Chegou-me agora do Algarve um anúncio de um evento de observação de aves, em Sagres.

Como nenhuma zona do país (com exceção de uma parte do Funchal) é tão "aberta" à modernidade anglófila como o ALLgarve, os organizadores do encontro resolveram chamar-lhe "Birdwatching Festival Sagres".

Birdy, birdy... BARDAMERDA!

Playboy PT: o fim

Pois é, acabaram-se as férias, está-se de volta ao trabalho e, apesar de muita coisa para escrever, a preguiça é tanta que não deixa vontade para mais do que largar aqui umas coisas rápidas.

Por falar, em rapidez... Acabou mesmo por ser rápido o fim da edição nacional da Playboy. Ao que parece, aquilo nasceu torto e, só para confirmar o ditado, nunca se endireitou. É pena, mesmo que o núcleo da revista (as "piquenas" nuas) nunca tenha sido nada de especial (foi fraco, até - e a última edição mostra-o bem).

Para a posteridade, para que todos se possam lembrar de mais uma tentativa abortada de ter uma revista "masculina" aqui no retângulo, deixo o link para um arquivo de capas (e não só...) da Playboy, à escala mundial. Divirtam-se!

LINK: Playboy Cover Archive


PS: a nível de curiosidade, "Rita Mendes" e "Playboy" continuam a ser as expressões de entrada mais comuns para este blog. Convenhamos que houve coisas muitíssimo melhores do que o ensaio envergonhado da apresentadora, não?


A pergunta a fazer é: depois de destruirem a imagem do bom do Eddie, estará Janick Gers a substituí-lo?

Ah pois! E logo agora, que começou a chover...

As tainhas são umas "gandas" doidas!

A Europa-América publicou mais um utilíssimo guia prático capaz de fazer as delícias dos amantes da "arte" da pesca.

Da autoria de Henri Deuil e traduzido pela Ana Maria Castro Gonçalves, é um livro que nos reserva pequenas surpresas como esta, do capítulo dedicado às tainhas:

(...) Há alguns [iscos] que se desmancham mal o peixe lhes dá uma chupadela e, portanto, não chegam a ter utilidade.

O toque da tainha é deveras emocionante, porque não é um toque direto, antes parece que ela se diverte a brincar com o isco. Vem uma e chupa-o com as pontas dos lábios, mordisca-o, cospe-o. Vem outra e faz o mesmo - e o isco a afastar-se de nós...

Mas não tenha presa. Quando uma tainha engole o isco, o
engole mesmo, mergulha a grande velocidade e a bóia afunda-se. Então dê-lhe linha, deixe-a cansar-se antes de ferrar. (...)



Agora percebi o porquê de haver tantos filmes porno passados em barcos de pesca...

Bebedouro para anões

Ter um executivo de esquerda na Câmara Municipal é garantia de que toda a gente é respeitada, e as minorias ainda mais.

Finalmente, alguém com juizo e, acima de tudo, muita sensibilidade, resolveu preocupar-se com essa discriminação gritante que é a ausência de bebedouros para anões. Para já, ainda é só um (ali na estação do Colégio Militar) mas em breve será possível às pessoas muito pequeninas saciarem a sede em mais locais da capital.

Só falta mesmo é ligar a água...

Animal abandonado (imagem chocante)

Como é que possível haver quem faça uma coisa destas?

O Público é um jornal doente ou doentio?

O jornal Público tem uma vantagem em relação à concorrência: a "qualidade" do seu site. A partir daí, o pasquim do grupo Sonae é uma versão "chique" do Correio da Manhã, com a diferença de que o tempo que este último gasta convencendo a população de que vive num cenário de guerra, aquele usa na tentativa de rebentar com a autoestima da nossa população. Veja-se bem - sim, olhe-se e pense-se -, na fotografia escolhida para ilustrar um evento tão pouco importante quanto uma cidadã nacional (Telma Monteiro) ter sido vicecampeã do mundo de Judo. É uma imagem de força? Não É uma imagem de confiança? Não. É uma imagem de energia? Não. É a imagem de uma derrotada, de alguém derreado enquanto o adversário comemora a sua superioridade.

Esta fotografia - que o jornal poderá dizer que foi a única que recebeu (desculpas de mau pagador) -, é apenas mais uma arma numa campanha de denegrimento da nação. Se a judoca portuguesa é a segunda melhor do mundo (feito inegavelmente brioso), então, há que salientar o lado negativo da questão: a derrota. Telma Monteiro, falhou. É portuguesa e morreu na praia. Está ali, caída, impotente, sem ser capaz de mais, e isso é o Povo Português, a gente fraca que nunca vence e toda a vida se recorda de que esteve "quase lá".

Os jornalistas do Público sabem o que fazem. Quem os manda fazer isto, também sabe. E nós sabemos porque eles o fazem, da mesma maneira que nos apercebemos da perseguição a figuras públicas (sem que nunca se chegue a lado algum), da constante exposição dos podres da sociedade, do enaltecimento (!) da conflitualidade, da secundarização de notícias inegavelmente positivas, dos fretes prestados a países estrangeiros, etc.

Pobre Telma que não venceu. E pobres de nós que não nos conseguimos ver livres desta porcaria...

Laranjas no jardim

Há algum tempo atrás, o jardim de São Pedro de Alcântara tinha dois novos pontos de interesse.

A propósito de uns concertos ali realizados, lembraram-se os serviços camarários de pespegar com duas casas de banho portáteis no local. E fizeram muito bem. O que já não se percebe é a escolha da localização. Em vez de porem os cagatórios por trás do palco ou encostados ao muro do lado da estrada ou, basicamente, em qualquer lugar escondido, os artistas da CML acharam por bem fazer uma espécie de "intervenção" botando aqueles dois mastronços laranjas no local de maior destaque do jardim, ou seja, mesmo na zona onde toda a gente para para olhar a magnífica vista!

Enquanto o fenómeno durou, foi quase impossível tirar uma fotografia de Lisboa, em direção ao Tejo, sem que aparecessem duas cabinas laranja ao canto, quais emplastros em versão mobiliário urbano.

A pergunta é óbvia: esta gente bebe em serviço?



A propósito de umas declarações de Stephen Hawkings sobre deus (assim mesmo, que raio!) e a reação beata de alguns desesperados em provar o absurdo, aqui fica uma coisinha divertida para acabar a semana.

Da abjeção aos críticos

A crítica escrita - entendendo-se como etiqueta aglomeradora das críticas a todas as formas de arte -, já há muito tempo que se converteu num subgénero literário onde aquilo que menos interessa é transmitir a opinião do crítico sobre o objeto criticado e mais exercer uma espécie de desfile de todos os recursos estilísticos do autor, sempre fortemente apoiados num fundo cultural convenientemente elitista por forma a que as referências semiobscuras encantem sem por isso virem trazer qualquer luz ao texto que permita ao acidental leitor vislumbrar a resposta à mais importante das perguntas: "Isto é bom, ou não?"

Aliás, a crítica cinematográfica (aquela por onde mais passo os olhos), parece ser como os filmes prediletos dos próprios críticos: coisa feita por uns para gáudio de poucos. Daí terem inventado aquela coisa das estrelinhas, forma concisa de meter 1500 palavras em quatro ou cinco bonequinhos que os críticos pintam ao sabor dos seus, agora desvendados, gostos.

Os críticos não gostam das estrelinhas. O público, adora-as.

Mas as próprias críticas mereciam um sistema de estrelinhas que pusesse de sobreaviso o leitor: uma escala de hermetismo semântico-lexical só possível na internet pelas características interativas desta. Quem ainda se dá ao trabalho de ler jornais, está lixado. Mas, se pagou pelo prazer de sujar as mãos, então, merece-o.

Tudo isto (toda esta verborreia, dirão alguns), vem a propósito de uma crítica deixada no Cinecartaz do Público, a propósito do filme "The box" (Presente de morte), recentemente estreado nas salas nacionais. Ao contrário do que se possa pensar, o texto que me maravilhou (de uma forma perversa, entenda-se) não é o de um crítico mas sim o de um leitor respondendo ao crítico. Mais papista do que o papa, mais crítico do que o crítico, houve alguém capaz de arrasar com toda a concorrência e, acredito, por uma vez meter na ordem os profissionais do setor. Não que o tenha feito como ironia mas sim como autêntica prova da existência de muito talento por aí, gente com a qual nos cruzamos e por quem não damos nada para, no fim, serem capazes de escreverem coisas como esta...

"(...) Talvez haja resquícios de um contágio binário em alguns pareceres cinéfilos; somos herdeiros [homens do século XXI] de uma trama económica que reinventou medidas e reprime contingências, inclusive no campo artístico. As facções que protelam o direito à subjectividade bifurcam (com imperativa lógica) o caminho binário trilhado. No entanto, o que antes era “surreal” e “esquinado”, ou uma facção anti-lógica binária com face própria (estética surrealista), tornou-se apenas o reverso da moeda, a cara oposta à coroa economicista: isto é dizer que, da mescla democrática formada por direitos de expressão e direito ao erro [todo o objecto sem propósitos lucrativos] nasceu a nova facção – a do direito à implementação científica da subjectividade. É a ciência do eufemismo, que ao invés de dizer, por uma, outra coisa, diz por outra coisa, coisa nenhuma – esquema niilista da cultura vigente. Chamemos-lhe a ciência do adjectivo [37, se contei bem]; gramaticalmente é formidável, diga-se, e digno de realce – há aqui um jogo complexo entre dois elementos de criação semântica e sintáctica –, pois do uso aleatório do adjectivo nasce o eufemismo, ou melhor, transforma-se o nada (aquilo que há a dizer inicialmente) noutro nada (resultado da adjectivação); ou seja, o adjectivo funciona enquanto consumação da ciência da subjectividade, ou o seu devir-ciência, que dá ao nada uma forma de nada visível – as matérias criadas são de particular eloquência quando se usa dupla adjectivação ou se reforça, habitualmente no final do texto (quando o eufemismo começa a perder força, desgastado pela transformação operada ao nada), o desgastado adjectivo com um advérbio – ah, que objectos se roubam ao nada quando têm este suporte! Passar-me-ia despercebida – ou catalogada enquanto opinião controversa – esta tentativa de “acordar” estados inorgânicos, não fosse cruzar-se com eufemismos de outra estirpe, no caso corpórea [neste caso, a adjectivação reduz a nada objectos inicialmente corpóreos (...)"


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Uma delícia, este vídeo :)
O que o Arnoldinho (nesta altura, ArnolDÃO) tem na mão dá para perceber (só esperamos que ele não seja de desculpas esfarrapadas como o Clinton) agora... que merda é aquela no prato???