Cadeiras ao largo


O Festival ao Largo, desde há alguns anos, é uma daquelas lufadas de ar fresco que nos refresca as noites quentes de Julho. Música clássica, teatro, dança, tudo de graça e na bela praça junto ao teatro de São Carlos, em Lisboa.

Agradeça-se a quem é de direito, aos patrocinadores, aos organizadores, às entidades, às excelências e a quem mais seja justo pela oportunidade que dão a muitíssima gente de tomar contacto com tanta coisa boa. Aliás, todo o recinto fica à cunha em dias de espetáculo e até me atrevo a dizer que o aluguer de varandas poderia ser um negócio interessante.

Dito isto, há que dizer que numa coisa (apenas numa) a organização falha: nos lugares sentados. Não é que eles sejam poucos (embora um pequeno mar de gente fique em pé), mas ninguém impede que muita gente abusadora vá para o local duas horas antes e ande a espalhar roupa pelas cadeiras contíguas para marcar lugar para os amigos. A situação é perfeitamente escandalosa já que a falta de ética e respeito pelos outros evidenciada por estas criaturinhas faz com que se verifiquem situações tão absurdas quanto haver centenas de pessoas em pé em pleno espetáculo e ainda estarem a chegar os oportunistas que se vão sentar nos lugarzinhos ciosamente guardados para eles pelos amigos. Ora, a organização, através dos vários rapazes engravatados que por lá andam, poderia perfeitamente ir chamando a atenção dos abusadores para o facto de não poderem marcar lugares ou, em hipótese alternativa, apenas poderem guardar um (o que não seria nada do outro mundo) e, inclusivamente, a partir de certa altura, poderiam os mesmos moçoilos dirigir pessoas que estivessem em pé para os assentos vagos. Seria uma forma mais do que justa de "punir" os prevaricadores, creio eu.

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