O buraco que nos separa da Europa

Tivessem alguns dos elementos da FIFA responsáveis pela eleição do organizador do Mundial de 2018 ficado com problemas na consciência por terem dado a vitória à Rússia e o seu espírito estaria, agora, mais sereno do que numa sessão de meditação Zen. A atual greve dos controladores aéreos espanhóis, selvagem na sua definição (por ser feita sem aviso) e de uma irresponsabilidade e egoísmo sem limites foi a melhor resposta que aqueles que apontavam a derrota da candidatura "ibérica" como fruto de jogadas de bastidores poderiam ter tido. Estas, se as houve, perderam neste momento toda e qualquer importância perante o cenário caótico gerado pelas reivindicações dos profissionais espanhóis.

Era este o país que pretendia organizar a mais importante competição desportiva mundial? Um estado onde, de um dia para o outro, centenas de milhares de pessoas são impedidas de voar (imagine-se isto durante a competição!), milhares de voos são cancelados, países vizinhos são tremendamente afetados na sua capacidade de ligação ao resto do mundo e tudo isto nos é servido com a desculpa de "direitos dos trabalhadores"? Aliás, esta maneira de estar é em tudo equivalente à dos camionistas e dos seus regulares bloqueios, ataques a camiões estrangeiros e outras tropelias de igual calibre.

Para remediar tudo isto, assistimos ainda ao terceiro mundista espetáculo dos aeroportos terem de ser tomados por militares para assegurar o seu funcionamento.

Era este o país ao qual pretendíamos "alugar" o nosso bom nome de nação tranquila e responsável para que pudessem brilhar na ribalta mundial? Uma vergonha!

Em dois dias, profissionais qualificadíssimos conseguiram causar mais transtornos do que uma enorme coleção de atentados terroristas da ETA (aliás, se quisermos falar de vítimas, bastaria ficar pelas causadas pela incompetência e irresponsabilidade verificadas no acidente de avião da Spanair). É gente desta que nos servem diariamente como exemplo?

Para piorar tudo isto, ainda teremos de levar com o nosso insuportável primeiro-ministro dizendo que agora se viu como o TGV é importante. Um mal nunca vem só...

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