Os senhores do caos

Quando pensamos em determinados países, imediatamente se forma à nossa frente um quadro composto de lugares-comuns ditados pela imagem que a comunicação social nos dá dos povos que habitam naqueles... dos seus hábitos, dos seus feitos culturais, dos produtos que a terra dá, etc. O Brasil é um país de samba, futebol e praia; a França empilha queijos e garrafas de vinho junto à Torre Eiffel; a América vive para comer hamburgueres e andar aos tiros; os Russos têm vodka no lugar do sangue... E por aí adiante.

Escapando um pouco a esta tendência, determinados países, por força do pouco conhecimento que se tem deles, não chegam a ocupar um lugar marcante no nosso imaginário, vivendo numa semiobscuridade sobre a qual só ocasionalmente se faz alguma luz. Da Noruega sabemos que vem o bacalhau e pouco mais. Vive-se lá bem, dizem os estudos económicos e fica por aí o conhecimento do cidadão médio. Mas... eis que, em meados dos anos 90, um pequeníssimo grupo de adolescentes e jovens adultos noruegueses, influenciados pelo que se tinha convencionado chamar Black Metal, surgido à volta de nomes como os Venom e os Mercyful Fate (depois King Diamond), resolve dar um passo na direcção do extremismo sonoro, abdicando da "suavidade" musical que o Heavy Metal praticado pelos nomes anteriormente indicados tinha e deles extraindo, apenas, o imaginário feito de referências às "artes negras" e à violência, ou seja, o conteúdo temático que transformava o comum "Heavy" em "Black". Ninguém imaginaria, então, que as diversas bandas que se formaram iriam, com o seu pesadelo sonoro feito da quase ausência de musicalidade e letras gritadas e guinchadas, colocar a Noruega no clube dos estereótipos.

Hoje em dia, qualquer fan de Metal associa o próspero país nórdico ao Black Metal, da mesma forma que nenhum apreciador de Jazz deixará de pensar nos EUA quando ouve a sua música de eleição. A Noruega passou, portanto, a ser a pátria do bacalhau e daqueles tipos de cara pintada de branco...

Mas, o que foi e o que é o fenómeno do Black Metal Norueguês? Como começou? Porque razão nasceu e cresceu a ponto de ser considerado uma verdadeira ameaça pelas autoridades nacionais? Em que medida afectou a sociedade? São perguntas como estas que o americano Michael Moynihan e o norueguês Didrik Soderlind fizeram e às quais tentaram responder na sua obra "Lords of Chaos: The Bloody Rise of the Satanic Metal Underground". A primeira edição remonta já ao distante ano de 1998 mas, em 2003 houve uma reedição, com a inclusão de algum material e a actualização de outro. Livro bem escrito, feito em grande parte de entrevistas aos intervenientes nos momentos mais
dramáticos do movimento (os assassínios de pelo menos duas pessoas e os incêndios em dezenas de igrejas), nunca deixando de manter uma exemplar objectividade e imparcialidade perante todas as partes envolvidas - fossem elas os músicos, as autoridades ou a igreja -, fazendo um interessantíssimo enquadramento histórico das tradições folclóricas de diversos povos (com particular enfoque na mitologia nórdica) e nunca procurando qualquer tipo de sensacionalismo que mataria, à nascença, a credibilidade da obra.

Ironicamente, o livro ganha o seu nome (Lords of Chaos) a partir de um episódio com origem num grupo de adolescentes americanos que se entregaram ao terrorismo urbano, naquele que é, provavelmente, o único momento menos conseguido do livro por via da inexistência de associação ao Black Metal. Esquecendo este pormenor, os autores procuraram as ligações existentes entre o BM norueguês e movimentos similares nos países vizinhos, com particular destaque para a Suécia e a Alemanha, expondo uma teia de ligações perigosas entre violência musical e política (como é o caso da aliança informal entre grupos racistas e os defensores do inferno na terra através da música), nunca perdendo de vista a contextualização de todos os eventos e, sobretudo, evitando juízos de natureza moral.

Tendo sido um trabalho jornalístico que prima pela frieza dos factos, a obra em consideração torna-se indispensável para quem queira compreender o fenómeno do Black Metal em geral e da sua versão mais extrema em particular, surgida numa sociedade que as páginas de "Lords of Chaos" acabam por denunciar como extremamente conservadora e ferida de contradições incompreensíveis para o entendimento estrangeiro. Como exemplo disto, refira-se aqui o caso dos desenhos animados cuja exibição na TV foi interrompida por uma das personagens ter uma pistola, enquanto o comum dos cidadãos tem acesso fácil e legal a armas de fogo...

No decurso do livro, duas personagens surgem como pilares, não só da narrativa, mas também do fenómeno em si mesmo: Vark (ex-Kristian) Vikernes e Øystein Aarseth (mais conhecido pelo nome de guerra "Euronymous"). O primeiro, membro único da "banda" Burzum e o segundo, líder incontestado dos Mayhem, hoje apontados como os criadores do movimento. Vark e Euronymus, o assassino e a vítima. Negócios, traição, luta pelo poder, crime, ciúmes... de todos estes ingredientes novelescos se enchem as páginas de "Lords of Chaos", a ponto da luta pessoal entre estes dois homens se confundir com o próprio objecto da obra.

Os crimes de sangue, os crimes contra o património, os crimes comuns, os crimes contra o bom gosto (acrescento eu)... a história inicial do Black Metal Noruguês é feita de excessos atrás de excessos, de mentes alteradas, de ideias e ideais brutais, de imposições ridículas (rir era mal visto porque não era "malévolo") e de comportamentos de fachada cuja denúncia acaba por devolver aos intervenientes uma espécie de humanidade que se julgaria de outra forma impossível.

"Lords of Chaos" não é um livro sobre música. É uma obra sobre a sociedade e sobre a forma como a mesma influencia a música e é, por sua vez, por ela contaminada. É a exposição (e não denúncia) da interpenetração de correntes filosóficas (satanismo, individualismo), religiosas (cristianismo, paganismo), culturais (a mitologia e o folcore nórdicos) e políticas (nazismo, nacionalismo) que, numa amálgama por vezes difícil de justificar, originaram um movimento "underground" que ultrapassou a barreira "teatral" do espectáculo para sair à rua e marcar com violência e fogo um território próprio contruído pela sublimação da negação e da oposição aos valores instituídos.

"Lords of Chaos: The Bloody Rise of the Satanic Metal Underground" - uma leitura fundamental!

Vontade de chatear (4)

Repare-se na forma como a carrinha da empresa de segurança estacionou. Não antes da zona para peões nem depois da mesma mas, precisamente, em cima da zona da passadeira!
Apesar de haver espaço vasto à frente e atrás, a animalária que conduzia a carrinha de transporte de valores achou que ali, bloqueando o corredor da passadeira, é que ela estava bem.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

O inferno é na Florida

Se um daqueles adeptos da teoria da conspiração satânica visse isto, certamente que usaria este anúncio de uma agência de viagens como mais uma prova de que a Disney está empenhada em entregar as alminhas de todas as crianças ao demo. E que dizer da aliança com a família Simpson? Serão os Simpsons agentes de Satã?

€666 ou uma viagem ao infeeeeeeeeeeeeeeeeerno...

P.S. - de repente lembrei-me de que a Florida também é conhecida pelo movimento Death Metal, pelos lares com velhos à espera de morrer e pela falcatrua com as eleições Presidenciais que elegeram Bush... Arrepiante...

Lutar pela dignidade

Quando Portugal transferiu a administração de Macau para a China, já se sabia que muita coisa iria mudar. Desde logo, mudaram os símbolos nacionais nos edifícios públicos, prontamente arrancados a décadas de domínio com golpes de martelo. Terão mudado, de seguida, muitos hábitos, depois, as pessoas, até que a Macau de hoje se apresenta em tanta coisa diferente daquela que era a "nossa".

Chamar "nossa" a Macau é um perfeito exagero. Tendo tido a oportunidade de passar lá dois períodos de cerca de um mês cada, deu para perceber que, ali, o Português era algo de artificial, uma pequena camada posta sobre a sociedade chinesa por força da autoridade do (nosso) Estado.

A língua era desconhecida de quase todos (embora houvesse mais gente a compreendê-la e falá-la do que o orgulho chinês gostasse de admitir), os cidadãos portugueses (como se esperaria) viviam marcados pela vaidade própria de quem ganha bons ordenados, o racismo relativamente aos "chinocas", o consumismo exacerbado pelas boas condições económicas e uma anormal oferta de bens e serviços (Hong Kong a uma hora de barco, apenas) e a sempre presente subserviência perante a anglofonia.

Nunca me esquecerei de quando estava num minimercado de filipinos e um português de bigodaça e barriga entrou na loja para logo ser "interpelado" por um dos empregados: "Sinhó, qué uisqui?". O bom do tuga não se fez rogado e respondeu logo com um "Yes! One bottle, please." Situações destas viam-se muito...

Mas... independentemente de todos os vícios que Macau pudesse proporcionar (e que eram uma dor de cabeça para muitas famílias), independentemente do desligamento de uma boa parte da pequeníssima comunidade portuguesa (não conto com os macaenses, i.e., mestiços), independentemente de tudo o que se possa apontar a quem lá vivia, a verdade é que também havia quem se preocupasse em manter acesa uma chama de lusitanidade cultural por aquelas paragens. Uma dessas manifestações era - e ainda é -, a Livraria Portuguesa. Ora, parece que este "era e é" não é garantia de um "será". Na melhor das hipóteses, o futuro assemelha-se sombrio. E porquê?

Por uma daquelas coincidências, estava eu ontem com um blusão vestido que comprei numa loja (Hang Ten?) na praça do Leal Senado quando me pingou, na caixa de correio, uma mensagem enviada por uma antiga habitante do território. Ao que parece, a Livraria Portuguesa está ameaçada pela "racionalização de meios", esse termo que serve de justificação para cortar a direito em tudo (menos nos privilégios de quem tem a espada na mão). A actual localização nobre da livraria (que lhe confere prestígio e capacidade de representação) está a ser posta em causa pelas próprias entidades nacionais que pretendem mover a "loja" para um qualquer edifício numa zona secundária.

A Praça do Leal Senado é o Rossio, a Av. dos Aliados de Macau. Ter um símbolo de presença lá não é o mesmo que tê-lo na Rua da Betesga...

O dinheiro não pode servir de justificação para tudo e, no caso, a Fundação Oriente está a cair no mesmo pecado em que o Governo caiu quando pretendeu vender o histórico edifício do consulado de Portugal em Sevilha (Espanha). A noção dos símbolos, da presença, parece fugir sistematicamente às pessoas que detêm o poder neste país. Dizer que o consulado em Sevilha tem pouco movimento ou que a livraria em Macau sofre do mesmo mal não chega. Porque um Estado tem obrigações que vão para além do deve e haver, porque uma nação não se faz apenas de comprar e vender mas também da capacidade de projecção de imagem, da faculdade de se fazer ouvir, mesmo que, para isso, seja necessário por-se em bicos dos pés.

Pessoas que se preocupam com o caso da Livraria Portuguesa em Macau iniciaram uma petição online para tentar mudar as ideias de quem tem nas mãos a decisão final sobre o destino do espaço. Eu já a assinei e acho que todos o devíamos fazer.

Fica aqui o link:

Salvemos a Livraria Portuguesa em Macau

Village People

Se há coisa que me agrada nos Casinos do Estoril e de Lisboa é os concertos à borla. Já foram tantos os que lá vi que começo a ter dificuldade em me lembrar do número. Recordo, ainda assim, os artistas. E, como se não fosse suficiente poder ver bons espectáculos sem pagar bilhete, qualquer um dos recintos está em zonas que, por si sós, valem a pena a deslocação. Portanto, ir ver concertos às "lojas" do Stanley Ho é só vantagens!

Ontem, 24/02, o prato da noite era Village People. Sim, esses mesmos: os larilóides reis do disco. Se são as mesmas personagens da formação original ou não, não sei e, sinceramente, nem me interessa. O certo é que os "cromos" estão lá e as músicas continuam a soar tão bem quanto naquela altura (que eu não vivi conscientemente por "problemas" de idade). Por isso, ala para a Expo que se fazia tarde...

Chegado ao Casino, aproveitei para dar uma volta, beber uma cervejola e procurar um bom lugar para ver o espectáculo. Após alguma investigação, encontrei um bom sítio, encostadinho a um poste para poder descansar.

O concerto era às 22:00 mas ainda faltava, meia-hora. A banda residente tocava. Soaram as 22 e os Village People não apareciam. A banda continuou a tocar. 22:30 e a banda faz uma pausa para vir um trapezista. O trapezista (que deve ter agradado muito a uma parte do público - curiosamente em muito menor número do que eu esperaria), despachou-se em poucos minutos e a banda voltou. 23 horas e a banda continuava tocando... Mais um pouco e não é que o trapezista volta? novamente o mesmo número, agora para mais público. A banda retoma a música e, pouco antes das 23:30, começam a ser postas toalhas no palco, acertados os microfones, etc. Finalmente, uma hora e meia depois do previsto, os Village People aparecem. Não estamos a falar de dez minutos de atraso mas sim de uma hora e meia! Tempo esse durante o qual toda a gente esteve para ali, em pé. Imagine-se a seca. Não fossem alguns foliões a passar e algumas folionas merecedoras de atenção e a pasmaceira teria sido total. Pedidos de desculpa ou explicações, não houve. Quanto ao grupo que foi forçado a manter-se em actividade para que as pessoas tivessem alguma coisa que as distraísse, há que os homenagear porque devem ter tocado algumas três horas seguidas!


Mas os rapazes lá chegaram. Em vez de seis, vinham só cinco. Não sei o que terá acontecido ao índio. Talvez se tenha chateado com o cowboy, vá-se lá saber! Uma hora e meia de espera em pé, exigia um bom espectáculo como compensação. E foi? Foi divertido. O "disco" é o que é: diversão e ritmo. Os Village People acrescentam-lhe o sorriso provocado pelos "cromos" que interpretam. As músicas são inegavelmente apelativas. O público só tinha uma solução: render-se à diversão. E foi ver toda aquela gente a cantar, a saltar, soltando o riso, alinhando na boa-onda da banda. Eram velhos ou novos, hetero ou homo, ricos ou pobres, o que é que isso interessa? Toda a gente, desde os tristes que vão ver concertos sentados nas plataformas rotativas à volta do palco enquanto vão jantando, aos que se empoleiram nos corrimãos queria render-se aos refrões mil vezes escutados que fazem de algumas das canções da banda, verdadeiros ícones de uma época. "Macho man", "In the navy" e, para acabar em grande, "YMCA" foram, naturalmente os momentos altos da noite mas, pelo meio, mais coisas boas ficaram.

No fim, uma hora de concerto só não soube a pouco por causa do cansaço provocado pela longa espera. Ainda assim, de certeza que a maioria das pessoas não se importaria de continuar ali. É carnaval, ninguém leva a mal, os rapazes atrasaram-se, as piadas sobre as possíveis razões vão correndo e, no fundo, isso não interessa a ninguém porque, em dia de máscaras, há que esconder os maus fígados e por cá para fora o nosso melhor sorriso. Os Village People sabem-no fazer bem.

Chegou-me por duas vias esta maravilhosa defesa da espécie à qual tenho o desprazer de pertencer e a que aqui se chama "o gajo da informática". Sim, não é fácil...



1 - O GAJO DA INFORMÁTICA dorme.
Pode parecer mentira, mas O GAJO DA INFORMÁTICA precisa de dormir e descansar como qualquer outra pessoa.Esqueça que ele tem telemóvel e telefone em casa; ligue só para o escritório ou para o telemóvel entre as 09h00m e as 13h00 (manhã) ou entre as 15h00 e as 19h00 (tarde) de Segunda-feira a Sexta-feira. O GAJO DA INFORMÁTICA também precisa de descansar aos Sábados, Domingos, feriados e NOS DIAS QUE INDICOU DE FÉRIAS.

2 - O GAJO DA INFORMÁTICA come.

Parece inacreditável, mas é verdade. O GAJO DA INFORMÁTICA também precisa de alimentar-se e tem horas para isso, TODOS OS DIAS.
 
3 - O GAJO DA INFORMÁTICA pode ter família.

Esta é a mais incrível de todas. Mesmo sendo um GAJO DA INFORMÁTICA, precisa de descansar no fim de semana para poder dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar em informática, impostos, formulários, reparações e demonstrações, manutenção, vírus e etc.

4 - O GAJO DA INFORMÁTICA, como qualquer cidadão, precisa de dinheiro.

Por esta você não esperava, ah? É surpreendente, mas O GAJO DA INFORMÁTICA também paga impostos, compra comida, precisa de combustível, roupas e sapatos, e ainda consome xanax para conseguir relaxar. Não peça aquilo pelo que não pode pagar ao GAJO DA INFORMÁTICA.

5 - Ler e estudar também é trabalho.

E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada. Quando um GAJO DA INFORMÁTICA está concentrado num livro ou publicação especializada ele está a aprimorar-se como profissional, logo, a trabalhar.

6 - De uma vez por todas, vale reforçar: O GAJO DA INFORMÁTICA não é vidente
...não faz tarôt e nem tem uma bola de cristal para adivinhar o que as outras pessoas pensam ou fazem. Se você julgou que era assim, demita-o e contrate um PARANORMAL, um BRUXO ou um DETECTIVE. Ele precisa de analisar, planear, organizar-se e que lhe expliquem DETALHADAMENTE o que é pretendido para assim ter condições de fazer um bom trabalho, seja de que tamanho for. Prazos são essenciais e não um luxo. Se você quer um milagre, ore bastante,faça jejum, e deixe o pobre do GAJO DA INFORMÁTICA em paz.

7 - Em reuniões de amigos ou festas de família, O GAJO DA INFORMÁTICA deixa de ser O GAJO DA INFORMÁTICA
...e reassume o seu posto de amigo ou parente, exactamente como era antes dele ingressar nesta profissão. Não lhe peça conselhos ou dicas. Ele também tem o direito de divertir-se.

8 - Não existe apenas uma 'listagemzinha',
...uma 'rotininha', nem um 'textozinho', um 'programinha muito fácil para controlar isto e aquilo', um 'probleminha, que a máquina não liga', um 'sisteminha',uma 'visitinha rápida (aliás, conta-se de onde saímos e até chegarmos)'. Assim, esqueça os "inha" e os "inho" (programinha, textozinho, visitinha) ', pois os GAJOS DA INFORMÁTICA não resolvem este tipo de problemas. Listagens, rotinas e programas são frutos de análises cuidadosas e requerem atenção, dedicação. Planear, organizar, programar com concentração e dedicação, pode parecer inconcebível a uma boa parte da população, mas serve para tornar a vida do GAJO DA INFORMÁTICA mais suportável.

9 - Quanto ao uso do telemóvel: o telemóvel é uma ferramenta de trabalho.
Por favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda duvide, O GAJO DA INFORMÁTICA pode estar a fazer algumas das coisas que você nem pensou que ele fazia, como dormir ou namorar, por exemplo.

10 - Pedir a mesma coisa várias vezes não faz O GAJO DA INFORMÁTICA trabalhar mais rápido.
Solicite. Depois, aguarde o prazo dado pelo GAJO DA INFORMÁTICA.

11 - Quando o horário de trabalho do período da manhã vai até 13h00, não significa que você pode ligar às 12:58 horas.
Se você só se lembrou do GAJO DA INFORMÁTICA a essa hora, azar o seu, espere e ligue após o horário do almoço (lembra-se do item 2?). O mesmo vale para a parte da tarde: ligue no dia seguinte.

12 - Quando O GAJO DA INFORMÁTICA estiver a apresentar um projecto, por favor, não fique bombardeando-o com milhares de perguntas durante a reunião.
Isso tira a concentração, além de dar-lhe cabo da paciência.
ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o projecto, tipo "Quanto custou o seu portátil?" ou "O que acha que devo comprar para o meu filho jogar em casa, um portátil ou um desktop?"

13 - O GAJO DA INFORMÁTICA não inventa problemas,
...não faz actualizações automáticas de Windows piratas, não tem relação com vírus, em resumo, NÃO É CULPADO PELO MAU USO DE EQUIPAMENTOS, INTERNET E AFINS. Não reclame! O GAJO DA INFORMÁTICA com certeza fez o possível e dentro da legislação em vigor para você pagar menos. Se quer fazer upgrades de borla, instalar programinhas giros, etc., faça-o, mas antes demita O GAJO DA INFORMÁTICA e contrate um PICHELEIRO.

14 - Os GAJOS DA INFORMÁTICA não são os criadores dos ditados "o barato sai caro" e "quem paga mal paga a dobrar".
Mas eles concordam com tudo isso.

15 - Informática é referente a computadores
(HARDWARE OU SOFTWARE e muito raramente, os dois ao mesmo tempo), e não TV's, telemóveis e electrodomésticos, etc. Portanto, O GAJO DA INFORMÁTICA não vai ensinar-lhe a mexer no telemóvel, reparar a sua TV, etc.

16 - Existem vários tipos de GAJOS DA INFORMÁTICA
...e cada um tem a sua especialização. Se você parte uma perna não vai ao oculista, pois não? Assim, se o GAJO DA INFORMÁTICA é especialista em software e programação poderá não estar muito à vontade sobre HARDWARE ou REDES e vice-versa para realizar um trabalho de qualidade, portanto não lhe peça para executar trabalhos nos quais não é especialista dizendo "você consegue fazer, para que chamar outra pessoa se você é mesmo bom nisto da informática"

O Quarteto fechou

O Quarteto fechou. A noticia não é fresca, nem sequer requentada. Abandonada que estava numa qualquer prateleira da memória, dei hoje de caras com ela quando, a caminho de outro cinema, passei junto ao hollywoodesco sinal luminoso plantado na Av. dos EUA. À direita, por trás de uma das características "unidades de habitação" existentes ali, espreitava o edifício beige, com o seu logotipo preto e a orgulhosa mensagem a todo o comprimento proclamando aquilo que, na altura da abertura do espaço, era a sua "vantagem estratégica": quatro salas, quatro filmes. Hoje em dia, em era de multiplexes com 16 salas, semelhante capacidade só pode fazer-nos esboçar um sorriso condescendente perante a "pobreza franciscana" em que os nossos pais e tios viveram as suas juventudes. Mas o Quarteto, apesar de todas as mudanças pós-adesão à CEE, manteve o letreiro, quando muito porque, apesar de desfasado da nova realidade não deixava de ser fiel à verdade. As salas lá estavam, e eram as mais escuras de Lisboa, o que talvez tenha contribuído para a pouco abonatória fama do Quarteto como local de engate para homossexuais. Boatos (ou não) à parte, o local era emblemático para a comunidade cinéfila, entranhado que estava das marcas de um tempo em que o cinema, sendo a indústria que sempre foi, não nos era, ainda, servido de forma anónima, com sabor a coca-cola e ruído de pipocas. Nos tempos do Quarteto, "saía-se" para ir ao cinema. Ir às fitas, mais do que uma distração, era fazer parte de um evento, de algo que marcava uma fuga ao dia-a-dia.

Curiosamente, nunca fui grande frequentador do local. A falta de conforto das salas, aliada à então inexistência de um certo sentido estético que me permitisse "sentir" aquele cinema, sempre me fez preterir o Quarteto em prol de outras salas. Quando rebusco as memórias tentando sacar do esquecimento algumas idas ao "quatro salas, quatro filmes", só me vêm à lembrança duas ocasiões: a primeira, quando fui ver um péssimo filme e lhe prestei muita atenção e, a segunda, quando fui ver um óptimo filme e não lhe liguei nenhuma! A primeira película era o inenarrável "Striptease", com a plástica Demi Moore e o seu silicónico peito saltando à minha frente no que, se bem me lembro, era um qualquer dramalhão que tentava agradar a gregos e troianos - entenda-se, homens e mulheres. Apenas um pequeno grupo de amigos, no meio dos quais me sentava, serviu de barreira a que eu fugisse da sala. Já com "Ed Wood", uma Fátima, de bonitos cabelos negros, encarregou-se de dar cor àquilo que, de outra forma, teriam sido 90 minutos a preto e branco. Perdi um filme mas adorei as fitas... Só anos depois vi, efectivamente, o filme de Burton.

Hoje olho para as grades corridas sobre a entrada do Quarteto e sinto o vazio que ali está. A placa de "vende-se" não deixa esperanças quanto ao reacordar do cinema. O desligar do écran foi definitivo e tento recordar o foyer, o seu chão escuro onde
se espalhavam algumas mesas de café, rodeadas de cartazes de filmes passados. Num canto, um bar servia-nos fatias de bolo, café e bebidas espirituosas. Tudo ali era de outro tempo, uma memória viva da época da inauguração, um voltar atrás que, agora, já não é possível.

Quando espaços como o Quarteto desaparecem, por força da implacável lei do lucro ajudada por outras leis que nos querem fazer reféns de um medo de tudo (da doença, do fumo, dos outros), quando eles desaparecem - dizia eu -, não é só a comunidade mais ou menos fiel de seus utilizadores que perde, é a Comunidade, no seu sentido mais lato que se vê privada de uma alternativa, de uma casa-segura onde qualquer coisa que não seja a versão pronto-a-consumir do mundo que nos querem impor, possa ser possível. Locais como o Quarteto guardavam dentro de si um carácter que não se consegue em centros comerciais escorrendo "cultura" adolescente. Se quisermos ir mais fundo, encontraremos na morte do Quarteto as razões que nos devem alimentar a resistência a planos como o da oferta de bilhetes a assinantes de tv por cabo ou quaisquer outros que a guerra pelo lucro queira inventar. Quando Paulo Branco se insurgiu contra a "grande ideia" da Lusomundo, mais do que lutar pela sobrevivência do seu próprio grupo, estava a lutar (involuntariamente ou não) pelo direito ao cinema enquanto união de espaço e espectáculo, de forma e conteúdo.

Lisboa já perdeu muitas salas. Desde a minha infância (anos 70), vi desaparecer o Berna para a TVI (agora abandonado), o Paris (em ruínas), o Quarteto (fechado), o Monumental (demolido), o Império (nas mãos da IURD), o Caleidoscópio, o Bélgica (depois, Rock Rendez-vous e, posteriormente demolido) , o Europa (usado para a TV) e vários outros. Se nalguns casos, como o Berna, dificilmente se poderia alegar uma grande perda, noutros, dos quais é exemplo maior a criminosa demolição do Monumental, há a efectiva obliteração de património arquitectónico. Não é apenas a perda de salas de projecção (mal, em si mesmo menor) mas a destruição pura e dura de marcos urbanos e das vivências por si proporcionadas.

O Quarteto já está à venda há algum tempo. É uma questão de espera, apenas. Mesmo que qualquer ideia de continuação do espaço pudesse surgir, o corte certamente imporia alterações desvirtuantes. Se, no meio dos cacos, alguma coisa se salvar, que seja, ao menos, aquele anúncio na avenida, apontando para um espaço que já não existirá, como quem nos lembra que tal como um filme, também tudo na vida acaba com um "the end".


Camisola para quem andar com problemas de ego...

Paul di'Anno em Corroios

A noite de 14 de Fevereiro tinha nome. Fugindo à condição anónima do tempo, esta chamava-se "Paul di'Anno".

O nome de sonoridade italiana esconderá dos menos atentos a origem da criatura mas qualquer consulta à memória colectiva do género metálico trará ao de cimo a lembrança do primeiro vocalista dos Iron Maiden. Mais do que a mascote Eddie, foi di'Anno a cara inicial da banda: magro e elegante, de cabelo curto (contrastando com as longas cabeleiras dos restantes elementos da banda), gostando de cantar de tronco nu, com um estilo muito próprio, não muito poderoso, capaz de acompanhar bem momentos mais suaves mas também de por raiva na voz que preenche os dois primeiros álbuns da mais emblemática banda de Heavy Metal. Eram os tempos do punk e talvez a isso se devesse a imagem pouco "metaleira" da personagem.

Depois veio o álcool, o desregramento, a incompatibilidade com uma banda que se queria responsável e profissional..

A saída de di'Anno deu-nos Bruce Dickinson pelo que o mundo não se pode queixar. Mas di'Anno ficou sempre com uma certa aura de mito, pelo menos junto de quem não acompanhou o longo período entretanto passado. Para esses, a imagem actual do homem poderá ser chocante: o cabelo preto deu lugar a uma careca tatuada, a elegância de outrora foi substituída por farta gordura, os piercings e as tatuagens são vários e todo um ar decadente tomou conta do homem.

E o cantor, continua? Parece que sim: o acidente de mota que o deixou coxo e lhe levou a ponta de um dedo ("amputação!" dizia ele enquanto espetava um mínimo para o público) e a má forma não impediram que Paul di'Anno, a convite dos portugueses Attick Demons (banda a acompanhar!) trouxesse, pela primeira vez a Portugal, um cheiro dos tempos iniciais da NWOBHM na versão da dama de ferro. Houve qualquer coisa de arrepiante ao ouvir os acordes de "The ides of march", seguidos de Wrathchild, Sanctuary, Killers e outras (num total de meia-dúzia de temas). Não eram os Iron Maiden de 1978 que ali estavam mas era como se fosse.

A voz, o elemento mais humano da uma banda era exactamente a mesma e a competência técnica dos Attick Demons encarregava-se de nos "enganar" e ajudar ao disfarce. Fechássemos os olhos e o tempo teria voltado para trás para só ser o encanto quebrado quando os abríssemos de novo e contemplássemos os estragos do vício. Di'Anno, envergando uma roçada camisola dos Ratos de Porão (talvez herdada da sua estadia no Brasil) era a imagem da decadência, um estado sintetizado por ele com um curto "eu gosto é de álcool, sexo e motas". Parece que sempre foi assim e isso valeu-lhe a expulsão dos Iron Maiden. Estes, cresceram até se tornarem uma verdadeira instituição a ponto de se confundirem com o próprio estilo musical que praticam; di'Anno toca em "antros" com pouca gente...

Mais triste do que a constatação da diferença de percursos entre di'Anno e os IM talvez só a pouca afluência de público ao Cineteatro de Corroios, a actual "catedral" da música pesada. No total, talvez não estivessem, sequer 200 pessoas. Muito pouco se atendermos a que tocavam três bandas nacionais (Drakkar, Artworx e Attick Demons) e uma personagem tão chamativa quanto "o primeiro vocalista dos Iron Maiden", ligação tão assumida que até as próprias letras com que o nome de di'Anno é escrito são as do tipo gráfico da banda inglesa.

O que terá falhado? O Heavy Metal, puro e duro, já não chama gente? Ver-se-á no "festival" marcado para 17 de Março no Atlântico, encabeçado pelos "metal gods" Judas Priest, tal como se viu no último SBSR com, precisamente, a antiga banda de di'Anno.

No fim do concerto, o público manteve-se no local na expectativa de ouvir mais mas di'Anno não acedeu aos pedidos que, certamente, lhe faziam nos bastidores. Compreende-se e espera-se que o inglês possa voltar ao nosso país para um concerto só seu, numa boa forma que lhe permita não ter medo dos fans que sobem ao palco (o coxear, para além do acidente de mota de que foi vítima, também foi agravado pelos "entusiasmos" de alguns fans num concerto anterior).

Ficou da curta presença do inglês com nome italiano a lembrança de meia-dúzia de grandes canções que temos tendência a esquecer. A primeira fase dos Iron Maiden já está tão distante que mais parece arqueologia mas... será que isso não faz parte do encanto?
Nos fogos que devastam a Austrália, as vítimas não são, apenas, as árvores mas, também, os animais. Há que cuidar deles :)

GIMP: o programa coxo

Não sou nenhum santo nem tenho pretensões a sê-lo. Confesso aqui, publicamente, que se soubesse que o mundo ia acabar amanhã, havia meia-dúzia de pessoas que iam passar um mau bocado. E não me refiro ao clássico sonho masculino de desatar a perseguir beldades mas sim a dar forte-e-feio numas quantas criaturas, a ponto de lhes poupar a visão do fim-do-mundo. Da lista negra constariam, certamente, os criadores dessa bosta informática chamada "The Gimp" (GNU Image Manipulation Program). Curiosamente, em calão anglófono, "gimp" quer dizer "coxo" e esse é certamente um nome muito mais acertado para o programa em questão!

Anos a trabalhar com o Adobe Photoshop, rotinas estabelecidas, comandos interiorizados, esquemas intuitivos e eis que, em nome da poupança, vejo o Windows ser substituido pelo Linux e o meu querido Photoshop tirado da minha frente para, em seu lugar, vir o programinha da raposa... É que não basta todo o programa estar de pernas para o ar relativamente àquilo a que milhões de pessoas estão habituadas, não basta que para a mínima operação se abram mais janelas do que as de um palácio em dia de limpeza, não basta que a merda do GIMP rebente por coisas tão insuspeitas quanto mexer no rato, não basta que eu tenha de dar instruções e confirmações para tudo e mais alguma coisa, ainda por cima, até a mascote tem um ar estúpido! Se eu pudesse, esta sorridente animalária havia de ser trancada numa capoeira cheia de capões vingativos, sodomizada por coelhos bêbedos, entregue a uma horda de cães esfomeados, tudo para que dessem cabo do canastro à maldita da raposa! E quanto aos criadores do programa, pendurá-los pelos pés e obrigá-los a ouvir os discursos seleccionados do Bill Gates não seria castigo suficiente!

Eu abomino o GIMP! O GIMP dá-me cabo dos nervos, provoca-me ansiedade, faz-me perder tempo e trabalho, limita-me a criatividade. O GIMP é o melhor exemplo de que, por vezes, o barato sai caro! Morte ao GIMP! Espeto para a raposa! Para a lua com os programadores!


No outro dia fui a Madrid. No aeroporto, chegado àquele secante momento do controlo de segurança lá tive de colocar no raio-X o casaco, a mochila, a carteira, o PDA, o cachecol, as chaves... Passo pelo detector de metais e, quando estava quase quase a escapar-me, aquela porcaria apita. "Tem de tirar o cinto", dizem-me, para logo de seguida acrescentarem, "...e as botas também". Bom, comecei a sentir-me como aquelas raparigas de um programa qualquer pseudo-cómico que eram obrigadas a irem sucessivamente tirando a roupa, para gáudio do polícia de serviço. Curiosamente, de tantos sítios onde já fui, só cá é que deparei com esta história de me ter de descalçar. Por qualquer razão, com o mesmo calçado, noutros aeroportos, ou o aparelho não apita ou, então, basta uma verificação com um detector de mão. Mas cá... ná! Cá, a coisa é rigorosa. E lá tive eu de me descalçar, ali, à frente de toda a gente, meiazinha no mármore que é bem bom. Sim, porque, no aeroporto de Lisboa não há desses luxos de plásticos para por nos pés ou, sequer, um tapetezinho onde uma pessoa possa ficar enquanto procuram terríveis bombas escondidas debaixo do cotão que se solta das meias. Finda a verificação, devolveram-me o calçado. Era de confiança, eu. Calcei-me com um vagar forçado, vingançazinha pífia contra quem me tinha feito passar por aquele desconforto.

À vinda do fim-de-semana, no aeroporto de Madrid - onde seria de esperar que as medidas de segurança fossem muito mais apertadas -, ninguém me incomda: nem os seguranças, nem a porra do detector. As botas eram as mesmas... Mas - pormenor interessante -, em cima da máquina lá estavam as caixas com os plásticos para uma pessoa por nos pés se fosse necessário descalçar-se.

De quem é a culpa disto? Da ANA? Da Prosegur? Sinceramente, tenho má opinião de ambas. Divido, portanto, o mal pelas duas.
Ontem entrei na administração desta coisa e o meu olhar foi desviado por um boneco que nunca tinha visto: uma coisinha verde, em forma de busto, com uma legenda dizendo "1 seguidor". É certo que sei que há, pelo menos, três almas que, regularmente, consultam este blog. Também já houve duas senhoras que tiveram a simpatia de manifestar gosto pelos meus textos mas... "seguidor", eh pá, isso quase me faz sentir uma espécie de líder religioso, um povoador de espíritos alheios, uma referência ética e moral, alguém cuja palavra é ouvida com reverência.

Com a ansiedade de quem espera uma grande descoberta, carreguei no ícone. Lá estava ele, o meu "seguidor", com nome, blog... uma identidade internética ligada à minha. Não pude deixar de ficar, no meu íntimo, reconhecido à pessoa, ao meu "seguidor".

"Seguidores da cabaça" para a esquerda, "seguidores da sandália" (*) para a direita. Os meus, que fiquem aqui mesmo.


(*) NOTA DO AUTOR - alusão à obra-prima "A vida de Brian", dos Monty Python
Palácio de Cristal (Porto)

Portugal x Finlândia

Portugal venceu a Finlândia por 1-0, num jogo disputado naquele estádio plantado no meio de nenhures no Algarve. A "aranha", como alguns lhe chamam, apesar da reduzida dimensão, não conseguiu encher-se e os lugares vazios eram bastantes. Este pessoal é lixado. Passam a vida a queixar-se de que o estádio é um elefante branco, que não serve para nada, que não lhe dão uso e, depois, põem lá a Selecção a jogar e os marafados preferem ficar em casa. Vá-se lá perceber esta gente...

Bom, mas, quanto ao jogo, posso dizer que gostei bastante do dito. É certo que o meu espírito estava inquieto e que uma boa dose de apreensão dava trabalho aos meus poucos neurónios, por isso, para que tudo corresse bem, achei melhor comprar um pacote de 5 litros de tinto, para me ajudar a apreciar melhor a partida. Uma idazinha ao Pingo Doce, um gastozinho de menos de quatro euros e ali estava eu, pronto para o embate com os perigosos finlandeses.

Cobardemente, recorri ao encorpado e adocicado néctar (barato mas agradável) para, em duas ou três doses, me tirar a tremideira. A partida começou, bebi mais um copo. A partida continuou, bebi mais outro. Dizem que o árbitro roubou uma penalidade à Finlândia. Não vi nada, estava a olhar para outro lado. A partida foi para intervalo, bebi mais dois. A partida recomeçou e achei melhor beber mais um copo. O árbitro marcou um penalti contra a Finlândia. Dizem que foi inventado, os bêbedos. Eu, que estava sóbrio, vi bem a falta. Portugal marcou e, se não me engano, foi o menino de ouro (o actual, o Ronaldo) que concretizou. Dizem que igualou o Nené, esse maricas que não ia às putas mas marcava que se fartava.

Portugal ganhou, portanto. Para comemorar, resolvi dar uma corridinha pela casa, com muito jeito, para não bater em nenhum móvel. Depois, bebi um copo para comemorar.

Acordei hoje para saber que ninguém gostou do jogo. Eu cá gostei. Este saborzinho na boca é que era escusado...


É carregar na imagem, para ver melhor o arrependimento do "maior artista Pop do mundo" :)

Esta desconhecia eu mas já testei e é verdade! :)
Eu sei que a imagem é muito pequena mas... como teste à vossa vista, conseguem descobrir onde está o 44º presidente dos EUA? :)

Numa escola de Lisboa, estava afixado este anúncio (sim "V", já sei...).

Um perfeito monumento à estupidez do "politicamente correcto"...

P.S. - já agora, porque razão, neste tipo de contrastes fotográficos (relativamente comuns), é quase sempre a rapariga que tem de ser branca?
"Queijadinhas sem queijo"...

O que virá depois desta inovação de uma pastelaria no Porto? "Laranjada de maçã"? "Limonada de uva"? "Tijeladas num copo"? "Bolas de Berlim quadradas"? "Doce de ovos sem ovos"?
Andava eu passeando nas Amoreiras quando, tantos anos depois daquilo ali estar reparo, pela primeira vez, que a obra de Taveira antecipou em vários anos a figura do Bart Simpson! Até a cor é a mesma :)