A caravana passa e nós aplaudimos

Ando em frenética actividade teatral (do lado sentado da coisa, entenda-se). Ontem, fui conhecer o Teatro Meridional, ali juntinho à Mitra, na zona menos conhecida de Lisboa.

"A Caravana" é uma peça que nos fala da célebre "Rota da seda", essa monumental "estrada" que trazia a seda chinesa desde o extremo-oriente até Veneza. E fala-nos desse mítico movimento de mercadores de uma forma extremamente visual, recorrendo à utilização de panos coloridos que servem para compor e reinventar todos os elementos de cena: ora um pano é uma prisão, um vestido, um riquexó...

O espectáculo está dividido em quatro partes (contínuas, não há intervalo): China, Índia, Síria e Veneza. Cada qual tem uma atmosfera própria decorrente do que se conta, das personagens que surgem e à volta das quais tudo gira. A China é a explicação do surgimento da seda, a Índia é a opulência, a Síria é a travessia e, finalmente, Veneza é a venda dos tecidos.

Em toda a peça, destaca-se pelo lado cómico a sua última parte, dedicada a Pietro, o vendedor de tecidos veneziense e a sua enorme lábia. Em termos visuais, gostei particularmente da Índia e daquele jogo de sombras que a certa altura se dá.

Enfim, é uma peça equilibrada, que tanto nos faz rir como concentrar na beleza dos panos e das movimentações que os actores lhes imprimem. Vale certamente a ida a Braço de Prata e julgo que esta opinião será partilhada pelo público que enchia a sala, ontem.

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