Pessoa e a bandeira

O blog da Casa Pessoa publicou um texto do poeta onde ele bate forte e feio na bandeira nacional escolhida pela República. Fora do seu contexto histórico parece coisa demasiadamente agressiva e, até, ofensiva o que me faz perguntar qual terá sido exatamente a ideia dos responsáveis pelo blog? É um ato de crítica ao atual estado das coisas? Provavelmente. Mas se assim o é, então, as palavras de Pessoa não passam de um exagero populista à luz dos nossos dias. Para populismos e demagogias baratas, já temos muita gente. Não me parece que precisemos de que uma entidade cultural se encarregue de engrossar as fileiras da maledicência.

E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional – trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.


Mas não joguemos fora toda a crítica. Numa altura em que tanta coisa se põe erradamente em causa (até a independência nacional!), não seria realmente descabida uma séria reflexão sobre a estética do nosso símbolo maior. As cores nacionais são um verdadeiro pesadelo para quem queira fazer qualquer coisa com elas e Pessoa não foi, nem de longe, a única figura grada da nossa intelectualidade a "embirrar" com a bandeira.

Mudar de bandeira? Porque não?

Ver o post em: mundopessoa.blogs.sapo.pt/409203.html

1 comentário:

WoodBeat disse...

A verdade é que basta ver a história de Portugal para saber que ao longo da mesma o país teve diversas bandeiras (e que a maior parte das vezes mudavam de rei para rei).