Village People

Se há coisa que me agrada nos Casinos do Estoril e de Lisboa é os concertos à borla. Já foram tantos os que lá vi que começo a ter dificuldade em me lembrar do número. Recordo, ainda assim, os artistas. E, como se não fosse suficiente poder ver bons espectáculos sem pagar bilhete, qualquer um dos recintos está em zonas que, por si sós, valem a pena a deslocação. Portanto, ir ver concertos às "lojas" do Stanley Ho é só vantagens!

Ontem, 24/02, o prato da noite era Village People. Sim, esses mesmos: os larilóides reis do disco. Se são as mesmas personagens da formação original ou não, não sei e, sinceramente, nem me interessa. O certo é que os "cromos" estão lá e as músicas continuam a soar tão bem quanto naquela altura (que eu não vivi conscientemente por "problemas" de idade). Por isso, ala para a Expo que se fazia tarde...

Chegado ao Casino, aproveitei para dar uma volta, beber uma cervejola e procurar um bom lugar para ver o espectáculo. Após alguma investigação, encontrei um bom sítio, encostadinho a um poste para poder descansar.

O concerto era às 22:00 mas ainda faltava, meia-hora. A banda residente tocava. Soaram as 22 e os Village People não apareciam. A banda continuou a tocar. 22:30 e a banda faz uma pausa para vir um trapezista. O trapezista (que deve ter agradado muito a uma parte do público - curiosamente em muito menor número do que eu esperaria), despachou-se em poucos minutos e a banda voltou. 23 horas e a banda continuava tocando... Mais um pouco e não é que o trapezista volta? novamente o mesmo número, agora para mais público. A banda retoma a música e, pouco antes das 23:30, começam a ser postas toalhas no palco, acertados os microfones, etc. Finalmente, uma hora e meia depois do previsto, os Village People aparecem. Não estamos a falar de dez minutos de atraso mas sim de uma hora e meia! Tempo esse durante o qual toda a gente esteve para ali, em pé. Imagine-se a seca. Não fossem alguns foliões a passar e algumas folionas merecedoras de atenção e a pasmaceira teria sido total. Pedidos de desculpa ou explicações, não houve. Quanto ao grupo que foi forçado a manter-se em actividade para que as pessoas tivessem alguma coisa que as distraísse, há que os homenagear porque devem ter tocado algumas três horas seguidas!


Mas os rapazes lá chegaram. Em vez de seis, vinham só cinco. Não sei o que terá acontecido ao índio. Talvez se tenha chateado com o cowboy, vá-se lá saber! Uma hora e meia de espera em pé, exigia um bom espectáculo como compensação. E foi? Foi divertido. O "disco" é o que é: diversão e ritmo. Os Village People acrescentam-lhe o sorriso provocado pelos "cromos" que interpretam. As músicas são inegavelmente apelativas. O público só tinha uma solução: render-se à diversão. E foi ver toda aquela gente a cantar, a saltar, soltando o riso, alinhando na boa-onda da banda. Eram velhos ou novos, hetero ou homo, ricos ou pobres, o que é que isso interessa? Toda a gente, desde os tristes que vão ver concertos sentados nas plataformas rotativas à volta do palco enquanto vão jantando, aos que se empoleiram nos corrimãos queria render-se aos refrões mil vezes escutados que fazem de algumas das canções da banda, verdadeiros ícones de uma época. "Macho man", "In the navy" e, para acabar em grande, "YMCA" foram, naturalmente os momentos altos da noite mas, pelo meio, mais coisas boas ficaram.

No fim, uma hora de concerto só não soube a pouco por causa do cansaço provocado pela longa espera. Ainda assim, de certeza que a maioria das pessoas não se importaria de continuar ali. É carnaval, ninguém leva a mal, os rapazes atrasaram-se, as piadas sobre as possíveis razões vão correndo e, no fundo, isso não interessa a ninguém porque, em dia de máscaras, há que esconder os maus fígados e por cá para fora o nosso melhor sorriso. Os Village People sabem-no fazer bem.

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