Ronha

Procuro por "ronha" nas imagens do Google e aparece-me uma data de imagens de gatos. Porque será?

Àpartes à parte, ontem entro no Saldanha Residence e vejo um velhote contorcendo-se, encostado à parede, segurando duas moedas numa mão, com as quais pretendia fazer um telefonema. A cara tinha um esgar de sofrimento. A figura era-me familiar por frequentar regularmente o local. Pergunto-lhe se está a sentir-se mal. Sim, responde-me com dificuldade. Eu, na minha palermice, em vez de chamar logo uma ambulância, parti em procura de um segurança. "Não saia daqui", disse eu ao velhote. Lanço-me à aparentemente fácil tarefa de encontrar alguém. Engano meu: os seguranças estavam em Marte. Nas voltas que dei comecei a achar que estava a fazer um disparate, o velho podia estar a morrer e eu ali, procurando alguém. A consciência defendeu-se com a ideia de que talvez o pessoal do centro comercial possuísse conhecimentos de primeiros-socorros ou existisse mesmo um médico no local. Finalmente encontro uma cabina de atendimento. Chamo um segurança que estava a comer, ele salta e vem ter comigo, conto-lhe o que se passa, ele imediatamente transmite a informação. Quando volto ao sítio onde o velho estava cruzo-me com dois seguranças que já o procuravam. Fizémo-lo juntos e, do aflito, nada. Começo a sentir que estou a fazer figura de parvo até que um dos seguranças me pergunta se o indivíduo é determinada pessoa. Que sim, confirmo eu e eis que um outro segurança aponta o velhote algures na zona de comidas, acompanhado do filho. Chegamos perto dos dois e o velhote já caminha por si. Naquele momento apeteceu-me dizer-lhe "Porra! Não lhe disse para não sair de onde estava?!". O filho informa que aquilo é só ronha, que já o conhece e que o pai bebe muito. Digo-lhe que o velhote estava todo torcido. Que sim, mas é de beber demasiado, repete em tom entre o frio e o embaraçado. O grupo de busca desfaz-se, um dos seguranças acena com um ligeiro "obrigado", o velhote segue acompanhando o filho e eu rumo para o cinema.

Lembro-me de uma vez ouvir o mesmo homem (o filho) dizer ao velho "Não bebes mais nada! Metes nojo!" e recordo que, nessa altura, o homem cambaleava. Era ronha, então...

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