Tó Trips no Chiado

Tó Trips é uma "figura" do nosso panorama musical. Metade dos Dead Combo, parte inteira de si mesmo, lançou recentemente um disco intrumental onde aborda a viola como Carlos Paredes abordava a guitarra: com uma quase raiva de quem exige ao instrumento a entrega da música que tem dentro de si. Disco bonito, feito de entardeceres lânguidos em cidades quentes, adivinha-se nos temas de "Guitarra 66" viagens, sabores e exotismos mais ou menos distantes.

Ontem à noite, no Museu do Chiado, por duas ridículas moedas de um euro, foi possível sentarmo-nos em frente a um homem vestido de negro, bronzeado intenso, que parecia não querer fitar o público numa timidez que se confundia com a entrega à interpretação. No ar, uma brisa fresca na medida certa levantava do solo o cheiro da relva onde todos os que não tiveram assento se instalaram e onde, como que para vincar um ambiente de intimidade entre a pequena multidão, crianças ocupavam a zona mais próxima do artista.

O concerto durou cerca de uma hora e apetecia que tivesse durado mais. O ambiente era óptimo e deu uma boa noção do muito que anda por aí para que possamos gozar a nossa cidade. Antes do espectáculo (e incluída no preço!), uma visita de médico ao Museu do Chiado para passar os olhos pela exposição que lá está agora e onde é possível ver obras de Almada Negreiros, Amadeo de Souza Cardoso e Mário Eloy, entre muitos outros.

Bela maneira esta de acabar o dia! O Museu do Chiado continua com a sua programação especial de Quintas-Feiras e acredito que vou aproveitá-la ainda mais.


Ler entrevista com Tó Trips: aqui
Ouvir música de Guitarra 66: aqui

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