Ridículo sobre rodas

Se o ridículo matasse, a esta hora, já alguém na Câmara Municipal de Lisboa ou na Junta de Freguesia de Benfica (muito provavelmente, esta) estaria a encomendar a alma ao criador.

Numa altura em que por toda a zona de Benfica ainda se notam os efeitos das últimas chuvadas, com enormes buracos nas estradas (só recentemente foram alguns tapados), alguém cuja noção do ridículo deve ser proporcional à inteligência (pequena, portanto), resolveu criar uma pista para ciclistas. Até aqui, podemos argumentar que seria uma boa ideia. O problema é que a pista (ou circuito, como pomposamente lhe devem chamar) tem a enormíssima extensão de 100 metros! Exactamente, do princípio da pista vê-se o seu fim. Para que esta maravilha fosse construída foi preciso retirar centenas de lajes de passeio (o que não quer dizer que tivessem ido substituir as muitas que estão partidas) e alcatroar metade da largura daquele. Alcatroar? Sim, apesar do passeio ser perfeitamente utilizável por bicicletas, o tal "alguém" achou que a coisa ficaria muito melhor com alcatrão. Talvez tenha sido uma espécie de confissão do mau estado em que estão alguns troços do "circuito pedestre", vá-se lá saber...

O que se sabe é que dinheiros públicos serviram para fazer uma obra perfeitamente absurda (mas, para que é que aquilo serve?!), numa zona que não é utilizada por ciclistas (Colégio Militar, junto ao CC Colombo) e com começo e fim no meio de nada. Para acentuar a estupidez da coisa, ainda foram colocados dois sinais, orgulhosamente identificando a ciclovia. Até aqui se nota o disparate: em vez de colocarem os sinais de lado, colocaram-nos no meio do passeio...

Daqui a algum tempo, quando for altura de eleições, o alguém que, sentado à secretária decidiu construir mais este elefante branco, erguer-se-á do seu pouso para explicar à população a maravilha que deu à cidade e como isso o torna merecedor dos nossos votos. Benfica tem uma ciclovia, Benfica é amiga do ambiente, Benfica ama os ciclistas e contribui para diminuir a dependência de combustíveis fósseis.

Ridículo, porque não matas?

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