Mais um para o monstro



O monstro da construção civil fez mais uma vítima em Lisboa. Desta vez, foi uma adorável casinha na Rua D. Luís de Noronha, um vestígio em estado impecável de outros tempos em que aquela zona estava cheia de pequenas moradias.

Habituado desde sempre a passar por aquela zona, sempre me suscitou curiosidade aquela pérola entalada entre dois desinteressantes prédios de habitação. O local tinha qualquer coisa de misterioso. O aspecto era quase o de uma casa de bonecas que alguém tivesse plantado ali: por trás de duas bonitas palmeiras, uma fachada elegante, com azulejos bonitos e janelas cheias de vidrinhos conferiam ao imóvel um quase ar de casa de veraneio, daquelas casas antigas que esperamos ver nas zonas balneares históricas.

Quem vivia lá? A verdade é que em todos estes anos, só uma vez vi a porta aberta e nunca, mas absolutamente nunca, vi uma alma no local. Mas a casa era habitada.

Agora, as máquinas escavadoras comem o terreno, preparando-o para mais um edifício de "prestige" que, com um pomposo nome em Inglês, irá ser vendido a "sotores" para que possam ter o privilégio de viver no centro da cidade. Esta, viu o seu património morrer mais um pouco.

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