ETA: 50 anos

A ETA, organização a que uns chamam terrorista e outros separatista, faz hoje 50 anos. Meio-século para uma organização de luta armada é coisa digna de nos fazer pensar. Pensar nas vítimas, nas razões, nos meios, na persistência, na abnegação...

Cinquenta anos de contínua renovação de um animal que o Estado Espanhol não consegue matar porque aquele se alimenta das razões de um povo que pede algo de tão simples e sempre negado quanto a autodeterminação, direito reconhecido universalmente aos povos a menos que estejam inseridos num "país desenvolvido".

O aniversário da "País Basco e Liberdade" (Euskadi ta askatasuna) é, também, o aniversário do símbolo máximo do irredentismo nacionalista na Europa ocidental. É uma boa ocasião para que os espíritos que não estejam toldados por dogmas políticos e intoxicados pela pressão mediática (sob controlo ou influência do governo espanhol) possam pensar como raio é que é possível a uma organização sobreviver na clandestinidade durante tanto tempo, sendo periodicamente sangrada dos seus elementos mais importantes para renascer rejuvenescida.

A resposta à pergunta anterior é fácil mas obriga a tomar um partido por não ser possível evitar aceitar que se a ETA (e outras estruturas a ela associadas) anda existe é porque uma larga fatia da população Basca a apoia directa ou indirectamente. E fá-lo não por capricho ou sob ameaça mas sim por se rever no núcleo ideológico da organização: a independência do País Basco. Ora, se numa nação tão pequena quanto a basca, uma percentagem razoável da população se dispõe a sair à rua em apoio de "terroristas", se vota nas organizações políticas a eles associadas, isso quer dizer que uma percentagem muito maior da mesma população se revê no projecto abertamente independentista mas que, por força da natural rejeição da violência armada, transfere os seus votos para o moderado PNV.

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