GNR contra Emanuel


Lisboa
Cada um tem aquilo que merece.


Porto
Fim de ano: as duas maiores cidades do país preparam as suas festas para distrair a população. Lisboa agenda o maior grupo rock nacional (Xutos & Pontapés) e o Porto não se deixa ficar para trás e contrata o absolutamente estrondoso Emanuel, o homem que deu nome àquele estilo musical saloio com que toda a gente gozava e para o qual ninguém tinha um nome certo e decente.

Os reis do rock contra o rei da música pimba!

Provavelmente, tudo isto não passou de mais uma jogada maquiavélica da Câmara Municipal de Lisboa mas, aí, já estamos a entrar na teoria da conspiração. Certo, certo é que os Xutos & Pontapés cancelaram a participação por doença do Zé Pedro e a CML - agora, sim, numa jogada diabólica -, foi buscar os GNR ao Porto!

Sim, porque a cidade que tem os GNR, os Clã, os Azeitonas e mais umas quantas coisas interessantes, para a festa de fim de ano só se lembrou de dar à população uma grande pimbalhada!

Talvez o Emanuel faça parte dos planos para a promoção turística do Porto, sei lá, e a gente cá em baixo é que não percebe...

W.A.S.P. - Wild child



Anos 80, sempre os anos 80... Costumava ouvir isto com as colunas da aparelhagem (hifi) encostadas aos ouvidos, como se fossem auscultadores (fones). E que bem que sabia!

Para os mais novos (teenagers), que se perguntam quem raio são estes foleirões que aparecem no teledisco (videoclip), eu respondo que são os W.A.S.P. (ou WASP), uma banda de Heavy Metal muito à americana que usava de bastante provocação para se afirmar. Mas, ao contrário do que acontece com tanto artista, estes também sabiam fazer grandes músicas.

Embora algumas pessoas mais esclarecidas possam pensar que W.A.S.P. vem de "White Anglo Saxon Protestants" o nome vem sim de "We Are Sexual Perverts". Se o eram ou não, isso era lá com eles mas de certeza que gozavam bastante a vida :)

Os W.A.S.P. ainda vivem, embora sejam uma sombra do que eram nesta altura. Ainda assim, vale a pena ouvir algumas coisas. Para já, para aguçar a curiosidade, fica aqui este Wild Child.

A arte de complicar

"Ó pessoal, vamos ao teatro amanhã?" - pergunto eu. "Pode ser..." - respondem-me. E eis que me lanço à aparentemente fácil tarefa de comprar quatro bilhetes para a magnífica Companhia Teatral do Chiado. Até aqui, nada de especial...

Mas a CTC, agora, vende os seus bilhetes através de um serviço externo e isto implica, desde logo, não poder apresentar bilhetes antigos e com isso conseguir um desconto MUITO simpático. Paciência, fica mais caro mas é Natal.

Chega-se à altura de pagar e eis que o serviço de bilhetes cobra 6% sobre o total. A coisa acaba de ficar ainda mais cara. Paciência, que é Natal.

Acaba-se a encomenda (já com dois encarecimentos) e é-nos apresentado um écran informando de que temos de imprimir os bilhetes. Sim, não basta um email para levantar os papelinhos, ou um SMS para conferência no local (como na CP), ou um SMS com códigos de barras (como no Benfica). Não, temos de imprimir os bilhetes e tem de ser uma folha para cada um. Terceiro encarecimento, portanto. Como os bilhetes são grandes e muito coloridos, se um tipo se descuida, a coisa ainda implica mais gastos.

Até aqui, falou-se de gastos extras pelo luxo de comprar uns bilhetes na internet. Agora, vamos ao resto...

A impressora da casa dos meus familiares não tem ligação sem fios. Isso implica que eu pegue no meu portátil e vá até à sala onde está a dita. Quando lá chego, a máquina precisa de ser instalada no meu computador. O Windows não tem os drivers e é preciso puxá-los da internet. Na sala da impressora o sinal é muito fraco e tenho de regressar à origem para ter ligação à net. Uma vez aí, apesar da ligação, os drivers não são puxados e a coisa não fica instalada. Não há problema: mando um email para o meu tio (que está sentado ao meu lado) para que ele vá com o seu portátil à salinha da impressora para imprimir os bilhetes.

O assunto parecia bem encaminhado mas eis que a impressora só tem tinta preta e recusa-se a imprimir a preto e branco. O que fazer? O meu primo oferece-se para imprimir os bilhetes no seu quarto. O meu tio envia-lhe então um email com o PDF dos bilhetes (que já anda a passear em três contas...).

Chegado ao seu quarto,o meu primo repara que, como tinha formatado o seu PC ontem, também precisa de instalar a sua impressora. De caminho, nota que precisará, igualmente, de instalar o Adobe Reader.

Resultado, para ter os bilhetes para o teatro (muito mais caros), foram precisas três pessoas, três contas de correio eletrónico, duas impressoras, três computadores e mais de uma hora de trabalho.

É Natal, é o que vale.

Estou preparado!

Já estou preparado para a ceia de Natal. Não, não comprei um bife para poder fugir ao bacalhau mas muni-me de outras coisas que podem servir para animar o serão: uma garrafa de Vinho do Pico (que me custou o mesmo que várias de vinho de mesa - espero que valha a pena!) e outra de um licor madeirense que promete fazer furor, à base de rum, mel e maracujá. Para quem isto não seja suficiente, ainda há uma "pasta" de pistaccio, comprada numa pastelaria árabe.

A vantagem de aparecermos com comes-e-bebes (quanto menos comuns, melhor) é que podemos sempre dizer "Eh pá, não trouxe prendas mas trago aqui umas coisas boas" e com isto descartamo-nos à secante obrigação social de andar a comprar prendinhas para este e para aquele, situação que se torna patética quando temos de dar merdinhas só para não ficar mal na fotografia no que respeita aos convidados que mal conhecemos ou com quem não temos confiança nenhuma. No topo das prendas tristemente ridículas estão as caixas com velinhas...

Portanto, quando a televisão estiver ligada num qualquer canal de futebol e os machos da família se deleitarem a discutir os assuntos da quadra (i.e., o Benfica-Porto ou o Benfica-Cascalheira ou ainda o Benfica-NãoSeiQuem), eu falo com as garrafas. É capaz de ser divertido!

Entretanto, reparei que já tive a minha primeira prenda de Natal na forma de dois novos "sócios" deste blog. À vossa!

Amália no CCB

A foto ao lado podia ser o Calçadão de Copacabana ("moderna" obra nossa no Brasil) mas não é: é a alcatifa que cobre o chão da entrada da exposição "Amália", no CCB. Se este enorme tapete nos dá vontade de ser miúdos e desatar às cambalhotas, o melhor é mesmo conter os impulsos juvenis e guardar os nossos sentidos para o que se segue: uma enorme exposição dedicada à diva do Fado, assente em imagem e som, onde podemos contemplar todo o tipo de recordações ligadas a essa voz espantosa que cantou o nosso país mas que, infelizmente, também se dedicou a umas saloíces estrangeiradas às quais - a meu ver, mal - a exposição dá demasiado destaque. Podem dizer que é preconceito meu mas não me agrada caminhar por aquele espaço de homenagem a um ícone nacional e ouvir o "perompopero" (ou como é que se chama aquilo) abafar jóias da música a que se convencionou chamar "a música de Portugal". Nem o "perompopero", nem o "toro y la luna", nem uma qualquer coisa italiana que até tem direito a uma sala própria...

Pode-se alegar que as espanholices e outras "ices" de Amália fazem parte da sua carreira (e é verdade), que elas contribuiram para parte do seu êxito lá fora (igualmente verídico) mas há um sentido de prostituição artística e traição às raizes que me desagrada profundamente mesmo que as canções estrangeiras fossem adaptadas à sonoridade do fado. Afinal, se Amália era procurada inicialmente, não seria por causa das concessões aos internacionalismos mas sim pelo que de genuinamente português apresentava. Mas, sendo tão portuguesa, Amália tinha aquele gene de falta de orgulho que nos leva a querer corresponder ao interesse alheio não com um reforçar da nossa identidade mas sim com a apropriação parola dos traços de quem elogia.

Críticas à parte, vale a pena vaguearmos por ali, olhando as fotografias, ouvindo as canções - que até têm direito a uma enorme sala de audição onde apetece ficar deitado nas plataformas almofadadas contemplando um "paredão" de cortinas vermelhas onde duas pequenas colunas nos enchem com música (e, mais uma vez, estrangeirices metidas à pressão) -, passando pelo meio dos três gigantescos corações minhotos (a notável obra "Coração Independente") que rodopiam incessantemente numa sala só sua ou abrindo as gavetas com objectos pessoais e onde se descobrem simples e emocionantes cartas da cantora... enfim, sentindo, vendo e ouvindo Amália.

Numa salinha a um canto, a vocação "moderna" do Museu Berardo deixou espaço para que artistas expusessem obras cuja temática fosse Amália Rodrigues. É um espaço a evitar - felizmente pequeno -, já que a mediocridade das obras é por demais evidente num claro contraste com outras "homenagens" de qualidade como a do projecto "Amália Hoje" (que, curiosamente, também caiu na tentação da estrangeirice ao enfiar no disco com uma versão do tema "L'important c'est la rose" - para quê?!).

Como de costume no Museu Berardo, a entrada é gratuita. Não há desculpas para faltar.

Devaneios hormonais

Esta rapariga (Rita Carmo), não só é talentosa como, ainda por cima, tem aquele "je ne sais quoi" que, de vez em quando me lembra de que as mulheres podem valer a nossa paciência...

Impõe-se uma sessão fotográfica com a... fotógrafa. Agradece-se, sim?

Vontade de chatear (14)

A Securitas é uma conhecida e antiga empresa de segurança. Como empresa honesta que é, a Securitas leva muito a sério a segurança dos seus clientes. Já os outros, os que não lhe pagam, têm tratamento diferente. Observe-se a forma como este brioso "agente" da empresa estacionou o seu carro na Av. Alias Garcia, à noite. Da ponta do carro ao caixote do lixo vão dez centímetros, o suficiente para um contorcionista passar mas muito pouco para que os peões possam circular no passeio que, afinal, devia ser para eles. Como não pagam à Securitas, têm de caminhar na estrada e exporem-se a levarem uma trancada dos carros que passam. Tudo porque o agente da "Vigilância Mobile" (exactamente, não leram mal) não esteve para deixar o carro num dos muitos lugares de estacionamento da zona, às 22:00 de um Sábado e achou que uma coisa é ele ser "mobile", outra coisa é ter de andar meia-dúzia de metros até chegar ao carro.

Como de costume, o tuga ligou os quatro piscas, para que a sua conscienciazinha abrutalhada se sentisse descansada.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Um médico às direitas!

Andava eu folheando umas revistas com sessenta anos quando deparei com este anúncio. Não só vemos um médico a fumar (nada de especial, é certo) como ele até nos aconselha uma marca em especial: Camel. Espíritos céticos apontariam aqui um qualquer trocadilho maroto mas eu prefiro ver neste médico um homem bom preocupado com o nosso bem-estar mental, um seguidor das teorias holísticas que aconselham a olhar para os doentes como um todo e não apenas a olhar para um paciente como um fígado, uns pulmões, uns joanetes...

Este médico americano de antanho é um modelo que devia ser seguido, alguém que nos conforta e apoia nos nossos pequenos vícios, um porreiraço que nos abraça e diz "Gosta de doces? Enfarde-se neles, homem!", que percebe a complexidade da alma humana e a aceita - "É boa a pinga, não é? Beba mais um, vá lá...", que entende a incontornabilidade (pausa para respirar) dos pequenos prazeres mundanos - "Cerveja e amendoins, meu amigo, sempre ao sofá!", que não se compraz na tortura dos nossos corpos mas que procura o seu conforto - "Cansa-se na ginástica? É porque lhe faz mal." Isto sim, eram bons médicos, os que os americanos tinham.

Depois, vieram uns chatos e acabaram com a festa.

Acompanhantes incluídas?

Oh pá, eu sempre quis ir num cruzeiro! E, ainda por cima, andam para aí uns que até têm um preço em conta. Mas, como solteirão que sou, se for apresentar-me na agência de viagens pedindo um bilhete aplicam-me logo com uma taxa especial como castigo de não levar companhia. Sim que isto de barcos, hotéis e até casas está pensado para casais. Se não houver cara-metade - paciência -, fica mais caro.

Mas eis que o génio humano (e o aperto da crise) descobrem a solução: acompanhante grátis! Foi esta a brilhante solução para quem conversa com a sombra que uma empresa turística descobriu. Ou assim me fez pensar o meu espírito fantasioso quando deparei com o cartaz que aqui se mostra. Por breves instantes imaginei-me em frente ao funcionário da agência pedindo um cruzeiro e o catálogo das acompanhantes. Mais difícil do que decidir o destino da viagem seria escolher a companhia. Ah, que a baba já escorria na antecipação da viagem mas... eis que olho para umas letrinhas pequenas e tudo se desmorona: a acompanhante tem mesmo de ser fornecida por nós - eles só não lhe cobram pela passagem...

Ora bolas, fico novamente em terra vendo os navios passar!

Vontade de chatear (13)

Suponho que, se fossem perguntar a este automobilista a razão de estar a ocupar com o seu popó toda a área de estacionamento reservada às motas ali para os lados das Picoas ele alegaria que:

1) ao Domingo de manhã é dificílimo estacionar em Lisboa
2) é daltónico e não consegue ver o chão pintado de amarelo
3) o boneco representando um homem sobre uma mota podia ser um grafitti
4) não resiste a a ver uns pinos que tem logo de se meter no meio deles
5) o parque de estacionamento que há ali perto é só para quem quer ir ao cinema
6) anda a trabalhar e não é nenhum burguês
7) é pobre, mal casado e o patrão bate-lhe
8) toda a vida quis ter uma mota mas o pai não deixou
9) anda sobre quatro rodas mas tem alma de "motard"
10) ligou os piscas e isso desculpa-o de tudo

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

O Porto está vivo!

Cavalgando a recente novidade dos casamentos homossexuais, a Câmara Municipal do Porto decidiu apelar ao espírito inovador, tolerante e aberto que marca a capital do concelho do Porto e instituir os "Noivos de São João".

Esta iniciativa enquadra-se numa sã concorrência com a capital do país e visa estabelecer pontes de solidariedade que permitam aos casais "gay" o acesso à felicidade em moldes iguais aos dos pares mais conservadores patrocinados pelo santo alfacinha de nome António e conhecido popularmente na zona de Alfama por "Tó Santo".

Indagado o presidente da edilidade nortenha sobre se isto seria uma resposta à partida dos aviões da Red Bull para Lisboa, Rui Rio escusou-se a alimentar polémicas declarando apenas que "Mais uma vez, Lisboa está atrás e é assim que gostamos".

Da parte das forças vivas da cidade vizinha de Gaia, as reacções não poderiam ser mais positivas tendo a Associação Comercial do Porto desmarcado o boicote por si promovido à Red Bull, EDP, Galp, Santa Casa da Misericórdia, Associação de Cegos de Portugal e Federação Nacional de Filatelia com base na necessidade de desanuviamento das relações entre as duas cidades. "Nunca estivemos contra Lisboa, apenas achámos nojenta a atitude do monhé que manda naquela cidade marroquina", afirmou o presidente da associação que avançou até com um "slogan" para a iniciativa: "Beba um Porto e case com um roto".

Também a população portuense está entusiasmada com os "Noivos de São João" e sente que esta é a grande oportunidade de a cidade dar a volta e afirmar-se. "É importante que nos assumamos como cidade de ponta" proclamou orgulhosamente Roberto Baibém, um empresário de restauração na zona da Ribeira. "O Porto dá a cara e tudo mais para mostrar ao mundo o que realmente é", continuou o mesmo Baibém enquanto atendia uns turistas estrangeiros vindos do sul. "O país julga que nos pode guardar num armário mas nós vamos saltar cá para fora!", concluiu o empresário.

A hipótese de Lisboa promover um acontecimento semelhante por forma a roubar o protagonismo internacional que se espera a Invicta venha a ter é descartada por António Costa (o presidente da CML) que, aliás, manifestou o desejo de ajudar a CMP na organização do evento já que é conhecida a experiência do santo lisboeta em assuntos de bilhas partidas.

Mas, nem tudo são mares de rosas no Porto. A ILGA e a Opus Gay já vieram a público recusar a atitude condescendente da CMP exigindo que os casamentos joaninos incluam igualmente casais heterossexuais "Nem que os tenham de ir buscar a Guimarães!". Para as associações de defesa dos direitos dos homossexuais, é inaceitável a "guetização" dos matrimónios e a sua manipulação para fins políticos e turísticos. Por outro lado, o Bloco de Esquerda condenou vivamente a figura de São João que considerou "um lobo com pele de cordeiro".

Apesar destas reacções dos sectores homoactivistas, Rui Rio está esperançado em que tudo corra bem e adiantou alguns pormenores sobre as festividades: Desfile pela Av. dos Aliados, casamentos na Sé celebrados pelo Papa da cidade e, finalmente, copo de água no Palácio de Cristal que, contrariando o seu nome, será tapado para formar o maior quarto escuro de sempre. "Teremos cá um funcionário do Guiness para oficializar o record" sublinhou o Presidente da Câmara.

A segurança do evento estará a cargo de "uns rapazes de Gaia".

É neste espírito empreendedor que se têm vivido os últimos dias na capital do trabalho, com as autoridades preparando dossiês de promoção da cidade e realizando um sem número de contactos por forma a maximizar a "experiência portuense" de todos os que se desloquem à urbe para casar. "Já temos um símbolo para os Noivos de São João" - declarou Mirinda Catraia, a responsável pelo departamento de turismo da câmara - "Estávamos indecisos entre o edifício da Câmara e a Torre dos Clérigos mas optámos pelo primeiro porque está mais acompanhado dos lados e é um óptimo símbolo do que esta cidade é".

Relativamente à data em que os casamentos se irão realizar, a única certeza até ao momento é de que ocorrerão posteriormente à tradicional festa de São João já que nessa pretende-se que toda a gente possa martelar sem constrangimentos.

Segurança no trabalho, mano

:)

Vontade de chatear (12)

Pareceria difícil de acreditar se eu, porventura, fosse marciano mas, sendo de cá, já começo a alinhar na política do sorriso amarelo e do "não há nada a fazer"...

Este carro estava parado na zona da Lapa, no meio da estrada, bloqueando a passagem ao eléctrico, para que o seu dono fosse ao multibanco que está logo ali.

O que vale é que ligou os quatro piscas, essa maneira tão nossa de dizer "Cago em ti mas cumpro o código!".

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Checkpoint Galp

Não sei se será influência das notícias sobre as guerras com o petróleo como fundo mas esta bomba da Galp, ali na Av. Frei Miguel Contreiras (ou o frade que nunca existiu), parece mesmo um daqueles checkpoints militares. Só lá faltam os fuzileiros.

Se calhar, o melhor era mesmo chamar a tropa para guardar o local porque, se os proprietários sentem esta necessidade de barrar o acesso às bombas, é porque aquilo devia ser uma guerra fora de horas...

Entendam-se lá, por favor!

Este é um daqueles casos em que o transeunte fica sem saber que reação ter: rir ou pasmar?

Este prédio, situado na Costa do Castelo, pouco antes ou pouco depois do Teatro Taborda tem o destino dividido entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Assembleia Municipal de Lisboa. Uma diz que sim, a outra diz que vai pensar. Ambas deviam trabalhar para o mesmo mas, pelos vistos, andam às turras. Enquanto isso, o prédio e os seus moradores, que fiquem esperando que as comadres façam as pazes...

Uma estrada alegre



Ora digam-me lá se esta pintura da estrada que passa junto ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian não é uma verdadeira alegria?

Contra o cinzentismo, pintar! Bolas e bolinhas de todas as cores, vida ao alcatrão, alegria ao volante!

Se todas as estradas fossem assim, aposto que havia muito menos acidentes. As criancinhas também chateavam menos nas viagens porque podiam ir entretidas a contar quantos milhões de bolas até chegar a casa :)

Vontade de chatear (11)

Neste caso de tuguismo põem-se várias hipóteses:

1) o condutor é analfabeto
2) o condutor não conhece os sinais
3) o condutor está embriagado
4) o condutor é uma besta quadrada
5) todas as anteriores

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Quando falou, saiu disparate

As palavras do Dunga acerca dos jogadores brasileiros na Selecção Nacional causaram-me uma desilusão do caraças. Toda a vida tive o Dunga como o meu anão preferido e, quando finalmente o ouço falar... sai disparate!

Entusiasmo q.b.

Os jornalistas têm destas coisas: umas vezes ignoram olimpicamente notícias da maior importância; outras, dão-se ao luxuoso entusiasmo de colocarem a mesma notícia três vezes na primeira página de um site. É o caso do texto relativo à vitória do Porto sobre o Atlético de Madrid (vejam a foto ao lado).

Entusiasmos (ou distrações à parte), o FCP aviou três secos nos madrilenos (um por notícia, já se vê) e pos muita gente à beira da euforia, aquele estado de alma onde não se consegue perceber a verdadeira noção das coisas: o campeão português derrotou um clube espanhol de segunda categoria no que parecia uma espécie de cimeira ibero-americana onde, no meio de uma multidão de hispânicos, havia duas ou três pessoas capazes de se expressarem em língua de gente. O desporto de clubes tem destas coisas: contrata-se uma batelada de sul-americanos (que fazem birra de não falar Português) e, depois, apregoa-se a grandeza da cidade, da região, do país, como se toda aquela estrangeirada representasse qualquer coisa mais do que o patrão que lhes paga o ordenado...

Enfim, viva o Porto que é o nosso único orgulho em termos de clubes de futebol e abaixo os seus adeptos que, como de costume, passam mais tempo a discutir picardias saloias com os outros clubes, bairrismos pacóvios com os outros compatriotas e outras doentias emanações dos "verdadeiros portugueses" do que, propriamente, a comemorarem as suas justas vitórias... Uma tristeza.

Em Português nos entendemos?!

No serviço de apoio ao cliente da empresa onde trabalho caiu um pedido com o seguinte título:

Label no container do Login



Abrindo-o, revelou-se todo o mistério...

Corrigir label do Spam




Qualquer semelhança entre este linguarejar e a língua que - dizem -, se fala neste país, só pode ser mera coincidência.

A cidade dos aviõezinhos

A Invicta, volta e meia, fica agitada. Não estou a falar das cíclicas festas a comemorar as vitórias do FCP, nem do famoso São João. Há, de vez em quando, "matérias" que geram polémicas com formatos muito próprios, muito viscerais.

Nós aqui, da cidade capital, olhamos para as questiúnculas com origem na cidade das tripas e, geralmente, rimo-nos das personagens envolvidas (há umas certas semelhanças entre o Porto e a aldeia de irredutíveis gauleses, mormente quando desatam todos à pancada). Ou é um ex-major aos berros, ou é um ex-médico a chorar pedindo para o deixarem ir para casa, ou é um novo presidente da câmara a tentar salvar a pele de uma claque desportiva ainda menos recomendável do que as outras, ou é isto ou aquilo mas, naquela terra - e arredores -, parece que andam sempre todos descontentes uns com os outros e, depois, com os de cá de baixo. Entenda-se por "os de cá de baixo", os que cá estão e os que para cá vierem.

Desta vez, a nova polémica a trazer mais vivacidade àquela cadência choradinha com que os nossos irmãos portuenses falam é a dos aviõezinhos (ou "abionzinhos", que nós não alinhamos em discriminações de pronúncia). A malta do Porto está indignadíssima com a infernal capital por esta lhe ir "tirar" a organização da corrida da Red Bull. Como sempre, nada como ler os comentários às notícias na internet para nos apercebermos dos limites de estupidez a que o ser humano consegue chegar: pedem-se cortes de estrada, revoltas e revoluções, independência, restauração do Condado Portucalense (depois, começam as brigas por causa da definição de fronteiras), união com a Galiza, integração em Espanha, o diabo a quatro... E, a gente, aqui, ri-se...

Parece que a Red Bull tinha um contrato com a CMP e o contrato acabou. A CML adiantou-se e tentou trazer o evento para Lisboa. O Governo, estupidamente, meteu-se ao barulho. Ou seja, o município lisboeta fez o que lhe competia na defesa dos interesses de Lisboa, o do Porto, pelos vistos, não o fez e o Governo meteu-se onde não devia, o que, agora, dá azo a que aquela gente lá de cima ande a imaginar, como de costume, conspirações maquiavélicas para tirar o brilho à Invicta.

Mas isto seria demasiadamente simples. O problema do Porto não reside na linha do Tejo mas sim em si mesmo. O Porto é uma cidade com um ego exacerbado e, como acontece quase sempre a personagens com semelhante defeito, perde demasiado tempo a falar de si mesmo e muito pouco a fazer pela vida. Esta situação dos aviões é o melhor dos exemplos: a reacção perante a deslocalização da prova não foi de confronto saudável, nem de dinamismo institucional. A concorrência não agrada ao Porto. Ele quer a prova porque é sua e ponto final. Chegou lá primeiro e o resto que se lixe. É como aqueles homens que acham que por terem sido o primeiro namorado de uma rapariga, ela tem de lhes ser fiel para toda a vida. Só que a Red Bull quer é dinheiro e está-se pouco importando para o Porto ou Lisboa ou a Cascalheira. No Porto não percebem isso e reagem como crianças mimadas a quem tivessem tirado um brinquedo.

A associação de comerciantes do Porto vai mais longe na birra por causa dos aviões, incitando a um boicote aos patrocinadores do evento. Que nem mais um pingo de Red Bull escoe pelas gargantas da juventude portuense! Que nem mais um SMS seja enviado pela TMN! Que nem mais um carro role com gasosa da Galp! Fim aos patifes que roubam a cidade! Morte aos "bámpiiros" da capital que comem tudo.

Só fica por explicar é porque raio é que as tão faladas "forças vivas" do Norte (essa mítica região onde as cidades são todas rivais umas das outras), como de costume, são incapazes de assegurar a prevalência dos seus interesses sobre os de Lisboa. Fica por explicar como é que, no meio de tanto super-empresário, associação comercial e industrial, milionário e família rica de longos pergaminhos, ninguém consegue desencantar formas de dinamizar o Porto, seja com provas desportivas, eventos culturais de massas, estabelecimento de empresas e artistas ou qualquer outra coisa. Ninguém consegue explicar como é que uma vilazinha ao lado de Lisboa consegue ser competitiva com esta (falo de Oeiras) e a (ainda) segunda cidade do país só consegue olhar para a placa de saída...

Realmente, é fácil, é muito fácil pedir boicotes porque estes exigem aquilo em que a "cidade do trabalho" é melhor: não fazer uma porra! Depois, diz-se que é tudo porque os outros são maus como as cobras. Será que até um concerto musical tem de ser organizado no Porto por empresas de Lisboa? Os U2 vão tocar duas vezes em Coimbra, O George Michael foi lá, os Dire Straits tocaram no Algarve mas, no Porto, ninguém pára? Como explicar isto? É culpa do Governo?

A questão dos aviõezinhos prova o quão atual se mantém a famosa cena do Herman José e do seu Engº reunido numa cave secreta com mais três palermas que passam o tempo a irritarem-se uns com os outros enquanto planeiam ofuscar o brilho da Expo 98 com o seu Tripanário (que nunca mais está construído). O humor pode ser uma grande lição... Haja vontade de a aprender!

Racismo x Adaptação

Alguns ainda se lembrarão da mais ou menos recente polémica que envolveu a Microsoft através da sua filial polaca, tudo porque esta resolveu, numa publicidade, substituir a cabeça de um homem mulato pela de um homem branco. Racismo! Gritaram logo os habituais setores exaltados da sociedade. Perdão! Disse apressadamente a empresa americana.

Quem conseguir aliar o bom senso ao mínimo conhecimento do mundo, saberá que a "identificação" é algo de essencial na publicidade. O público-alvo tem de se identificar com as coisas que vê. É por isso que, sendo a publicidade feita na China muito mais barata do que a que se faz por cá, os detergentes para a louça não têm chineses sorridentes mas sim brancos. É por isso que se contratam caras conhecidas da TV para comerciais - porque as pessoas as conhecem e se "identificam" com elas...

Ora, na Polónia não há pretos. E, mesmo que houvesse, não seriam mais do que uma parcela insignificante das várias dezenas de milhões de habitantes que o país tem, logo, um anúncio com um mulato lá metido, não tem nada a ver com o público-alvo.

Por cá, apesar de os não-brancos não chegarem a, parece, 2% da população, já vai havendo o hábito de exagerar a proporção incluindo sempre alguém mais escuro (nunca preto ou indiano) de forma a contentar os espíritos politicamente corretos.

Mas, na Polónia não o fizeram e, vai daí, caiu o Carmo e a Trindade. Curiosamente, tivemos acesso a outro caso semelhante, ainda mais recente, e que envolveu a série de desenhos animados "Simpsons". Estes, como sabem, são orgulhosamente (ups...) amarelos mas passaram por uma cura de escurecimento para a publicidade relativa ao lançamento da série em terras africanas, mais propriamente, em Angola.

E agora? Mudaram a cor aos Simpsons (só para a publicidade), vestiram-nos com outras roupas, mudaram-lhes os penteados... Raios, até alteraram a paisagem no quadro pendurado na parede! Mas, atenção, agora já não é um caso de racismo... é, apenas, adaptação ao público-alvo...

Sorrisos amarelos

"Os sorrisos do destino" é a nova longa-metragem de Fernando Lopes. A apresentação da fita - vista e revista vezes sem conta ao fim de algumas idas ao cinema -, é competente no seu papel de deixar o espetador com vontade de ir ver o filme. E eu fui.

Fui, mas não gostei. E digo já que, atendendo a que é um filme português, convém afastar o quanto antes a hipótese de o meu desgosto se dever àquela peçonha intelectualóide que costuma cobrir a maior parte dos filme cá da terra: o filme de que falo não é um filme "para a cabeça". É, apenas, um filme "sem cabeça"...

Fernando Lopes, responsável por uma das minhas poucas fugas de sala com o seu "98 octanas", fez um filme com uma história débil, servido por personagens repletas de chavões e tão profundas quanto uma poça, assente em péssimos diálogos (com um ou outro momento engraçado) e uma falta de verosimilhança que nem a mais condescendente ironia poderia justificar.

Um casal vive em crise. Ambos vivem num belo apartamento. Ele escreve coisas num caderninho, num estúdio de fotografia e ela parece que anda ligada à literatura e à rádio. Ele, como fica bem em qualquer homem de meia-idade que se preze, é apreciador de Jazz e de whiskey e tem um fraco por boleros (passamos o filme a ouvir canções em Castelhano - o que é óptimo para as dobragens). Ela, como mulher culta, prefere a música clássica. Ele só come e cozinha pratos italianos e gosta bastante de expressões em língua estrangeira. Ela, resolve ocupar o seu tempo com um caso amoroso com um escritor angolano, cabrito, que vive numa obra de arquitectura moderna no Alentejo. Já se vê que ser escritor angolano, em Portugal, dá imenso dinheiro... Ele - o escritor -, apesar de ser um tipo jovem, culto, com boa pinta e viver no Alentejo, fala com a mais genuína pronúncia dos muceques de Luanda e conversa com a sua criada numa ininteligível língua africana. Ele - novamente o escritor -, tem um cão ao qual chamou "Wotan" porque é fan absoluto de Wagner e até gosta de cantar áreas em alemão ao seu cão. Ele - agora, o marido encornado -, tem um colega de trabalho para quem Fernando Lopes reservou a duvidosa graça de ter sempre uma palavrão ao canto da boca (aliás, parece que o realizador - ou quem lhe escreveu os diálogos -, acha que soltar bujardos é a melhor forma de fazer as personagens parecerem genuínas). Ele e Ela - o casal -, têm um filho que anda sempre de fato e gravata e patins em linha e tem uma namorada cuja personagem só perde em desinteresse para a do seu "mor" porque ninguém consegue perceber que raio anda este casal a fazer na história... E, parece que é tudo em questão de personagens. Ele - o marido -, e Ele - o amante, tornam-se amigos enquanto petiscam e bebem vinho e, no fim, não se percebe em que é que tudo aquilo fica. Da mesma forma que não se percebe como é que continuamos a gastar dinheiro a subsidiar merdas destas!

No cômputo geral, dou os meus parabéns ao cão, um belo Labrador amarelo, que parece ser a única coisa verdadeiramente genuína que atravessa a fita.

Eu sabia!

Eu sabia que o Lou Reed me fazia lembrar de alguém - ou algo...