou pasmar?

Este prédio, situado na Costa do Castelo, pouco antes ou pouco depois do Teatro Taborda tem o destino dividido entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Assembleia Municipal de Lisboa. Uma diz que sim, a outra diz que vai pensar. Ambas deviam trabalhar para o mesmo mas, pelos vistos, andam às turras. Enquanto isso, o prédio e os seus moradores, que fiquem esperando que as comadres façam as pazes...

Uma estrada alegre



Ora digam-me lá se esta pintura da estrada que passa junto ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian não é uma verdadeira alegria?

Contra o cinzentismo, pintar! Bolas e bolinhas de todas as cores, vida ao alcatrão, alegria ao volante!

Se todas as estradas fossem assim, aposto que havia muito menos acidentes. As criancinhas também chateavam menos nas viagens porque podiam ir entretidas a contar quantos milhões de bolas até chegar a casa :)

Vontade de chatear (11)

Neste caso de tuguismo põem-se várias hipóteses:

1) o condutor é analfabeto
2) o condutor não conhece os sinais
3) o condutor está embriagado
4) o condutor é uma besta quadrada
5) todas as anteriores

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Quando falou, saiu disparate

As palavras do Dunga acerca dos jogadores brasileiros na Selecção Nacional causaram-me uma desilusão do caraças. Toda a vida tive o Dunga como o meu anão preferido e, quando finalmente o ouço falar... sai disparate!

Entusiasmo q.b.

Os jornalistas têm destas coisas: umas vezes ignoram olimpicamente notícias da maior importância; outras, dão-se ao luxuoso entusiasmo de colocarem a mesma notícia três vezes na primeira página de um site. É o caso do texto relativo à vitória do Porto sobre o Atlético de Madrid (vejam a foto ao lado).

Entusiasmos (ou distrações à parte), o FCP aviou três secos nos madrilenos (um por notícia, já se vê) e pos muita gente à beira da euforia, aquele estado de alma onde não se consegue perceber a verdadeira noção das coisas: o campeão português derrotou um clube espanhol de segunda categoria no que parecia uma espécie de cimeira ibero-americana onde, no meio de uma multidão de hispânicos, havia duas ou três pessoas capazes de se expressarem em língua de gente. O desporto de clubes tem destas coisas: contrata-se uma batelada de sul-americanos (que fazem birra de não falar Português) e, depois, apregoa-se a grandeza da cidade, da região, do país, como se toda aquela estrangeirada representasse qualquer coisa mais do que o patrão que lhes paga o ordenado...

Enfim, viva o Porto que é o nosso único orgulho em termos de clubes de futebol e abaixo os seus adeptos que, como de costume, passam mais tempo a discutir picardias saloias com os outros clubes, bairrismos pacóvios com os outros compatriotas e outras doentias emanações dos "verdadeiros portugueses" do que, propriamente, a comemorarem as suas justas vitórias... Uma tristeza.

Em Português nos entendemos?!

No serviço de apoio ao cliente da empresa onde trabalho caiu um pedido com o seguinte título:

Label no container do Login



Abrindo-o, revelou-se todo o mistério...

Corrigir label do Spam




Qualquer semelhança entre este linguarejar e a língua que - dizem -, se fala neste país, só pode ser mera coincidência.

A cidade dos aviõezinhos

A Invicta, volta e meia, fica agitada. Não estou a falar das cíclicas festas a comemorar as vitórias do FCP, nem do famoso São João. Há, de vez em quando, "matérias" que geram polémicas com formatos muito próprios, muito viscerais.

Nós aqui, da cidade capital, olhamos para as questiúnculas com origem na cidade das tripas e, geralmente, rimo-nos das personagens envolvidas (há umas certas semelhanças entre o Porto e a aldeia de irredutíveis gauleses, mormente quando desatam todos à pancada). Ou é um ex-major aos berros, ou é um ex-médico a chorar pedindo para o deixarem ir para casa, ou é um novo presidente da câmara a tentar salvar a pele de uma claque desportiva ainda menos recomendável do que as outras, ou é isto ou aquilo mas, naquela terra - e arredores -, parece que andam sempre todos descontentes uns com os outros e, depois, com os de cá de baixo. Entenda-se por "os de cá de baixo", os que cá estão e os que para cá vierem.

Desta vez, a nova polémica a trazer mais vivacidade àquela cadência choradinha com que os nossos irmãos portuenses falam é a dos aviõezinhos (ou "abionzinhos", que nós não alinhamos em discriminações de pronúncia). A malta do Porto está indignadíssima com a infernal capital por esta lhe ir "tirar" a organização da corrida da Red Bull. Como sempre, nada como ler os comentários às notícias na internet para nos apercebermos dos limites de estupidez a que o ser humano consegue chegar: pedem-se cortes de estrada, revoltas e revoluções, independência, restauração do Condado Portucalense (depois, começam as brigas por causa da definição de fronteiras), união com a Galiza, integração em Espanha, o diabo a quatro... E, a gente, aqui, ri-se...

Parece que a Red Bull tinha um contrato com a CMP e o contrato acabou. A CML adiantou-se e tentou trazer o evento para Lisboa. O Governo, estupidamente, meteu-se ao barulho. Ou seja, o município lisboeta fez o que lhe competia na defesa dos interesses de Lisboa, o do Porto, pelos vistos, não o fez e o Governo meteu-se onde não devia, o que, agora, dá azo a que aquela gente lá de cima ande a imaginar, como de costume, conspirações maquiavélicas para tirar o brilho à Invicta.

Mas isto seria demasiadamente simples. O problema do Porto não reside na linha do Tejo mas sim em si mesmo. O Porto é uma cidade com um ego exacerbado e, como acontece quase sempre a personagens com semelhante defeito, perde demasiado tempo a falar de si mesmo e muito pouco a fazer pela vida. Esta situação dos aviões é o melhor dos exemplos: a reacção perante a deslocalização da prova não foi de confronto saudável, nem de dinamismo institucional. A concorrência não agrada ao Porto. Ele quer a prova porque é sua e ponto final. Chegou lá primeiro e o resto que se lixe. É como aqueles homens que acham que por terem sido o primeiro namorado de uma rapariga, ela tem de lhes ser fiel para toda a vida. Só que a Red Bull quer é dinheiro e está-se pouco importando para o Porto ou Lisboa ou a Cascalheira. No Porto não percebem isso e reagem como crianças mimadas a quem tivessem tirado um brinquedo.

A associação de comerciantes do Porto vai mais longe na birra por causa dos aviões, incitando a um boicote aos patrocinadores do evento. Que nem mais um pingo de Red Bull escoe pelas gargantas da juventude portuense! Que nem mais um SMS seja enviado pela TMN! Que nem mais um carro role com gasosa da Galp! Fim aos patifes que roubam a cidade! Morte aos "bámpiiros" da capital que comem tudo.

Só fica por explicar é porque raio é que as tão faladas "forças vivas" do Norte (essa mítica região onde as cidades são todas rivais umas das outras), como de costume, são incapazes de assegurar a prevalência dos seus interesses sobre os de Lisboa. Fica por explicar como é que, no meio de tanto super-empresário, associação comercial e industrial, milionário e família rica de longos pergaminhos, ninguém consegue desencantar formas de dinamizar o Porto, seja com provas desportivas, eventos culturais de massas, estabelecimento de empresas e artistas ou qualquer outra coisa. Ninguém consegue explicar como é que uma vilazinha ao lado de Lisboa consegue ser competitiva com esta (falo de Oeiras) e a (ainda) segunda cidade do país só consegue olhar para a placa de saída...

Realmente, é fácil, é muito fácil pedir boicotes porque estes exigem aquilo em que a "cidade do trabalho" é melhor: não fazer uma porra! Depois, diz-se que é tudo porque os outros são maus como as cobras. Será que até um concerto musical tem de ser organizado no Porto por empresas de Lisboa? Os U2 vão tocar duas vezes em Coimbra, O George Michael foi lá, os Dire Straits tocaram no Algarve mas, no Porto, ninguém pára? Como explicar isto? É culpa do Governo?

A questão dos aviõezinhos prova o quão atual se mantém a famosa cena do Herman José e do seu Engº reunido numa cave secreta com mais três palermas que passam o tempo a irritarem-se uns com os outros enquanto planeiam ofuscar o brilho da Expo 98 com o seu Tripanário (que nunca mais está construído). O humor pode ser uma grande lição... Haja vontade de a aprender!

Racismo x Adaptação

Alguns ainda se lembrarão da mais ou menos recente polémica que envolveu a Microsoft através da sua filial polaca, tudo porque esta resolveu, numa publicidade, substituir a cabeça de um homem mulato pela de um homem branco. Racismo! Gritaram logo os habituais setores exaltados da sociedade. Perdão! Disse apressadamente a empresa americana.

Quem conseguir aliar o bom senso ao mínimo conhecimento do mundo, saberá que a "identificação" é algo de essencial na publicidade. O público-alvo tem de se identificar com as coisas que vê. É por isso que, sendo a publicidade feita na China muito mais barata do que a que se faz por cá, os detergentes para a louça não têm chineses sorridentes mas sim brancos. É por isso que se contratam caras conhecidas da TV para comerciais - porque as pessoas as conhecem e se "identificam" com elas...

Ora, na Polónia não há pretos. E, mesmo que houvesse, não seriam mais do que uma parcela insignificante das várias dezenas de milhões de habitantes que o país tem, logo, um anúncio com um mulato lá metido, não tem nada a ver com o público-alvo.

Por cá, apesar de os não-brancos não chegarem a, parece, 2% da população, já vai havendo o hábito de exagerar a proporção incluindo sempre alguém mais escuro (nunca preto ou indiano) de forma a contentar os espíritos politicamente corretos.

Mas, na Polónia não o fizeram e, vai daí, caiu o Carmo e a Trindade. Curiosamente, tivemos acesso a outro caso semelhante, ainda mais recente, e que envolveu a série de desenhos animados "Simpsons". Estes, como sabem, são orgulhosamente (ups...) amarelos mas passaram por uma cura de escurecimento para a publicidade relativa ao lançamento da série em terras africanas, mais propriamente, em Angola.

E agora? Mudaram a cor aos Simpsons (só para a publicidade), vestiram-nos com outras roupas, mudaram-lhes os penteados... Raios, até alteraram a paisagem no quadro pendurado na parede! Mas, atenção, agora já não é um caso de racismo... é, apenas, adaptação ao público-alvo...

Sorrisos amarelos

"Os sorrisos do destino" é a nova longa-metragem de Fernando Lopes. A apresentação da fita - vista e revista vezes sem conta ao fim de algumas idas ao cinema -, é competente no seu papel de deixar o espetador com vontade de ir ver o filme. E eu fui.

Fui, mas não gostei. E digo já que, atendendo a que é um filme português, convém afastar o quanto antes a hipótese de o meu desgosto se dever àquela peçonha intelectualóide que costuma cobrir a maior parte dos filme cá da terra: o filme de que falo não é um filme "para a cabeça". É, apenas, um filme "sem cabeça"...

Fernando Lopes, responsável por uma das minhas poucas fugas de sala com o seu "98 octanas", fez um filme com uma história débil, servido por personagens repletas de chavões e tão profundas quanto uma poça, assente em péssimos diálogos (com um ou outro momento engraçado) e uma falta de verosimilhança que nem a mais condescendente ironia poderia justificar.

Um casal vive em crise. Ambos vivem num belo apartamento. Ele escreve coisas num caderninho, num estúdio de fotografia e ela parece que anda ligada à literatura e à rádio. Ele, como fica bem em qualquer homem de meia-idade que se preze, é apreciador de Jazz e de whiskey e tem um fraco por boleros (passamos o filme a ouvir canções em Castelhano - o que é óptimo para as dobragens). Ela, como mulher culta, prefere a música clássica. Ele só come e cozinha pratos italianos e gosta bastante de expressões em língua estrangeira. Ela, resolve ocupar o seu tempo com um caso amoroso com um escritor angolano, cabrito, que vive numa obra de arquitectura moderna no Alentejo. Já se vê que ser escritor angolano, em Portugal, dá imenso dinheiro... Ele - o escritor -, apesar de ser um tipo jovem, culto, com boa pinta e viver no Alentejo, fala com a mais genuína pronúncia dos muceques de Luanda e conversa com a sua criada numa ininteligível língua africana. Ele - novamente o escritor -, tem um cão ao qual chamou "Wotan" porque é fan absoluto de Wagner e até gosta de cantar áreas em alemão ao seu cão. Ele - agora, o marido encornado -, tem um colega de trabalho para quem Fernando Lopes reservou a duvidosa graça de ter sempre uma palavrão ao canto da boca (aliás, parece que o realizador - ou quem lhe escreveu os diálogos -, acha que soltar bujardos é a melhor forma de fazer as personagens parecerem genuínas). Ele e Ela - o casal -, têm um filho que anda sempre de fato e gravata e patins em linha e tem uma namorada cuja personagem só perde em desinteresse para a do seu "mor" porque ninguém consegue perceber que raio anda este casal a fazer na história... E, parece que é tudo em questão de personagens. Ele - o marido -, e Ele - o amante, tornam-se amigos enquanto petiscam e bebem vinho e, no fim, não se percebe em que é que tudo aquilo fica. Da mesma forma que não se percebe como é que continuamos a gastar dinheiro a subsidiar merdas destas!

No cômputo geral, dou os meus parabéns ao cão, um belo Labrador amarelo, que parece ser a única coisa verdadeiramente genuína que atravessa a fita.

Eu sabia!

Eu sabia que o Lou Reed me fazia lembrar de alguém - ou algo...

O povo, mas só às vezes...

Se há país com o qual sempre simpatizei foi a Suíça. Talvez tenha sido daquelas grandes tabletes de chocolate que antigamente se vendiam, embrulhadas em papel com pequenas fotografias do país e que ainda hoje associo a uma idade de conforto familiar.

Quando pude, lá me fiz ao caminho para ir conhecer o país das montanhas e dos comboios. Foram duas semanas caras mas que me encheram a alma com "bilhetes postais" dos mais belos que já vi (e vi muito!).

Uma das coisas que me chamaram a atenção em território helvético foi a quantidade de cartazes que vi relativos a referendos. Aparentemente, aquela gente passa a vida a ser chamada a dar a sua opinião em consultas de iniciativa popular. Na altura, estava em curso a campanha relativa à abertura dos supermercados ao Domingo. Nunca me esqueci do cartaz do "não", com uma criança em frente a uma TV onde aparecia escrito "shit happens!". Se eu já apreciava a ideia que tinha da Suíça enquanto país organizado e respeitador das diferenças internas, a forma como o Estado entrega o poder aos seus cidadãos permitindo-lhes influenciar diretamente as leis deixou-me "apaixonado" pela democracia alpina. Ali, sim, o povo é, efetivamente, quem mais ordena!

Ora, agora mesmo, o povo suíço foi chamado às urnas para dizer sim (ou não) à proibição da construção de minaretes em território da Confederação. E o povo, democraticamente, votou pela proibição, passando a mesma a constar da Constituição nacional.

Repare-se que o referendo não foi sobre a permanência de muçulmanos na Suíça, nem para proibir a sua liberdade religiosa, nem para limitar os seus direitos cívicos ou qualquer outra coisa que os diminuisse enquanto cidadãos. Não, o referendo limitou-se a uma questão estética: a existência de torres (autênticos "foguetões" na maior parte dos casos - eu já viajei pela Turquia), espalhados pela absolutamente magnífica paisagem suíça, desvirtuando-a esteticamente e assumindo-se como pontas de lança de uma cultura que, sendo tolerada, não é a natural do país.

É escusado dizer que a decisão soberana do povo de um país que não tem de receber lições de democracia de ninguém imediatamente foi atacada pelo tipo de gente "bem pensante" que de há décadas a esta parte se tem encarregado de semear pelo velho continente essa coisa a que vulgarmente se chama de "multiculturalismo", que nunca foi pedido pelas populações nativas e que lhes é imposto ativamente pelas forças políticas de extrema-esquerda perante a passividade envergonhada da direita e o laxismo da esquerda democrática.

Uma das formas mais correntes de assegurar o silêncio do "contra" é a colagem aos radicalismos de direita, nomeadamente com a invocação do Holocausto perpetrado pelos nazis (ao mesmo tempo que se continua a ignorar os hediondos crimes comunistas, nomeadamente os de cariz xenófobo). Alcançando-se uma espécie de auto-censura que leva os cidadãos a terem vergonha de expressarem as suas opiniões publicamente (com exceção das mesas de café), assegura-se a predominância das ideias "libertárias" e, consequentemente, o estatuto indiscutível do multiculturalismo e de tudo o que o segue.


No caso do referendo suíço sobre os minaretes, a habitual tática de lançar gritos de xenofobia e racismo (o parzinho do costume) vai de encontro a uma maciça parede feita da prática democrática suíça e do absoluto respeito que aquela gente tem pelas diferenças culturais, linguísticas e religiosas dos seus habitantes, respeito esse na génese da própria confederação, feita de cantões livres que voluntariamente se associaram. É por isso que a Confederação Helvética tem quatro línguas oficiais (embora apenas três sejam correntes), que os cantões têm leis próprias e isso não converte a Suíça num caldeirão sempre pronto a explodir à menor tensão. A Suíça é um paradoxo que só se explica pelo verdadeiro direito à democracia.

Mas a esquerda radical tem um problema com a democracia, i.e., a esquerda a sério acha que a democracia é bonita desde que seja bem controlada, desde que só possa ser exercida ocasionalmente e sempre sob a tutela partidária. "O povo é quem mais ordena" é uma expressão bonita que tem o apelo de todos os motes panfletários e revolucionários mas que vai pouco mais além dos assuntos que os comités centrais decidam atirar para a rua. Quando o povo decide que quer mesmo ordenar sobre tudo, a esquerda, qual gato assustado, fica com os pelos todos eriçados e grita: intolerância!

Sim, porque o mesmo povo para quem a esquerda exige o direito ao referendo em matérias tão complexas quanto os tratados diplomáticos internacionais, alianças militares, organização interna do aparelho de Estado, etc. (coisas que exigem um grau de conhecimento e esclarecimento que escapa à esmagadora maioria da população), esse mesmo povo - dizia -, quando pretende ser consultado sobre coisas tão mais simples quanto a política de imigração, o multiculturalismo ou - como se viu na Suíça -, a proibição da invasão de elementos estéticos alienígenas, já é visto pela esquerda como uma perigosa massa radical à qual não se pode dar a voz, sob peso de fazer a civilização recuar séculos. O povo é quem mais ordena, mas só nos assuntos em que a esquerda quiser.

Felizmente, na democracia Suíça o povo pode ordenar sobre aquilo que muito bem entender e só tem medo disso quem tiver medo da própria democracia. Sabemos que a esquerda radical, onde quer que tenha tido o poder, imediatamente se encarregou de acabar com a democracia e fê-lo recorrendo ao genocídio, à deslocação de populações, à perseguição religiosa e étnica... Enfim, recorrendo a todos os expedientes que gosta de imaginar nos seus adversários.

A esquerda radical tem medo do povo, enquanto não o puder controlar. A esquerda democrática, tem medo de perder votos. A direita tem medo de ficar mal-vista e a direita radical, quando tem tempo de antena, passa mais tempo a defender-se do que a explicar as suas ideias. O mundo em que vivemos é este e é apenas uma amostra do que nos espera: um mundo de gente amordaçada pelo preconceito, auto-censurada, vítima de minorias, impedida de exigir respeito pelas suas tradições, história... até paisagem!

Os muçulmanos suíços continuam livres. Mais livres do que nos seus países de origem (mais ou menos remota), com a liberdade que lhes assegura uma sociedade democrática, livre e próspera. Podem ir à mesquita quando quiserem, podem comemorar o Ramadão, podem educar os seus filhos na fé do Islão, podem usar lenço, podem usar túnica mas não podem plantar minaretes. E então, qual é o mal?

Todos somos iguais mas alguns são mais iguais...

O título deste post é uma ironia tirada do livro "Triunfo dos porcos", de George Orwell, agora reeditado sob o nome mais correcto de "Quinta dos animais" ("Animal farm") e vem a propósito de um conjunto de intervenções que hoje foram feitas, na Assembleia da República, relativas à violência contra as mulheres (ver notícia no Público).

O tema é melindroso, como parecem ser cada vez mais assuntos que toquem setores da sociedade que se digam discriminados. Desde sempre que as mulheres foram alvo de machismo agressivo, nomeadamente na forma física e isso ainda é uma constante em todas as sociedades (por mais que os estúpidos do costume queiram achar que é característica nossa, o habitual poço de pecados do mundo). Mas, se é verdade que os problemas devem ser discutidos, também não o é menos que nunca se deve perder o norte nas discussões e é essencial manter a linha dos princípios bem presente. Discuta-se a prática mas não se omitam os princípios gerais. Ora, no caso da violência contra as mulheres (que não se limita a violência "doméstica") o que parece estar a acontecer é a criação de uma espécie de condição de exceção (sim, o acordo ortográfico...) que visa garantir que as agressões a mulheres estejam sujeitas a algum tipo de agravamento penal e a solução dos casos seja tida como prioritária perante outros tipos de agressão.

Conforme exigiu a deputada do CDS-PP, Teresa Caeiro, pretende-se "tolerância zero" para com os maus-tratos a mulheres. Mas, aqui, cabe perguntar: e os outros? Qual o grau de tolerância que a sociedade deve ter para os maus-tratos de outro tipo? Devemos nós aceitar que uma brutal agressão a um homem seja considerada menos grave ou não-prioritária perante uma agressão a uma mulher? Devemos considerar justificável a ideia de "classes" de cidadãos, com base no sexo, na raça, na religião?... Porque, a tentação que existe nos grupos que se dizem vítimas de algo é, sempre, reivindicarem um estatuto especial para si, alegando que tal condição é necessária para desencorajar eventuais problemas. Só que isto é exigir tratamento desigual, preferencial, e é uma escandalosa violação de um princípio basilar de uma sociedade democrática, consagrado em todas as contituições modernas: o da igualdade dos cidadãos.

A vingarem estas ideias de "tolerância zero" para com agressões (de que tipo for) ao grupo A ou B, estamos a criar uma sociedade ainda mais desigual e viciosa onde estas "preferências" produzidas pelo politicamente-correto tenderão a transbordar para as pequenas coisas do dia-a-dia com as naturais consequências sociais.

Valerá aqui a pena recordar o clima de medo no emprego, conseguido nas sociedades anglo-saxónicas com regras e mais regras contra o assédio sexual, a ponto de um simples elogio a um penteado poder ser utilizado como forma de conseguir vantagens através da mera sugestão de uma queixa por assédio?

Quando elementos de um determinado grupo social sentem que a lei está do seu lado (pressupondo que não estará do lado dos outros) e que, no caso de eventuais problemas, têm o crédito de pertencerem a uma "espécie protegida", esses elementos ganham um capital de prevaricação que só uma condição moral acima da média pode evitar usar em proveito próprio. Veja-se a chantagem que constantemente é feita sobre a sociedade e o uso abusivo de acusações de racismo e xenofobia, sempre que qualquer conflito envolve estrangeiros.

Os chamados "crimes de ódio" (tradição literal do Inglês) podem hoje ser qualquer coisa desde que se queira fazer notar algum tipo de diferença entre as duas partes e quase sempre há uma delas que, à partida, só é condenável e outra que só é vitimável.

Uma sociedade paternalista ("elas" nem notam que aquilo que pretendem é, realmente, a institucionalização da ideia de "sexo fraco") é uma sociedade formalmente desigual e podre, que faz de parcelas dos seus cidadãos reféns da lei e dos seus semelhantes pelo simples facto de terem nascido com o sexo ou a raça "errados"... Dir-me-ão que qualquer vítima de preconceito sabe o que isto é. É verdade, mas a diferença está no reconhecimento legal da diferença enquanto vantagem de uns e desvantagem de outros. Um caso gritante é o da entrega da custódia em casos de divórcio. Suponho que não haja base legal para a aviltante discriminação de que os homens são alvo nos tribunais mas isso não faz deste fenómeno algo de tolerável. Da mesma maneira que a violência contra as mulheres não se torna menos grave por não existirem leis de exceção.

Agressão é agressão, violação é violação, violência é violência, independentemente de quem a pratica e de quem a sofre. A lei não pode ter em conta qual o sexo de cada uma das partes, ou a cor da pele, ou as tendências sexuais... A justiça não pode afastar um pouco a venda para ver quem está à sua frente. Exige-se que continue cega sob pena de deixar de ser justa e marcar o fim do Estado de Direito, aquele pelo qual, ironicamente, tanto lutaram os que, cada vez mais, se vêem encurralados numa espécie de gueto para gente potencialmente perigosa...

Animais no jardim

Parece que o urso levou o cão a passear ao jardim, ali para a zona do Campo Mártires da Pátria.

Eram simpáticos, os dois. Sossegados e o cão não sujou nada.

Cumprimentei-os, ficando a aguardar voltar a vê-los por ali...

Abrir os olhos de vez

Há obras que - sejam elas filmes, livros ou, até, músicas -, têm o condão mágico de nos abrir os olhos e de nos fazer ver cenários que desconhecíamos ou perante os quais gostávamos de virar a cabeça.

O documentário cuja capa aqui se mostra é, precisamente, um trabalho que se enquadra na categoria de coisas que deveriam ser de estudo obrigatório por todos os cidadãos. Tal como as vacinas que tomamos a contragosto, também determinadas obras nos deviam ser impostas como forma de nos vacinar contra muitas ideias feitas que por aí andam e cujos defensores e promotores alegremente se passeiam por entre nós, quantas vezes com estatuto de vedetas fashion. De que falo eu? Falo de "The Soviet Story", um documentário da autoria do lituano Edvīns Šnore e patrocinado pelo Parlamento Europeu, que versa sobre a União Soviética e a sua colaboração activa com a Alemanha Nazi.

"The Soviet Story" é mais do que um murro no estômago, é um grito desesperado de apelo à verdade histórica e ao rasgar desse véu romântico com que a nossa sociedade gosta de cobrir os "feitos" do Comunismo. A história que Šnore nos conta, constantemente assente em imagens reais das décadas de 30 e 40 é a da cooperação entre nazis e comunistas para a invasão da Polónia, da forma como as antenas russas guiaram os bombardeiros alemães; do empréstimo de uma base naval no Báltico para que os nazis lançassem a invasão da Noruega; da entrega de judeus às SS por parte do NKVD; dos encontros prazenteiros e jantares de gala entre oficiais alemães e soviéticos; da ocupação e reutilização dos campos de concentração nazis por parte da máquina repressiva comunista; das bárbaras experiências médicas feitas em prisioneiros políticos; das semelhanças ideológicas entre nazis (nacional-socialistas) e comunistas (socialistas); dos paralelismos gráficos, artísticos e políticos entre as duas ditaduras; da formação que os assassinos nazis tiveram junto de assassinos soviéticos; dos massacres perpretrados pelo NKVD; do genocídio da população ucraniana a mando de Estaline e de tantos outros factos monstruosos que continuam a serem ignorados ou apelidados de merros "erros".

"The Soviet Story" não é uma coisa fácil de ver: exige vontade de nos confrontarmos com a realidade cruel e de nos prepararmos para mudar a nossa maneira de estar relativamente a muita coisa, nomeadamente à constante política de dois pesos e duas medidas no tratamento dos dois extremos do espectro político. É o conhecimento da História enquanto acto de libertação e de derrube de preconceitos, é o ganhar da sabedoria que nos distancia e permite ser frios na análise do mundo em que vivemos.

Repito: um trabalho como este devia ser transmitido nas televisões públicas de todos os países democráticos; devia ser mostrado a toda a população estudantil e, finalmente, devia servir de base a uma definitiva discussão sobre o lachismo com que a Democracia encara a existência de formações políticas baseadas em teorias que produziram as alucinantes espirais de violência e desumanidade que foram (e são) os regimes comunistas um pouco por todo o mundo. Voltarei a este assunto mais tarde mas é absolutamente notável como é que se gasta tanto tempo com pequenos furúnculos incompetentes como o PNR e se passa completamente ao lado do facto de 8% dos eleitores portugueses votarem num partido (PCP) cujos dirigentes apelidavam a União Soviética de "Sol na Terra", o mesmo sol que queimou cerca de vinte milhões de vidas (só na URSS)...

Vejam o documentário e assumam as suas consequências.

P.S. - dizem que o filme está aqui

Por falar em jornalistas e tugas...

Por falar em jornalistas e tugas: esta é a página de internet do Jornal "A Bola", na manhã seguinte a Portugal se apurar para o Mundial 2010.

Onde está a Selecção?

Dia triste para a tugalhada

Dia triste, triste... para a tugalhada, o de ontem. Afinal, a "poderosíssima" Bósnia não nos pôs de joelhos lá no cu-de-judas da Europa onde ela está; afinal, o estádio não foi um inferno onde nós nos queimássemos; afinal, não houve ataque avassalador por parte dos terríveis avançados adversários; afinal, não fomos massacrados por nenhuma avalanche de futebol....

Ganhámos. Ganhámos bem e só não impusemos à Bósnia uma derrota humilhante em sua casa porque os nossos jogadores continuam com gravíssimos problemas de vista quando lhes aparece a baliza pela frente. Isto, certamente, não é culpa do treinador. Aliás, o que sucedeu ontem foi uma repetição de tantos outros jogos: oportunidades, oportunidades e, golos, poucos.

Os anos passam, as gerações mudam e continuamos a ser vítimas da merda que abunda neste país, dos jornalistas sebosos que publicam e publicitam sempre as visões mais negras e pessimistas de tudo, do "cidadão" ranhoso e incapaz que vive submerso em complexos de inferioridade, dos responsáveis ausentes, dos parolos que querem aparecer a fingir que percebem de alguma coisa...

Morte, morte social e física a esta gentalha para que a nossa sociedade se possa regenerar e o país possa, finalmente, livrar-se da súcia de Velhos do Restelo que o impedem de brilhar. Mande-se esta escumalha para o deserto, para a Lua, para a puta que os pariu mas livre-se Portugal do tuga!

Quanto aos jornalistas, ainda nas bancadas os poucos portugueses comemoravam a vitória e já eles estavam a querer influenciar a equipa técnica para que a nossa equipa vá estagiar para Moçambique. Esta corja não aprende nada e a lição de Macau (onde estagiámos por razões "políticas") já foi esquecida. É certo que Moçambique e a RAS são vizinhos e isso não acontecia (nem de longe) com Macau e a Coreia do Sul mas é o princípio que vale e esta gente, de princípios parece perceber pouco...

Uma última palavra para a enormíssima diferença de civismo existente entre os jogadores bósnios e o seu público. Portaram-se bem no campo e mesmo quando se viram numa situação desesperada, não entraram no confronto físico, não foram agressivos, lutaram o que sabiam e até tentaram acalmar os selvagens que, das bancadas, atiravam objectos para o campo. Selvagens que, ao que parece, atiraram pedras à camioneta da Selecção Nacional no final do jogo, selvagens que cuspiram nos nossos jogadores à chegada ao país e que revistaram minuciosamente as malas da nossa comitiva na alfândega do aeroporto, selvagens brutos e estúpidos que acham que um jogo de futebol se pode ganhar com expedientes tão ridículos. Gostei mais dos bósnios como "cavalheiros" em campo do que como jogadores. Já fora de campo, parecem ser uns animais. Talvez pudéssemos mandar para lá os tugas, não?

P.S. - A canalha já corrigiu o seu discurso. Agora que já estamos no Mundial 2010, a ideia é que vamos lá só para fazer má figura...

CR12 - substituição, já!

O recente jogo da Selecção Nacional contra os seguidores de mafoma vindos lá da Bósnia mostrou-nos várias coisas. A primeira, que eles andam com a fé trocada e aquilo de se porem de rabo para o ar não sei quantas vezes ao dia, não só deve ser incomodativo como parece ser improdutivo - aquelas duas bolas seguidas ao ferro são sinal de que Alá não existe e que Deus (o nosso e o dos sacanas dos marranos), para além de continuar a fazer milagres também é português. A segunda ilação que se tira da partida é que, afinal, não é só o CR7 que não faz falta nenhuma, é também o CR12 ou Cambada de Ronhonhós 12 ou, ainda - na versão diplomática da FPF -, o "fantástico público". O nosso 12º jogador esforça-se tanto no seu papel de apoiar a equipa que até foi preciso à organização contratar um tipo para tocar corneta durante a partida de modo a fazer a carneirada segui-lo. É uma versão moderna do flautista com a diferença de que este tentava tirar os ratos da cidade enquanto o nosso cornetista os traz para o jogo. O adepto tuga acha que a sua simples presença nas bancadas é suficiente para fazer os jogadores correrem o dobro. Se eles não vêem os barretes dizendo "Vila Pouca do Fim-do-mundo apoia a seleção", lá para os lados do terceiro anel, o problema é deles que são uns arrogantes.

O nosso nº 12 precisa de ser substituído por ser mau no que faz. E, como é típico do tuga, a sua incompetência leva-o a detestar os que se portam melhor do que ele. Como os muitos adeptos bósnios faziam o que lhes competia (quase lembrando os ingleses), os tugas calavam-nos, não apoiando mais alto mas assobiando os turistas. No fim do jogo e com uma derrota no bolso, os bósnios continuaram dentro do estádio, cantando, enquanto o CR12 abandonava a Luz, cabisbaixo por ter vencido. Pela sua boa exibição, merecem jogar na segunda-mão onde farão concerteza melhor figura que o CR7 cujo regresso se ameaça e que o CR12 que, a bem da alegria na bola, ficará em casa.

A doença das palmas

Sabem aquele aviso que aparece no cinema pedindo para que as pessoas desliguem os telemóveis? Não é só nas fitas que semelhante pedido nos é feito. No teatro e nos espectáculos que não sejam eléctricos há sempre uma voz que aparece vinda do alto lembrando-nos, por formais palavras, da necessidade de não lixar o concerto aos outros. Mas isto não é suficiente. É que a tugalhada sofre de uma doença a que eu, na falta de termo científico adequado, chamaria de "palmite" ou seja, "o mal das palmas". O tuga adora bater palmas! Se há mais do que dois segundos de silêncio numa música, lá está a saloiada, toda contente, a bater palmas... É pop, é clássica? O que interessa isso? Importante mesmo é bater palminhas. Não há registo ao vivo de um artista nacional que não esteja todo fodido pelas palmas. A Amália abria a boca e lá vinham as palmas; o Veloso faz um trejeito à voz e o maralhal rebenta em palmaria; O Sérgio Godinho diz uma piada e o tuga, em vez de rir, bate palmas; Nos discos ao vivo ouvem-se mais as palmas do que as músicas. Mais do que irritante, é criminoso, porque nos rouba (aos apreciadores civilizados) momentos dos espectáculos e nos impede de saborear tantos pormenores delicados.

Ontem, mais uma vez, a palmite fez-se notar em força. O Coliseu dos Recreios recebeu mais uma companhia em digressão com "os" Carmina Burana (ficou-me a lição dos concertos no Largo de São Carlos). Desta vez, não só tínhamos a esplêndida obra de Carl Orff como também havia bailarinos e encenação a condizer com as letras das músicas. A coisa prometia, portanto, sobretudo para quem já havia visto algo semelhante há uns bons anos atrás no Pavilhão Atlântico (entretanto, desapareceram uns milhares de espectadores...). Ora, como já adivinha quem tem a paciência para me ler, o tuga e a sua mania das palmas resolveu espatifar vários dos temas. Como se não bastasse a canalhada achar que deve bater palmas no fim de cada música, ainda acha que sempre que há um pequeno silêncio, é para começar a aplaudir. Isto demonstra desconhecimento das "regras" da música clássica (o maestro vira-se quando é altura de aplausos) e da obra. Ambas as ignorâncias se perdoam com a boa vontade que se deve ter para com os "iniciados". Já não se perdoa é a insistência daquela maltosa lá da plateia (os lugares mais caros) em repetir o erro música após música sem perceber que, ao contrário do que seria de esperar, o resto da sala não a acompanha. Nhurros como devem ser, nem acham estranho o silêncio alheio. Provavelmente, muitos pensarão que os outros - os que não batem palmas -, são uma cambada de brutos incapazes de apreciar boa música.

Morra, portanto, a palmite. E que os organizadores dos espectáculos de música clássica (pelo menos estes) comecem a pedir contenção aos espectadores para que estes não arruinem as peças que, supostamente, deveriam estar ouvindo. Entre um telemóvel e cinquenta bimbos batendo palmas, qual incomoda mais?

Quanto à qualidade do espectáculo: valeu pela encenação e nada mais (os cantores - um dos quais repetente no Coliseu, não brilharam). O coro tinha pouca força (e foi completamente "esquecido" no momento dos aplausos finais, devido à posição que ocupava no palco) e o "O fortuna" (o grande tema da obra) foi a pior versão que já ouvi (e foram várias): sem fulgor, sem a capacidade de nos arrepiar e com um horrível oboé insistindo em demarcar-se do grupo. Também notei diversas variações nas vozes masculinas por forma a se "adequarem" à encenação, sem que isso tenha significado qualquer mais-valia para o espectáculo e, consequentemente, para o público.

A fechar a noite, a surpresa da ausência de encore (nunca visto por mim!). Mas, talvez tenha sido melhor assim. Teria sido frustrante para a companhia actuar perante uma casa onde tanta gente se apressava em sair. É que a tugalhada lá da plateia, depois de explodir em palmas (finalmente, na altura certa) nem sequer se dignou esperar pelo habitual "brinde", levantando imediatamente os pomposos rabiosques das cadeirinhas pagas com várias dezenas de euros e correndo para as portas de saída.

Se tiver sido esta a razão da inexistência de encore, então, é caso para dizer que me lixaram duplamente o concerto. Mas eu sou dos pindéricos que vão para o galinheiro...

A beleza do paradoxo

Num momento em que o trabalho se me afigurava particularmente enfadonho, ocorreu-me um pensamento cuja beleza se revela na profundidade do seu paradoxo: a utilização do rato permite trabalhar e coçar os tomates ao mesmíssimo tempo.

Morreu o António Sérgio

Uma vez o homem passou por mim, ali perto da Av. da República. Franzino... em tudo contrastando com aquela voz poderosa que se lhe ouvia na rádio. Levava um brinquinho na orelha e isso também não condizia com a roupa que vestia, feita de uma camisa aos quadradinhos e uns calções azuis. Ficou-me a imagem porque, na minha cabeça, o António Sérgio seria sempre alguém vestido de preto e com ar de velho rebelde. Se o era, naquele dia estava de férias...

Do trabalho do agora falecido sou um quase ignorante. Conheço-lhe o "Lança-Chamas" e alguns minutos dispersos de outros programas radiofónicos que não me prenderam minimamente a atenção. Mas isso não é importante para mim. Não pretendo fazer elogios ao radialista nem escrever análises da sua carreira. Apenas me lembro de que, numa outra vida, havia um programa, aos Sábados à tarde, cujo genérico era um fantástico solo de guitarra de Eddie Van Halen e que, durante duas horas, rebentava as ondas hertzianas com nomes como Slayer, Overkill, Obituary e outros do mesmo calibre (que era grosso). O "Lança-Chamas" não era um programa de Heavy Metal - para isso estava lá (na Comercial) o "Rock em Stock" do Luís Filipe Barros. Não, o programa do Sérgio era para quem já estava mais "dentro" do Metal, i.e., para quem a simples distorção não bastava e era preciso qualquer coisinha mais pesada. Por isto mesmo, nunca fui fan do programa. Nessa altura, esse monumento que é o o Battery (Metallica), para mim, não passava da introdução acústica e até nomes como os Megadeth já eram "barulho". Dá vontade de rir, hoje em dia, mas era assim mesmo. Ainda assim, ouvia espaçadamente as propostas do António Sérgio e do seu ajudante. Porque eram propostas já que, no meio do Metal não se aplicam (muito menos, então), as lógicas comerciais do massacre publicitário. O radialista passava aquilo de que gostava, e pronto!

Uma vez, concorri a um concurso onde se pedia que redesenhássemos o logotipo do U.D.O - lá ganhei o terceiro prémio e um vinil mas sem que todos deixássemos de ouvir em directo o António Sérgio manifestar o pouco apreço pela qualidade dos trabalhos. Paciência, o talento não nasce para todos. O vinil, ainda o tenho.

O Lança-Chamas morreu há muitos anos e, agora, foi a vez do António Sérgio. Quem o elogia, aponta-lhe a obra e os caminhos que deu a conhecer aos fans de música. Fazem listas das bandas que ele passava (sempre esquecendo as metálicas), dos seus programas emblemáticos (sempre esquecendo o Lança-Chamas) e dizem dele que era um grande divulgador. Por mim, era aquela voz forte e colocada que me abria os infernais portões do metal mais pesado. Se eu queria, ou não, entrar, isso era lá comigo. O convite estava feito e a Comercial era uma casa aberta. Hoje, quem quer ouvir Metal na rádio tem de ter hábitos de morcego.

Só por isso, só pela lembrança dos tempos em que havia quem passasse Metal na principal rádio portuguesa, em horários decentes, fazendo mais do que a simples enunciação dos nomes das bandas, só por isso - dizia -, vale a pena lembrar o António Sérgio.


P.S. - mais uma vez, roubo uma foto à giraça da Rita Carmo. Vão ao site dela porque vale a pena.

O espalhanço da artista


Uma vez, estava eu no aeroporto de Madrid esperando o avião para Lisboa, quando a atenção que dedicava a ouvir um indivíduo falar uma língua que eu pensava ser Catalão, foi desviada por alguém falando um idioma bem mais familiar. Não foi o facto de uma mulher estar a falar em Português que chamou a minha atenção (havia, logicamente, vários lusófonos por ali) mas sim o facto da criatura em questão, brasileira, se dedicar a uma espécie de prelecção a um conjunto de compatriotas seus que, com ar desconsolado, a ouviam fazer uma aparentemente infindável série de críticas a Portugal, país para onde eles pareciam ir viver e de onde ela pretendia, desesperadamente, sair.

A personagem, casada com um português (para grande infortúnio seu, suponho) e mãe de um rapaz nascido já no luso rectângulo, sofria com todo o tipo de defeitos que este inferno à beira-mar plantado reservava para a sua pessoa: as pessoas eram brutas e nunca pediam nada por favor, o arroz era comido húmido, punha-se azeite em tudo (e até o filho dela gostava do precioso óleo - o que era sinal de que era uma coisa genética - por parte do pai), os restaurantes brasileiros estavam cheios porque só ali a comida era boa, o tempo era frio, chovia imenso, os ordenados eram baixos, os patrões eram maus, era difícil arranjar produtos brasileiros, etc., etc.

A certa altura, um dos indivíduos para quem ela falava, olhando-a com ar infeliz, soltou um "É tudo tão diferente, né?...". Claro que sim, confirmou imediatamente a mulher e por isso é que ela queria ir viver para França (que deve ser uma espécie de Brasil renascido, calculo). Aí sim, as coisas eram boas.

A esta altura, a voz da assistente chamando os passageiros para embarcar salvou a mulher de levar um sermão meu à frente de toda a gente e de a desmascarar como a perfeita puta ignorante, mentirosa e estúpida que ela era. Já dentro do avião, o monstrengo desfilou pelo corredor, com ar enjoado (talvez ela julgasse que a companhia era portuguesa e que o avião tinha menos asas do que o costume) até se ir sentar lá atrás. Não a voltei a ver mas, sobretudo, fiquei alegre por não mais a ouvir.

Vem esta pequena história a propósito da recente tempestade que assolou este jardim e que teve origem numa fantochada foleirosa protagonizada por uma mulher que eu tive como ícone de beleza durante a minha adolescência: Maitê Proença.

Longe vai o tempo em que a personagem "Juliana" se passeava nos écrans na telenovela "Guerra dos Sexos" e eu "sonhava" um dia ir para o Brasil, país onde as cidades eram grandes e cheias de prédios modernos e as mulheres eram jeitosas e dadas. Longe vai, também, o tempo em que a perspectiva de ver as mamocas da rapariga me fazia estar colado a uma série "histórica" cujo interesse, a julgar pelos comentários de então, era, mesmo, unicamente a nudez da moçoila. Para o D. Pedro e as suas desventuras, todos se lixavam. E bem, porque a coisa era uma chuchadeira. Quanto aos marmelos da rapariga, eram interessantes, sim senhor.

Ora, a boa da Maitê, sendo actriz, cometeu o disparate de ser natural o que, para quem faz da arte de fingir o seu ganha-pão , nem sempre é recomendável. Por uma vez, talvez julgando que ninguém a via, esqueceu-se da lengalenga do "povo maravilhoso" que os artistas brasileiros têm ensaiada para o aeroporto e vai de cascar na Santa Terrinha. Cascou mal, sem graça, sem estilo e acrescentando à estupidez o mau gosto. Aquele pormenor de cuspir na fonte é, sobretudo, isso mesmo: mau gosto. A mim não me choca a história de "ser nos Jerónimos". Se bem me lembro já larguei gases e palavrões em sítios igualmente vetustos e não me sinto mal por isso. Também não acho que ela estivesse a cuspir nos Portugueses. A mulher, simplesmente, fez uma coisa rasca, badalhoca, sem sentido. E fez-se filmar a fazê-lo. É como coçar os tomates: todos o fazemos mas não nos andamos a filmar a fazê-lo na via pública.

Já na história do três ao contrário e a sua associação a uma espécie de desfuncionalidade (isto existe?) do país e das suas gentes é que a pequena se espalhou à grande no que diz respeito a manifestações de lusofobia. Aquilo foi um bocado para o mau (quase tão mau quanto a tentativa de sotaque português que ela fez). Não há nada de mal em desconhecer o significado da placa com o número da porta de pernas para o ar (nem eu o sei!), não há nada de errado em brincar com a coisa... mas há tudo de mal na explicação para todo o caso.

Na minha terra, nós gozamos com aqueles de quem não gostamos muito. Brincamos com os amigos mas, fazemos pouco dos "outros". Aparentemente, no hemisfério sul, talvez por força de as pessoas estarem de cabeça para o ar, a coisa é diferente: faz-se pouco de quem se gosta e, para eles, "gozar" até é coisa prazenteira...

Ora, a verdade é que, no fim disto tudo, não há grande diferença entre a Maitê Proença e a brasileira do aeroporto de Madrid. Eu sei que uma (ainda) é bonita e a outra era um camafeu mas, para o caso, isso pouco importa. Entre a Maitê e a Lucileina ou Claudileida ou Jefersina ou Ubirunalda ou lá como é que a mulher se poderia chamar, corre a mesma seiva podre de gente que tem problemas consigo mesmo, com a sua História, com a sua identidade e que é tão mais fraca quanto a sua incapacidade para enriquecer-se com o reconhecimento das suas raizes.

Na Argentina, em Mendoza, existe uma Praça de Espanha e no meio desta está um grande mural coberto de azulejos com um texto onde se apela aos Argentinos para que não se esqueçam de que são descendentes da nobre "raça ibérica". Quando estive no local senti uma enorme inveja dos Espanhóis mas, depois, lembrei-me de que, apesar da distância, eu estava num país que se assume como "europeu". E isso talvez queira dizer muito...

"Ateu" é coisa que não existe

Agora que anda muita gente com o pelo eriçado por causa do Saramago ter mandado (e muito bem) umas bocas à Bíblia e lhe chamam "ateu" para aqui e "ateu" para ali, valeria a pena pensar se faz sentido, sequer, existir um termo para designar aqueles que não têm fé religiosa. Parece-me que não: faz tanto sentido possuir uma palavra para designar os não-religiosos como inventar uma expressão para indicar quem não seja benfiquista.

O estado natural de tudo é a neutralidade. É em cima dela, da ausência de credo ou de convicções políticas que nós construímos o edifício que é a nossa personalidade. Quando nascemos, não temos fé e a única coisa a que seríamos capazes de rezar (se soubéssemos) era ao mamilo que nos mata a fome. Logo, "ateu" é coisa que não existe. Existe sim "cristão" e "muçulmano" e todas essas porcarias com que as pessoas procuram preencher o vazio que encontram quando olham para dentro de si e não se percebem nem ao mundo em que vivem.

O Saramago não é ateu, portanto. Ele é, apenas, ele mesmo. Mas é comuna! E, mesmo na União Soviética, ninguém se lembrou de inventar uma palavra para não-comunista. "Acomunista"? Não me parece...

Astérix e o Google

Esta é, desde já, a melhor versão do logotipo do Google :)

Vontade de chatear (10)

Carro estacionado na Av. dos Defensores de Chaves (Lisboa), às 08:50 de um dia útil.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Para os 1500 euros...

E a pergunta para os 1500 euros é...

"O que é uma Proparoxítona Eventual" ?


A resposta é:

Uma proparoxítona eventual é uma palavra acentuada que, por terminar em ditongo crescente, tanto pode ser classificada de paroxítona (mais comum no Brasil) como de proparoxítona (mais comum no restante da CPLP).



:)

Hitler e a Maitê Proença

Já é a segunda vez que o Führer vem a estas paragens manifestar a sua opinião sobre os problemas do mundo. Da primeira vez eram os resultados dos atletas brasileiros nas Olimpíadas. Agora, é a prestação da Maitê Proença...

Daqui já se percebe que o homem da franja presta particular atenção à Terra de Vera Cruz (não confundir com a Vera Lynn)

A nuvem do Correio da Manhã

A imagem à esquerda representa uma "tag cloud". O termo inglês significa, de uma forma resumida, o conjunto de palavras mais procuradas num determinado site.

Observe-se quais são, então, as palavras e os temas mais populares num determinado momento, na página do fantástico Correio da Manhã... Diz muito sobre o jornal e os seus leitores, não diz?

E, repare-se que eu até tenho uma doce recordação deste pasquim. Afinal de contas, a página central do seu suplemento dominical foi, na minha infância/adolescência (tempo em que não havia esta pouca-vergonha da internet), o único meio de alimentar a minha insípida líbido com imagens de mulheres nuas. Ainda me recordo de alguns momentos bem prazenteiros...

Mas, recordações à parte, o Correio da Manhã é um jornal de... merda.

Zé Gato



Ah, o antigamente... :)

Benza-os Deus...

Miguel Veloso na Disney?


Quem for ver o fraquinho filme da Disney, G-Force, não pode deixar de ficar surpreendido com as parecenças entre uma das personagens e o futebolista Miguel Veloso. As fotos aqui até nem são das melhores (falta-me paciência para grandes procuras) mas, acreditem em mim, a cobaia dos peidos e louca por comida (as sua principais características), é a "cara" chapada da sempiterna promessa sportinguista.

Ou a Fátima Lopes tem cunha na Disney ou, então, há mesmo coincidências do caneco!

Em cena, dizem eles...


É algum tipo de obsessão minha pela genitália feminina ou este logotipo está mesmo um bocado mal apanhado?

O verdadeiro artista ou a sabedoria das putas

Fixem bem a cara ao lado porque ela é a de um verdadeiro artista. A máscara que contemplam pertence a David Pereira Bastos que, a partir de ontem, entrou para a minha galeria de heróis abnegados em nome da Arte - assim mesmo, com "a" grande -, ou, caso eu esteja num dia em que acorde mal disposto, de qualquer coisinha mais simples como, por exemplo... doidos.

O homem que aqui apresento trabalha na Casa Conveniente, um "teatro" na zona do Cais do Sodré, entalado entre bares de prostitutas. Escrevo teatro entre parêntesis porque não quero que alguém julgue que se trata de um "teatro" como os outros. Este é o que de mais parecido eu vi com um daqueles antros que se vêem nos filmes, onde psicopatas guardam as suas vítimas para seu mórbido deleite. É um local despido, escuro, velho e triste a que só se chama teatro porque tem lá uns decadentes cadeirões onde meia-dúzia de espectadores se sentam para ver... teatro. Para acentuar o ambiente, descobri ontem que também há uma cave. Que bela deve ser uma cave num edifício pombalino a duzentos metros do rio. Que fantasias devem assaltar quem tenha o prazer de a visitar. Só posso imaginar...

Por tudo isto (e não só), eu gosto muito de ir à Casa Conveniente. Sinto-me lá bem.

Agora, a boa da Mónica Calle (que ainda ocupa o meu imaginário envergando um camisolão de lã branca enquanto diz, com pronúncia afectada, "Ó Zé Eduardo!..." - resquícios de uma telenovela), a boa da Mónica Calle, repito, trouxe a cena uma peça em duas partes (uma por dia) em que o "dentro" e o "fora" do teatro alternam, fazendo com que, numa noite o actor esteja representando na rua, virado para o público que está no escuro do teatro e, na outra noite, a situação se inverta. Manias de artista, dirão alguns e, até certo ponto, concordo.

Mas... porque razão passei eu a considerar o homem da foto um herói? Reparem no seu ar triste, sofredor... Se julgam que aquilo é pose, não é. É mesmo antecipação pelo que lhe sucede na peça "Ouves? A tempestade". Imaginem que este artista, este verdadeiro artista, é obrigado a representar na rua, por entre comentários de putas e de passantes, sob um constante jacto de água fétida. Como se isso não fosse bastante, quando já não resta uma areazinha seca no seu corpo, o homem despe-se, entra no teatro e passa a representar nu.

É que não é só a personagem representada que sofre, é o próprio actor! E sofre na carne (porque aquilo não deve dar gosto nem no verão) e psicologicamente. Se a mim me custou estar a ouvir as bocas que lhe mandavam e a cheirar a água e o seu aroma a ovos podres, imagine-se o pobre do artista. David, como eu compreendo esse teu ar sempre pesaroso.

Imaginem o que é estar na rua aos gritos de "Socorro, ninguém me ajuda!" e ser obrigado - pela encenação -, a dizê-lo olhando para as mesmas pessoas que nos gozam pelo que estamos a fazer. Imaginem o que é estar a representar e ter uma puta gorda atrás de nós a dizer coisas como "Isto é normal?! Digam ao homem que vai ficar doente. Essa água está podre!!!". Imaginem o que é um actor ter de se humilhar para representar o seu papel. É assim o trabalho deste homem. Vocês eram capazes de sorrir no seu lugar?

No fim do espectáculo, uma das putas no local fazia questão de ser ouvida por quem saía: "Um homem nu, foda-se! Arte do caralho!". Compreende-se a indignação da puta: habituada que está a ser paga para ver homens nus, custa-lhe entender que alguém possa fazer o contrário. Quanto à consideração sobre a arte, há que aceitar que ela é uma especialista no que toca a caralhos. A puta devia ser crítica teatral, digo eu.

Esta peça acaba por ser perturbante. Não pelo texto em sim mas, precisamente, pelo sofrimento do actor. "Sou actor", diz a personagem três ou quatro vezes ao longo da representação. É, nós sabemos que ele é. Pergunto-me é se, para se ser actor, é mesmo necessário sofer.

Hoje, é a minha vez de ficar na rua. Espero que não chova mas, se chover, talvez as putas se calem... Do mal, o menos.

Parabéns ao Rio

O Rio de Janeiro vai ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Parabéns aos cariocas e, por extensão, a todos os brasileiros - que esta coisa de Olimpíadas, por maior que seja o país, não é só para a cidade que dá a cara (e poucas vezes o dinheiro).

Confesso que, pela primeira vez, acompanhei o momento da votação. Foi por acaso, é certo mas, a partir do momento em que soube que era entre brasileiros e espanhóis, a escolha estava logo feita e imediatamente se instalou um nervoso irritante na barriga. Por muito que goste de Madrid, não gosto do país onde ela está e para "orgulhos" dos nossos vizinhos, já bastou o Euro 2008. Que se acalmem, por agora.

Agora, como no melhor pano cai a nódoa, o presidente do Comité Olímpico Internacional, ao anunciar a candidatura vencedora, chamou à "cidade maravilhosa" Rio de Raneiro (!). A pergunta que faço é: como é que é possível que num momento solene como aqueles, numa competição envolvendo milhares de milhões de euros, com apenas quatro concorrentes, o "chefão" do COI não seja capaz de dizer correctamente o nome do vencedor? É que até podia ser em língua marciana! O homem tinha obrigação de saber dizer as coisas. Aliás, em toda a emissão da CNN, a única vez que ouvi "Janeiro" ser dito como se fosse Castelhano, foi por aquela animalária. Enfim...