Já sabíamos que o empresário Pais do Amaral tinha vendido o grupo Media Capital aos espanhóis da Prisa, colocando, desta forma, a mais popular televisão nacional nas mãos de estrangeiros (dos piores!). Agora, ficamos a saber que, para a MediaBooks - a livraria virtual do grupo Leya (a mais recente obra de Amaral) -, no Brasil já não se fala Português. Desconheço quem foi o animal que colocou semelhante informação (ver imagem) na ficha de um guia de viagens da Lonely Planet mas, mais importante do que um erro, é saber que no sistema informático da loja existe a hipótese de alguém escolher um tal idioma "Brasileiro".Assim, de uma assentada, um qualquer funcionário da MediaBooks presenteou 180 milhões de pessoas com uma língua só sua, remetendo o idioma de Camões para um qualquer sítio obscuro do ranking de línguas faladas no mundo.
A situação não é virgem e é apenas a materialização desse complexo estúpido, fruto de nacionalismos ressabiados que gerou o "Brazilian Portuguese" (tão comum na internet) ou o "Português Ibérico". A nossa língua passa pela vergonha de ser a única cuja diferenciação é praticamente omnipresente quando se trata de escolher idiomas em sites. Orgulhosamente sós, orgulhosamente estúpidos e tacanhos, de um provincianismo atávico que encurta a vista, que confunde amigos com inimigos, que mata à nascença qualquer sonho de expansão cultural.
Com ou sem consoantes mudas, mais do que mudar a ortografia, há que mudar a cabeça de muita gente.
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