As mil e uma caras de um site

Quem trabalha para a internet, quem constrói sites, sabe muito bem o quão desesperantes podem ser as diferentes formas como os navegadores (vulgo, browsers) interpretam o nosso código. Quando julgamos que um trabalho está pronto e de cara bonita, aparece-nos algum utilizador irritado porque não contemplámos a versão xpto de um qualquer browser de que nunca ouvimos falar.

Pois bem, o BrowserShots veio facilitar um pouco a vida aos infelizes programadores/designers ao permitir-lhes ver o aspecto dos seus sites em largas dezenas de browsers para quatro sistemas operativos diferentes.

Indica-se o URL pretendido, seleccionam-se os navegadores e as respectivas versões, escolhem-se os sistemas operativos e o BrowserShots devolve-nos uma página com as imagens do site para cada uma das condições escolhidas. A partir daí, é a desilusão, ao vermos que o nosso bonito design, afinal de contas, aparece todo torto num qualquer computador remoto :)

Para quem for "masoquista", ainda é possível definir tamanhos de écran, versões de JavaScript, Java, Flash, etc. Enfim, um mundo de opções...

Aceder ao "BrowserShots": browsershots.org

As trombas dos lampiões

O Benfica (também conhecido como "SLB", "O Glorioso", "A Instituição" ou "O Grémio da Luz") anunciou no seu site oficial que irá mudar o seu emblema.

Assim, de modo a adequar-se ao seu novo patrocinador, mudará a velhinha águia, pelo elefante dos hipermercados Jumbo.

Desta forma, mostrará a grandeza do clube, as orelhas do presidente e as trombas dos 6 milhões de benfiquistas à segunda-feira.

Como anedota, esta é linda! :)

Playboy à portuguesa

África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Bulgária, Colômbia, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, EUA, Filipinas, Formosa, França, Geórgia, Grécia, Holanda, Hong Kong, Hungria, Indonésia, Itália, Japão, Lituânia, México, Noruega, Polónia, Rep. Checa, Roménia, Rússia, Sérvia, Sueca, Turquia, Ucrânia, Venezuela e... Portugal!

A extensa lista de países onde a icónica revista norte-americana (é um dos símbolos dos EUA) assentou arraiais é retirada do site pbweblog.com que se dedica a publicar as capas de todas as edições da Playboy espalhadas por esse mundo fora. Falta lá a referência à recém-nascida versão nacional mas perdoa-se a falha pela novidade.

Com pouco alarido (não houve campanha publicitária massiva), a Playboy-PT estreia-se em plena época de crise por parte da casa-mãe. Os tempos mudaram, o acesso a imagens de nudez banalizou-se com a internet, os gostos "embruteceram" perante doses cavalares de pornografia (quanto mais "erotismo"!) e, hoje em dia, justificar a compra de uma revista com a perspectiva de poder ver fotografias de mulheres mais ou menos nuas é coisa que já não faz grande sentido.

A Playboy foi uma publicação que, desde o seu já longínquo início, sempre apontou para um mercado de homens adultos que gostavam dos prazeres da vida, fossem eles o sexo, a comida e a bebida, a literatura, os automóveis... A qualidade colocada na elaboração dos conteúdos escritos, a par de uma criteriosa selecção de modelos fotográficos, conseguiu sempre manter um saudável equilíbrio entre a razão e o tesão. Quase toda a gente "entrava" na Playboy por causa das mulheres mas muitos acabavam por ficar clientes das entrevistas e das reportagens. Ainda assim, apesar das virtudes da escrita, era sempre a imagem que se impunha. E, por isso mesmo, a Playboy sempre fez questão de satisfazer o voyeurismo dos seus leitores recorrendo a caras conhecidas do grande público, algumas das quais acabaram quase por se tornar mais reconhecidas pelas suas aparições na famosa página central do que pela continuação das suas carreiras. A fila de nomes famosos que se despiram para a revista de Hugh Hefner é muito longa e se não nos restringirmos à edição americana e dermos um pulo até ao Brasil, veremos que quase todas as bonitas actrizes de telenovela já por lá passaram.

Países tão insuspeitos como a Polónia, a Indonésia e a Turquia são possuidores de edições próprias preenchidas com modelos nacionais. Perante estes exemplos, seria de esperar que, mais tarde ou mais cedo, também a terra dos brandos costumes entrasse para a família Playboy. Fê-lo agora com um número cuja principal atracção é Mónica Sofia, um dos elementos da banda Delirium (conhecida mais pelas cantoras do que pelas canções). Mónica já é experiente no que diz respeito à exposição pública: fotografias sensuais para revistas masculinas, uma participação num Big Brother, aparecimento corrente em revistas sociais... Portanto, sendo uma mulher conhecida, desejável e com um certo à-vontade decorrente da experiência, a sua escolha acaba por ser natural e, até, óbvia. O problema é que, sendo tão natural, acaba por levantar a dúvida: tem Mónica Sofia alguma coisa de novo para mostrar?

A resposta mais fácil seria "sim". Mónica nunca se despiu integralmente e fotografias em lingerie acabam sempre por deixar a imaginação a trabalhar. Por tudo a nu seria a função da sessão fotográfica para a Playboy e, consequentemente, um trunfo na venda da revista. Mas isso é capaz de não ser bem assim... Desde logo, a revista está nos escaparates sem ser embalada, o que permite que o curioso a folheie e satisfaça a curiosidade sem ter de gastar dinheiro; depois, há nus e nus, há sessões e sessões e estas que a Playboy-PT nos apresenta, deixam muito a desejar... Isto porque se nota nas fotografias (quer as de Mónica, quer as de Rute Penedo) um certo pudor, uma espécie de timidez editorial que não se justifica (mais, não se aceita!) numa publicação como aquela de que se fala aqui. A Playboy terá muitas razões para ser lida (Nuno Markl será uma delas) mas só tem uma verdadeira vantagem estratégica perante a concorrência (FHM, GQ, Maxim, Maxmen): a nudez. Ora, se a diferença entre revistas se resumir a tirar e por o soutien, temo que a Playboy portuguesa não tenha grande tempo de vida. É que basta olhar para as sessões que Mónica Sofia realizou para várias outras revistas para nos apercebermos de que o nu que agora nos apresentam é coisa de segunda categoria, claramente abaixo da sensualidade que se sentia nas muitas fotos com origem noutras publicações e que hoje circulam na internet. Também neste momento já devem estar no ar as fotos da Playboy e será fácil chegar à conclusão de que não basta mostrar o peito para justificar um cachet de 30.000 euros! Mónica Sofia (sempre "assistida" pelo namorado) e o fotógrafo preocuparam-se demasiadamente em manter um tom quase neutral nas imagens, nunca deixando que o erotismo venha ao de cima e que a beleza da modelo nos "incomode". Existe, inclusivamente, uma má escolha de alguns ângulos que acaba por realçar pormenores menos bonitos (repare-se na própria capa e no ar um pouco despliscente, quase de bordel).

Em toda a sessão de Mónica Sofia, apenas existe um nu integral frontal mas até este é vítima do pudor, com a colocação de uma renda à volta da cintura que acaba por tapar o que seria o principal atractivo: a púbis. E como se não fosse já suficiente o "obstáculo" visual, ainda houve o cuidado de eliminar os pelos púbicos (o que também se nota com Rute Penedo), numa tentativa estúpida de, mostrando um nu, não o mostrar verdadeiramente. Não é preciso muito esforço para nos lembrarmos dos nus envergonhados dos antigos mestres de pintura...

Ou a Playboy-PT compreende rapidamente que não há que ter medo de cair na vulgaridade (se as outras não caem...) e transmite essa ideia às modelos ou, brevemente, estará com um sério problema em mãos...

Gazua no Júlio de Matos

"Ó sotor, haverá coisa pior do que a falsidade?", perguntou-me, preocupado, o homem. Franzino, de pele queimada, voz ligeiramente metálica mas agradável, vestia-se com uma tshirt branca e calças de fato de treino, como se andasse passeando por casa. Debaixo do braço trazia uns volumes com ar de livros de contabilidade. Num deles, notava-se a frase "os animais conhecem o dono".

O local? O complexo hospitalar Júlio de Matos. Para quase todos, um nome que imediatamente se identifica com doenças mentais. É uma ideia redutora já que o enorme e belo espaço (a merecer um passeio só por si) alberga muitos outros serviços ligados à saúde. Mas os estereótipos têm a força que têm e quando se fala no hospital que remata a Av. de Roma, a associação a loucos é imediata. E de loucos foi dar com o sítio onde os Gazua (banda punk? "rock"?) daria a festa de lançamento do seu novo álbum "Música pirata". Tendo perguntado ao porteiro do complexo, foi-me indicada a segunda rua à esquerda, "logo vê, muitas luzes e carros". O problema é que não havia muitas luzes, nem carros e o sossego da zona em nada era interrompido pelo que de longe pudesse assemelhar-se ao habitual ajuntamento de pessoas num concerto. Vagueei pelo parque, apreciando na medida do possível os edifícios, enchendo o ar com a frescura da noite perfumada pelas árvores, procurando alguém a quem pedir uma indicação... Ao longe, vejo três pessoas sentadas nas escadas de um pavilhão. Duas mulheres (uma com ar de enfermeira) e um homem. Este, obviamente um paciente, perante a minha pergunta (onde é o concerto?) indica-me o pavilhão 28 ou o 29... cada um para o seu lado. A "enfermeira" ri-se da aparente confusão mas manifesta o seu desconhecimento pelo evento. Fico de tentar um dos lados indicados pelo homem. Continuo a passear pelo parque, descobrindo novos locais e voltando praticamente ao local de partida. Meto-me por um caminho e ouço, trazido por uma curta aragem, um som de distorção. Tento apanhar novos sons enquanto vou caminhando. Finalmente, chego a um local onde três pessoas se encostavam a uma porta de vidro. É aqui o concerto, pergunto? Confirmam-me que sim. Por estar quase na hora que levava como certa para o início, entro no edifício. Lá dentro, um palco montado e um quase total vazio...

Quem estivesse às 21h (hora indicada pela newsletter da Le Cool Magazine) no pavilhão octogonal que serve para exposições e outros eventos veria uma invulgar mistura de gentes nas então pouquíssimas pessoas presentes. Velhos, deficientes, doentes mentais, fans, pessoas da organização... todos juntos, não chegariam a vinte criaturas que pareciam estar por ali por acaso. A noite era de concerto punk rock e não seria, certamente, de esperar que uma senhora de cabelos brancos acompanhada da neta fizessem parte do público. Nem tão pouco que um grupo de gaiteiros andasse por ali a tentar acordar os mortos com um estridente ensaio... o ambiente era estranho, como se todos os presentes, na sua mistura heterogénea, fizessem parte de um momento absurdo.

Perante a inexistência de actividade musical (era para um concerto que ali estava), saio do pavilhão e encosto-me a uma grade. É então que um homem me aborda: "Ó sotor, haverá coisa pior do que a falsidade?". Respondo-lhe que não sei, tentando ganhar tempo para pensar como lidar com a situação. "O mundo é falso, sotor. Nós estamos rodeados de coisas que não são reais". Digo que não, que o mundo é bem real, as pessoas é que são falsas. "Mas não é isso que diz a ciência", contesta o homem. "Quero dizer, a ciência humana pode dizê-lo mas as outras ciências, as ciências... - como se diz? -, a matemática, a...", as ciências exactas - atalho -, "sim, essas dizem que o mundo é que é falso, sotor. Uma aldeia... uma aldeia é uma coisa falsa, não é?". Respondo que não, que a aldeia é mais real do que a cidade porque a aldeia está ligada ao campo, à terra. "Acha? Mas, agora até se fala na Aldeia Global... O mundo está a ficar falso, sotor, o mundo vai desaparecer".
Aproveitando uma pausa, desapareci eu para dentro do pavilhão, tentando perceber o que se iria passar. Vejo um dos elementos da banda respondendo a um dos gaiteiros com um "Podem começar daqui a pouco". Aparentemente, os gaiteiros (da Casa Pia) faziam parte do espectáculo. Aguento mais um pouco e mais algumas pessoas vão entrando. Entre elas, o "filósofo". Procuro passar despercebido. Ao fim de um longo período de espera inútil, volto a sair. Há mais algumas pessoas cá fora. O homem sai também. Mete conversa com um casal ao meu lado. Explica que a frase "os animais conhecem o dono", escrita num dos seus livros, significa que os animais sabem quem é Deus. Aproveita para tentar cravar um euro. De seguida, vira-se para mim: "Sotor, não tem um cigarro?". O tabaco faz mal, digo-lhe. Sorri e dispara "A falsidade também!". Tenta também ganhar um euro comigo enquanto aproveita para criticar a organização: "Estes artistas não são simpáticos. Eles tinham de por os gaiteiros a tocar, para que as coisas fossem seguidas. Assim, não. As pessoas não estão junto ao palco. Acha-os simpáticos, sotor?". Acho, respondo, eles são simpáticos. Não são eles que organizam as coisas, eles só tocam. "Ah, é que um concerto rock é para dançar, não é?". Claro que é - alinho -, mas não há raparigas para isso. E também serve para saltar, acrescento. O homem volta a sorrir - "Pois, saltar... mas junto ao palco".

São já quase 21:30 e, enquanto o homem explana a uma nova vítima as suas preocupações com a falsidade no mundo, aproveito para reentrar no pavilhão. Está a começar o concerto de gaita de foles. Meia hora de monotonia musical assistida por um público que cabia num cubículo.

Eram sensivelmente 23h (duas horas depois do esperado por mim) quando se percebeu que os Gazua iriam tocar. A sala rapidamente se encheu de gente que estava lá fora. Se o público inicial era heterogéneo, agora, ainda o era mais. Para além dos doentes e dos idosos, juntavam-se agora algumas crianças, famílias e, claro, as personagens pertencentes às tribos mais próximas do género musical em cartaz.

O espectáculo começou muito bem, imediatamente se percebendo que o som era bom (alto mas perfeitamente definido, entendendo-se tudo o que o vocalista dizia). Com um estilo em tudo característico do punk rock/oi, cantando em Português (viva!), o trio Gazua (que era absolutamente desconhecido para mim) conquistou-me. Cantando e tocando ainda melhor (excelente trabalho de guitarra), serviu aos presentes um óptimo conjunto de canções simples e directas, com refrões que apetecem cantar e uma energia que nos obriga a mexer. Gosto deste estilo e gosto ainda mais do prazer da descoberta de algo que soa tão bem e tão familiar: ouvir rock, cheio de distorção e vigor, cantado na nossa língua. Porquê esta aparente exclusividade por parte do punk na utilização do nosso idioma? Eis algo que merecia uma séria discussão.

Entre grupos de músicas, um quarto elemento vinha ao palco para ler textos, supostas "poesias", a pretexto do dia 21 de Março ser o Dia Mundial da Poesia (é a Primavera, amigos, é o amor e os bichinhos à procura de parceiro). Devo dizer que achei os textos uma palermice pegada e só suportáveis porque os Gazua faziam um fundo musical muito interessante...

Já passava da meia-noite quando o concerto terminou. Para trás ficava uma longa batalha contra o sono (certo, fraqueza minha...), só possível de vencer pela vontade de escutar os temas dos Gazua e por uma espécie de birra em não virar as costas a um espectáculo por causa de atrasos. Mas ficaria muito bem que quem organiza eventos tivesse como preocupação essencial informar, quem a eles se desloca, dos correctos horários das actividades. Convenhamos que duas horas de diferença é coisa que custa...

Gazua, um banda para ouvir, concerteza. Foi por acaso que os conheci, não será, certamente por acaso que os irei acompanhar.

Agora, a falsidade do mundo é que me anda aqui às voltas...

Moonspell no Hard Rock Café (Lisboa)

Os Hard Rock Café sempre me pareceram uns sítios estranhos, feitos a pensar em turistas amorfos que gostam de se enfiar em locais aparentemente cosmopolitas na expectativa de se divertirem "à americana". Aberta há anos, a versão lisboeta da cadeia de restaurantes que ocupa o edifício do antigo Cinema Condes nunca tinha conseguido fazer-me entrar (isto apesar das minhas constantes passagens pelo local). Preços caríssimos, grupos de turistas à porta, consumidores parolos a comprarem recordações de um restaurante (!) e a consciência de que, onde quer que seja, de "Hard Rock", o local só tem o nome sempre me fizerem olhar com desdém para o espaço. Aliás, tendo já passado por vários em diversos pontos do mundo, só por uma vez, e em perfeito desespero de causa (muita sede a más horas) acabei por cruzar a entrada de um destes supostamente "míticos" locais. Mas lá chegou a altura em que uma muito boa razão me convenceu a ir conhecer o HR de Lisboa: um concerto de Moonspell...

Integrado numa iniciativa de "solidariedade" da SIC, o espectáculo cujas receitas reverteram inteiramente a favor de causas sociais, estava limitado a pouquíssimos ingressos e foi com a sensação de alguma sorte que consegui comprar uma entrada alguns dias antes. Como já escrevi, os lugares eram poucos, o preço era simpático (dez euros) e a perspectiva de um concerto "familiar" era óbvia. Esta, comprovou-se logo à chegada, com a circulação dos elementos da banda pelo recinto, conversando com fans e gente conhecida, no que já vai sendo costume em eventos onde a banda da Brandoa esteja presente. Com maior ou menor simpatia pessoal, os integrantes da nossa mais conhecida formação metálica parecem cultivar uma proximidade com o público que só lhes fica bem. Vedetismos são sempre coisa a evitar e, no caso de Fernando Ribeiro, a naturalidade com que aceita que metam conversa com ele num concerto ou numa bicha para o teatro é sinal de alguém que tem os pés na terra e compreende que a estafada frase "nós devemos tudo aos nossos fans" não é um mero chavão mas sim uma realidade a ter sempre em mente.

O concerto começou às 23:30, com o habitual atraso que faz parte do charme do rock. A plateia estava cheia e, no 1º andar, quem optava por um ambiente mais calmo encostava-se ao parapeito para ter uma visão privilegiada da banda que enchia um minúsculo palco com a sua presença. Formação compacta, bloco sólido de talento, transmitindo uma imagem forte por oposição à dispersão habitual em cenários de maiores dimensões, os rapazes dos arredores da capital cedo agarraram o público com uma actuação directa e sóbria, despojada de quaisquer artifícios e quase nos remetendo para a simplicidade original de uma banda de garagem actuando perante um público de bairro. Este, segundo a organização, foi responsável pela primeira casa-cheia conseguida pelo Hard Rock Café de Lisboa o que levou a basta troca de parabéns entre organização, público e banda.

Abrindo o espectáculo com o clássico "Opium", imediatamente se notou aquele que terá sido o único problema da noite e que a assombrou do princípio ao fim: a falta de som na voz. Tentar perceber o que Fernando Ribeiro cantava era tarefa difícil, mesmo para quem como eu se muniu antecipadamente de uns bons tampões para os ouvidos (a idade torna-nos "ratos"). Os instrumentos abafavam completamente o vocalista e só quando as hostilidades cessavam para os inevitáveis intervalos entre as músicas é que se conseguia entender o que o sempre afável líder da banda dizia. Não se percebe como é que é possível proporcionar a um público (ainda por cima pagante) tão más condições no que respeita a algo que é absolutamente essencial. Os Moonspell não são uma banda que se dedique a música instrumental e, portanto, a voz tem de ser ouvida. Sem ela, os temas despem-se do seu interesse.
Tentando por de lado tão grande problema, há que notar também a ausência das teclas já que Paixão se dedicou exclusivamente à guitarra. E, em abono da verdade, não se lhes notou a falta no meio de toda aquela muralha de som produzida pelas más condições acústicas do local. Compensando tudo isto, o grupo teve como convidada uma vocalista feminina que juntou a sua voz a temas como, por exemplo, Scorpion Flower e Luna. Fê-lo para gáudio dos nossos ouvidos e - porque não dizê-lo? -, dos nossos olhos.

Durante a hora que durou o espectáculo, desfilaram temas como os já acima referidos Opium, Scorpion Flower, Luna e ainda Everything Invaded, Abysmo, Night Eternal, entre outros (com visitas ao sempre esquecido álbum Butterfly FX). Para finalizar em grande, o muito pedido Alma Mater.

Pelo meio, ficou a oferta de variadas camisolas da banda, lançadas a partir do palco por um dos assistentes da banda que as tirava de um saco do Lidl - vendem-se lá? :) - enquanto Fernando Ribeiro afirmava que aquilo não era um acto de "caridade" mas sim um agradecimento que se impunha (quem apanhou as camisolas também agradeceu, concerteza) e ainda, umas curtas brincadeiras com temas dos Megadeth, aquando de uma pausa entre músicas, aproveitada por Ribeiro para perguntar quantas pessoas ali presentes tinham estado na noite anterior no Atlântico (Judas Priest + Megadeth + Testament). Foi pena que o vocalista não aceitasse a "provocação" dos restantes membros da banda e alinhasse num dos temas ali rascunhados, nomeadamente "Wake up dead". Perdeu-se a oportunidade para um momento original.

No fim, cumprido o espectáculo, satisfeitas as hostes, subiu ao palco a responsável pela organização, para os agradecimentos da praxe, o sorteio de uns óculos de sol (!) e o apelo à compra de rifas para uma guitarra autografada pela banda. Terminado este momento, Fernando Ribeiro virou-se para o bar e disse "E agora, cinco caipirinhas!"

Foi uma boa noite.
Hoje deixo aqui a sugestão de visita a um site que é uma verdadeira festa!

Entrem e divirtam-se com a animação que nos é mostrada :)

Aceder à Hema: http://HEMA.nl
Nem só os namorados sentem necessidade de publicitar o seu amor...

Bolo de chocolate

Para que ninguém possa dizer que este blog não trata de tudo e mais alguma coisa que me passe pela cabeça, fica aqui uma estreia absoluta: uma receita culinária!

Estão com fome, apetece-vos uma guloseima? Pois bem, usem o melhor amigo do calão (i.e., o microondas) e preparem numa simples caneca um apetitoso bolo de chocolate, em apenas 5 minutos. :)

Para o efeito, munam-se dos seguintes ingredientes:

4 colheres de sopa de farinha
4 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de chocolate em pó
1 ovo
3 colher de sopa de leite
3 colheres de sopa de óleo

e... (o mais importante): 1 caneca !


Agora, mãos à obra!


1) Numa caneca coloque a farinha, o açúcar e o chocolate em pó e mexa bem



2) Junte 1 ovo e continue a mexer bem



3) Junte o leite e o óleo e, claro, mexa bem



4) Coloque a mistela no microondas (potência máxima: 1000 watt) e deixe a coisa lá ficar durante uns 3 minutos

Convenhamos que, para nome próprio, "Putas" é assim a modos que... desagradável.
Estará ele a rezar por um belo bife? :)

Dinheiro, onde?

Trabalhando em informática, é natural que me interesse por actualidades do sector. Por indicação de um colega, fui ao site Peopleware (que, apesar do nome, é português) e comecei a ver o que por lá havia. Gostei da coisa e acabei por dar por mim a comentar as notícias: as pessoas parecem ser minimamente civilizadas e há um certo espírito de troca de ideias. Até aqui, tudo normal. A surpresa veio quando, mais tarde, consultei as estatísticas do meu site: o número de visitantes tinha disparado. Mais do que isso, havia alguns visitantes que liam muitas páginas e passavam bastante tempo nisso. Óptimo!, pensei, é para isso que escrevo, para que alguém leia. Pensamento puxa pensamento e lembrei-me de que tenho publicidade no blog. Querem ver que, finalmente, estou a ganhar dinheiro? Ansioso, acedo ao Adsense para, surpreendentemente, verificar que, apesar das centenas de páginas vistas, ninguém, - repito -, absolutamente ninguém carregou, sequer, nos anúncios! Bom, já se viu que não é assim que consigo ir de férias ou mudar de carro ou ter uma reforma confortável...

Um dia, ainda hei-de apanhar um daqueles tipos que diz ganhar fortunas com a publicidade na internet e perguntar-lhe - sob ameaça física -, qual o seu segredo... acho que ele vai confessar que, afinal, não há nenhum e que ele está tão teso quanto eu... :)

Ora aqui está uma imagem que não se vê todos os dias:o "espelho de água", em Belém, completamente seco.

Para quem sempre se perguntou se morreria afogado caso lá caísse, fica aqui a resposta: não. :)

A Malta e o Mónaco

Passeando pela Rua da Junqueira fui, subitamente, bloqueado pela constatação de um acontecimento da maior importância e cuja falta de divulgação na comunicação social vem, mais uma vez, provar como as coisas verdadeiramente importantes são deixadas para segundo plano para que outras, de cariz mais mundano, tomem o lugar delas. Pois bem, no palacete na foto funcionava (desde que me lembro de mim), a Embaixada do Mónaco mas, agora, a representação da potência socialite foi substituída pela da poderosíssima Ordem Militar Soberana de Malta.

Sim, sei no que estão a pensar, porque razão os herdeiros dos Hospitalários não aderem à NATO/OTAN, certo? É, realmente, uma questão relevante mas para a qual a minha ignorância em geoestratégia não encontra resposta.

Nenhum jornal dedicou um dossiê a esta mudança nem ao alargado leque de consequências que ela implica. A economia, a defesa, o ambiente... Quais as implicações da substituição da representação monegasca pela dos terríveis guerreiros mediterrânicos? O Governo não diz nada? Será que tenho de ver o programa da Fátima Lopes para que a Maya me possa esclarecer?

(será que a Maya já foi a alguma recepção da Embaixada do Mónaco? E, em caso afirmativo, foi antes ou depois do "enchimento"?)

Perguntas, perguntas...

Vontade de chatear (5)

Ainda há poucos dias deixei aqui uma imagem de uma passadeira bloqueada por uma carrinha de uma empresa de segurança e eis que, hoje, deparo com outra situação semelhante. A empresa é outra (Loomis), a estupidez é a mesma.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

P.S. - pode ser uma táctica para, em caso de assalto, os ladrões não fugirem... :)