Tenham medo, muito medo...

Tenham medo, muito medo... era o mote de uma qualquer série de TV, daquelas à antiga, com maus actores e a preto e branco, como que para acentuar a maniqueísta luta entre o bem e o mal.

Medo, muito medo é o que a comunicação social tenta criar nas populações de todo o mundo, seja com os acidentes de avião, seja com as gripes das aves e dos porcos, ou a crise económica, ou a carne de vaca, ou qualquer outra coisa.

Dizia Michael Moore, no seu "Bowling for columbine", que os americanos eram um povo vivendo constantemente sob o medo de qualquer coisa e que isso seria uma das causas das elevadas taxas de criminalidade nos EUA. Cada vez mais lhe dou razão, não tanto no que diz respeito à realidade estado-unidense (para a qual me estou lixando) mas porque também eu sinto a pressão (e os efeitos dela) à qual nós, portugueses, estamos sujeitos.

A actual campanha é a do vírus H1N1 (ex-gripe mexicana, ex-gripe suína). No Reino Unido, a loucura já chegou ao ponto de a comunicação social veicular a ideia de que as mulheres não deviam engravidar nos tempos mais próximos, que as pessoas deviam viajar apenas o estritamente necessário e até que - pasme-se -, deviam ficar mais tempo em casa! As autoridades britânicas já fizeram notar que isso não faz qualquer sentido mas o que importa aqui é entender a teia de medo que se tenta lançar sobre as pessoas.

"Não saiam de casa que podem ficar doentes!" - só não digo que os limites foram ultrapassados porque o cancro da comunicação social é uma doença que consegue sempre empurrar os seus limites mais além, rumo ao abismo da estupidez na qual se tenta que a população caia.

Pessoas assustadas são mais facilmente manipuláveis. Pessoas manipuláveis são menos contestatárias. Pessoas menos contestatárias dão melhores trabalhadores e consumidores.

Cada vez estamos mais perto das sociedades caóticas e brutais ao estilo Blade Runner. Multiculturalismo forçado, manipulação mediática, consumismo desenfreado, Estado securitário, cultura da violência, etc. Está tudo aí e só não vê quem não quer.

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