ETA: 50 anos

A ETA, organização a que uns chamam terrorista e outros separatista, faz hoje 50 anos. Meio-século para uma organização de luta armada é coisa digna de nos fazer pensar. Pensar nas vítimas, nas razões, nos meios, na persistência, na abnegação...

Cinquenta anos de contínua renovação de um animal que o Estado Espanhol não consegue matar porque aquele se alimenta das razões de um povo que pede algo de tão simples e sempre negado quanto a autodeterminação, direito reconhecido universalmente aos povos a menos que estejam inseridos num "país desenvolvido".

O aniversário da "País Basco e Liberdade" (Euskadi ta askatasuna) é, também, o aniversário do símbolo máximo do irredentismo nacionalista na Europa ocidental. É uma boa ocasião para que os espíritos que não estejam toldados por dogmas políticos e intoxicados pela pressão mediática (sob controlo ou influência do governo espanhol) possam pensar como raio é que é possível a uma organização sobreviver na clandestinidade durante tanto tempo, sendo periodicamente sangrada dos seus elementos mais importantes para renascer rejuvenescida.

A resposta à pergunta anterior é fácil mas obriga a tomar um partido por não ser possível evitar aceitar que se a ETA (e outras estruturas a ela associadas) anda existe é porque uma larga fatia da população Basca a apoia directa ou indirectamente. E fá-lo não por capricho ou sob ameaça mas sim por se rever no núcleo ideológico da organização: a independência do País Basco. Ora, se numa nação tão pequena quanto a basca, uma percentagem razoável da população se dispõe a sair à rua em apoio de "terroristas", se vota nas organizações políticas a eles associadas, isso quer dizer que uma percentagem muito maior da mesma população se revê no projecto abertamente independentista mas que, por força da natural rejeição da violência armada, transfere os seus votos para o moderado PNV.

continua mais tarde

A caravana passa e nós aplaudimos

Ando em frenética actividade teatral (do lado sentado da coisa, entenda-se). Ontem, fui conhecer o Teatro Meridional, ali juntinho à Mitra, na zona menos conhecida de Lisboa.

"A Caravana" é uma peça que nos fala da célebre "Rota da seda", essa monumental "estrada" que trazia a seda chinesa desde o extremo-oriente até Veneza. E fala-nos desse mítico movimento de mercadores de uma forma extremamente visual, recorrendo à utilização de panos coloridos que servem para compor e reinventar todos os elementos de cena: ora um pano é uma prisão, um vestido, um riquexó...

O espectáculo está dividido em quatro partes (contínuas, não há intervalo): China, Índia, Síria e Veneza. Cada qual tem uma atmosfera própria decorrente do que se conta, das personagens que surgem e à volta das quais tudo gira. A China é a explicação do surgimento da seda, a Índia é a opulência, a Síria é a travessia e, finalmente, Veneza é a venda dos tecidos.

Em toda a peça, destaca-se pelo lado cómico a sua última parte, dedicada a Pietro, o vendedor de tecidos veneziense e a sua enorme lábia. Em termos visuais, gostei particularmente da Índia e daquele jogo de sombras que a certa altura se dá.

Enfim, é uma peça equilibrada, que tanto nos faz rir como concentrar na beleza dos panos e das movimentações que os actores lhes imprimem. Vale certamente a ida a Braço de Prata e julgo que esta opinião será partilhada pelo público que enchia a sala, ontem.

O mais metálico dos metálicos

Das tripas do infame Vitominas saiu esta pequena animação sobre quem é, realmente, o mais metálico dos metálicos (ou metaleiros - é como quiserem).

Incapaz de defender a minha própria honra (falta-me o cabelo e moro em Lisboa), curvo-me respeitosamente perante o "mais dos mais" lá na Margem Sul: "Hail" para ti ó qualquer-coisa!

Sei o que não quero!

Um volte-face é coisa que pode acontecer a qualquer momento. A mim, aconteceu-me hoje de manhã um. Decidi em quem não vou votar. Eu, que até tinha simpatia pelo demónio de serviço (o Sócrates), eu que até me arrepiava com aquela ideia da Manuela Ferreira Leite de entregar a educação aos privados, passei a estar absolutamente decidido a não votar PS e tenho um bichinho atrás da orelha a dizer-me "Vota útil, vota PSD".

Aguentei muita coisa que se disse e fez por causa do Governo, defendi-o quando achei que a maledicência era demais, levantei os braços para aplaudir o Magalhães mas... há coisas que são demais. Quando a TSF anuncia que, na apresentação do programa de governo do PS, lá estão matérias como o comboio de alta velocidade (esse elefante branco, defendido pelos maiores interesseiros da praça), o casamento homossexual (ver texto antigo) e a regionalização, então, eu não quero saber de mais nada porque, o meu voto não levam!

A minha grande dúvida, agora, é saber se voto nulo, em branco ou num qualquer partidozeco (como fiz nas Europeias, com o MMS). A opção PSD é pílula que me custa a engolir e só o Pacheco Pereira seria capaz de me convencer a tal.

Eu quero é ir viver para uma ilha deserta!

Tó Trips no Chiado

Tó Trips é uma "figura" do nosso panorama musical. Metade dos Dead Combo, parte inteira de si mesmo, lançou recentemente um disco intrumental onde aborda a viola como Carlos Paredes abordava a guitarra: com uma quase raiva de quem exige ao instrumento a entrega da música que tem dentro de si. Disco bonito, feito de entardeceres lânguidos em cidades quentes, adivinha-se nos temas de "Guitarra 66" viagens, sabores e exotismos mais ou menos distantes.

Ontem à noite, no Museu do Chiado, por duas ridículas moedas de um euro, foi possível sentarmo-nos em frente a um homem vestido de negro, bronzeado intenso, que parecia não querer fitar o público numa timidez que se confundia com a entrega à interpretação. No ar, uma brisa fresca na medida certa levantava do solo o cheiro da relva onde todos os que não tiveram assento se instalaram e onde, como que para vincar um ambiente de intimidade entre a pequena multidão, crianças ocupavam a zona mais próxima do artista.

O concerto durou cerca de uma hora e apetecia que tivesse durado mais. O ambiente era óptimo e deu uma boa noção do muito que anda por aí para que possamos gozar a nossa cidade. Antes do espectáculo (e incluída no preço!), uma visita de médico ao Museu do Chiado para passar os olhos pela exposição que lá está agora e onde é possível ver obras de Almada Negreiros, Amadeo de Souza Cardoso e Mário Eloy, entre muitos outros.

Bela maneira esta de acabar o dia! O Museu do Chiado continua com a sua programação especial de Quintas-Feiras e acredito que vou aproveitá-la ainda mais.


Ler entrevista com Tó Trips: aqui
Ouvir música de Guitarra 66: aqui

Equilíbrios

Numa noite em que eu era o único candidato a espectador no Teatro Taborda (Lisboa), tirei esta foto.

Se um quarto destas chávenas pudesse estar nas mãos de alguém, tinha havido peça...

Sem palavras

Esta imagem dispensa palavras porque, como diz o ditado, vale por mil. Mas, se eu não escrevesse aqui qualquer coisa, lá pensariam vossemecês que eu me tinha esquecido do texto ou, pior, que não tinha nada para dizer. Portanto, para que ninguém duvide de que a minha intenção foi, desde o início, não escrever nada e deixar-vos a tarefa de, livremente, fazerem um juizo de valor sobre a capa da TVGuia, eu pronuncio oficialmente...

sem palavras

Edifícios verdes: versão Pombal

Andam para aí a falar de edifícios ecológicos, casas verdes e mais não sei o quê, apresentado-os como uma evolução própria dos tempos modernos e eis que, uma simples passagem pela zona do Cais do Sodré nos revela que já o Marquês de Pombal tinha pensado no assunto. Vejam a foto e reparem como nos velhos edifícios pós-terramoto, até árvores nascem das paredes! :)

Mais "verde" do que isto, é difícil...

A água do Senhor


Se algum de vocês alguma vez se perguntou de onde vem a água que os padres usam para os baptizados, eis a resposta: vem do garrafão e tanto pode ser do Luso como do Fastio...

Vontade de chatear (9)

Vamos lá ver se a gente, primeiro, se situa: a imagem ao lado mostra a Av. da República, em Lisboa; a hora é as 18:30 e o dia é uma Quinta-Feira. Ou seja, uma das principais artérias da capital, em plena hora de ponta de um dia útil. O carro que se vê não parou para que alguém atendesse um telefonema. Não, ele está mesmo estacionado! E aquela zona cinzenta e vazia que está ao lado é uma faixa de... estacionamento.

Portantche, este artista estacionou o carro, na faixa de rodagem, ignorando a zona de estacionamento junto a si e também a que está do outro lado (sim, havia lugares). Para este cromo, estacionar, só mesmo na estrada!


Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Tenham medo, muito medo...

Tenham medo, muito medo... era o mote de uma qualquer série de TV, daquelas à antiga, com maus actores e a preto e branco, como que para acentuar a maniqueísta luta entre o bem e o mal.

Medo, muito medo é o que a comunicação social tenta criar nas populações de todo o mundo, seja com os acidentes de avião, seja com as gripes das aves e dos porcos, ou a crise económica, ou a carne de vaca, ou qualquer outra coisa.

Dizia Michael Moore, no seu "Bowling for columbine", que os americanos eram um povo vivendo constantemente sob o medo de qualquer coisa e que isso seria uma das causas das elevadas taxas de criminalidade nos EUA. Cada vez mais lhe dou razão, não tanto no que diz respeito à realidade estado-unidense (para a qual me estou lixando) mas porque também eu sinto a pressão (e os efeitos dela) à qual nós, portugueses, estamos sujeitos.

A actual campanha é a do vírus H1N1 (ex-gripe mexicana, ex-gripe suína). No Reino Unido, a loucura já chegou ao ponto de a comunicação social veicular a ideia de que as mulheres não deviam engravidar nos tempos mais próximos, que as pessoas deviam viajar apenas o estritamente necessário e até que - pasme-se -, deviam ficar mais tempo em casa! As autoridades britânicas já fizeram notar que isso não faz qualquer sentido mas o que importa aqui é entender a teia de medo que se tenta lançar sobre as pessoas.

"Não saiam de casa que podem ficar doentes!" - só não digo que os limites foram ultrapassados porque o cancro da comunicação social é uma doença que consegue sempre empurrar os seus limites mais além, rumo ao abismo da estupidez na qual se tenta que a população caia.

Pessoas assustadas são mais facilmente manipuláveis. Pessoas manipuláveis são menos contestatárias. Pessoas menos contestatárias dão melhores trabalhadores e consumidores.

Cada vez estamos mais perto das sociedades caóticas e brutais ao estilo Blade Runner. Multiculturalismo forçado, manipulação mediática, consumismo desenfreado, Estado securitário, cultura da violência, etc. Está tudo aí e só não vê quem não quer.

Jorge Palma e o Trio Odemira

Decididamente, esta semana é a do Jorge Palma...

Reparem nesta situação absolutamente inesperada: Jorge Palma (novinho), cantando o Porto Covo (de Rui Veloso), acompanhado pelo Trio Odemira e Carlos Alberto Moniz, num programa do Júlio Isidro.

Ó meus amigos! Isto é o YouTube!!! :))

Por estas e por outras...



É por estas e por outras que eu não uso perfume...

Jorge Palma em Belém

Se os meus dois textos anteriores foram sobre as diversões em Lisboa e Jorge Palma, então, é mais do que justo que se fundam os dois temas para falar no concerto de ontem junto à Torre de Belém.

Jorge Palma foi convidado pela Câmara para animar o relvado de Belém (numa noite que dispensava aquele vento frio que por lá andava) e fez o mesmo a uns quantos amigos seus: eh pá, venham tocar comigo! Rui Reininho, Cristina Branco, Marisa, JP Simões, Adolfo Luxúria Canibal, Gaiteiros de Lisboa, Fausto e Sérgio Godinho foram os nomes que lá apareceram.

Os duetos foram de nível desigual. "Frágil" (com Rui Reininho) foi forte e cheio de energia, combinando-se os dois artistas optimamente. Marisa entrou mal no seu tema (Canção de Lisboa) e teve de se "cortar" ao tom demasiadamente agudo com que iniciou. Cristina Branco foi límpida e cheia em "Estrela do mar". Sérgio Godinho mais valia não ter lá ido se nem sequer sabia a letra de "Jeremias, o fora-da-lei". Adolfo Luxúria Canibal sussurrou qualquer coisa ao seu estilo. JP Simões cumpriu com "Bairro do amor" e Fausto tinha tudo a ver com "Dá-me lume".

Os Gaiteiros de Lisboa eram só paisagem e as meninas dos tambores e bombos com que o espectáculo abriu e fechou serviram para ocupar o vazio musical do tempo dos agradecimentos e palmas.

O concerto foi bom e o Palma estava bem. Mas aquele não era o seu público. Notava-se desconhecimento das músicas, as palmas não "entravam" a tempo e eram poucas, muito poucas para aquilo que se estava a ver. É o mal destes concertos "populares": vai toda a gente, desde as marias que passam a noite na conversa falando da novela, até aos velhotes que ao fim de duas ou três músicas desistem por causa da barulheira, passando pelos bêbedos e pelos chicos-espertos do "'Tá na hora! Vamos lá começar com essa merda! Eh, eh, eh...".

Outra coisa que, paradoxalmente, "estraga" um pouco um concerto são as cadeiras. É certo que sabem bem e dão apoio aos penduras (os tais que nem deviam lá estar) mas retiram inapelavelmente muito do gosto que dá ver música ao vivo. É uma coisa assim como que "à japonesa" (os japoneses são conhecidos por verem concertos de heavy metal sentadinhos, apenas levantando os braços).

Quanto à organização: a coisa estava arranjadinha, o concerto foi bom (claro!) mas, para a próxima, duas coisinhas: arranjem vários vídeos com que entreter o pessoal - estar a ver um mesmo vídeo promocional de cinco em cinco minutos ao longo de duas horas é coisa capaz de levar ao desespero um santo; e acabem com essa fantochada dos lugares "vips" - centenas de cadeiras numa área reservada que invariavelmente acabam por terem de ser ocupadas pelo poveco... que chega atrasado ou seja, chegar tarde e a más horas (atrasando o espectáculo) compensa porque acabamos por nos sentar nos melhores lugares... :|

Saldo da noite: mais um belo concerto, de um Jorge Palma cheio de energia e quase sempre muito bem acompanhado. No final, "A gente vai continuar", com o palco completamente cheio de gente em festa. Eu também vou continuar gostando de ti, ó Jorge! :)

Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Recordar é bom!

O YouTube é um tesouro de coisas ignoradas, memórias esquecidas sob a avalancha mediática a que estamos sujeitos. É como a caverna do Ali-Bá-Bá, cheia de riquezas inimagináveis porque nunca antes vistas. É assim que me sinto quando começo a vaguear pelos incontáveis vídeos de música portuguesa que gente muito boa coloca no ar.

Viva a pirataria que nos permite manter viva a recordação dos nossos anos mais jovens, viva o desprezo pelo espartilho do negócio que impede o acesso generalizado a tudo aquilo de bom que a nossa cultura produziu no século XX.

Como de costume, entregando-me ao acaso, tendo apenas como ponto de partida a vontade de ouvir uma canção das Doce, tropecei neste momento único: Jorge Palma (novinho) e Lena d'Água (bonita), interpretando uma das obras-primas do nosso génio maior.

É de ouvir o dia todo!...

O difícil é escolher!

Já aqui deixei escrito que, se pudesse, me punha a andar para fora de Lisboa. Insisto que as vantagens que as pessoas vêem na grande cidade são, na maior parte, uma ilusão. Mas há um sector onde, aí sim, viver na Grande Alface (ainda ninguém se lembrou desta...) apresenta imensas vantagens: a diversão.

Na presente época, o difícil para quem ande por esta terra é escolher o que fazer. Por todo o lado há ofertas culturais. E quando digo "ofertas" quero mesmo dizer "coisa dada", "grátis", "à borla", "custo zero" (esta é para os economistas). Ele é o Festival ao Largo, no Chiado, com música, teatro e dança; ele são as Festas de Lisboa; ele é (isto já parece Francês) a miríade de exposições em galerias; ele é o aniversário do Museu Berardo (que, já de si, é totalmente gratuito); ele é o Festival de Música da Cartuxa, em Caxias (sim, porque os arredores também contam)...

Nesta altura (e, nas outras, a coisa também não é nada má), só fica em casa quem for mono!

Mas, como se já não bastasse aquilo que é à borla, ainda há aquilo que é barato. Ir ao teatro pode ser baratíssimo. Por exemplo, a "A Comuna", dois dias por semana (Quarta e Quinta) tem os bilhetes a cinco euros (!). Como se isto não bastasse, ontem, ao apresentar-me para comprar um ingresso para a sua mais recente peça - "Sangue" -, ainda tive a surpresa de ele me ser oferecido porque o espectáculo estava nos três primeiros dias de exibição! Se não foi esta a explicação, foi outra coisa parecida. Confesso que estava meio aparvalhado, ali, com uma nota na mão e a rapariga a dizer-me que não tinha de pagar nada. :)

Hoje, por exemplo, temos Mário Laginha e Bernardo Sassetti no Castelo de São Jorge; amanhã, música em Caxias e dança no Chiado; Domingo, música no Jardim da Estrela, Segunda-Feira, Rodrigo Leão na FNAC...

Se é por isto que a vida me sai mais cara, se é isto o "luxo" de viver na capital, então, está bem, aceito o fardo e... aproveito o mais que puder!!!


Ficam aqui alguns links interessantes:
Festas de Lisboa, Festival ao Largo, Festival de Música da Igreja da Cartuxa, FNAC, Le Cool Magazine

O Lucky Luke moçambicano

Lembram-se do Lucky Luke, o cowboy (bem estão os brasileiros, que dizem "vaqueiro") que disparava mais rápido do que a própria sombra? Claro que sim, toda a gente já leu qualquer coisa dessa personagem.

O que poucos devem saber é que em Maputo existe alguém ainda mais rápido do que o boneco do chapéu branco e camisa amarela. O Google Analytics sabe-o e disse-me que um laurentino (ainda se chamarão assim ou será uma coisa do tipo "maputense"?) viu sete páginas deste blog em apenas sete segundos!!!

Um abraço aí para baixo e, da próxima vez, eh pá, não tenhas tanta pressa! :)

Somos um casal

Sexta-Feira à noite na Casa Conveniente, um "buraco" entalado entre bares de putas, em pleno Cais do Sodré. Falta um bocado para o espectáculo começar (e, no teatro, por força dos sagrados atrasos, isso quer dizer que falta "ainda" mais do que parece), e as pessoas levantam os bilhetes reservados. À minha frente, duas raparigas pagam os seus. A moça da "bilheteira" (ali não existe isso) pergunta-lhes se, para facilitar, lhes pode dar o troco em conjunto e, depois, elas que o dividam. Uma das raparigas diz que sim e a outra, arrapazada, avança logo com um quase ansioso "somos um casal".

Ah, pronto, se elas são um casal, então, está bem - já se vê -, faz todo o sentido dar-lhes o troco por inteiro! Aliás, muitas outras coisas fariam sentido como, por exemplo, andarem vestidas de igual, usarem camisolas com o rosto da sua cara-metade, beberem suminho pelo mesmo copo usando duas palhinhas ao por-do-sol enquanto corações vão subindo com o gás... sei lá, um ror de coisas que todos os casais fazem. Para além de receberem o troco em conjunto.

O que me lixa é que, da próxima vez que eu for ao café com algum rapaz, tenho de vincar bem que cada um paga a sua conta, só porque somos muito machos! E se o pacóvio do empregado, numa de se fazer engraçadinho, me perguntar se "é tudo junto", é mandar-lhe, logo um sonoro "nós não somos maricas, ó panasca!". Se fôssemos, fazia sentido partilhar a conta. Como não somos, não há cá coisas para ninguém...

... a menos que dê desconto. Se um casal tiver desconto, talvez me sujeite a fazer má figura por uns instantes. Como isto está, talvez seja uma hipótese a considerar num futuro próximo.

Mas, pronto... as raparigas devem estar a viver o despontar da sua paixão e acham importante comunicar ao mundo a sua união, ainda que a pretexto de um simples troco de 20 euros. Outras já se lhes adiantaram, aos beijos em plena Rua do Carmo ou no metro em hora de ponta. "Elas" são mais atrevidotas do que "Eles". É por isso que acabo por ter algum respeito pelas lésbicas. Preocupam-se menos com a palhaçada e mais com os actos. É assim que deve ser. Com ou sem troco em conjunto.

Era uma vez um homem...


Era uma vez um homem a quem perguntaram o que achava dos homossexuais.

A sua resposta foi:

- Eu quero é que eles vão levar no cu !!!

Vontade de chatear (8)

A mota na fotografia estava estacionada assim, num dia de semana, em plenas Avenidas Novas, em Lisboa.

Repare-se que não estava ali para uma curta paragem - o que, até isso, seria estúpido -, não, ela estava estacionada naquele local, propositadamente em cima da passadeira, ocupando o máximo de espaço e bem um metro dentro da estrada.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

O meu filho está preso - parte 3

Terceira e última parte da saga "O meu filho está preso".

O facto de uma das folhas ter sido arrancada da parede poderá impedir-nos o acesso a informações vitais para a compreensão da história. Que segredos seriam ali revelados? Quem seria comprometido? A "progenitora", o pai, o filho? A directora da Casa Pia? Nunca chegaremos a sabê-lo.

Mas o último episódio realça algumas das linhas de força do enredo. O "filho" tem computador e telemóvel. Também teve duas "negas" na escola. Se isso foi, ou não, consequência do estado do frigorífico, não se sabe. Apenas se pode especular. Apenas de pode imaginar o que se terá passado verdadeiramente naquela casa da Rua do Salitre...

Para quando o filme?

O meu filho está preso - parte 2

A saga continua e a trama adensa-se.

A progenitora da "criança" que está presa (e que fala várias línguas e mexe em computadores) veio de Londres propositadamente para a tentar vender por €15.000 a estrangeiros.

Notam-se aqui aparentes incongruências no enredo mas deve ser a bem da emoção...

(carreguem na imagem para verem melhor)

Ronaldo pontapeia carro de fotógrafo em Lisboa

Não sou fan do Cristiano Ronaldo. Confesso que a sua arte das fintas me baralha a ponto de não perceber que raio é que ele anda a fazer na Selecção (eu e mais uns milhões, parece-me...), mas gosto dos pontapés do homem. Isso. Para mim, o Ronaldo só devia mexer-se para dar pontapés: livres, penaltis, remates de fora da área e... pontapés em carros de papparazzi.

No que respeita a esta última qualidade de alvos, acho que deviam ser todos postos em fila, assim numa espécie de festival, e o CR - 7 ou 9, isso não interessa -, ia percorrendo a longa bicha de inúteis e "pimba!" - olhó vidro -, "pimba!" - olhá porta. Depois de cada papparazzo ter apanhado um valente susto dentro da sua armadura, era retirado cá para fora e passávamos à segunda fase do evento: o pontapé no cu.

Mais uma vez, todos os papparazzi eram postos em fila, em posição de quatro ou, se o preferissem, com o rabinho levantado e a cabeça encostada ao chão e lá ia o CR7 (ou 9) distribuindo biqueiradas por toda aquela canalha.

Não sei se o CR gritou golo quando se atirou ao carro do papparazzo descrito na notícia do 24 Horas mas, se não o fez, isso foi uma falha. Igualmente desconheço se a Dona Gertrudes deu gritos de "ai meu filho que te desgraças" mas, se o fez, foi para bem do espectáculo.

Quanto ao fotógrafo e à sua amiga, devem estar a esfregar as mãos de contentes com a perspectiva de alguns milhares que vão encaixar à custa de andarem a foder o juizo aos outros e, por uma vez, o outro ficar fodido com isso.