A festa, os foguetes e as canas

A comunicação social é uma sonsa. Aliás, para ir melhor com a letra pequena, devo escrever "sonsinha". E das muitas publicações que enchem os escaparates costumo acompanhar mais o "Público", na sua versão internética onde, por puro masoquismo (assumo-o), me dou ao trabalho de ler a muita lixarada que por lá se publica. A que hoje me assaltou mal liguei o computador foi um "cínico" artigo sobre a dimensão mediática do "caso dos mineiros chilenos". Aparentemente, segundo o jornal, desde o 11/9 (aquela coisa na América que matou uns milhares de pessoas) que não se via tamanho acompanhamento mediático de um caso. É capaz de ser verdade.

Mas... como de costume, a comunicação social faz a festa, lança os foguetes e, no fim, apana as canas. A tragédia acontece, a notícia espalha-se, o Público alimenta o "interesse" com textos atrás de textos (há que arranjar conteúdo) perdendo-se em pormenores sem o mínimo interesse, fazendo dos pobres mineiros uma espécie de "estrelas" publicando, inclusivamente, "perfis pessoais" (como se a pequena vida diária deles tivesse algum valor no meio disto tudo); arranjam-se alcunhas para os homens (como se fossem os sete anões), acompanha-se ao minuto o seu salvamento e, depois... faz-se um texto, de forma inocente, dizendo "vejam... desde o 11/9 que não havia algo tão mediático". É de dar a volta ao estômago. E já nem falo na óbvia imoralidade de comparar dois eventos de causas e consequências tão diferentes (como se o seu interesse pudesse ser equiparado) mas tão-só neste comportamento sonso de avaliar os efeitos como se não se tivesse participado na sua causa...

Notícia no Público: Desde o 11 de Setembro que não se via uma operação mediática como a do Chile

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