Um médico às direitas!

Andava eu folheando umas revistas com sessenta anos quando deparei com este anúncio. Não só vemos um médico a fumar (nada de especial, é certo) como ele até nos aconselha uma marca em especial: Camel. Espíritos céticos apontariam aqui um qualquer trocadilho maroto mas eu prefiro ver neste médico um homem bom preocupado com o nosso bem-estar mental, um seguidor das teorias holísticas que aconselham a olhar para os doentes como um todo e não apenas a olhar para um paciente como um fígado, uns pulmões, uns joanetes...

Este médico americano de antanho é um modelo que devia ser seguido, alguém que nos conforta e apoia nos nossos pequenos vícios, um porreiraço que nos abraça e diz "Gosta de doces? Enfarde-se neles, homem!", que percebe a complexidade da alma humana e a aceita - "É boa a pinga, não é? Beba mais um, vá lá...", que entende a incontornabilidade (pausa para respirar) dos pequenos prazeres mundanos - "Cerveja e amendoins, meu amigo, sempre ao sofá!", que não se compraz na tortura dos nossos corpos mas que procura o seu conforto - "Cansa-se na ginástica? É porque lhe faz mal." Isto sim, eram bons médicos, os que os americanos tinham.

Depois, vieram uns chatos e acabaram com a festa.

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